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Estudantes Internacionais no Ensino Superior Português 2026: Quantos São e de Onde Vêm (Dados DGEEC)

Estudantes Internacionais no Ensino Superior Português 2026: Quantos São e de Onde Vêm (Dados DGEEC)

57.581 estudantes internacionais escolheram uma instituição de ensino superior portuguesa para realizar um curso completo no ano letivo de 2025/2026. É o número mais recente publicado pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), e confirma uma década de crescimento sustentado dos estudantes internacionais em Portugal — dados que qualquer candidato, gestor académico ou jornalista precisa de citar corretamente, porque a DGEEC usa três métricas diferentes para medir a mesma realidade, e confundi-las produz números que não batem certo.

Este artigo separa essas três métricas, mostra os números absolutos mais recentes (RAIDES 2025/2026, dados reportados a 31 de dezembro de 2025), a evolução por ciclo de estudos na última década, os países de origem e o que estes números significam na prática para quem gere ou frequenta o sistema. Sempre que dois números parecerem contraditórios, é porque medem coisas diferentes — e isso fica explicado.

Resposta rápida: Segundo a DGEEC (RAIDES, dados a 31/12/2025), 57.581 estudantes internacionais estão matriculados em Portugal para cursos completos (mobilidade de grau) e mais 14.968 em mobilidade temporária de crédito (Erasmus+ e afins). O Brasil é, disparadamente, o principal país de origem, seguido por Guiné-Bissau, Cabo Verde e Angola — mais de metade dos estudantes internacionais vem de países da CPLP. O mestrado é o ciclo com maior peso internacional (26,2% dos inscritos em 2024/2025).

Quantos são: os números de 2025/2026 (RAIDES)

O primeiro momento do inquérito RAIDES 2025/2026, publicado pela DGEEC em abril de 2026 com dados reportados pelas instituições a 31 de dezembro de 2025, registou 447.680 estudantes inscritos no ensino superior português no total — o valor mais alto da última década, com mais 6.705 inscritos face ao ano letivo anterior. Deste total, 270.830 estão em licenciatura (menos 4.445 do que no ano anterior) e 122.922 em mestrado (mais 7.361), o que já sinaliza uma recomposição do sistema a favor do 2.º ciclo.

Dentro deste universo, a componente internacional distribui-se em dois grandes grupos, consoante o motivo da deslocação:

Tipo de mobilidade internacional Total Licenciatura Mestrado
Mobilidade de grau (curso completo) 57.581 21.985 22.736
Mobilidade de crédito (Erasmus+ e outros intercâmbios temporários) 14.968 9.980 4.739

O 2.º ciclo (mestrado) é o que mais cresce em ambas as categorias: +8% na mobilidade de grau e +35% na mobilidade de crédito, face ao ano letivo anterior. A leitura direta destes números é simples: a maioria absoluta dos estudantes internacionais em Portugal não está de passagem por um semestre — está a fazer um diploma completo, o que tem implicações diretas na procura por alojamento, vistos de residência e serviços de apoio académico em português e em inglês.

Três métricas, três números diferentes

Um erro comum ao citar estatísticas de internacionalização é misturar três indicadores que a própria DGEEC trata separadamente. Cada um responde a uma pergunta distinta:

  • Nacionalidade estrangeira (stock total): conta todos os inscritos sem nacionalidade portuguesa, independentemente de terem vindo estudar ou já residirem em Portugal há anos (por exemplo, filhos de imigrantes). Segundo dados PORDATA/DGEEC referentes a 2022/2023, eram 74.597 estudantes, cerca de 17% do total de inscritos.
  • Mobilidade de grau (fluxo de estudantes internacionais): conta apenas quem se deslocou especificamente para estudar um curso completo em Portugal. É o indicador mais recente e mais rigoroso para medir atratividade internacional: 57.581 em 2025/2026.
  • Estatuto de estudante internacional: uma figura jurídica criada em 2014, com regras próprias de acesso, quotas e propinas, distinta da nacionalidade. Segundo a DGES, os novos inscritos com este estatuto passaram de 523 em 2014/2015 para 5.477 em 2019/2020 — um crescimento de 38% só nesse último ano face a 2018/2019 (3.968).

Se encontrar um número que pareça contradizer outro — por exemplo, 74.597 (2022/2023) versus 57.581 (2025/2026) — a explicação não é uma quebra real, é a diferença de definição: o primeiro é um stock de nacionalidade que inclui residentes de longa data; o segundo é um fluxo de mobilidade internacional genuína, medido de forma diferente pela DGEEC a partir do RAIDES. Para quem procura outras fontes oficiais para cruzar estes dados, o nosso diretório de fontes de dados abertos para a tese reúne onde encontrar séries equivalentes no INE, na PORDATA, no Eurostat e na própria DGEEC.

Ilustração de dados sobre a origem dos estudantes internacionais em Portugal
A maioria dos estudantes internacionais em Portugal vem de países da CPLP

A evolução na última década por ciclo de estudos

Usando o indicador de nacionalidade estrangeira por ciclo (dados DGEEC via portal InfoCursos, comparando 2015/2016 com 2024/2025), o crescimento é transversal a todos os graus, mas muito desigual em intensidade:

Ciclo de estudos 2015/2016 2024/2025
Licenciatura 8,8% 13,5%
Mestrado (2.º ciclo) 18% 26,2%
Mestrado integrado 5,5% 18,4%
CTeSP 4,9% 18,7%

Repare que o mestrado integrado e o CTeSP praticamente quadruplicaram a sua proporção de estudantes estrangeiros em nove anos, enquanto a licenciatura cresceu de forma mais moderada. O mestrado (2.º ciclo) mantém-se o ciclo com maior peso internacional em termos relativos — mais de um quarto dos inscritos não tem nacionalidade portuguesa. Esta concentração no 2.º ciclo é coerente com o crescimento mais recente do investimento em ciência que temos documentado no artigo sobre investimento em I&D em Portugal, já que mais financiamento em investigação tende a atrair mais candidatos internacionais a mestrados e programas doutorais orientados para investigação.

De onde vêm: os países de origem

Os dados mais recentes com desagregação por país (PORDATA/DGEEC, 2022/2023) confirmam o padrão histórico: a esmagadora maioria dos estudantes internacionais em Portugal vem de países da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), refletindo laços linguísticos e históricos.

País de origem Estudantes (2022/2023)
Brasil 17.028
Guiné-Bissau 6.910
Cabo Verde 6.449
Angola 5.292
França 3.406

Segundo a OCDE (Education at a Glance 2025), os estudantes internacionais em mobilidade em Portugal vêm sobretudo de África (42%) e da América Latina e Caraíbas (mais de 30%) — o que é consistente com o domínio de Brasil e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP) na tabela acima. Cerca de metade do total de estudantes internacionais vem de países CPLP, e o Brasil sozinho representa mais de 70% dos estudantes CPLP a procurar um diploma completo em Portugal. A presença europeia não-lusófona (como a França, quinta nacionalidade na tabela) é claramente residual face ao peso lusófono, mas tende a concentrar-se em programas de mobilidade de crédito e cursos lecionados em inglês.

Uma nota histórica útil para contextualizar a velocidade desta mudança: em 2014/2015, ao abrigo do recém-criado estatuto de estudante internacional, havia apenas 523 novos inscritos com este estatuto; em 2019/2020 já eram 5.477, com o Brasil a representar 52% desse grupo, seguido por Cabo Verde (17%), Guiné-Bissau (13%) e Angola (10%).

Distribuição por ciclo e tipo de instituição

Historicamente, os estudantes internacionais em Portugal concentram-se de forma significativa no ensino politécnico público. Analisando os primeiros anos de expansão do estatuto de estudante internacional (2019/2020), a distribuição por subsistema era: politécnico público 44% do total, universitário público 39%, universitário privado 13% e politécnico privado 4%. Esta concentração no politécnico é consistente com a oferta de CTeSP (cursos técnicos superiores profissionais), que registou o maior salto proporcional de estudantes estrangeiros na última década (de 4,9% para 18,7%, ver tabela acima) — os CTeSP têm, em geral, requisitos de acesso mais flexíveis e uma ligação mais direta ao mercado de trabalho, o que os torna atrativos para quem vem para Portugal já a pensar numa integração profissional rápida.

Ao nível do sistema no seu todo, 79% de todos os estudantes inscritos em Portugal em 2025/2026 estudam no subsistema público, segundo o mesmo relatório RAIDES da DGEEC — um contexto relevante para perceber onde a maioria dos estudantes internacionais, tal como os nacionais, efetivamente se matricula. As universidades públicas continuam a concentrar a procura em mestrados de investigação e mestrados integrados, enquanto os politécnicos absorvem uma fatia desproporcional da procura internacional em cursos de curta duração e forte empregabilidade.

Gráfico ilustrativo da evolução da mobilidade internacional de estudantes ao longo da década
Crescimento sustentado da mobilidade internacional em Portugal ao longo da última década

Portugal vs. a média da OCDE

O crescimento não é apenas uma perceção — está confirmado em comparação internacional. Segundo o relatório Education at a Glance 2025 da OCDE, a proporção de estudantes internacionais no ensino superior português subiu de 7,9% em 2018 para 13,3% em 2023. No mesmo período, a média da OCDE passou de 6% para apenas 7,4%.

Isto coloca Portugal claramente acima da média do bloco de países desenvolvidos em atratividade internacional relativa — um dado raramente citado fora dos relatórios técnicos, mas que explica por que universidades e politécnicos portugueses têm reforçado a oferta em inglês e os serviços de apoio a estudantes internacionais nos últimos anos. Em termos comparativos, Portugal aproxima-se hoje de sistemas que há uma década recebiam proporcionalmente muito mais estudantes estrangeiros do que o país lusitano, um salto que dificilmente teria acontecido sem o crescimento simultâneo da oferta de mestrados em inglês e dos acordos de dupla titulação com universidades da CPLP.

Porque razão Portugal atrai cada vez mais estudantes internacionais

Os números acima não surgem isolados de um contexto. Três fatores estruturais ajudam a explicar por que a curva de estudantes internacionais em Portugal não parou de subir nesta última década: a língua comum com um bloco de mais de 260 milhões de falantes de português no mundo, que reduz a barreira de entrada para candidatos brasileiros e dos PALOP; o custo de vida e as propinas ainda comparativamente competitivos face a outros destinos da Europa Ocidental para quem procura um diploma reconhecido na União Europeia; e o alargamento da oferta de mestrados e doutoramentos lecionados total ou parcialmente em inglês, que abriu a porta a candidatos fora do universo lusófono.

Estes três fatores são uma leitura interpretativa dos dados apresentados neste artigo e não correspondem a uma métrica única publicada por uma única fonte — devem ser lidos como contexto qualitativo, não como uma estatística adicional.

O que esperar em 2026/2027

Os sinais mais recentes do RAIDES 2025/2026 (primeiro momento, dados de dezembro de 2025) apontam continuidade da tendência: o mestrado regista o maior crescimento tanto em mobilidade de grau (+8%) como em mobilidade de crédito (+35%), sugerindo que a atração de talento internacional em Portugal está a deslocar-se progressivamente do 1.º para o 2.º ciclo. Para quem está a candidatar-se a um mestrado ou doutoramento em Portugal vindo do estrangeiro, isto significa mais colegas internacionais na turma e, em muitas instituições, mais oferta em inglês.

Vale a pena cruzar estes números com os dados sobre doutoramentos concluídos por ano e por área em Portugal e com os indicadores de empregabilidade dos doutorados, que ajudam a perceber o destino profissional de quem completa um ciclo de estudos avançado no país, incluindo estudantes internacionais que decidem ficar. Para uma visão mais ampla dos desafios do sistema de ensino superior português, o artigo sobre abandono no ensino superior em Portugal complementa esta análise com dados sobre retenção e conclusão de curso.

Quem está a escrever uma tese ou dissertação em Portugal como estudante internacional — muitas vezes num idioma que não é a sua língua materna — encontra em ferramentas como o Tesify apoio na estruturação de capítulos e na revisão de referências segundo as normas portuguesas, o que pode aliviar parte da carga adicional de escrever num segundo idioma académico.

Perguntas frequentes

Quantos estudantes internacionais há em Portugal em 2025/2026?

Segundo o primeiro momento do RAIDES 2025/2026 (DGEEC, dados a 31 de dezembro de 2025), 57.581 estudantes escolheram Portugal para realizar um curso completo (mobilidade de grau) e mais 14.968 estão em mobilidade de crédito temporária, como o Erasmus+.

Qual é o país de origem com mais estudantes internacionais em Portugal?

O Brasil lidera de forma destacada. Em 2022/2023 (PORDATA/DGEEC), o Brasil tinha 17.028 estudantes a estudar em Portugal, seguido pela Guiné-Bissau (6.910), Cabo Verde (6.449) e Angola (5.292).

Em que ciclo de estudos há mais estudantes internacionais?

O mestrado (2.º ciclo) tem a maior proporção de estudantes de nacionalidade estrangeira, tendo subido de 18% em 2015/2016 para 26,2% em 2024/2025, segundo dados da DGEEC via portal InfoCursos.

Portugal recebe mais estudantes internacionais do que a média da OCDE?

Sim. Segundo o relatório Education at a Glance 2025 da OCDE, a proporção de estudantes internacionais no ensino superior português subiu de 7,9% em 2018 para 13,3% em 2023, face a uma média da OCDE que passou de 6% para 7,4% no mesmo período.

Qual a diferença entre “estudante internacional”, “nacionalidade estrangeira” e “mobilidade de grau”?

São três métricas distintas usadas pela DGEEC. “Nacionalidade estrangeira” conta todos os inscritos sem passaporte português, incluindo quem já reside em Portugal há muitos anos. “Mobilidade de grau” conta apenas quem se deslocou para Portugal especificamente para estudar um curso completo. O “estatuto de estudante internacional” é uma figura jurídica criada em 2014 com regras de acesso e propinas próprias.

Os estudantes internacionais em Portugal vêm sobretudo de programas Erasmus?

Não. A maioria (57.581 face a 14.968) está matriculada para cursos completos e não em mobilidade temporária de crédito como o Erasmus+, segundo a DGEEC. Isto confirma que a maior parte procura um diploma português, não apenas um semestre de intercâmbio.

Fontes: DGEEC — RAIDES 2025/2026 (primeiro momento, dados a 31/12/2025), publicado via ECO/SAPO; DGEEC via portal InfoCursos, citado em SOL; PORDATA/DGEEC 2022/2023, citado em The Portugal News; OCDE, Education at a Glance 2025 — Portugal; DGES, nota de comunicação social sobre o estatuto de estudante internacional.