Como Fazer Artigo Científico Passo a Passo: Guia Completo com Normas ABNT 2026
Saber como fazer artigo científico passo a passo é uma das habilidades mais cobradas na graduação e pós-graduação brasileira. Seja como trabalho de conclusão de curso, para publicar em periódico Qualis CAPES ou para apresentar em congresso, o artigo científico segue uma estrutura rigorosa definida pela NBR 6022 da ABNT. Muitos estudantes, porém, confundem artigo com monografia, erram no resumo ou entregam uma metodologia incompleta — e perdem pontos (ou a publicação) por razões evitáveis.
Neste guia, você vai aprender a estrutura completa de um artigo científico conforme as normas ABNT 2026, desde o título até as referências, com exemplos reais, tabelas de formatação e os 10 erros que fazem um artigo ser rejeitado pelos avaliadores. Se você já tem o tema na cabeça mas não sabe por onde começar, este é o seu ponto de partida.
O que é artigo científico e quando usar
Um artigo científico é um documento acadêmico que apresenta os resultados de uma pesquisa de forma concisa, estruturada e revisada por pares. Diferentemente da monografia ou do TCC, que são documentos extensos entregues a bancas institucionais, o artigo é destinado à publicação em periódicos científicos indexados.
Você deve optar pelo artigo científico nas seguintes situações:
- O seu curso permite TCC no formato de artigo (cada vez mais comum em universidades como USP, UNICAMP e UFMG)
- Você quer publicar resultados de iniciação científica (PIBIC/PIBITI)
- Precisa apresentar trabalho em congresso ou simpósio acadêmico
- Deseja construir histórico de publicações para programas de pós-graduação
Artigo científico vs. monografia: principais diferenças
| Característica | Artigo Científico | Monografia/TCC |
|---|---|---|
| Extensão típica | 10–20 páginas | 40–100+ páginas |
| Destino | Periódico / congresso | Banca examinadora da instituição |
| Norma ABNT principal | NBR 6022:2018 | NBR 14724:2011 |
| Resumo | 150–250 palavras (NBR 6028) | 150–500 palavras |
| Revisão por pares | Obrigatória para publicação | Banca interna |
| Capa ABNT | Não obrigatória (varia por periódico) | Obrigatória (NBR 14724) |
Tipos de artigo científico
Antes de escrever, defina qual tipo de artigo se encaixa na sua pesquisa. A escolha impacta diretamente a metodologia e a estrutura do texto.
- Artigo original (empírico): Apresenta dados primários coletados pelo próprio pesquisador (experimentos, surveys, estudos de caso). O mais valorizado para publicação em periódicos de alto impacto.
- Artigo de revisão bibliográfica: Analisa e sintetiza a literatura existente sobre um tema. Inclui a revisão sistemática (com protocolo PRISMA) e a revisão narrativa (menos rigorosa, mais comum em graduação).
- Artigo de revisão sistemática e metanálise: Combina resultados de múltiplos estudos usando métodos estatísticos. Considerado o nível mais alto de evidência em saúde e ciências biomédicas.
- Relato de experiência / estudo de caso: Descreve situação específica vivenciada na prática profissional. Muito utilizado em Enfermagem, Educação e Direito.
- Ensaio científico: Reflexão crítica e aprofundada sobre um tema, sem necessariamente apresentar dados originais. Comum em Ciências Humanas e Filosofia.
Estrutura completa do artigo científico: NBR 6022 passo a passo
A NBR 6022:2018 define os elementos obrigatórios e opcionais do artigo científico. Veja a estrutura completa:
Elementos pré-textuais
- Título e subtítulo — em português e inglês, negrito, fonte maior
- Autoria — nome completo, nota de rodapé com afiliação, ORCID, e-mail
- Resumo em língua vernácula — 150 a 250 palavras (NBR 6028)
- Palavras-chave — 3 a 5 termos, separados por ponto final
- Abstract — tradução fiel do resumo em inglês
- Keywords — tradução das palavras-chave
Elementos textuais (estrutura IMRaD)
- Introdução — contextualização, problema de pesquisa, objetivos, justificativa
- Método (ou Metodologia / Material e Métodos) — tipo de pesquisa, amostra, instrumento de coleta, análise dos dados
- Resultados — apresentação dos dados com tabelas, gráficos e quadros
- Discussão — interpretação dos resultados à luz do referencial teórico (pode ser unificada com Resultados)
- Conclusão (ou Considerações Finais) — síntese, contribuições, limitações e sugestões
Elementos pós-textuais
- Referências — obrigatórias, NBR 6023:2018
- Apêndice — elaborado pelo autor (questionários, roteiros)
- Anexo — material de terceiros (leis, tabelas oficiais)
- Agradecimentos — opcional, antes das referências
Formatação ABNT para artigo científico 2026
A formatação do artigo segue as mesmas diretrizes gerais da ABNT para trabalhos acadêmicos, com algumas especificidades. Confira as normas ABNT 2026 atualizadas para todos os detalhes.
| Elemento | Especificação ABNT |
|---|---|
| Papel | A4 (21 x 29,7 cm) |
| Margem superior e esquerda | 3 cm |
| Margem inferior e direita | 2 cm |
| Fonte | Times New Roman ou Arial, tamanho 12 |
| Espaçamento do corpo | 1,5 entre linhas |
| Resumo e citações longas | Espaçamento simples, fonte 10 (citações) |
| Parágrafo | Recuo de 1,25 cm na primeira linha ou espaço entre parágrafos sem recuo |
| Títulos das seções | Numerados (NBR 6024), em negrito, sem ponto final |
Como escrever o resumo e o abstract
O resumo é, provavelmente, o elemento mais lido do artigo — e o mais mal escrito. Avaliadores de periódicos decidem em 30 segundos se vale ler o artigo inteiro. Siga esta estrutura em um único parágrafo de 150 a 250 palavras (NBR 6028:2003):
- Contexto / problema: Uma frase situando o tema e a lacuna que a pesquisa preenche.
- Objetivo: O que o estudo se propôs a investigar ou demonstrar.
- Metodologia: Tipo de pesquisa, amostra/universo, instrumento e período de coleta.
- Resultados principais: Os 2–3 achados mais relevantes, preferencialmente com dados numéricos.
- Conclusão: O que os resultados significam e qual a contribuição para a área.
A síndrome de burnout em profissionais de enfermagem intensivistas representa um problema de saúde pública com impactos diretos na qualidade do cuidado ao paciente. O objetivo deste estudo foi identificar a prevalência de burnout em enfermeiros atuantes em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) de hospitais públicos de São Paulo. Realizou-se um estudo transversal com 120 enfermeiros de 5 hospitais da rede SUS, entre março e junho de 2025, utilizando o Maslach Burnout Inventory (MBI). Os resultados indicaram prevalência de burnout em 58,3% dos participantes, com predomínio da dimensão exaustão emocional (67,5%). Conclui-se que as condições de trabalho nas UTIs públicas favorecem o desenvolvimento da síndrome, sendo necessárias intervenções institucionais voltadas à saúde mental dos profissionais.
O abstract é a tradução fiel do resumo para o inglês. Não reescreva — traduza com precisão técnica, mantendo a mesma estrutura.
Como escrever a introdução do artigo científico
A introdução responde a três perguntas fundamentais: O quê? (qual o problema), Por quê? (qual a relevância) e Como? (quais os objetivos e organização do artigo). Estruture-a assim:
- Contextualização geral: Apresente o campo de estudo e o cenário atual do problema — com dados e referências atuais (últimos 5 anos preferencialmente).
- Problema de pesquisa: Formule claramente a pergunta ou hipótese que orienta o estudo. Ex.: “Qual o impacto da gamificação no engajamento de estudantes do Ensino Fundamental II?”
- Justificativa: Por que este estudo é necessário agora? Cite lacunas na literatura, demandas sociais ou relevância econômica.
- Objetivos: Um objetivo geral (verbo no infinitivo — analisar, identificar, avaliar) e 2–4 objetivos específicos.
- Estrutura do artigo: Um parágrafo curto indicando como o texto está organizado. Ex.: “Este artigo está estruturado em cinco seções: introdução, referencial teórico, metodologia, resultados e discussão, e conclusão.”
Como escrever a metodologia
A metodologia é a seção que garante a replicabilidade da pesquisa. Um avaliador deve conseguir reproduzir seu estudo lendo apenas esta seção. Inclua obrigatoriamente:
- Natureza da pesquisa: Qualitativa, quantitativa ou mista
- Tipo de pesquisa: Exploratória, descritiva, explicativa (quanto aos objetivos); bibliográfica, documental, de campo, experimental (quanto aos procedimentos)
- Universo e amostra: Quem foi estudado, quantos participantes, critérios de inclusão/exclusão
- Instrumento de coleta: Questionário, entrevista, observação, análise documental — com validação se houver
- Período de coleta: Datas de início e fim da coleta de dados
- Análise dos dados: Software utilizado (SPSS, R, NVivo, Atlas.ti), teste estatístico, categoria de análise qualitativa
- Aspectos éticos: Número de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP/CONEP) quando envolver seres humanos
Resultados e discussão
Esta é a seção de maior valor científico do artigo. Os resultados apresentam o que foi encontrado e a discussão interpreta o que esses achados significam. Em muitos periódicos nacionais, ambas as seções são unificadas sob o título “Resultados e Discussão”.
Boas práticas para resultados
- Apresente os dados na mesma sequência dos objetivos específicos
- Use tabelas, gráficos e quadros para dados quantitativos — todo elemento visual deve ter título acima e fonte abaixo (NBR 14724)
- Não interprete na seção de resultados — apenas descreva o que os dados mostram
- Reporte estatísticas completas: média ± desvio padrão, valor de p, intervalo de confiança, tamanho do efeito
Boas práticas para discussão
- Compare seus resultados com os de outros estudos — cite autores que confirmam E autores que contradizem seus achados
- Explique as divergências entre o esperado (hipótese) e o obtido (resultado)
- Cite as limitações do estudo (tamanho amostral, vieses, período de coleta) — isso não enfraquece, demonstra rigor científico
- Aponte implicações práticas e direções para pesquisas futuras
Referências bibliográficas ABNT no artigo científico
As referências seguem a NBR 6023:2018 e devem listar apenas as obras citadas no texto — nada mais, nada menos. Veja os formatos mais comuns:
SOBRENOME, Nome. Título em itálico. Edição. Cidade: Editora, Ano.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 14. ed. São Paulo: Hucitec, 2014.
Artigo em periódico:
SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Nome do Periódico, Cidade, v. XX, n. X, p. XX–XX, mês ano.
SANTOS, Ana Paula; LIMA, Carlos Roberto. Burnout em enfermeiros intensivistas: revisão sistemática. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, v. 77, n. 2, p. 1–9, mar./abr. 2024.
Site:
AUTOR (se houver). Título da página. Nome do site. Cidade, ano. Disponível em: URL. Acesso em: dd mês. aaaa.
Para gerar referências ABNT automaticamente sem risco de erro, a plataforma Tesify Bibliografia Automática formata qualquer fonte conforme a NBR 6023 em segundos.
Como escolher onde publicar: sistema Qualis CAPES
Para escolher o periódico certo para publicar seu artigo, entenda o sistema de avaliação da CAPES:
- Qualis A1: Mais alto nível, revistas de impacto internacional. Ex.: Cadernos de Saúde Pública, RAUSP Management Journal
- Qualis A2–A3: Revistas nacionais de alto impacto com revisão por pares rigorosa
- Qualis A4–B1: Periódicos consolidados, boa opção para primeira publicação
- Qualis B2–B4: Revistas em crescimento, mais acessíveis para estudantes de graduação
- C: Sem avaliação de impacto — evite para fins acadêmicos
Consulte a plataforma Sucupira (sucupira.capes.gov.br) para verificar o Qualis de qualquer periódico. Para artigos de TCC, um periódico B2 a A4 da sua área já é excelente resultado.
Além do Qualis, verifique se o periódico está indexado no SciELO ou no Portal de Periódicos CAPES — isso garante visibilidade e credibilidade ao trabalho.
10 erros que levam à rejeição do artigo científico
- Resumo sem estrutura IMRaD: Resumo que só descreve o tema sem indicar métodos e resultados é rejeitado automaticamente por muitos periódicos.
- Objetivo vago: “Este artigo tem como objetivo estudar a Administração” não é objetivo — é uma intenção. Use verbos precisos e mensuráveis.
- Referências desatualizadas: Artigos com referencial teórico datado (mais de 10 anos sem justificativa) sinalizam falta de atualização com o estado da arte.
- Metodologia sem justificativa: Não basta dizer “usamos questionário” — explique por que aquele instrumento é adequado para o objetivo.
- Resultados sem dados: Apresentar apenas tendências (“houve melhora”) sem números ou porcentagens é insuficiente para artigos quantitativos.
- Discussão sem confronto com a literatura: Sua pesquisa precisa dialogar com outros estudos — concordando ou discordando com embasamento.
- Plágio (incluindo autoplágio): Reutilizar trechos de trabalhos anteriores sem citação configura autoplágio. Cheque sempre com detector de plágio antes de submeter.
- Formatação fora do template do periódico: Cada revista tem seu template. Ignorá-lo é motivo de desk rejection (rejeição sem avaliação de mérito).
- Título com mais de 15 palavras: Títulos longos prejudicam a indexação e dificultam a leitura. Seja específico e conciso.
- Ignorar as normas de submissão: Extensão máxima, número de autores, conflito de interesses, carta de apresentação — revise cada item antes de clicar em “Enviar”.
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Perguntas Frequentes
Quantas páginas deve ter um artigo científico?
A extensão de um artigo científico varia conforme o periódico, mas em geral situa-se entre 10 e 20 páginas formatadas em A4 com fonte 12 e espaçamento 1,5 — equivalente a aproximadamente 4.000 a 8.000 palavras. Sempre consulte as normas para autores do periódico-alvo antes de começar a escrever, pois alguns periódicos aceitam artigos curtos de 6 páginas e outros exigem no mínimo 25.
Qual é a diferença entre artigo científico e artigo de revisão?
O artigo científico original (ou empírico) apresenta dados primários coletados pelo pesquisador, como resultados de experimentos, surveys ou estudos de caso. O artigo de revisão, por sua vez, sintetiza e analisa estudos já publicados sobre um tema, sem coletar novos dados. A revisão pode ser narrativa (mais abrangente, menos rigorosa) ou sistemática (protocolo PRISMA, critérios de inclusão/exclusão explícitos, mais rigorosa).
Posso usar o artigo científico como TCC?
Sim, desde que o seu curso e sua instituição permitam. Muitas universidades brasileiras, incluindo USP, UNICAMP e UFRJ, aceitam o TCC no formato de artigo científico, especialmente em cursos da área de saúde e exatas. Verifique as normas do seu colegiado de curso — geralmente é necessário que o artigo seja inédito, que tenha sido submetido a pelo menos um periódico Qualis e que tenha o aval do orientador.
O artigo científico precisa de resumo em inglês?
Para periódicos nacionais, o abstract em inglês é geralmente obrigatório, pois aumenta a visibilidade internacional do artigo e é exigência para indexação em bases como Scopus e Web of Science. A NBR 6022:2018 prevê o abstract como elemento obrigatório. Se o artigo for para um congresso ou for entregue como TCC sem intenção de publicação, o abstract pode ser dispensado — mas verifique as normas da instituição.
Quantas referências deve ter um artigo científico?
Não há número mínimo ou máximo definido pela ABNT. O que importa é que cada afirmação relevante do texto seja referenciada com fontes confiáveis (artigos em periódicos, livros acadêmicos, documentos oficiais). Em prática, artigos de 10 a 20 páginas costumam ter entre 20 e 50 referências. Evite citar apenas livros didáticos — priorize artigos dos últimos 5 anos para demonstrar que você está atualizado com o estado da arte da sua área.
Como saber se meu artigo tem plágio?
Antes de submeter qualquer artigo a um periódico, use um detector de plágio acadêmico. Ferramentas como Copyscape, Grammarly ou a funcionalidade de antiplágio do Tesify analisam o texto contra milhões de fontes. Os principais periódicos utilizam o iThenticate ou Turnitin no processo de avaliação — índices de similaridade acima de 20% geralmente levam à rejeição ou pedido de revisão.
Como citar um artigo científico pela NBR 6023?
Para citar um artigo em periódico pela NBR 6023:2018, use o formato: SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Nome da Revista em itálico, Cidade, volume, número, páginas, mês/ano. Exemplo: SILVA, João Marcos; PEREIRA, Ana Beatriz. Qualidade de vida de idosos institucionalizados. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Rio de Janeiro, v. 27, n. 1, p. 45–58, jan./mar. 2024. Leia o guia completo de referências ABNT para todos os formatos.
Qual a diferença entre objetivo geral e objetivo específico?
O objetivo geral é a meta principal da pesquisa — o que você quer alcançar com o estudo como um todo, expresso em um verbo amplo (analisar, investigar, avaliar). Os objetivos específicos são os passos menores necessários para alcançar o objetivo geral — geralmente entre 2 e 4 objetivos usando verbos mais operacionais (identificar, descrever, comparar, mensurar). Exemplo: Objetivo geral — “Analisar os fatores de risco para burnout em enfermeiros de UTI”. Objetivos específicos — “Identificar o perfil sociodemográfico dos participantes”, “Mensurar a prevalência de burnout usando o MBI”, “Correlacionar carga horária e escores de burnout”.
