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Como Preencher a Ciência Vitae em 2026: Guia Passo a Passo

Como Preencher a Ciência Vitae em 2026: Guia Passo a Passo

O Ciência Vitae é a plataforma nacional de gestão curricular científica de Portugal, gerida pela FCCN e integrada com a FCT. Em 2026, preencher correctamente o Ciência Vitae é obrigatório para qualquer candidatura a bolsa FCT, concurso de acesso à carreira académica ou avaliação institucional de investigadores. Ao contrário de um CV em Word, o Ciência Vitae é um currículo estruturado, interoperável e ligado a identificadores internacionais como o ORCID e o CiênciaID.

Este guia acompanha-o passo a passo, desde o registo até à submissão numa candidatura FCT, com indicação das secções obrigatórias, erros comuns e dicas para otimizar o seu perfil.

Resposta rápida: Para preencher o Ciência Vitae em 2026: (1) Registe-se em cienciavitae.pt com Cartão de Cidadão ou Chave Móvel Digital; (2) Complete formação, carreira e produções científicas; (3) Ligue ao ORCID para importar publicações automaticamente; (4) Defina visibilidade como “Público” ou “Semi-público”; (5) Na candidatura FCT via myFCT, associe o Ciência Vitae ao processo — é obrigatório para o Investigador Responsável.

O Que é o Ciência Vitae e Para Que Serve

O Ciência Vitae (cienciavitae.pt) é o sistema nacional de gestão curricular criado pelo FCCN/FCT para centralizar e padronizar a informação sobre investigadores, docentes e estudantes de pós-graduação em Portugal. O seu objetivo é eliminar a fragmentação de dados curriculares que obrigava os investigadores a preencher as mesmas informações em múltiplos sistemas (Plataforma DeGóis, SIGARRA, ORCID, etc.).

Em termos práticos, o Ciência Vitae é utilizado em 2026 para:

  • Candidaturas a bolsas FCT (doutoramento, pós-doutoramento, investigação)
  • Concursos de acesso à carreira académica e de investigação
  • Avaliações de unidades de investigação (FCiências.ID, INESC, laboratórios associados)
  • Relatórios de progresso de bolseiros FCT
  • Criação de um perfil público de investigador pesquisável internacionalmente

O Ciência Vitae atribui a cada investigador um CiênciaID — um identificador persistente único, equivalente ao ORCID mas específico do sistema português, usado para ligar o perfil ao myFCT e outros sistemas nacionais.

Passo 1 — Criar Conta e Registar

Aceda a cienciavitae.pt e clique em “Registar”.

Existem três formas de autenticação:

  • Cartão de Cidadão (recomendado — preenche automaticamente os dados de identificação)
  • Chave Móvel Digital (alternativa rápida)
  • E-mail (requer preenchimento manual dos dados pessoais)

Após o registo, o sistema gera automaticamente o seu CiênciaID. Guarde-o — é o identificador que vai usar em todas as candidaturas FCT.

Passo 2 — Identificação, Contactos e Domínios de Actuação

A primeira secção a preencher é a identificação. Campos obrigatórios assinalados com (*) incluem:

Campo O que preencher
Nome completo* Exactamente como aparece nos seus documentos oficiais
Nacionalidade* Uma ou mais (relevante para programas internacionais)
E-mail de contacto* Preferentemente o e-mail institucional
Domínios de atuação* Áreas científicas FOS (Fields of Science) — selecione os mais relevantes
Affiliação institucional Universidade, centro de investigação ou laboratório actual
Identificadores externos ORCID, Scopus Author ID, ResearcherID — adicione todos que tiver

Dica: A selecção correcta dos domínios de actuação (FOS) é importante — é usada para atribuir painéis de avaliação nas candidaturas FCT. Reveja a nomenclatura FOS/OCDE antes de seleccionar.

Passo 3 — Formação Académica

Na secção “Formação”, adicione todos os graus académicos obtidos, do mais recente para o mais antigo:

  • Doutoramento (incluindo tema da tese, orientador, data de aprovação)
  • Mestrado (incluindo título da dissertação)
  • Licenciatura / Bacharelato
  • Pós-doutoramentos e fellowship (se aplicável)
  • Cursos de especialização relevantes (> 60 horas)

Para cada grau, indique a instituição, a data de início e conclusão, e a classificação final. Para doutorandos em curso, indique “em curso” com data prevista de conclusão. Se ainda está a concluir o mestrado e quer registar correctamente o título da dissertação, o guia tese de mestrado em Portugal: estrutura e guia 2026 ajuda-o a estruturar o trabalho que vai depois constar do seu perfil.

Passo 4 — Carreira e Actividades

A secção “Carreira” regista o percurso profissional académico e científico:

Sub-secção O que incluir
Cargos / posições Investigador, bolseiro, docente, monitor — com datas e entidade
Projectos de I&D Projectos FCT, H2020/Horizon Europe, projectos industriais
Actividades de ensino Unidades curriculares leccionadas, orientações de mestrado/doutoramento
Participação em júris Júris de dissertação e teses onde participou
Cargos de gestão Coordenador de curso, director de unidade, membro de conselho científico

Para bolseiros FCT activos: o relatório de progresso anual é submetido via myFCT e referencia automaticamente o Ciência Vitae — mantenha o perfil actualizado.

Passo 5 — Produções Científicas

Esta é a secção mais demorada de preencher, mas também a mais importante para avaliações. Inclui:

  • Artigos em revistas científicas (com DOI, ISSN, quartil JCR/SCImago)
  • Comunicações em congressos (com e sem revisão por pares)
  • Livros e capítulos de livro
  • Teses e dissertações
  • Relatórios técnicos
  • Patentes
  • Software e datasets

Para cada publicação, preencha o DOI — o sistema importa automaticamente os metadados (título, autores, revista, ano, volume). Isto poupa tempo considerável.

Passo 6 — Ligar ao ORCID

A integração com o ORCID é o método mais eficiente de manter as produções científicas actualizadas. Quando os dois sistemas estão ligados, as publicações adicionadas ao ORCID podem ser importadas automaticamente para o Ciência Vitae, e vice-versa.

Como ligar:

  1. Na secção “Identificadores”, clique em “Ligar ORCID”
  2. Será redirecionado para o site do ORCID
  3. Autorize o acesso ao Ciência Vitae
  4. Regresse ao Ciência Vitae — o ORCID iD fica registado no perfil
  5. Para importar publicações, use “Importar de ORCID” na secção de produções
Infográfico oficial ORCID em português explicando o que é o ORCID, como funciona o identificador único de investigador e como o registar
O que é o ORCID e como funciona o identificador de investigador. Fonte: ORCID / Wikimedia Commons (CC0)

O blog “Sobrevivendo na Ciência” de Marco Armello tem uma análise prática sobre como gerir a visibilidade como investigador usando ORCID e outras plataformas: Torne-se visível — Sobrevivendo na Ciência.

O blog “Ferramentas para Doutorandar” aborda ferramentas práticas de produtividade e gestão académica para doutoramentos — útil para quem está a começar a construir o perfil de investigador: Ferramentas para Doutorandar.

Passo 7 — Definir Visibilidade e Versões de CV

O Ciência Vitae permite definir diferentes níveis de visibilidade para o perfil e para cada item:

Nível O que é visível Quando usar
Público Todo o perfil indexado e pesquisável Investigadores activos que querem visibilidade máxima
Semi-público Perfil visível mas não indexado Investigadores em formação ou que preferem controlo
Privado Visível apenas para si Durante o preenchimento inicial

Atenção crítica para candidaturas FCT: Para que a FCT possa validar a candidatura, o nível de visibilidade deve estar definido como Público ou Semi-público. Um perfil Privado impede a submissão da candidatura — é o erro mais comum de principiantes.

O Ciência Vitae permite também criar versões de CV distintas: uma versão para candidatura FCT, outra para concurso de docência, outra para relatório institucional. Cada versão é um subconjunto seleccionado do perfil completo.

Passo 8 — Usar o Ciência Vitae em Candidaturas FCT

Na plataforma myFCT, quando submete uma candidatura a bolsa de doutoramento ou pós-doutoramento:

  1. No formulário de candidatura, na secção “Curriculum”, selecione “Ciência Vitae”
  2. O sistema liga automaticamente ao seu perfil usando o CiênciaID
  3. Verifique que o nível de visibilidade está em Público ou Semi-público
  4. Para o Investigador Responsável (IR), a associação do Ciência Vitae é obrigatória — sem ela, a candidatura não pode ser submetida
  5. Para membros da equipa (não-IR), é recomendado mas não sempre obrigatório (depende do concurso)

Para candidaturas a bolsas de doutoramento FCT, consulte também o nosso guia FCT bolsas doutoramento 2026: valores, candidatura e dicas para aprovação. Para o diretório de orientadores e como encontrá-los via Ciência Vitae, veja o guia diretório de orientadores de tese via Ciência Vitae 2026.

Erros Comuns a Evitar

  • Perfil em modo Privado: Impede a FCT de aceder — o erro mais frequente em primeiras candidaturas
  • DOIs em falta: Sem DOI, o sistema não consegue importar metadados e o registo fica incompleto
  • Domínios de actuação incorrectos: Afecta a atribuição do painel de avaliação na FCT
  • Datas inconsistentes: Sobreposições de datas em cargos ou formação provocam alertas de validação
  • ORCID não ligado: Perde-se a sincronização automática com as publicações
  • Affiliação desactualizada: Indique sempre a affiliação principal actual — afecta a avaliação institucional
  • Produções sem revisão por pares mal classificadas: Comunicações sem revisão por pares têm peso diferente dos artigos em revistas indexadas — classifique correctamente

O guia oficial da Universidade de Coimbra para o Ciência Vitae está disponível em Guia Ciência Vitae — UC e é uma referência prática complementar a este guia.

O blog da investigadora Tereza V. aborda gestão de informação académica e estratégias de pesquisa, incluindo o uso de identificadores de investigador no contexto português: Terezav — Blog de investigação académica.

Perguntas Frequentes

O Ciência Vitae é obrigatório para candidaturas FCT?

Para o Investigador Responsável (IR) de qualquer candidatura à FCT, a associação do Ciência Vitae é obrigatória desde 2020. Sem o CiênciaID e o perfil em visibilidade Público ou Semi-público, não é possível submeter a candidatura na plataforma myFCT.

O Ciência Vitae substitui o ORCID?

Não. O Ciência Vitae e o ORCID são complementares. O Ciência Vitae é específico do sistema nacional português e integra-se com a FCT e os sistemas universitários. O ORCID é o identificador internacional de investigadores, reconhecido por editoras, revistas e agências de financiamento de todo o mundo. Recomenda-se ter e manter ambos ligados entre si.

Posso importar o meu CV de outro sistema para o Ciência Vitae?

Sim, por várias vias: (1) importação via ORCID — sincroniza publicações automaticamente; (2) importação de DOIs — o sistema preenche os metadados dos artigos; (3) para investigadores com dados na antiga Plataforma DeGóis, pode haver migração automática de parte dos dados. Não existe importação directa de CVs em Word ou PDF.

Um estudante de mestrado deve criar um Ciência Vitae?

Sim, especialmente se pretende continuar na carreira académica ou de investigação. A criação do perfil é gratuita e permite começar a construir desde cedo o historial de produções científicas (dissertação, apresentações em conferências, publicações). Para bolsas FCT de doutoramento, o perfil é obrigatório a partir do momento em que se candidata como IR ou como membro da equipa.

Com que frequência devo actualizar o Ciência Vitae?

Recomenda-se actualizar sempre que houver uma nova produção científica relevante (publicação aceite, comunicação em congresso, defesa de tese). No mínimo, actualize antes de qualquer candidatura a bolsa ou concurso. Com a integração ORCID activa, as publicações podem ser sincronizadas automaticamente — o que reduz o trabalho manual.

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