A IA pode escrever a tua tese, mas também pode destruí-la. Não estou aqui para assustar — estou aqui porque já vi demasiados estudantes brilhantes a perderem meses de trabalho por não saberem usar estas ferramentas corretamente.
Segundo dados recentes da Turnitin, cerca de 11% dos trabalhos académicos submetidos em 2024 foram sinalizados por conterem texto gerado predominantemente por IA. Em Portugal, universidades como a de Lisboa e do Porto já implementaram políticas específicas para deteção e penalização.
Mas aqui está o paradoxo que ninguém te conta: a IA não é o problema — o problema é como a usas.
🎯 Resposta Direta: Para usar IA na escrita de tese sem parecer plágio, precisas de: (1) usar ferramentas apenas como ponto de partida, (2) reescrever completamente com a tua voz académica, (3) verificar com detetores de IA antes da entrega, (4) citar corretamente quando usares conteúdo assistido, e (5) manter o pensamento crítico original em todas as secções argumentativas.
Neste guia, vou partilhar contigo técnicas práticas que transformam a IA de potencial armadilha em verdadeira aliada. São métodos que já ajudaram centenas de estudantes a concluírem as suas teses com sucesso — e sem sustos na hora da entrega.
Antes de avançarmos, há um artigo que te recomendo vivamente. Se ainda não conheces os erros fatais ao usar IA na tese, para. Lê primeiro. Vai poupar-te muitas dores de cabeça.
Porque a IA na Escrita Académica Mudou Tudo
Lembras-te quando a Wikipedia era o grande “bicho-papão” dos professores? Pois bem, isso parece coisa de criança comparado com o que estamos a viver agora. A chegada do ChatGPT, Claude e outras ferramentas provocou uma verdadeira revolução silenciosa nas universidades.

Vamos ser honestos: a maioria dos teus colegas já está a usar IA. Um estudo da Elsevier publicado em 2024 revelou que aproximadamente 68% dos estudantes universitários já utilizaram alguma forma de IA generativa para apoio em trabalhos académicos.
O que mudou não foi apenas a tecnologia — mudou toda a dinâmica do ensino superior. As universidades portuguesas encontram-se num dilema interessante: por um lado, querem formar profissionais preparados para um mundo onde a IA é ubíqua; por outro, precisam garantir que a avaliação reflete o conhecimento real do estudante.
A Universidade Nova de Lisboa já publicou diretrizes específicas sobre o uso de ferramentas de IA. A Universidade de Coimbra segue um caminho semelhante. No Brasil, a USP e a Unicamp também estão a adaptar os seus regulamentos.
É um paradoxo fascinante: proíbem o uso, mas sabem que é impossível impedir. Por isso, o foco está a mudar — da proibição total para a regulamentação do uso responsável.
O Que Significa “Parecer Plágio” Quando Se Usa IA
Aqui está algo que muitos estudantes não compreendem: texto gerado por IA não é tecnicamente plágio no sentido tradicional. Não estás a copiar de outro autor humano. Mas — e este “mas” é enorme — as universidades estão a tratar conteúdo IA não declarado como uma forma de má conduta académica.
Os detetores de IA, como o GPTZero ou o Originality.ai, funcionam de forma diferente dos verificadores de plágio tradicionais. Enquanto o Turnitin compara o teu texto com uma base de dados de trabalhos existentes, os detetores de IA analisam padrões de escrita.
Pensa assim: imagina que tens um amigo que fala sempre da mesma forma — frases equilibradas, vocabulário previsível, transições suaves demais. Depois de o ouvires durante anos, reconheces a voz dele em qualquer texto. Os detetores fazem exatamente isto: identificam a “voz” característica dos modelos de linguagem.
O texto de IA tende a ser:
- Demasiado fluído e sem hesitações naturais
- Equilibrado em estrutura (frases com comprimento similar)
- Genérico nas afirmações (evita posições controversas)
- Repetitivo em determinados padrões sintáticos
Queres entender melhor como funcionam estas ferramentas que vão analisar o teu trabalho? O artigo sobre IA antiplágio na universidade revela os 5 segredos que precisas conhecer.
As 7 Ferramentas de IA Mais Seguras Para Teses em 2025
Depois de testar dezenas de ferramentas e acompanhar a evolução do mercado, compilei as 7 que considero mais seguras e eficazes.
📌 Ranking das melhores ferramentas:
- ChatGPT (com prompts académicos) — brainstorming e estruturação
- Grammarly — correção gramatical e estilística
- QuillBot — paráfrase controlada
- Jenni AI — escrita académica específica
- Writefull — linguagem científica
- Tesify — revisão e formatação de teses
- Scholarcy — sumarização de literatura
O ChatGPT e o Claude são absolutamente fantásticos para uma coisa: ajudar-te a pensar. Nota bem: ajudar-te a PENSAR, não a escrever. A diferença é crucial.
Quando usas estas ferramentas para gerar ideias, explorar ângulos diferentes de um tema, ou estruturar capítulos, estás a potenciar a tua própria criatividade. Quando copias o texto gerado… bem, aí entras em terreno perigoso.
Aqui está um exemplo prático. Imagina que estás a escrever sobre “impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes”. Um prompt problemático seria:
“Escreve a introdução da minha tese sobre impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes.”
Um prompt correto seria:
“Quais são os principais ângulos e subtemas que devo considerar ao analisar o impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes? Lista-me 10 perspetivas diferentes, com autores-chave de cada área.”
Sentes a diferença? No segundo caso, a IA está a servir-te — não a substituir-te.
Para revisão e correção, ferramentas como o Grammarly ou o LanguageTool são absolutamente aceitáveis. A Tesify oferece uma abordagem especializada precisamente para teses, com revisão focada nas necessidades específicas do formato académico.
Quanto a ferramentas de paráfrase como o QuillBot, podem ser úteis — ou perigosas. Tudo depende de como as usas. Para aprofundares este tema, recomendo vivamente o guia completo sobre ferramentas de paráfrase para teses.
A Técnica dos 5 Passos Para Usar IA Sem Ser Detetado
Chegamos ao coração deste artigo. Vou partilhar contigo a metodologia que desenvolvi ao longo de anos de observação e que já ajudou centenas de estudantes.

🔑 Os 5 passos essenciais:
- Gerar ideias, não texto final — usa IA para brainstorming
- Transformar output em esqueleto — extrai apenas a estrutura
- Escrever com a tua voz — reescreve completamente
- Adicionar pensamento crítico — insere análises originais
- Verificar antes de entregar — testa com detetores de IA
Passo 1: A IA é uma ferramenta de ideação, não um ghostwriter. Pensa nela como um colega muito inteligente com quem podes discutir ideias às 3 da manhã, sem julgamento.
Passo 2: Este é onde a maioria dos estudantes falha. Recebem um texto bonito da IA e pensam: “Vou só ajustar aqui e ali…” Não. Descarta o texto. Guarda apenas o esqueleto argumentativo.
Passo 3: O que define a tua “voz académica”? É a forma como constróis argumentos. As palavras que escolhes naturalmente. O ritmo das tuas frases. Ao escrever a tua tese, mantém conscientemente esses padrões.
Passo 4: Há secções onde simplesmente NÃO podes usar IA de forma direta. A análise de dados. A discussão crítica. A interpretação de resultados. São as secções onde demonstras que TU compreendeste o tema.
Passo 5: Antes de entregares qualquer versão final, testa o teu texto com pelo menos dois detetores de IA diferentes. Se for sinalizado com mais de 30% de probabilidade de ser gerado por IA, não entregues.
Para aprofundares os limites éticos desta questão, o artigo sobre percentagens permitidas de IA em teses dá-te orientações concretas.
Em Que Partes da Tese Pode (e Não Pode) Usar IA
Uma das perguntas que mais recebo é: “Posso usar IA em TODO o trabalho?” A resposta curta é não. A resposta completa requer nuance.

O Resumo e a Conclusão são áreas de risco relativamente baixo. São secções que sintetizam o que já escreveste — usar IA para revisão ou tradução é aceitável.
A Introdução pode beneficiar de brainstorming estrutural. Perguntar à IA quais elementos são essenciais é legítimo. Escrevê-los? Isso é contigo.
A Revisão de Literatura é onde a IA pode poupar-te horas. Ferramentas como o Scholarcy ajudam a sumarizar dezenas de artigos rapidamente. Mas a síntese crítica, as conexões entre autores, a identificação de gaps — isso tem de vir de ti.
A Metodologia deve ser 100% tua. Descreve COMO fizeste a tua investigação. Se usares IA aqui, estás literalmente a inventar processos que não seguiste.
Os Resultados são a zona de maior perigo. Nunca uses IA para gerar ou “embelezar” resultados. Isto não é só plágio — é fraude científica.
A Discussão é onde demonstras pensamento crítico. Usar IA para estruturar os tópicos? Pode funcionar. Usar IA para escrever a análise? Péssima ideia.
| Capítulo | Uso Recomendado | Risco |
|---|---|---|
| Resumo/Abstract | Revisão e tradução | 🟢 |
| Introdução | Brainstorming de estrutura | 🟡 |
| Revisão de Literatura | Sumarização de artigos | 🟠 |
| Metodologia | NÃO recomendado | 🔴 |
| Resultados | NÃO recomendado | 🔴 |
| Discussão | Apenas estruturação | 🔴 |
| Conclusão | Revisão gramatical | 🟢 |
O Futuro: Como as Universidades Vão Lidar Com IA
Estamos a assistir a uma mudança de paradigma. As políticas universitárias evoluem de “proibição total” para “uso regulamentado e declarado”.
Em Portugal, a A3ES está a trabalhar em diretrizes nacionais. Universidades como a Católica já permitem o uso de IA desde que seja declarado na secção metodológica. No Brasil, a CAPES e o CNPq desenvolvem orientações semelhantes.
A tendência é clara: transparência em vez de proibição.
Quanto aos detetores, a “corrida armamentista” está a intensificar-se. O GPTZero já está na terceira geração de algoritmos. O Turnitin integrou deteção de IA no sistema tradicional.
💡 Dica final: A melhor estratégia para o futuro não é tentar “enganar” os sistemas — é aprender a usar a IA como ferramenta de apoio genuíno, mantendo sempre a tua voz e pensamento crítico no centro do trabalho. As universidades vão recompensar quem souber integrar estas tecnologias de forma ética e transparente.
Tens dúvidas sobre alguma destas técnicas? A equipa da Tesify está disponível para te ajudar a navegar este novo território académico com confiança.




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