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Análise e Discussão dos Resultados do TCC 2026: Como Escrever (Exemplos por Tipo de Pesquisa)

Análise e Discussão dos Resultados do TCC 2026: Como Escrever (Exemplos por Tipo de Pesquisa)

Você chegou à etapa mais esperada e, ao mesmo tempo, mais temida do Trabalho de Conclusão de Curso: escrever a análise e discussão dos resultados. Os dados já foram coletados, as tabelas estão prontas, as entrevistas foram transcritas — mas agora vem a pergunta que trava muitos estudantes: “o que eu escrevo, exatamente?” Este guia mostra, com exemplos concretos para pesquisa quantitativa, qualitativa e mista, como transformar dados brutos em um capítulo analítico coeso, convincente e bem avaliado pela banca em 2026.

A análise e discussão dos resultados do TCC não é um resumo dos dados que você coletou. É a parte em que você entra em cena como pesquisador: interpreta o que os números significam, confronta suas descobertas com a literatura, explica as divergências e defende a relevância dos achados. Esse capítulo é o que diferencia um TCC aprovado com louvor de um trabalho que “apenas descreve” — e entender essa distinção é o primeiro passo.

Resposta rápida: A análise e discussão dos resultados do TCC tem duas funções distintas: (1) apresentar e organizar os dados coletados de forma clara, usando tabelas, gráficos ou categorias temáticas; e (2) interpretar esses dados à luz do referencial teórico, respondendo ao problema de pesquisa. Escreva sempre em voz impessoal, dialogue com os autores citados na revisão de literatura e nunca repita no texto o que já está na tabela — acrescente interpretação.

1. Análise x Discussão: qual é a diferença?

Muitos estudantes usam as palavras “análise” e “discussão” como sinônimos, e isso gera confusão na hora de escrever. Na prática acadêmica brasileira, os dois termos têm funções complementares mas distintas:

Análise de Resultados Discussão dos Resultados
Apresenta o que os dados mostram Interpreta o significado do que foi encontrado
Organiza tabelas, gráficos, categorias temáticas Dialoga com autores do referencial teórico
Tom mais descritivo e objetivo Tom argumentativo e interpretativo
Responde: “o que os dados revelam?” Responde: “o que isso significa para o campo?”

Na prática, muitos TCCs fundem os dois momentos em um único capítulo chamado “Análise e Discussão dos Resultados” — o que é perfeitamente aceito pela orientação geral sobre resultados e discussão em trabalhos acadêmicos. A decisão entre separar ou fundir depende do tipo de pesquisa e da orientação do seu professor.

2. Como estruturar o capítulo: separado ou fundido?

A NBR 14724 — norma da ABNT que rege a apresentação de TCCs, dissertações e teses — define os elementos obrigatórios do trabalho, mas não determina a nomenclatura dos capítulos internos. Isso significa que você tem flexibilidade para organizar esse capítulo de acordo com a natureza da sua pesquisa e as exigências do seu curso.

Use a tabela abaixo como guia rápido:

Tipo de Pesquisa Estrutura mais comum Exemplo de nomenclatura
Quantitativa Separado: Resultados / Discussão Capítulo 4: Resultados; Capítulo 5: Discussão
Qualitativa Fundido por categorias/temas Capítulo 4: Análise e Discussão dos Resultados
Mista Separado por fase (quanti / quali) ou fundido 4.1 Fase Quantitativa; 4.2 Fase Qualitativa; 4.3 Integração

Independentemente da estrutura escolhida, o capítulo deve estar em diálogo direto com os objetivos e o problema de pesquisa definidos na introdução e aprofundados no capítulo de metodologia do TCC. Se os objetivos mudaram durante a coleta, alinhe a redação antes de entrar nessa seção — e confira se eles continuam coerentes com os objetivos geral e específicos definidos com os verbos da Taxonomia de Bloom.

Como escrever cada bloco do capítulo — referência rápida

Bloco O que escrever Verbo-guia
Apresentação do dado Descreva o que a tabela/gráfico/categoria mostra de forma objetiva observa-se, verifica-se, constata-se
Interpretação Diga o que o dado significa no contexto da pesquisa indica, sugere, aponta para
Diálogo teórico Confronte com autores da revisão de literatura corrobora, contradiz, amplia, reforça
Avanço narrativo Conecte ao bloco seguinte ou ao objetivo do trabalho dessa forma, portanto, em consonância

Estrutura recomendada com base nas diretrizes da ABNT NBR 14724 e nas práticas de escrita científica em universidades brasileiras.

3. Exemplo para pesquisa quantitativa

Em estudos quantitativos — como levantamentos com questionários, experimentos ou análises estatísticas — a análise de resultados costuma aparecer em blocos organizados por variável ou por hipótese testada. Cada bloco apresenta os dados (tabela ou gráfico), descreve brevemente o padrão observado e avança para a interpretação.

Exemplo: TCC de Administração — Satisfação de Clientes

Problema de pesquisa: Qual a relação entre o tempo de espera no atendimento e o índice de satisfação dos clientes de um supermercado de médio porte em Belo Horizonte?

Trecho de análise: “Os dados da Tabela 4 indicam que clientes que aguardaram mais de 15 minutos para ser atendidos atribuíram nota média de 2,8 (em uma escala de 1 a 5), enquanto aqueles com tempo de espera inferior a 5 minutos avaliaram o atendimento com média de 4,6. A diferença de 1,8 ponto sugere uma associação negativa relevante entre tempo de espera e satisfação (dados da pesquisa, 2026).”

Trecho de discussão: “Esse resultado está em consonância com o modelo teórico de qualidade percebida de serviços proposto por Parasuraman, Zeithaml e Berry (1988), segundo o qual a dimensão ‘responsividade’ — prontidão para atender — é um dos principais determinantes da satisfação do consumidor. A expressiva diferença observada reforça a necessidade de adoção de estratégias de gestão de filas, como o sistema de senhas eletrônicas já documentado por Oliveira (2021) em contexto semelhante.”

Observe que o exemplo acima não repete o número da tabela no texto como descrição — ele parte do dado e avança imediatamente para o que ele significa. Essa é a principal distinção entre um texto analítico e uma mera transcrição de dados.

Para pesquisas com questionários e escalas Likert, a interpretação de cada bloco de perguntas deve recuperar a hipótese correspondente e indicar se ela foi confirmada, refutada ou parcialmente sustentada pelos dados. Veja mais sobre como construir esse instrumento em nosso guia sobre metodologia TCC com exemplos prontos.

4. Exemplo para pesquisa qualitativa

Em pesquisas qualitativas — entrevistas, grupos focais, observação participante, análise documental — os “dados” são discursos, práticas e significados. A análise não trabalha com médias ou percentuais, mas com categorias temáticas construídas a partir do material empírico. O método mais utilizado em TCCs brasileiros é a Análise de Conteúdo de Bardin (2016).

A estrutura padrão é:

  1. Apresentar a categoria temática com uma breve definição;
  2. Ilustrar com trechos de fala (verbatim) dos participantes, devidamente identificados (E1, E2… ou P1, P2… para preservar o anonimato);
  3. Interpretar o significado dos trechos à luz do referencial teórico;
  4. Avançar para a próxima categoria.
Exemplo: TCC de Pedagogia — Percepções de professores sobre avaliação formativa

Categoria 1: Avaliação como instrumento de controle disciplinar

Trecho de análise e discussão: “Seis dos oito docentes entrevistados associaram a avaliação primariamente à noção de controle e registro de comportamento, o que se evidencia nas seguintes falas: ‘A nota serve para o aluno saber que tem que estudar, senão ele não faz nada’ (E3); ‘Sem avaliação, a turma não respeita’ (E7). Essa percepção revela uma concepção de avaliação classificatória, divergente do paradigma formativo descrito por Luckesi (2011), para quem a avaliação deve subsidiar o processo de ensino e aprendizagem, e não funcionar como mecanismo punitivo. A predominância dessa visão entre os participantes pode estar relacionada à formação inicial recebida em cursos que ainda reproduzem modelos tradicionais de ensino, conforme identificado por Gatti e Barreto (2009) no contexto das licenciaturas brasileiras.”

Dois cuidados indispensáveis para a análise qualitativa:

  • Cite o participante, não a si mesmo: o trecho de fala é a evidência; evite escrever “durante a entrevista percebi que…” — isso é diário de campo, não análise.
  • Não use o verbatim como argumento isolado: o trecho ilustra a categoria, mas a interpretação teórica é o que valida a análise perante a banca.

5. Exemplo para pesquisa mista

Em estudos mistos, o desafio central não é escrever análise quantitativa ou qualitativa — é integrar as duas fases de forma que o resultado do conjunto seja maior do que a soma das partes. A integração pode ocorrer de três maneiras:

  • Convergência: os resultados quanti e quali são analisados separadamente e depois comparados;
  • Explanação sequencial: os dados quantitativos geram hipóteses que a fase qualitativa aprofunda;
  • Exploração sequencial: a fase qualitativa mapeia categorias que a fase quantitativa testa em escala.
Exemplo: TCC de Enfermagem — Adesão ao tratamento de hipertensão

Integração dos resultados (explanação sequencial): “A fase quantitativa revelou que 41% dos pacientes entrevistados relataram descontinuidade no uso da medicação anti-hipertensiva (Tabela 6). A fase qualitativa subsequente buscou compreender as motivações desse padrão por meio de entrevistas com 12 pacientes do mesmo grupo. As narrativas convergiram em torno de duas categorias centrais: percepção de ausência de sintomas (‘quando me sinto bem, não vejo sentido em tomar o remédio’, P4) e dificuldades financeiras de acesso ao serviço de saúde (‘às vezes falta o medicamento no posto, aí interrompo’, P9). Esses dados, analisados em conjunto, apontam para um problema de adesão que é simultaneamente comportamental e estrutural, o que demanda intervenções em múltiplos níveis, tal como propõe o modelo socioecológico de Bronfenbrenner (1979) aplicado à saúde coletiva.”

Perceba que o parágrafo acima não apenas justapõe números e falas — ele constrói uma argumentação integrada que responde ao problema de pesquisa de forma mais completa do que cada fase isolada conseguiria. Essa integração é o diferencial da pesquisa mista e o que a banca mais valoriza nesse tipo de TCC.

6. Cinco erros que derrubam a nota na banca

Após o capítulo de análise e discussão, o TCC segue para a conclusão, mas antes de chegar lá, evite os erros mais comuns que comprometem a avaliação desse capítulo central:

  1. Descrever dados sem interpretar. Escrever apenas “o Gráfico 2 mostra que 63% dos respondentes concordam com a afirmação” não é análise — é legenda. Sempre acrescente: “isso indica que…”, “o que sugere…”, “corroborando / contrariando o que propõe [Autor, Ano]”.
  2. Abandonar o referencial teórico. O capítulo de análise precisa retomar os autores citados na revisão de literatura. Se você mencionou Vygotsky na fundamentação, ele precisa aparecer na discussão dos dados — caso contrário, o referencial teórico se torna decorativo.
  3. Não responder ao problema de pesquisa. Cada seção do capítulo deve se conectar à pergunta central do trabalho. A banca vai questionar diretamente: “e então, sua pesquisa responde ao objetivo proposto?” Antecipe essa resposta na redação.
  4. Usar linguagem coloquial ou primeira pessoa sem autorização. Expressões como “a gente viu que” ou “eu acho que esses dados provam” saem do tom acadêmico. Prefira “observa-se que”, “os dados indicam”, “verifica-se”.
  5. Generalizar além do que os dados suportam. Se sua amostra é de 80 alunos de uma única universidade de São Paulo, você não pode afirmar que “os estudantes brasileiros pensam X”. Restrinja a generalização ao seu contexto de pesquisa e sinalize as limitações do estudo.

Para uma visão detalhada sobre como estruturar todo o trabalho desde o início, o guia do AlunoExpert sobre o que um TCC precisa ter é uma referência prática para entender o papel de cada capítulo no conjunto do trabalho.

Os 5 erros mais comuns na análise e discussão do TCC

# Erro Como evitar
1 Apenas descrever dados sem interpretar Após cada dado, escreva “isso indica que…” ou “o que sugere…”
2 Abandonar o referencial teórico na discussão Retome autores da revisão de literatura ao interpretar cada resultado
3 Não responder ao problema de pesquisa Cada seção deve conectar-se à pergunta central do trabalho
4 Linguagem coloquial ou 1ª pessoa inadequada Prefira “observa-se”, “os dados indicam”, “verifica-se”
5 Generalizar além do que os dados suportam Restrinja conclusões ao contexto e amostra da sua pesquisa

Baseado nas diretrizes de avaliação de bancas de TCC em universidades brasileiras e nas normas ABNT NBR 14724.

7. Checklist antes de entregar o capítulo

Use esta lista para revisar o capítulo de análise e discussão antes de enviar ao orientador:

  • Cada resultado apresentado tem uma interpretação correspondente (não fica solto no texto)?
  • Os autores do referencial teórico são retomados na discussão?
  • O capítulo responde, pelo menos parcialmente, ao problema de pesquisa?
  • As tabelas e gráficos estão numerados, titulados e referenciados no texto conforme as normas ABNT?
  • Os trechos de fala (pesquisa qualitativa) estão identificados com código de participante e formatados como citação longa ou recuada, conforme a NBR 10520?
  • A linguagem é impessoal e o texto está na voz passiva ou em construções impessoais (“observa-se”, “verifica-se”)?
  • As generalizações estão delimitadas ao contexto da pesquisa?
  • As limitações do estudo são mencionadas (mesmo que brevemente), preparando o terreno para a conclusão?

Para aprofundar a interpretação dos dados — especialmente no que se refere à apresentação de tabelas e à distinção entre resultados e conclusão — o artigo da Mettzer sobre análise de resultados: o que é e como fazer complementa bem este guia com orientações adicionais sobre o momento de apresentação objetiva dos dados.

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Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre análise de resultados e discussão no TCC?

A análise de resultados apresenta e organiza os dados coletados de forma objetiva — tabelas, frequências, categorias, trechos de entrevista. A discussão interpreta esses dados à luz da literatura, respondendo ao problema de pesquisa e dialogando com os autores do referencial teórico. São momentos distintos que podem aparecer em capítulos separados ou fundidos em um só.

É obrigatório separar análise e discussão em capítulos diferentes no TCC?

Não existe uma exigência única da ABNT nesse ponto. A NBR 14724 define apenas os elementos obrigatórios, não a nomenclatura interna dos capítulos. A decisão depende do estilo da área, da orientação do professor e das normas do seu curso. Em ciências exatas, é comum separar; em ciências sociais e humanas, a fusão em ‘Análise e Discussão’ é muito frequente.

Como evitar repetir os dados que já aparecem nas tabelas e gráficos?

A regra prática é: a tabela ou gráfico mostra o número, o texto interpreta o que ele significa. Em vez de ‘Como mostra o Gráfico 1, 72% dos respondentes afirmaram X’, escreva ‘A maioria dos participantes (72%) afirmou X (Gráfico 1), o que indica Y, corroborando a perspectiva de Fulano (2023) sobre Z’. Destaque apenas o dado mais relevante e avance imediatamente para a interpretação.

Quantas páginas deve ter o capítulo de análise e discussão do TCC?

Não há um limite rígido, mas esse capítulo costuma ser o mais extenso do TCC — geralmente entre 20% e 35% do total de páginas do trabalho. Um TCC de 60 páginas terá entre 12 e 21 páginas de análise e discussão. O tamanho depende do volume de dados coletados e da profundidade da interpretação exigida pela área.

Posso usar a primeira pessoa ao escrever a análise e discussão?

A ABNT não proíbe o uso da primeira pessoa, mas a tradição acadêmica brasileira ainda prefere a impessoalidade (‘observa-se’, ‘verificou-se’, ‘os dados indicam’). Consulte as normas do seu curso e converse com seu orientador. Algumas universidades e certas áreas como Letras e Comunicação têm aceitado o uso do ‘eu’ ou ‘nós’ com mais naturalidade.

Como referenciar os dados primários coletados no próprio TCC?

Dados primários gerados pelo próprio pesquisador (questionários aplicados, entrevistas realizadas, experimentos conduzidos) não recebem referência bibliográfica no sentido usual. Você os identifica no texto como ‘dados da pesquisa’, ‘dados do autor’ ou ‘pesquisa de campo (2026)’. Nas notas metodológicas, explique os instrumentos, o período de coleta e os participantes.