Há cerca de seis meses, recebi uma mensagem que me gelou o sangue. Um estudante de mestrado — vamos chamar-lhe Pedro — tinha acabado de ser chamado ao gabinete de integridade académica da sua universidade. O motivo? Texto gerado por inteligência artificial identificado em três capítulos da sua dissertação.
O Pedro não era preguiçoso. Não era desonesto. Era apenas um estudante esgotado, com prazos impossíveis, que pensou estar a usar uma ferramenta moderna de forma inteligente. Estava redondamente enganado.
Depois de acompanhar centenas de estudantes portugueses nos últimos anos, percebi um padrão preocupante: a esmagadora maioria usa ferramentas como o ChatGPT de uma forma que não só é ineficaz — é potencialmente devastadora para o seu percurso académico.
Por que a maioria usa IA na tese incorretamente?
A maioria dos estudantes usa ferramentas como ChatGPT de forma superficial: copiam texto diretamente, não verificam informações, ignoram normas de integridade académica e tratam a IA como substituto do pensamento crítico — em vez de ferramenta auxiliar de apoio à escrita e investigação.
Mas aqui está a boa notícia: não precisas de fazer parte destes 85%. Neste artigo, vou mostrar-te exatamente o que separa os estudantes que naufragam dos 15% que dominam a IA como verdadeira vantagem competitiva. E sim, vais descobrir os erros que provavelmente já estás a cometer — e como corrigi-los antes que seja tarde demais.
Se ainda tens dúvidas sobre os mitos que circulam sobre IA na escrita académica, este é o momento de os confrontar com a realidade.

Vamos ser honestos: quando o ChatGPT surgiu em novembro de 2022, foi como colocar um motor de Fórmula 1 nas mãos de condutores recém-encartados. Poder imenso, instrução mínima.
Os dados são reveladores. Estudos recentes indicam que mais de 70% dos estudantes universitários já experimentaram ferramentas de IA generativa para trabalhos académicos. Em Portugal, a realidade não é diferente — e é agravada por fatores muito nossos: orientadores sobrecarregados, bibliotecas com recursos limitados, e uma cultura académica que ainda não sabe bem como lidar com esta revolução.
O problema não é usar IA. O problema é a diferença abismal entre “usar IA” e “usar IA corretamente”. É como a diferença entre saber ligar um computador e saber programar. Tecnicamente ambos “usam” a máquina. Na prática, os resultados são incomparáveis.
As universidades portuguesas têm adoptado posições cada vez mais definidas. A Universidade do Porto, a Universidade de Lisboa e a Universidade do Minho, entre outras, já atualizaram os seus regulamentos de integridade académica para abordar especificamente o uso de ferramentas de IA. A tendência é clara: não proibição total, mas regulamentação rigorosa. Isto significa que o uso é permitido — desde que declarado, verificado e alinhado com princípios de autoria original.
Como refere o preprint da SciELO sobre escrita académica ética com Inteligência Artificial: “A integridade académica exige que o estudante mantenha a autoria genuína do trabalho, utilizando a IA apenas como ferramenta de apoio e nunca como substituto do pensamento crítico.”
O que é uso correto de IA na tese académica?
Uso correto significa utilizar ferramentas de IA como assistentes de brainstorming, revisão linguística e organização — mantendo sempre a autoria humana, verificando todas as informações e declarando o uso conforme as normas da instituição.
Se pensas que consegues “passar despercebido”, tenho más notícias. O Turnitin — a plataforma de deteção de plágio mais usada em universidades portuguesas — lançou em 2023 um módulo específico para identificar texto gerado por IA. E está cada vez mais preciso.
Mas para além da deteção, há uma questão mais profunda: estás a desperdiçar uma oportunidade única. A IA, bem utilizada, pode transformar a tua tese de um calvário de meses num processo estruturado e até — atrevo-me a dizer — gratificante. Se quiseres entender melhor como usar IA sem seres penalizado, temos um guia completo sobre isso.
Agora vamos ao que interessa. Vou ser direto — porque sei que o teu tempo é precioso e provavelmente já perdeste horas suficientes a tentar perceber como usar estas ferramentas. Estes são os erros que vejo repetidamente, semana após semana.

Erro #1: Copiar Texto Diretamente do ChatGPT. Parece óbvio, certo? Mas é assustador quantos estudantes fazem exatamente isto. “Escreve-me uma introdução sobre X” → copiar → colar → entregar. O problema? O texto gerado por IA tem padrões reconhecíveis. Frases demasiado equilibradas. Transições previsíveis. Uma “perfeição” artificial que qualquer orientador experiente (e certamente o Turnitin) identifica em segundos.
Erro #2: Não Verificar Factos e Referências. Este é talvez o mais perigoso. A IA “alucina” — inventa referências bibliográficas que parecem reais mas simplesmente não existem. Já vi estudantes citarem artigos de autores fictícios, com DOIs inventados e revistas que nunca foram publicadas. Imagina o constrangimento de o teu orientador perguntar: “Onde encontraste esta fonte?” E tu não conseguires responder porque a fonte nunca existiu.
Erro #3: Usar IA Para Análise Crítica. A secção de discussão e conclusões é onde mostras o teu pensamento. É aqui que interpretas resultados, estabeleces conexões originais e demonstras domínio do tema. Delegar isto à IA é como pedir a outra pessoa para fazer o teu exame oral.
Erro #4: Ignorar Normas de Transparência. Em 2025, a maioria das universidades exige declaração explícita de uso de IA. Omitir essa informação pode ser considerado fraude académica — com consequências que vão desde reprovação na disciplina até processos disciplinares graves. A ironia? O uso declarado e ético de IA é geralmente aceite. O problema está na omissão, não no uso em si.
Erro #5: Prompts Vagos e Sem Contexto. Há uma diferença abismal entre pedir “Escreve a minha introdução sobre sustentabilidade” e “Revê este parágrafo da minha introdução sobre práticas sustentáveis em PMEs portuguesas. Sugere melhorias de clareza e coesão, mantendo o meu estilo de escrita. Contexto: dissertação de mestrado em Gestão, público académico.” O output da IA é tão bom quanto o teu input.
Erro #6: Usar Uma Única Ferramenta Para Tudo. O ChatGPT não é gestor de referências. Não é verificador de plágio. Não é formatador de documentos. Usá-lo para tudo é como usar um canivete suíço para serrar uma árvore — tecnicamente possível, praticamente absurdo.
Erro #7: Negligenciar Ferramentas Complementares. Ironicamente, enquanto muitos se obcecam com o ChatGPT, ignoram ferramentas que fariam uma diferença real: Zotero para gestão bibliográfica, Writefull para revisão linguística especializada.
Se reconheces algum destes padrões no teu trabalho, não te sintas mal — a maioria está no mesmo barco. A questão é: o que vais fazer agora? Podes começar por explorar este guia sobre os 7 erros fatais a evitar, ou ver exemplos concretos de mau uso em TCCs.
Este vídeo do Instituto de Física de São Carlos (USP) oferece uma análise aprofundada da relação entre ChatGPT e escrita científica:
Agora que identificamos os erros, vamos ao que realmente importa: como fazer parte da minoria que domina estas ferramentas.

Gosto de usar uma metáfora com os meus alunos: a IA é o teu estagiário, tu és o investigador sénior. O estagiário pode pesquisar informações preliminares, organizar ficheiros, sugerir estruturas e rever documentos. Mas quem toma as decisões, quem analisa criticamente, quem assina o trabalho final — és tu. Sempre tu.
Esta mudança de mentalidade é crucial. Quando passas de “a IA vai escrever a minha tese” para “a IA vai ajudar-me a escrever melhor a minha tese”, tudo muda.
Baseado no preprint da SciELO sobre IA Generativa na pesquisa académica, criei um framework prático:
| Etapa da Tese | ✅ Uso Correto | ❌ Uso Incorreto |
|---|---|---|
| Brainstorming | Gerar perguntas de investigação, explorar ângulos | Pedir à IA para definir o tema por ti |
| Revisão de Literatura | Resumir artigos, identificar lacunas | Copiar resumos como texto final |
| Escrita | Melhorar clareza, corrigir gramática | Gerar parágrafos inteiros sem edição |
| Revisão | Detetar inconsistências, melhorar fluência | Substituir revisão humana e do orientador |
Quer usar IA desde o planeamento da tua tese? Este guia mostra-te como integrar estas ferramentas desde o primeiro dia.
O Zotero é gratuito e revolucionário para gestão de referências. O Writefull integrado ao Overleaf oferece feedback linguístico específico para escrita científica. E para prompts específicos, consulta o nosso guia sobre uso do ChatGPT para dissertações de mestrado.
Muitas universidades já exigem uma declaração formal de uso de IA. Aqui está um modelo que podes adaptar:
“Nesta dissertação, utilizei ferramentas de IA generativa (especificar: ChatGPT-4, Claude, etc.) para apoio nas seguintes tarefas: [revisão linguística / brainstorming de ideias / estruturação de secções]. Todo o conteúdo foi verificado, editado e validado pelo autor. As análises, interpretações e argumentos críticos são de autoria exclusivamente humana. Todas as referências bibliográficas foram verificadas nas fontes originais.”
Descobre mais estratégias avançadas sobre como os melhores usam IA na tese.

Se o que descrevi até agora te pareceu exigente, prepara-te: o futuro será ainda mais rigoroso — mas também cheio de oportunidades para quem se adaptar.
Nos próximos dois anos, veremos as universidades portuguesas a implementar políticas específicas e obrigatórias sobre IA em trabalhos académicos, formação obrigatória em literacia de IA para estudantes de pós-graduação, e declarações padronizadas de uso de ferramentas tecnológicas.
O Turnitin e ferramentas similares vão evoluir para analisar não só o texto, mas os padrões de escrita individuais. Isto significa que a estratégia de “parafrasear texto de IA” será cada vez mais ineficaz. A única abordagem sustentável é usar a IA como ferramenta de apoio genuína, mantendo a tua voz autoral.
Estamos também a assistir ao surgimento de ferramentas de IA desenhadas especificamente para escrita científica — ferramentas que citam fontes reais, que compreendem normas académicas, que respeitam metodologias de investigação. Plataformas como a tesify.pt são o exemplo desta evolução: IA como aliada estruturada, não como atalho perigoso.
A conclusão é simples: quem dominar o uso correto de IA agora terá vantagem competitiva durante anos. A literacia de IA está a tornar-se uma competência essencial — no CV académico, na carreira profissional, em tudo. Para uma visão mais completa, explora o nosso guia sobre IA para teses de mestrado em 2025.
Posso usar ChatGPT para escrever a minha tese?
Podes usar ChatGPT como ferramenta auxiliar para brainstorming, revisão linguística e organização de ideias. No entanto, nunca deves copiar texto diretamente ou usar a IA para substituir o teu pensamento crítico. Verifica sempre as informações e declara o uso conforme as normas da tua instituição.
As universidades portuguesas detetam texto gerado por IA?
Sim. O Turnitin e outras plataformas utilizadas pelas universidades portuguesas incluem módulos específicos de deteção de IA desde 2023, e estão cada vez mais precisos. A transparência e declaração de uso é sempre a melhor estratégia.
Qual a diferença entre uso correto e incorreto de IA na tese?
Uso correto: brainstorming, revisão linguística, estruturação de ideias, com verificação humana e declaração de uso. Uso incorreto: copiar texto diretamente, usar referências não verificadas, delegar análise crítica à IA, e omitir o uso de ferramentas.
A história do Pedro com que comecei este artigo teve um final feliz — mas só porque conseguiu demonstrar que parte do trabalho era genuinamente seu e comprometeu-se a refazer as secções problemáticas. Nem todos têm essa sorte.
A verdade é que a IA não vai desaparecer das universidades. Vai integrar-se cada vez mais no processo académico. A questão não é se deves usar — é como deves usar.
Os 15% que dominam estas ferramentas não têm nenhum segredo místico. Simplesmente tratam a IA pelo que ela é: uma assistente poderosa, mas limitada. Mantêm a autoria, verificam tudo, declaram o uso, e nunca delegam o pensamento crítico.
O próximo passo é teu. Se queres fazer parte desses 15%, começa hoje. Experimenta a tesify.pt — uma plataforma desenhada especificamente para estudantes portugueses que querem usar IA de forma ética, eficaz e segura na escrita das suas teses. Porque o futuro académico pertence a quem souber dominar estas ferramentas agora.




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