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Embargo e Confidencialidade da Tese no RCAAP 2026: Como Pedir e Quando Faz Sentido

Embargo e Confidencialidade da Tese no RCAAP 2026: Como Pedir e Quando Faz Sentido

Terminaste a tese, passaste nas provas e agora a universidade pede-te para a depositar no repositório institucional — que vai ser indexado no RCAAP (Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal). Mas os teus resultados são sensíveis: tens uma patente pendente, um artigo prestes a ser submetido a uma revista indexada, ou dados recolhidos com garantia de anonimato que não podem ser tornados públicos imediatamente. É aqui que entra o embargo e a confidencialidade da tese no RCAAP em 2026. Este guia explica-te exatamente quando faz sentido pedir, quanto tempo dura, como se difere do acesso restrito e qual é o procedimento prático em cada instituição.

O depósito obrigatório em repositório institucional está consagrado na legislação portuguesa e nas políticas de ciência aberta da FCT desde 2014. Contudo, essa obrigatoriedade não significa exposição imediata de todo o conteúdo: a lei e os regulamentos institucionais preveem mecanismos de proteção temporária perfeitamente legítimos. Usá-los corretamente — nem mais cedo nem mais tarde do que o necessário — é uma decisão estratégica que afeta a tua carreira académica e a proteção da tua investigação.

Resposta rápida: O embargo da tese no RCAAP atrasa o acesso ao texto completo por um período definido (tipicamente 12 a 36 meses), mantendo os metadados visíveis. Justificações válidas incluem patentes pendentes, publicação de artigos ou livro baseado na tese, e dados sensíveis. O pedido faz-se junto do serviço académico ou biblioteca da tua universidade, antes ou no momento do depósito, com documento de justificação assinado.

O que é o RCAAP e por que o depósito é obrigatório

O RCAAP é o portal nacional que agrega e indexa a produção científica depositada nos repositórios institucionais das universidades, institutos politécnicos e centros de investigação portugueses. Criado em 2008 pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) em colaboração com a Universidade do Minho, ultrapassou já o marco de um milhão de documentos indexados, entre artigos, teses, dissertações e comunicações em conferências. Para uma visão completa do que podes fazer com este portal — desde a pesquisa avançada até ao depósito da tua tese — consulta o nosso guia completo do RCAAP: mais de um milhão de documentos ao teu alcance.

A obrigatoriedade de depósito de teses e dissertações está estabelecida na Portaria n.º 285/2015 e nas políticas institucionais que dela derivam. Na prática, isto significa que, após a aprovação em provas, tens um prazo — geralmente entre 30 e 90 dias, conforme o regulamento da tua instituição — para depositar a versão final no repositório institucional, que por sua vez sincroniza com o RCAAP.

Importante: o depósito é sempre obrigatório. O que podes negociar é o modo de acesso ao documento completo. Os metadados (título, autor, data, palavras-chave, abstract) ficam sempre públicos e visíveis no RCAAP, mesmo quando o texto está embargado.

Acesso aberto, embargado, restrito e fechado: diferenças

Antes de decidir o que pedir, é essencial distinguir os quatro modos de acesso previstos nos repositórios integrados no RCAAP:

Modo de acesso Texto completo Metadados Quando usar
Acesso aberto Público imediatamente Público Caso geral — sem restrições
Acesso embargado Bloqueado até data definida Público Patente pendente, publicação planeada
Acesso restrito Apenas IP institucional ou utilizadores autorizados Público Dados sensíveis com acesso controlado
Acesso fechado / confidencial Sem acesso externo Pode ser parcialmente oculto Segredo industrial, dados com sigilo legal

O embargo é o mecanismo mais comum e mais aceite pelas políticas de ciência aberta: o texto completo fica temporariamente indisponível, mas a data de levantamento do embargo está registada nos metadados. Quando essa data chega, o documento torna-se automaticamente público, sem intervenção do autor. O acesso restrito não tem data de expiração automática e requer renovação periódica junto do repositório. O acesso fechado total é o mais difícil de justificar e não é reconhecido por todas as instituições.

Gráfico de barras com publicações em acesso aberto nos repositórios portugueses por tipo de documento, dados OpenAIRE 2018
Publicações em acesso aberto nos repositórios portugueses por tipo de documento (2018). Fonte: OpenAIRE via Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Quando faz sentido pedir o embargo

Há três situações em que o pedido de embargo da tese no RCAAP é não só justificável como recomendável:

1. Patente em processo de registo

Se a tua tese descreve uma invenção ou processo industrial que ainda não tem patente registada, torná-la pública imediatamente pode comprometer a novidade da invenção e inviabilizar o registo. Neste caso, o embargo protege o teu direito de propriedade industrial enquanto o processo corre no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) ou no EPO (Escritório Europeu de Patentes). Após a concessão da patente, o texto pode ser tornado público sem riscos.

2. Publicação de artigo ou livro baseado na tese

Muitas revistas científicas indexadas recusam artigos cujo conteúdo já tenha sido publicado na íntegra em acesso aberto — mesmo que seja numa tese. O mesmo se aplica a editoras académicas quando negoceias a transformação da dissertação num livro. O embargo garante-te a janela de tempo necessária para submeter, rever e publicar o teu trabalho sem infringir os termos dos contratos editoriais. Para perceber melhor este caminho após a conclusão da tese, consulta o nosso guia sobre a tese por artigos em Portugal e as regras por universidade em 2026.

3. Dados pessoais sensíveis ou acordos de confidencialidade

Se a tua investigação envolveu entrevistas, questionários ou dados clínicos recolhidos com garantias de anonimato, e se a divulgação do texto completo — mesmo com pseudónimos — puder permitir a identificação dos participantes, o acesso restrito ou embargado é a solução eticamente correta. O mesmo se aplica a investigações conduzidas em parceria com empresas que impuseram cláusulas de sigilo contratual.

Atenção: Querer simplesmente “ter mais tempo para rever a tese” ou “não querer que a universidade rival aceda aos resultados” não são justificações válidas para um pedido de embargo. As comissões científicas verificam a fundamentação do pedido.

Durações por instituição em 2026

As regras variam significativamente de universidade para universidade. A FCT define o enquadramento geral, mas cada instituição tem margem para regulamentar de forma mais restritiva ou mais permissiva:

Instituição Embargo padrão Embargo máximo Extensão possível
FCT (referência nacional) 12 meses Caso a caso Sim, com pedido fundamentado a politica-publicacoes@fct.pt
IST / Técnico Lisboa Definida pelo autor 36 meses (teses de doutoramento IDI) Sim, para projetos de I&D financiados
Universidade Aberta Definida pelo autor 36 meses Contados desde a data de atribuição do grau
Faculdade de Farmácia — ULisboa Até 3 anos 3 anos Levantamento automático após o prazo
ISPA 1 ou 2 anos 2 anos Opção escolhida no momento do depósito

Um princípio transversal a todas as instituições: o embargo aplica-se ao acesso, nunca ao depósito. A tese tem de ser depositada no prazo regulamentar, independentemente do modo de acesso escolhido. O repositório regista internamente o documento completo; é apenas a visibilidade pública que fica suspensa.

Como fazer o pedido passo a passo

O processo varia ligeiramente entre instituições, mas o fluxo geral é o seguinte:

  1. Confirma o regulamento da tua faculdade. Consulta o site da divisão académica ou biblioteca e verifica os prazos, durações máximas e os impressos de pedido disponíveis.
  2. Prepara o documento de justificação. Deve incluir: identificação da tese (título, data das provas, número de aluno), tipo de embargo pedido (período e modo de acesso pretendido), e fundamentação objetiva (número do pedido de patente, carta de intenção da editora, cláusula contratual de sigilo, etc.).
  3. Submete o pedido antes ou em simultâneo com o depósito. A grande maioria das plataformas — SIGARRA (UP), Fénix/Fenix+ (ULisboa, ISCTE), myNOVA — permite declarar o modo de acesso no próprio formulário de entrega. Para orientação sobre as plataformas de entrega, consulta o nosso guia detalhado sobre como entregar a tese no SIGARRA, Fénix e Moodle em 2026.
  4. Aguarda a aprovação. Na maioria das instituições, o pedido é avaliado pelo conselho científico ou pela comissão de pós-graduação. O prazo de resposta varia entre 5 e 20 dias úteis.
  5. Regista a data de levantamento. Guarda comprovativo do pedido aprovado. Quando o embargo expirar, o repositório levanta-o automaticamente — mas é boa prática verificar que a transição aconteceu corretamente.
Dica prática: Se o teu pedido de patente ainda estiver em análise quando o embargo expirar, podes pedir uma extensão antes do fim do prazo. Faz esse pedido com, pelo menos, 30 dias de antecedência e junta comprovativo atualizado do estado do processo no INPI.

Confidencialidade total vs. embargo parcial

Existe uma diferença importante entre confidencialidade total e embargo temporário parcial que muitos estudantes confundem:

O embargo temporário é a opção standard: o texto fica bloqueado por um período definido, após o qual passa automaticamente a acesso aberto. Os metadados estão sempre visíveis. É reconhecido pela FCT e pela generalidade das políticas de ciência aberta europeias.

A confidencialidade total (acesso fechado sem data de expiração automática) é um regime excecional, geralmente reservado a teses que envolvam segredos industriais com relevância estratégica nacional, informação classificada, ou matérias sujeitas a sigilo profissional com fundamento legal explícito. A sua aprovação exige deliberação de órgão académico competente (conselho científico ou conselho de escola) e, em alguns casos, parecer do júri que conduziu as provas.

Para a grande maioria das situações — incluindo patentes em registo e publicações académicas planeadas — o embargo temporário é o mecanismo correto e suficiente. A confidencialidade total deve ser reservada para casos em que a divulgação, mesmo após vários anos, continuaria a causar prejuízo real e documentável.

No contexto das normas de citação e referenciação, é igualmente relevante distinguir o tipo de acesso quando referências são incluídas noutros trabalhos. Para entender como citar corretamente fontes disponíveis apenas em repositórios com acesso restrito, a equipa da bibl(i)forma explica como referenciar teses e dissertações em APA, incluindo documentos acedidos através de repositórios institucionais.

Erros frequentes e como evitá-los

  • Pedir o embargo depois do depósito. Na maioria das instituições, o modo de acesso tem de ser declarado no momento do depósito ou antes. Um pedido retroativo pode não ser aceite ou pode implicar a reversão temporária do acesso, o que cria problemas de indexação no RCAAP.
  • Confundir o embargo com a isenção de depósito. Mesmo com embargo aprovado, és obrigado a depositar a tese no prazo regulamentar. O não depósito tem consequências académicas independentes do modo de acesso.
  • Não guardar comprovativo do pedido aprovado. Se houver uma alteração na plataforma ou uma migração de repositório, precisas de provar que o embargo foi formalmente aprovado e qual é a sua data de expiração.
  • Pedir um embargo mais longo do que o necessário. Um embargo de 36 meses quando precisas apenas de 12 pode prejudicar a visibilidade e o impacto do teu trabalho. A exposição controlada da tua investigação contribui para o teu perfil de investigador e para o número de citações futuras.
  • Ignorar o impacto nas citações e no perfil ORCID. Os metadados ficam sempre visíveis, pelo que o teu trabalho pode ser citado mesmo durante o embargo — mas quem o citar não terá acesso ao texto completo. Certifica-te de que o teu abstract é suficientemente completo para que outros investigadores possam avaliar a relevância do trabalho. Para gerir o teu perfil de investigador em simultâneo, consulta recursos sobre o depósito e registo da produção científica em Portugal.

Sobre boas práticas de citação e referenciação académica, podes também consultar a perspetiva do Pedro Amado sobre como citar corretamente fontes em contextos académicos, um recurso complementar útil para quem navega as normas de atribuição em trabalhos de investigação.

Perguntas Frequentes

O que é o embargo de uma tese no RCAAP?

O embargo é um mecanismo que bloqueia temporariamente o acesso ao texto completo da tese depositada no repositório institucional (indexado pelo RCAAP), por um período de tempo definido. Os metadados — título, autor, palavras-chave, data, abstract — ficam sempre visíveis ao público. Quando o período de embargo termina, o texto completo fica automaticamente disponível em acesso aberto, sem necessidade de qualquer ação por parte do autor.

Quanto tempo pode durar o embargo de uma tese em Portugal?

A FCT estabelece 12 meses como período padrão, com possibilidade de extensão fundamentada. Universidades como a Universidade Aberta e o IST/Técnico permitem embargos de até 36 meses para teses de doutoramento resultantes de projetos de I&D. O ISPA limita o embargo a 2 anos. Em qualquer caso, o regulamento da tua faculdade é o documento vinculativo — consulta-o antes de fazer o pedido.

Posso pedir o embargo depois de já ter depositado a tese?

Na maioria das instituições, o pedido de embargo deve ser feito em simultâneo com o depósito ou antes dele. Pedidos retroativos raramente são aceites e podem implicar complicações técnicas na plataforma. Se te esqueceste de fazer o pedido na altura do depósito, contacta imediatamente a biblioteca ou serviço académico da tua instituição para perceber se ainda é possível alterar o modo de acesso.

A tese com embargo aparece no RCAAP?

Sim. Uma tese com embargo aparece no RCAAP com os seus metadados completos (título, autor, data, palavras-chave, resumo), mas o botão de acesso ao texto completo está bloqueado até à data de expiração do embargo. Qualquer investigador pode descobrir a existência do trabalho, citá-lo nos seus papers, e contactar o autor — simplesmente não consegue aceder diretamente ao PDF durante o período de restrição.

Qual a diferença entre embargo e confidencialidade total da tese?

O embargo é temporário e tem data de expiração automática, após a qual a tese passa a acesso aberto. A confidencialidade total (acesso fechado) não tem data de expiração automática, pode incluir a ocultação de metadados e requer autorização especial do órgão competente da instituição. A confidencialidade total é reservada para casos excecionais com fundamento legal ou contratual explícito — segredos industriais, informação classificada, ou acordos de sigilo com entidades externas.

O que acontece se não pedir o embargo e quiser publicar um artigo baseado na tese?

Depende da política de cada revista. Algumas revistas indexadas aceitam conteúdo previamente publicado como tese em acesso aberto, considerando-o literatura cinzenta. Outras — nomeadamente em áreas como as ciências da vida, a engenharia e as ciências sociais aplicadas — podem recusar o artigo por considerarem que o conteúdo já foi divulgado publicamente. Antes de depositar a tese em acesso aberto imediato, verifica a política de auto-arquivo da revista onde pretendes submeter o artigo, consultando o diretório SHERPA/RoMEO.

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