Estudante universitário a usar ferramentas de IA para escrita de tese académica com alertas de erros comuns
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85% Não Usam IA na Tese Corretamente | Erros e Soluções

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5 min de leitura

Há cerca de seis meses, recebi uma mensagem que me gelou o sangue. Um estudante de mestrado — vamos chamar-lhe Pedro — tinha acabado de ser chamado ao gabinete de integridade académica da sua universidade. O motivo? Texto gerado por inteligência artificial identificado em três capítulos da sua dissertação.

O Pedro não era preguiçoso. Não era desonesto. Era apenas um estudante esgotado, com prazos impossíveis, que pensou estar a usar uma ferramenta moderna de forma inteligente. Estava redondamente enganado.

Depois de acompanhar centenas de estudantes portugueses nos últimos anos, percebi um padrão preocupante: a esmagadora maioria usa ferramentas como o ChatGPT de uma forma que não só é ineficaz — é potencialmente devastadora para o seu percurso académico.

Por que a maioria usa IA na tese incorretamente?
A maioria dos estudantes usa ferramentas como ChatGPT de forma superficial: copiam texto diretamente, não verificam informações, ignoram normas de integridade académica e tratam a IA como substituto do pensamento crítico — em vez de ferramenta auxiliar de apoio à escrita e investigação.

Mas aqui está a boa notícia: não precisas de fazer parte destes 85%. Neste artigo, vou mostrar-te exatamente o que separa os estudantes que naufragam dos 15% que dominam a IA como verdadeira vantagem competitiva. E sim, vais descobrir os erros que provavelmente já estás a cometer — e como corrigi-los antes que seja tarde demais.

Se ainda tens dúvidas sobre os mitos que circulam sobre IA na escrita académica, este é o momento de os confrontar com a realidade.

Estudante universitário numa encruzilhada simbólica entre o uso correto e incorreto de IA na tese
A escolha entre usar IA corretamente ou cometer erros fatais define o futuro académico de milhares de estudantes.

Vamos ser honestos: quando o ChatGPT surgiu em novembro de 2022, foi como colocar um motor de Fórmula 1 nas mãos de condutores recém-encartados. Poder imenso, instrução mínima.

Os dados são reveladores. Estudos recentes indicam que mais de 70% dos estudantes universitários já experimentaram ferramentas de IA generativa para trabalhos académicos. Em Portugal, a realidade não é diferente — e é agravada por fatores muito nossos: orientadores sobrecarregados, bibliotecas com recursos limitados, e uma cultura académica que ainda não sabe bem como lidar com esta revolução.

O problema não é usar IA. O problema é a diferença abismal entre “usar IA” e “usar IA corretamente”. É como a diferença entre saber ligar um computador e saber programar. Tecnicamente ambos “usam” a máquina. Na prática, os resultados são incomparáveis.

As universidades portuguesas têm adoptado posições cada vez mais definidas. A Universidade do Porto, a Universidade de Lisboa e a Universidade do Minho, entre outras, já atualizaram os seus regulamentos de integridade académica para abordar especificamente o uso de ferramentas de IA. A tendência é clara: não proibição total, mas regulamentação rigorosa. Isto significa que o uso é permitido — desde que declarado, verificado e alinhado com princípios de autoria original.

Como refere o preprint da SciELO sobre escrita académica ética com Inteligência Artificial: “A integridade académica exige que o estudante mantenha a autoria genuína do trabalho, utilizando a IA apenas como ferramenta de apoio e nunca como substituto do pensamento crítico.”

O que é uso correto de IA na tese académica?
Uso correto significa utilizar ferramentas de IA como assistentes de brainstorming, revisão linguística e organização — mantendo sempre a autoria humana, verificando todas as informações e declarando o uso conforme as normas da instituição.

Se pensas que consegues “passar despercebido”, tenho más notícias. O Turnitin — a plataforma de deteção de plágio mais usada em universidades portuguesas — lançou em 2023 um módulo específico para identificar texto gerado por IA. E está cada vez mais preciso.

Mas para além da deteção, há uma questão mais profunda: estás a desperdiçar uma oportunidade única. A IA, bem utilizada, pode transformar a tua tese de um calvário de meses num processo estruturado e até — atrevo-me a dizer — gratificante. Se quiseres entender melhor como usar IA sem seres penalizado, temos um guia completo sobre isso.

Agora vamos ao que interessa. Vou ser direto — porque sei que o teu tempo é precioso e provavelmente já perdeste horas suficientes a tentar perceber como usar estas ferramentas. Estes são os erros que vejo repetidamente, semana após semana.

Checklist visual dos 7 erros mais comuns no uso de IA em trabalhos académicos
Os 7 erros que destroem teses — quantos reconheces no teu trabalho?

Erro #1: Copiar Texto Diretamente do ChatGPT. Parece óbvio, certo? Mas é assustador quantos estudantes fazem exatamente isto. “Escreve-me uma introdução sobre X” → copiar → colar → entregar. O problema? O texto gerado por IA tem padrões reconhecíveis. Frases demasiado equilibradas. Transições previsíveis. Uma “perfeição” artificial que qualquer orientador experiente (e certamente o Turnitin) identifica em segundos.

Erro #2: Não Verificar Factos e Referências. Este é talvez o mais perigoso. A IA “alucina” — inventa referências bibliográficas que parecem reais mas simplesmente não existem. Já vi estudantes citarem artigos de autores fictícios, com DOIs inventados e revistas que nunca foram publicadas. Imagina o constrangimento de o teu orientador perguntar: “Onde encontraste esta fonte?” E tu não conseguires responder porque a fonte nunca existiu.

⚠️ Atenção: SEMPRE verifica cada referência sugerida pela IA. Procura o artigo original, confirma os dados, e só depois inclui na tua bibliografia.

Erro #3: Usar IA Para Análise Crítica. A secção de discussão e conclusões é onde mostras o teu pensamento. É aqui que interpretas resultados, estabeleces conexões originais e demonstras domínio do tema. Delegar isto à IA é como pedir a outra pessoa para fazer o teu exame oral.

Erro #4: Ignorar Normas de Transparência. Em 2025, a maioria das universidades exige declaração explícita de uso de IA. Omitir essa informação pode ser considerado fraude académica — com consequências que vão desde reprovação na disciplina até processos disciplinares graves. A ironia? O uso declarado e ético de IA é geralmente aceite. O problema está na omissão, não no uso em si.

Erro #5: Prompts Vagos e Sem Contexto. Há uma diferença abismal entre pedir “Escreve a minha introdução sobre sustentabilidade” e “Revê este parágrafo da minha introdução sobre práticas sustentáveis em PMEs portuguesas. Sugere melhorias de clareza e coesão, mantendo o meu estilo de escrita. Contexto: dissertação de mestrado em Gestão, público académico.” O output da IA é tão bom quanto o teu input.

Erro #6: Usar Uma Única Ferramenta Para Tudo. O ChatGPT não é gestor de referências. Não é verificador de plágio. Não é formatador de documentos. Usá-lo para tudo é como usar um canivete suíço para serrar uma árvore — tecnicamente possível, praticamente absurdo.

Erro #7: Negligenciar Ferramentas Complementares. Ironicamente, enquanto muitos se obcecam com o ChatGPT, ignoram ferramentas que fariam uma diferença real: Zotero para gestão bibliográfica, Writefull para revisão linguística especializada.

Se reconheces algum destes padrões no teu trabalho, não te sintas mal — a maioria está no mesmo barco. A questão é: o que vais fazer agora? Podes começar por explorar este guia sobre os 7 erros fatais a evitar, ou ver exemplos concretos de mau uso em TCCs.

Este vídeo do Instituto de Física de São Carlos (USP) oferece uma análise aprofundada da relação entre ChatGPT e escrita científica:

Agora que identificamos os erros, vamos ao que realmente importa: como fazer parte da minoria que domina estas ferramentas.

Ilustração de colaboração entre humano e IA onde o estudante lidera e a IA assiste
Tu decides, a IA assiste — nunca o contrário.

Gosto de usar uma metáfora com os meus alunos: a IA é o teu estagiário, tu és o investigador sénior. O estagiário pode pesquisar informações preliminares, organizar ficheiros, sugerir estruturas e rever documentos. Mas quem toma as decisões, quem analisa criticamente, quem assina o trabalho final — és tu. Sempre tu.

Esta mudança de mentalidade é crucial. Quando passas de “a IA vai escrever a minha tese” para “a IA vai ajudar-me a escrever melhor a minha tese”, tudo muda.

Baseado no preprint da SciELO sobre IA Generativa na pesquisa académica, criei um framework prático:

Etapa da Tese ✅ Uso Correto ❌ Uso Incorreto
Brainstorming Gerar perguntas de investigação, explorar ângulos Pedir à IA para definir o tema por ti
Revisão de Literatura Resumir artigos, identificar lacunas Copiar resumos como texto final
Escrita Melhorar clareza, corrigir gramática Gerar parágrafos inteiros sem edição
Revisão Detetar inconsistências, melhorar fluência Substituir revisão humana e do orientador

Quer usar IA desde o planeamento da tua tese? Este guia mostra-te como integrar estas ferramentas desde o primeiro dia.

O Zotero é gratuito e revolucionário para gestão de referências. O Writefull integrado ao Overleaf oferece feedback linguístico específico para escrita científica. E para prompts específicos, consulta o nosso guia sobre uso do ChatGPT para dissertações de mestrado.

Muitas universidades já exigem uma declaração formal de uso de IA. Aqui está um modelo que podes adaptar:

“Nesta dissertação, utilizei ferramentas de IA generativa (especificar: ChatGPT-4, Claude, etc.) para apoio nas seguintes tarefas: [revisão linguística / brainstorming de ideias / estruturação de secções]. Todo o conteúdo foi verificado, editado e validado pelo autor. As análises, interpretações e argumentos críticos são de autoria exclusivamente humana. Todas as referências bibliográficas foram verificadas nas fontes originais.”

Descobre mais estratégias avançadas sobre como os melhores usam IA na tese.

Evolução futura da IA académica de 2025 a 2027 com estudante caminhando em direção ao progresso
O futuro pertence a quem dominar o uso ético da IA agora.

Se o que descrevi até agora te pareceu exigente, prepara-te: o futuro será ainda mais rigoroso — mas também cheio de oportunidades para quem se adaptar.

Nos próximos dois anos, veremos as universidades portuguesas a implementar políticas específicas e obrigatórias sobre IA em trabalhos académicos, formação obrigatória em literacia de IA para estudantes de pós-graduação, e declarações padronizadas de uso de ferramentas tecnológicas.

O Turnitin e ferramentas similares vão evoluir para analisar não só o texto, mas os padrões de escrita individuais. Isto significa que a estratégia de “parafrasear texto de IA” será cada vez mais ineficaz. A única abordagem sustentável é usar a IA como ferramenta de apoio genuína, mantendo a tua voz autoral.

Estamos também a assistir ao surgimento de ferramentas de IA desenhadas especificamente para escrita científica — ferramentas que citam fontes reais, que compreendem normas académicas, que respeitam metodologias de investigação. Plataformas como a tesify.pt são o exemplo desta evolução: IA como aliada estruturada, não como atalho perigoso.

A conclusão é simples: quem dominar o uso correto de IA agora terá vantagem competitiva durante anos. A literacia de IA está a tornar-se uma competência essencial — no CV académico, na carreira profissional, em tudo. Para uma visão mais completa, explora o nosso guia sobre IA para teses de mestrado em 2025.

Posso usar ChatGPT para escrever a minha tese?

Podes usar ChatGPT como ferramenta auxiliar para brainstorming, revisão linguística e organização de ideias. No entanto, nunca deves copiar texto diretamente ou usar a IA para substituir o teu pensamento crítico. Verifica sempre as informações e declara o uso conforme as normas da tua instituição.

As universidades portuguesas detetam texto gerado por IA?

Sim. O Turnitin e outras plataformas utilizadas pelas universidades portuguesas incluem módulos específicos de deteção de IA desde 2023, e estão cada vez mais precisos. A transparência e declaração de uso é sempre a melhor estratégia.

Qual a diferença entre uso correto e incorreto de IA na tese?

Uso correto: brainstorming, revisão linguística, estruturação de ideias, com verificação humana e declaração de uso. Uso incorreto: copiar texto diretamente, usar referências não verificadas, delegar análise crítica à IA, e omitir o uso de ferramentas.

A história do Pedro com que comecei este artigo teve um final feliz — mas só porque conseguiu demonstrar que parte do trabalho era genuinamente seu e comprometeu-se a refazer as secções problemáticas. Nem todos têm essa sorte.

A verdade é que a IA não vai desaparecer das universidades. Vai integrar-se cada vez mais no processo académico. A questão não é se deves usar — é como deves usar.

Os 15% que dominam estas ferramentas não têm nenhum segredo místico. Simplesmente tratam a IA pelo que ela é: uma assistente poderosa, mas limitada. Mantêm a autoria, verificam tudo, declaram o uso, e nunca delegam o pensamento crítico.

O próximo passo é teu. Se queres fazer parte desses 15%, começa hoje. Experimenta a tesify.pt — uma plataforma desenhada especificamente para estudantes portugueses que querem usar IA de forma ética, eficaz e segura na escrita das suas teses. Porque o futuro académico pertence a quem souber dominar estas ferramentas agora.


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