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Quantos Investigadores Usam Gestores de Referências? Dados 2026

Quantos Investigadores Usam Gestores de Referências? Dados 2026

Saber quantos investigadores utilizam gestores de referências bibliográficas parece uma pergunta simples — mas a realidade é que os dados disponíveis são fragmentados e provêm de contextos muito diferentes: inquéritos a estudantes de pós-graduação, análises de padrões de adoção em bibliotecas universitárias, relatórios dos próprios fornecedores, e estudos académicos publicados em revistas de biblioteconomia e informação. Este artigo reúne o que existe, contextualiza as tendências para 2026, e ajuda a perceber por que a adoção ainda está longe de ser universal — apesar das vantagens evidentes.

Resposta rápida: Estudos publicados sugerem que entre 30% e 60% dos investigadores académicos usam algum gestor de referências de forma regular, dependendo da disciplina, do nível de ensino e da instituição. A adoção é muito mais alta entre doutorandos e investigadores sénior do que entre estudantes de licenciatura e mestrado. O Zotero é o mais adotado globalmente em ambientes académicos, seguido do Mendeley (Elsevier) e do EndNote. No Brasil e em Portugal, o Zotero ganhou terreno significativo desde 2020, impulsionado pela gratuidade e pelo código aberto.

Dados de adoção: o que dizem os estudos

Os estudos sobre adoção de gestores de referências são heterogéneos em metodologia e população, o que dificulta comparações diretas. No entanto, algumas conclusões são consistentes através da literatura.

Estudo / fonte Taxa de adoção População
Comparativo Mendeley/EndNote/Zotero (SciELO Brasil) ~40–60% (estima) Investigadores em área de informação (Brasil)
Inquéritos de bibliotecas universitárias PT 30–45% Estudantes de pós-graduação com formação em gestor de ref.
Literatura internacional (revisão geral) 35–65% Varia muito por disciplina e nível de ensino

Fontes: Comparativo de gestores de referências bibliográficas — SciELO TransInformação; dados de bibliotecas universitárias portuguesas.

Um dado importante: a taxa de adoção varia enormemente entre quem conhece gestores de referências e quem os usa regularmente. Inquéritos a estudantes de pós-graduação mostram que uma proporção significativa já ouviu falar de Zotero ou Mendeley — frequentemente numa sessão de formação da biblioteca —, mas apenas uma fração mais pequena os integrou no fluxo de trabalho diário.

Quota de mercado por ferramenta

A distribuição entre gestores de referências mudou consideravelmente na última década. O EndNote — durante muito tempo o líder indiscutível em ambientes académicos — perdeu terreno para ferramentas mais modernas e gratuitas. Em 2026, o panorama é o seguinte:

Ferramenta Custo Posição global (2026) Destaque
Zotero Gratuito (open source) 1.º (em crescimento) Código aberto; 300 MB gratuitos + armazenamento pago
Mendeley (Elsevier) Gratuito (com limitações) 2.º Rede social académica integrada; backend Elsevier
EndNote Pago (~340 €/licença) 3.º (em declínio) Funcionalidades avançadas; adotado em medicina e ciências
Citavi Gratuito (limitado) / pago 4.º (forte em Alemanha/PT) Gestão de conhecimento integrada; popular em ciências sociais
RefWorks Institucional 5.º Plataforma web; licença por instituição

O crescimento do Zotero — impulsionado pela versão 7 lançada em 2023, com melhorias significativas de interface e desempenho — é um dos dados mais marcantes da paisagem atual. Para uma comparação detalhada das funcionalidades, consulte o artigo sobre Zotero vs Mendeley vs EndNote para a tese.

Quem usa: perfil do utilizador típico

A adoção de gestores de referências é fortemente correlacionada com o nível de ensino e com a experiência de investigação. Os dados disponíveis apontam para este padrão consistente:

  • Licenciatura: Adoção muito baixa (tipicamente abaixo de 15%). Os trabalhos finais de licenciatura têm listas de referências mais curtas, o que reduz a pressão para automatizar.
  • Mestrado: Adoção crescente. Estudantes de mestrado com dissertação são o grupo onde a formação em bibliotecas tem maior impacto imediato — mas ainda uma proporção significativa não usa gestor de referências de forma consistente.
  • Doutoramento: Adoção mais alta. A gestão de centenas ou milhares de referências ao longo de 3–5 anos torna o uso de um gestor quase inevitável para quem quer manter a sanidade bibliográfica.
  • Investigadores sénior/docentes: Alta adoção, mas com forte viés para ferramentas instaladas há muitos anos (EndNote predomina nesta faixa).

Adoção por área científica

A adoção varia significativamente por área. As ciências da saúde e biomédicas têm historicamente taxas de adoção mais altas, em parte porque as normas de citação (Vancouver) são exigentes e os volumes de literatura são imensos. As ciências sociais e humanidades tendem a ter adoção mais baixa, em parte pela resistência cultural ao software e em parte porque muitos docentes mais velhos nessas áreas nunca migraram das ferramentas manuais.

Área científica Estimativa de adoção Ferramenta dominante
Ciências biomédicas e saúde 60–75% EndNote, Mendeley
Engenharia e ciências exatas 50–65% Zotero, Mendeley
Ciências sociais 35–50% Zotero, Citavi
Humanidades 25–40% Zotero
Educação e ciências do ensino 30–45% Zotero, Mendeley

Estimativas baseadas em literatura publicada sobre adoção de ferramentas de gestão bibliográfica; dados agregados de múltiplos estudos.

Portugal e Brasil: dados específicos

Em Portugal, as bibliotecas universitárias têm investido na formação de utilizadores em gestores de referências, com sessões regulares sobre Zotero e Mendeley integradas nos planos de formação de utilizadores da b-on e das bibliotecas institucionais. O feedback das bibliotecas sugere que a presença às sessões de formação é elevada — especialmente entre doutorandos e investigadores júnior — mas que a adoção sustentada após a formação inicial é variável.

No Brasil, o crescimento do Zotero foi acelerado pelo seu suporte a normas ABNT, que foram melhoradas progressivamente através da comunidade de utilizadores. A Faculdade de Filosofia e Ciências da USP (Marília) e a Biblioteca da ECA-USP são exemplos de instituições que formalizaram o Zotero como ferramenta recomendada para todos os seus alunos de pós-graduação. Para uma discussão aprofundada das funcionalidades específicas de cada ferramenta, consulte o artigo sobre qual gestor de referências escolher para a tese.

Para aprofundar a comparação entre gestores de referências com dados académicos publicados, consulte: Comparativo de gestores de referências bibliográficas (Mendeley, EndNote, Zotero) — SciELO TransInformação

Por que muitos investigadores ainda não usam

Dada a evidência clara sobre as vantagens dos gestores de referências — poupança de tempo, eliminação de erros, facilidade de formatação em múltiplos estilos —, a persistência de taxas de não-adoção significativas é intrigante. Os estudos identificam consistentemente as seguintes barreiras:

  1. Curva de aprendizagem inicial percebida: A maioria dos utilizadores que tentam aprender Zotero ou Mendeley sem apoio desiste nos primeiros 30 minutos. A perceção de que é difícil de aprender é mais forte do que a realidade.
  2. Hábitos estabelecidos: Investigadores que durante anos gerem referências em Word ou Excel resistem à migração mesmo quando reconhecem as vantagens do software específico.
  3. Medo de perda de dados: Preocupação com a possibilidade de perder a biblioteca de referências num crash ou atualização — embora a sincronização com a nuvem torne este risco muito baixo.
  4. Desconhecimento de funcionalidades chave: Muitos que usaram Zotero ou Mendeley brevemente não descobriram funcionalidades que realmente poupam tempo (como a leitura automática de PDFs, a captura de metadados a partir de DOI, ou a partilha de grupos).
  5. Orientadores que não incentivam: Em contextos onde o orientador não usa gestor de referências e não o recomenda, é menos provável que o orientando adote.

O blog “Ferramentas para Doutorandar” tem um artigo de referência sobre Zotero — será este o melhor sistema de gestão de referências? — que é particularmente útil para quem está a ponderar a adoção pela primeira vez.

Tendências 2026: IA e integração nativa

Em 2026, o cenário dos gestores de referências está a ser transformado por dois desenvolvimentos:

  • Integração nativa com ferramentas de IA: O Zotero 7 integra funcionalidades de resumo automático de artigos com LLMs locais ou via API. O Mendeley adicionou sugestões de referências baseadas em IA. Esta integração aumenta o valor percebido e acelera a adoção entre novos utilizadores.
  • Ferramentas nativas de IA com gestão de referências incorporada: Plataformas como Elicit, Consensus e ResearchRabbit oferecem funcionalidade de gestão bibliográfica integrada com descoberta de literatura — o que começa a competir diretamente com os gestores tradicionais para utilizadores focados em revisão de literatura.

Para manter a biblioteca partilhada com o grupo de investigação ou com o orientador — uma funcionalidade chave para equipas —, o artigo sobre como partilhar uma biblioteca Zotero em grupo cobre o processo em detalhe.

Perguntas Frequentes

Qual é o gestor de referências mais usado pelos investigadores em 2026?

O Zotero é, em 2026, o gestor de referências mais amplamente adotado em ambientes académicos a nível global, especialmente entre estudantes de doutoramento e investigadores em início de carreira. O Mendeley ocupa o segundo lugar, com forte presença em ciências biomédicas e engenharia. O EndNote mantém uma base de utilizadores fiel, principalmente entre investigadores sénior que o usam há mais de uma década.

O Zotero funciona com normas ABNT para o Brasil?

Sim. O Zotero tem estilos de citação ABNT disponíveis na sua biblioteca de estilos, mantidos pela comunidade de utilizadores brasileiros. Existem estilos para referências ABNT 6023:2018 e para notas de rodapé em formato ABNT 10520. A qualidade dos estilos melhorou significativamente entre 2022 e 2026.

Devo usar Zotero ou Mendeley para a minha tese?

Para a maioria dos estudantes de mestrado e doutoramento em Portugal e no Brasil, o Zotero é a recomendação mais sólida em 2026: é gratuito, open source, tem excelente suporte a normas PT/BR, integra-se com Word, LibreOffice e Google Docs, e tem uma comunidade ativa. O Mendeley é uma boa alternativa se o grupo de investigação já o usa ou se a instituição tem licença corporativa.

Quanto tempo se poupa com um gestor de referências numa tese?

A poupança é difícil de quantificar com precisão, mas estudos de caso e inquéritos a utilizadores sugerem que a formatação automática de referências bibliográficas poupa entre 5 e 20 horas para uma dissertação de mestrado média, e potencialmente mais de 40 horas para uma tese de doutoramento extensa. O maior benefício não é apenas o tempo — é a eliminação de erros de formatação inconsistente.

A sua bibliografia está a causar problemas?

O Tesify verifica a consistência das citações e referências bibliográficas na sua tese, identifica referências em falta ou malformatadas, e sugere correções conforme a norma da sua instituição.

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