Estrutura de Artigo Científico: Como Escrever Cada Secção em 2026
A estrutura de artigo científico segue uma lógica clara e reconhecida internacionalmente. Conhecê-la é essencial para qualquer estudante que pretenda publicar a sua investigação, submeter um trabalho para uma conferência ou simplesmente perceber como funciona a comunicação científica. O modelo IMRAD — sigla inglesa para Introdução, Métodos, Resultados e Discussão — é o padrão adotado pela esmagadora maioria das revistas científicas desde os anos 1970.
Neste artigo, percorre cada componente de um artigo científico, com orientações práticas sobre o que escrever em cada secção e os erros mais comuns a evitar.
1. Título
O título é o elemento mais lido de qualquer artigo científico — e frequentemente o único. Um bom título deve ser informativo, específico e conter as palavras-chave principais. Deve responder à pergunta: “De que trata este artigo, quem estudou, e qual o resultado ou contexto?”
Boas práticas:
- Limite a 12-15 palavras
- Inclua o fenómeno estudado, a população/contexto e o método (se relevante)
- Evite abreviaturas e jargão desnecessário
- Prefira títulos declarativos (informam o resultado) ou descritivos (descrevem o conteúdo)
Exemplo fraco: “Um estudo sobre IA na educação”
Exemplo forte: “Impacto de Ferramentas de IA Generativa no Desempenho Académico de Estudantes Universitários Portugueses: Um Estudo de Caso”
2. Resumo (Abstract) e Palavras-Chave
O resumo é uma versão condensada do artigo completo, tipicamente entre 150 a 300 palavras, dependendo dos requisitos da revista. Deve ser totalmente autónomo — um leitor que leia apenas o resumo deve perceber o que foi feito, como, o que se encontrou e o que significa.
Estrutura do resumo estruturado
Muitas revistas pedem um resumo estruturado com subtítulos explícitos:
- Objetivos/Background: problema e propósito do estudo
- Métodos: design, amostra, instrumentos
- Resultados: dados principais encontrados
- Conclusão: implicações e limitações principais
Palavras-chave: liste 4-6 termos que melhor descrevem o conteúdo. Use terminologia da área e termos que apareçam nos índices das bases de dados relevantes (ex: MeSH para área da saúde).
3. Introdução
A introdução responde a três perguntas: Qual é o problema? O que já se sabe? O que é que este estudo acrescenta? Segue tipicamente a estrutura “funil” — começa ampla e termina na pergunta de investigação específica do estudo.
Componentes da introdução
- Contextualização: apresenta o problema e a sua relevância
- Revisão da literatura: síntese do que já se sabe (breve, não exaustiva)
- Lacuna identificada: o que ainda não se sabe ou que contradição existe
- Objetivo do estudo: o que este trabalho se propõe a fazer
- Hipóteses (se aplicável): o que se espera encontrar
A introdução não deve ser uma revisão de literatura exaustiva — reserva essa função para artigos de revisão. Em artigos empíricos, deve ser concisa e focada.
4. Metodologia
A metodologia é a secção que permite a outros investigadores replicar o estudo. Deve ser suficientemente detalhada para que um investigador competente consiga reproduzir o que fez, obtendo resultados comparáveis.
O que incluir
- Design de investigação: experimental, observacional, qualitativo, misto, etc.
- Participantes/Amostra: critérios de seleção, tamanho, características
- Instrumentos: questionários, escalas, equipamentos, softwares usados
- Procedimentos: como foi conduzido o estudo passo a passo
- Análise de dados: métodos estatísticos ou analíticos usados
- Considerações éticas: aprovação de comissão de ética, consentimento informado
Para um aprofundamento sobre metodologia no contexto de teses, veja o nosso guia Metodologia de Investigação para Tese de Mestrado.
5. Resultados
A secção de resultados apresenta os dados encontrados de forma objetiva, sem interpretação. Use tabelas e figuras para apresentar dados complexos, e texto para realçar os achados mais importantes.
Princípios fundamentais:
- Apresente resultados na ordem que responde às perguntas/hipóteses da introdução
- Inclua medidas de dispersão (desvio padrão, intervalos de confiança) além de médias
- Reporte significância estatística com valores exatos (p = 0,023, não apenas p < 0,05)
- Não interprete — guarde isso para a discussão
- Cada tabela e figura deve ser compreensível de forma independente (com legenda completa)
6. Discussão
A discussão é frequentemente a secção mais desafiante de escrever. É aqui que interpreta os resultados, os enquadra na literatura existente e explica o que significam para a área.
Estrutura recomendada da discussão
- Resposta principal: comece por responder à pergunta de investigação
- Comparação com a literatura: como os seus resultados se relacionam com o que se sabe
- Explicação de resultados inesperados: se obteve resultados não esperados, proponha explicações
- Limitações do estudo: seja honesto sobre as limitações metodológicas
- Implicações: o que as descobertas significam para a prática ou para a investigação futura
7. Conclusão
A conclusão (por vezes integrada na discussão) resume as contribuições principais do estudo e aponta direções futuras. Deve ser breve — uma a três secções — e não introduzir informação nova.
Não repita os resultados em detalhe; enfatize o que o estudo contribui para o conhecimento da área e quais as questões que permanecem em aberto.
8. Referências
As referências devem estar formatadas segundo o estilo exigido pela revista de destino (APA, Vancouver, Chicago, etc.). Use sempre um gestor bibliográfico (Zotero ou Mendeley) para evitar erros de formatação.
Para artigos em português destinados a revistas nacionais, o estilo APA 7 é o mais comum. Se escreve no contexto brasileiro, muitas revistas pedem ABNT. Veja o nosso artigo Normas APA 7ª Edição para Teses para orientações detalhadas.
Studantes que escrevem em inglês podem ainda consultar os recursos de tesify.app para escrita académica em inglês, e quem trabalha no contexto alemão encontrará apoio em tesify.io para Wissenschaftliches Arbeiten com IA.
Perguntas Frequentes
O que é o modelo IMRAD?
IMRAD é a sigla inglesa para Introduction, Methods, Results and Discussion — a estrutura padrão da maioria dos artigos científicos empíricos. Foi formalizado na segunda metade do século XX e é hoje exigido pela maioria das revistas internacionais nas áreas STEM e ciências da saúde. Nas ciências humanas e sociais, a estrutura pode ser mais flexível.
Qual a diferença entre resumo e abstract?
Resumo é o termo em português; abstract é o equivalente em inglês. São a mesma secção — uma síntese condensada do artigo. Muitas revistas pedem ambos (resumo em português e abstract em inglês) para artigos publicados em língua portuguesa.
Posso usar a primeira pessoa num artigo científico?
Depende da área e da revista. Na tradição anglo-saxónica e em muitas revistas internacionais, o uso da primeira pessoa do plural (“nós observámos”, “os autores propõem”) é aceite e até incentivado por clareza. Em Portugal, a tradição académica usa mais a terceira pessoa ou a voz passiva, mas esta norma está a mudar. Verifique sempre as instruções para autores da revista de destino.
Qual a extensão típica de um artigo científico?
A maioria das revistas aceita artigos entre 3 000 e 8 000 palavras (excluindo referências). Artigos de revisão podem ser mais extensos (até 10 000-15 000 palavras). Cartas ao editor e comunicações breves têm limites menores, tipicamente 1 500-2 500 palavras. Consulte sempre as instruções para autores da revista específica.
A conclusão é a mesma coisa que a discussão?
Não, embora algumas revistas as juntem numa secção “Discussão e Conclusão”. A discussão interpreta os resultados e os enquadra na literatura existente; a conclusão sintetiza as contribuições do estudo e indica direções futuras. Se a revista pede secções separadas, mantenha-as distintas em conteúdo e extensão.
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