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Doutoramentos em Portugal 2026: Quantos se Concluem por Ano, por Área e Idade Média (DGEEC/PORDATA)

Doutoramentos em Portugal 2026: Quantos se Concluem por Ano, por Área e Idade Média (DGEEC/PORDATA)

No ano letivo 2022/23, a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC) registou 2.398 diplomados de 3.º ciclo em Portugal — o equivalente a pouco menos de 200 novos doutores por mês. Este número sintetiza décadas de expansão do ensino doutoral: em 1974, concluíam-se apenas 36 doutoramentos em todo o território nacional. A pergunta quantos doutoramentos concluídos por ano Portugal idade média é uma das mais pesquisadas sobre o sistema de ciência português e raramente recebe uma resposta estruturada com fontes.

Este artigo reúne e explica os dados oficiais mais recentes, distinguindo com rigor dois tipos de informação complementar: (1) os doutoramentos concluídos a cada ano letivo — dados do inquérito RAIDES/RENATES da DGEEC — e (2) o stock de doutorados residentes em Portugal — dados do Inquérito aos Doutorados (CDH), publicado de três em três anos pela mesma entidade. Confundir estas duas métricas é o erro mais comum na leitura de notícias sobre o sector.

Todas as estatísticas apresentadas estão identificadas com a fonte e o ano. Números sem origem verificável não aparecem neste artigo.

Resposta rápida

Em 2022/23 concluíram-se 2.398 doutoramentos em Portugal (DGEEC, Estatísticas da Educação 2022/23). As ciências sociais e a engenharia lideram nas coortes mais recentes. A duração média ronda os 5 anos e as mulheres representam mais de metade dos doutorandos nas coortes de 2012. O stock acumulado de doutorados residentes era de 43.173 em 2023 (CDH 2023, DGEEC, dados provisórios).

1. Quantos doutoramentos se concluem por ano em Portugal

Os dados de fluxo — ou seja, o número de graus de doutor atribuídos a cada ano letivo — provêm do RAIDES (Registo de Alunos Inscritos e Diplomados no Ensino Superior) e do RENATES (Registo Nacional de Temas de Tese de Doutoramento em Curso e de Doutoramentos Concluídos), ambos geridos pela DGEEC. Estes instrumentos registam os títulos de doutor concedidos por instituições de ensino superior portuguesas, incluindo as equivalências de graus obtidos no estrangeiro e reconhecidos por universidades nacionais.

Doutoramentos concluídos em Portugal por ano letivo
Ano letivo / referência Total Fonte
2022/23 2.398 DGEEC, Estatísticas da Educação 2022/23 (RAIDES)
2020/21 ~2.080 DGEEC / RENATES, referência em Silva & Sarrico (CIPES, 2023)
2014/15 (realizados em Portugal) ~2.351 PORDATA, série 681
1973/74 36 PORDATA, série histórica

Em 2022/23, dos 2.398 diplomados de doutoramento, 2.269 pertenciam a estabelecimentos públicos e 129 a privados, o que confirma o peso dominante do subsistema universitário público no ensino doutoral português.

A ordem de grandeza de aproximadamente 2.000 a 2.400 por ano é consistente com as estimativas do relatório Doutoramentos em Portugal (Silva & Sarrico, CIPES, junho de 2023), que situa os títulos concedidos anualmente nesse intervalo desde meados da segunda metade da década de 2010, com crescimento moderado e alguma volatilidade associada à pandemia de 2020/21.

Nota metodológica — dois indicadores diferentes
O PORDATA publica a série 681 «Doutoramentos realizados em Portugal ou no estrangeiro e reconhecidos por universidades portuguesas», que inclui graus obtidos fora do país e posteriormente reconhecidos. Em 2015, dos 2.969 realizados/reconhecidos, cerca de 2.351 foram obtidos em Portugal e 618 no estrangeiro. Para medir o fluxo interno de títulos concedidos por universidades portuguesas, os dados RAIDES/DGEEC são a referência correcta.
Evolução dos doutoramentos concluídos por ano em Portugal: gráfico de barras ilustrativo mostrando a tendência crescente desde 1974 até 2022/23 (DGEEC/PORDATA)
Tendência de crescimento dos doutoramentos concluídos em Portugal desde 1974 — de 36 para mais de 2.300 anuais (fontes: DGEEC/PORDATA; ilustração sem valores numéricos legíveis).

2. Repartição por área científica (FOS)

A desagregação dos doutoramentos por área utiliza a nomenclatura FOS (Fields of Science, OCDE/Manual de Frascati). Existem duas perspectivas complementares: a distribuição do stock de doutorados residentes (CDH 2023, DGEEC) e a distribuição de quem se inscreveu e concluiu, baseada em análise de coortes publicada em 2025.

Distribuição do stock de doutorados residentes (CDH 2023)

O Inquérito aos Doutorados 2023 (CDH23), realizado pela DGEEC entre abril e julho de 2024, identificou 43.173 doutorados a residir em Portugal. A repartição por grande área científica era a seguinte:

Doutorados residentes por área científica — CDH 2023 (stock)
Área FOS % do total Fonte
Ciências exatas e naturais 28% DGEEC, CDH 2023 (dados provisórios)
Ciências sociais 25% DGEEC, CDH 2023 (dados provisórios)
Engenharia e tecnologias 19% DGEEC, CDH 2023 (dados provisórios)
Ciências da saúde, humanidades e artes, ciências agrárias (total) 28% DGEEC, CDH 2023 (dados provisórios, desagregação parcial)

Distribuição de inscrições por área nas coortes recentes

Um estudo publicado em 2025 na plataforma PMC (Frontiers), que analisa quatro coortes de doutorandos portugueses (1995–2012), apresenta a seguinte repartição para a coorte mais recente (inscritos em 2012):

Distribuição por área FOS — coorte de inscritos em 2012 (análise de coortes)
Área FOS % da coorte Fonte
Ciências sociais 26,8% PMC 11914870 (Frontiers, 2025)
Engenharia e tecnologias 22,2% PMC 11914870 (Frontiers, 2025)
Ciências naturais 19,5% PMC 11914870 (Frontiers, 2025)
Ciências da saúde 14,1% PMC 11914870 (Frontiers, 2025)
Humanidades e artes 12,9% PMC 11914870 (Frontiers, 2025)
Ciências agrárias 4,5% PMC 11914870 (Frontiers, 2025)

As duas perspectivas divergem ligeiramente porque medem coisas diferentes. O CDH mede o stock acumulado — inclui doutoramentos obtidos ao longo de décadas, incluindo os realizados no estrangeiro —, enquanto a análise de coortes captura quem se inscreveu e concluiu numa determinada época. Nas décadas anteriores a 2010, as ciências exatas e naturais concentravam uma fatia maior das bolsas FCT e dos doutoramentos, o que explica o seu peso elevado no stock histórico. Nas coortes mais recentes, as ciências sociais aumentaram significativamente o volume. A extensão típica de uma tese também varia por área; para esses dados, consulte o artigo sobre extensão média de uma tese por área científica.

Distribuição dos doutoramentos em Portugal por área científica (FOS): gráfico circular ilustrativo com ciências exatas, sociais, engenharia e saúde, sem valores legíveis (DGEEC CDH 2023)
Repartição ilustrativa dos doutorados residentes por grande área científica (FOS) — ciências exatas e naturais, ciências sociais, engenharia e outros. Fonte: DGEEC CDH 2023 (dados provisórios); ilustração sem valores numéricos legíveis.

3. Feminização: evolução do género

O doutoramento em Portugal atravessou uma inversão geracional no que toca ao género. Nas primeiras décadas de expansão, os homens predominavam. A partir das coortes de final dos anos 1990 e início de 2000, a presença feminina foi crescendo de forma consistente, tanto nas inscrições como no stock.

Evolução da representação feminina no doutoramento em Portugal
Período / inquérito % mulheres Contexto e fonte
Coorte 1 — inscritos 1995–97 (fluxo) 46,5% PMC 11914870, Frontiers 2025
Coorte 4 — inscritos 2012 (fluxo) 57,7% PMC 11914870, Frontiers 2025
CDH 2015 (stock residente) 49% DGEEC, CDH 2015
CDH 2020 (stock residente) 51% DGEEC, CDH 2020
CDH 2023 — prov. (stock residente) 51% DGEEC, CDH 2023 (dados provisórios)

A feminização do doutoramento em Portugal acompanhou — e, nas coortes de 2012, excedeu — a média europeia. A maior concentração de mulheres nas ciências sociais, da saúde e nas humanidades, áreas que cresceram em volume de inscrições nas últimas décadas, contribui para este resultado. O inverso persiste na engenharia e nas ciências exatas, onde os homens continuam a ser maioritários, embora com diferenças que se têm vindo a atenuar.

4. Duração média e taxa de conclusão

Concluir um doutoramento em Portugal demora, em média, pouco mais de cinco anos. O estudo de análise de coortes (PMC 11914870, Frontiers, 2025), que acompanhou 5.819 doutorandos ao longo de quatro coortes entre 1995 e 2012, revelou os seguintes indicadores:

  • Duração média: 5,06 anos (desvio-padrão 2,11 anos; mediana 5,00 anos)
  • 57% dos doutorandos concluem dentro de 5 anos
  • 75% concluem dentro de 7 anos
  • Taxa de sucesso global (por coorte): 87,5% (5.093 de 5.819 candidatos)

A duração tem diminuído ligeiramente ao longo das décadas: a coorte de 1995–97 registou uma média de 5,54 anos; a coorte de 2012 desceu para 4,67 anos. A taxa de sucesso, por seu lado, diminuiu de 89,8% (coorte 1) para 81,2% (coorte 4), o que poderá reflectir o aumento do volume de inscrições e uma maior diversidade de perfis, incluindo doutorandos a tempo parcial.

Sobre o indicador «graduados por novos inscritos»
O relatório CIPES (Silva & Sarrico, 2023) nota que o rácio entre diplomados anuais e novos inscritos anuais baixou de 0,7 em 2005 para 0,3 em 2021. Este indicador não é uma taxa de conclusão real — reflecte antes o desfasamento temporal entre entradas (que cresceram rapidamente) e saídas (que ocorrem 4 a 6 anos depois). A taxa de sucesso por coorte (87,5%) é a medida mais correcta do sucesso doutoral.

Para uma leitura sobre os dados de desistência e os seus determinantes, veja o artigo sobre abandono do doutoramento em Portugal. Para a duração específica da fase de provas, consulte os dados sobre tempo médio de defesa de doutoramento em Portugal.

5. Perfil etário dos doutorandos

O doutoramento não é exclusivo dos mais jovens, e a presença de candidatos com mais de 35 anos à data de inscrição tem crescido. A análise de coortes (PMC 11914870, Frontiers, 2025) quantifica este fenómeno:

  • Coorte 1 (1995–97): 8,3% dos doutorandos tinham 35 ou mais anos à inscrição
  • Coorte 4 (2012): esse valor subiu para 14,5%

A duração média de 5 anos implica que quem inicia o doutoramento por volta dos 28–30 anos — o perfil mais frequente após licenciatura e mestrado — tende a concluí-lo entre os 33 e os 36 anos. Os que entram mais tarde, frequentemente com enquadramento profissional e financiamento empresarial ou a tempo parcial, podem concluir já acima dos 40 anos.

O CDH (Inquérito aos Doutorados, DGEEC) mede a idade dos doutorados à data do inquérito — não especificamente à conclusão do grau —, pelo que os dados publicados reflectem a distribuição etária de toda a população de doutorados residentes, e não apenas dos que concluíram recentemente. Para dados precisos de «idade à conclusão» desagregados por área e coorte, a consulta directa às publicações do CDH ou ao estudo PMC 11914870 é recomendada. A nacionalidade estrangeira, sinal de internacionalização crescente dos programas, passou de 2,5% (coorte 1) para 8,7% (coorte 4).

6. Stock de doutorados residentes em Portugal: série histórica (CDH)

Para além do fluxo anual de novos títulos, o CDH da DGEEC mede o stock acumulado de pessoas com doutoramento a residir em Portugal. Esta série reflecte décadas de investimento em formação avançada e uma redução da emigração qualificada nos períodos mais recentes. O crescimento sustentado deste indicador está intimamente ligado à expansão das bolsas de doutoramento da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia), que em 2026 registou 4.461 candidaturas num único concurso.

Stock de doutorados residentes em Portugal — série CDH (DGEEC)
Ano do CDH Total residentes Variação Fonte
2009 19.034 DGEEC, CDH 2009
2015 30.807 +62% DGEEC, CDH 2015
2020 37.113 +20% DGEEC, CDH 2020
2023 (provisório) 43.173 +14% DGEEC, CDH 2023

Entre 2020 e 2023, o stock cresceu 14%. Numa perspectiva de uma década e meia (2009–2023), a multiplicação é de 2,3 vezes. Este crescimento é impulsionado tanto pelo fluxo interno de novos doutores (2.000–2.400 por ano) como pelo regresso de investigadores portugueses que obtiveram o doutoramento no estrangeiro e reconheceram o grau em Portugal. Para dados complementares sobre o sistema de ensino superior no seu conjunto, incluindo taxas de abandono por ciclo, consulte o artigo sobre abandono no ensino superior em Portugal.

7. Empregabilidade após o doutoramento

O doutoramento mantém uma posição forte no mercado de trabalho português. O CDH 2023 (DGEEC) regista uma taxa de emprego de 95% entre os doutorados residentes — uma das mais elevadas de toda a estrutura de qualificações. A distribuição sectorial é, no entanto, marcada por uma concentração elevada no sector académico:

Distribuição sectorial dos doutorados empregados — CDH 2023 (DGEEC)
Sector % dos empregados Fonte
Universidades e institutos politécnicos 77% DGEEC, CDH 2023
Estado (administração e laboratórios) 11% DGEEC, CDH 2023
Empresas privadas 10% DGEEC, CDH 2023
Instituições privadas sem fins lucrativos 3% DGEEC, CDH 2023

A concentração de 77% no sector académico é uma das mais elevadas da Europa e reflecte tanto a dimensão do sistema universitário português como a escassez histórica de saídas para o sector empresarial. O CDH 2023 assinala, no entanto, uma tendência de reequilíbrio gradual: o peso das empresas cresceu nos últimos anos, nomeadamente em tecnologia, indústria farmacêutica e consultoria de base científica. Para uma análise detalhada dos dados salariais e do retorno do investimento, consulte o artigo sobre salário do doutorado em Portugal e no Brasil.

Escrever a tese com clareza é um dos principais desafios do doutoramento. A plataforma Tesify apoia doutorandos na estruturação e revisão da escrita académica, com ferramentas adaptadas ao contexto do ensino superior português e lusófono.

Perguntas frequentes

Quantos doutoramentos se concluem por ano em Portugal?

No ano letivo 2022/23, concluíram-se 2.398 doutoramentos em Portugal, segundo a DGEEC (Estatísticas da Educação 2022/23, dados RAIDES). A ordem de grandeza situa-se entre 2.000 e 2.400 por ano desde meados da segunda metade da década de 2010. Em 2020/21, o total rondou 2.080.

Qual a área científica com mais doutoramentos em Portugal?

No stock de doutorados residentes (CDH 2023, DGEEC), as ciências exatas e naturais lideram com 28%, seguidas das ciências sociais (25%) e da engenharia e tecnologias (19%). Na análise de inscrições da coorte de 2012, as ciências sociais passaram a liderar (26,8%), seguidas da engenharia (22,2%) e das ciências naturais (19,5%).

Qual a duração média de um doutoramento em Portugal?

A duração média é de 5,06 anos (mediana 5,00 anos), segundo análise de coortes publicada em 2025 (PMC 11914870). 57% dos doutorandos concluem em 5 anos ou menos; 75% fazem-no em 7 anos ou menos. A tendência é de ligeiro encurtamento ao longo das décadas: a coorte de 1995–97 tinha uma média de 5,54 anos; a de 2012, 4,67 anos.

Qual a percentagem de mulheres nos doutoramentos em Portugal?

Nas coortes mais recentes (inscritos em 2012), as mulheres representam 57,7% dos doutorandos (PMC 11914870, Frontiers, 2025). No stock global de doutorados residentes, as mulheres são 51% desde 2020, tendo ultrapassado os homens pela primeira vez nesse ano (CDH 2020 e CDH 2023, DGEEC).

Qual é a taxa de conclusão do doutoramento em Portugal?

A taxa de sucesso por coorte é de 87,5% em média (5.093 de 5.819 candidatos em 4 coortes), segundo estudo publicado em 2025 (PMC 11914870). A coorte mais recente (2012) registou 81,2%, abaixo das anteriores, o que poderá reflectir o aumento do volume de inscrições e maior diversidade de perfis de doutorandos.

Quantos doutorados residem em Portugal atualmente?

Em 2023, residiam em Portugal 43.173 doutorados (dados provisórios do CDH 2023, DGEEC), um crescimento de 14% face a 2020 (37.113) e de mais do dobro face a 2009 (19.034). Esta série CDH inclui doutorados de todas as idades e áreas, independentemente de onde obtiveram o grau.