São três da manhã. Acabaste de submeter a tua dissertação de mestrado no portal da Universidade de Lisboa. Em vez de sentir alívio, sentes um nó no estômago. E se o sistema detetar que usei o ChatGPT para me ajudar com a estrutura?
Se te identificas com este cenário, não estás sozinho. Mais de 67% dos estudantes universitários europeus já utilizaram alguma forma de inteligência artificial generativa nos seus trabalhos académicos. A questão já não é se os estudantes usam IA, mas sim como as universidades estão a responder.
Mas afinal, será que a Universidade de Lisboa realmente consegue detetar se usaste IA na tua tese? A resposta é mais complexa — e surpreendente — do que imaginas.
O Enquadramento Legal — Por Que a ULisboa Verifica IA?
Antes de mergulharmos nas ferramentas técnicas, precisamos entender o porquê. A Universidade de Lisboa não implementou sistemas de verificação por capricho — existe todo um enquadramento normativo que sustenta estas práticas.
O documento fundacional que rege toda a questão de integridade académica na ULisboa é o Código de Conduta e de Boas Práticas da Universidade de Lisboa. Este regulamento estabelece princípios claros sobre honestidade intelectual, autoria e originalidade.

- Plágio: Apresentar trabalho alheio como próprio, sem citação adequada
- Auto-plágio: Reutilizar trabalho próprio previamente avaliado sem declaração
- Fabricação: Inventar dados, resultados ou fontes bibliográficas
- Uso indevido de ferramentas automatizadas: Incluindo IA generativa quando não autorizado ou não declarado
Repara que o último ponto é particularmente relevante. A questão não é necessariamente usar IA, mas sim o uso indevido ou não declarado. Esta distinção é crucial.
A ULisboa não opera isoladamente. Portugal, como membro da União Europeia, segue diretrizes estabelecidas pelo Código Europeu de Conduta para a Integridade na Investigação (ALLEA).
“Os investigadores devem ser transparentes sobre como a investigação foi conduzida e assegurar que as suas contribuições são apresentadas de forma honesta.”
Como Funciona a Deteção de IA nas Universidades Portuguesas
Agora vamos ao que realmente te interessa: como funciona a deteção de inteligência artificial em teses académicas na Universidade de Lisboa?
Durante décadas, as universidades utilizaram ferramentas de verificação de similaridade para detetar plágio. O processo era relativamente simples: comparar o texto submetido com uma base de dados de documentos existentes e identificar correspondências.
Com o surgimento do ChatGPT em novembro de 2022, tudo mudou. De repente, os estudantes podiam gerar texto original — que não existia em nenhuma base de dados prévia — mas que não era verdadeiramente seu. As ferramentas tradicionais tornaram-se parcialmente obsoletas da noite para o dia.

A Universidade de Lisboa, como a maioria das instituições de ensino superior em Portugal, utiliza a Turnitin como ferramenta principal de verificação. Em 2023, a Turnitin introduziu um novo recurso: o indicador de escrita por IA.
Segundo a documentação oficial do AI Writing Detection da Turnitin, o sistema analisa padrões linguísticos, estruturas sintáticas e características estatísticas do texto para determinar a probabilidade de ter sido gerado por inteligência artificial.
As Limitações Que Poucos Conhecem
Aqui está onde a “verdade oculta” começa a revelar-se. O sistema de deteção de IA da Turnitin tem limitações significativas que a maioria dos estudantes desconhece:
- Requisito mínimo de texto: Ficheiros com menos de 300 palavras não são analisados para IA
- Submissões antigas: Documentos submetidos antes da implementação do recurso não têm análise retroativa
- Taxa de falsos positivos: A própria Turnitin reconhece uma margem de erro de aproximadamente 1% em textos puramente humanos
- Limitação de evidência: O indicador não deve ser usado como única prova de má conduta
Aliás, se alguma vez viste o indicador de IA a cinzento com a mensagem “AI writing detection unavailable”, a Turnitin explica exatamente por que isso acontece — geralmente relacionado com requisitos de ficheiro não cumpridos.
Para compreenderes melhor como funcionam os algoritmos de IA antiplágio nas universidades, recomendo que explores os segredos técnicos por trás destas ferramentas.
O Que Realmente Acontece Nos Bastidores
Imagina que recebes um relatório de similaridade com 35%. O pânico instala-se. Mas espera — isto significa automaticamente que cometeste plágio? Absolutamente não.
A percentagem de similaridade inclui citações diretas (que são legítimas), referências bibliográficas comuns, terminologia técnica padronizada e até frases idiomáticas frequentes na área. Um trabalho de revisão de literatura pode facilmente atingir 40% de similaridade sendo completamente original e bem referenciado.
O mesmo princípio aplica-se à deteção de IA. Um indicador de 25% de “probabilidade de escrita por IA” não significa que um quarto da tua tese foi escrita pelo ChatGPT. Pode significar que o teu estilo de escrita é particularmente claro e estruturado — características que a IA também tende a produzir.
Aqui está algo que muitos estudantes não percebem: nenhum sistema automático reprova a tua tese. O relatório da Turnitin é uma ferramenta de apoio à decisão humana, não um juiz final.
Quando um indicador de IA é acionado, o processo típico na ULisboa envolve:
- Revisão pelo orientador: O professor analisa o relatório no contexto do trabalho que acompanhou
- Comparação com versões anteriores: Se existirem rascunhos prévios, estes são considerados
- Análise do estilo: Há coerência entre a escrita da tese e outros trabalhos do estudante?
- Conversa com o estudante: Em muitos casos, pede-se esclarecimento antes de qualquer conclusão
Os 5 Erros Que Ativam Alertas de IA
Baseado em padrões identificados, eis os erros que mais frequentemente levantam bandeiras vermelhas nos sistemas de deteção:
| Erro | Por que ativa alertas | Solução |
|---|---|---|
| Copiar texto do ChatGPT diretamente | Padrões linguísticos típicos de IA | Reescrever completamente com a tua voz |
| Usar IA para secções inteiras sem edição | Falta de variação estilística | Usar IA apenas para brainstorming |
| Traduzir literalmente de outra língua via IA | Estruturas sintáticas atípicas | Adaptar culturalmente após tradução |
| Uniformidade excessiva no texto | Humanos variam naturalmente | Manter a tua personalidade na escrita |
| Não declarar uso de ferramentas de apoio | Viola princípio de transparência | Documentar sempre o processo |
Descobri recentemente um artigo sobre os 5 erros que estudantes da ULisboa cometem e que ativam alertas — vale a pena ler se quiseres aprofundar este tema.
Não automaticamente. O indicador de IA da Turnitin é apenas um sinal que deve ser analisado por humanos. O Código de Conduta da ULisboa exige investigação adequada antes de qualquer sanção. Tens sempre direito a explicar-te e apresentar evidências do teu processo de escrita.
Previsão Para 2025/2026
Olhando para o horizonte, que mudanças podemos antecipar na deteção de inteligência artificial em teses académicas?
Integração Regulada de IA no Processo Académico: Em vez de proibição total, estamos a caminhar para uma regulação do uso. Algumas universidades europeias já permitem o uso de IA generativa desde que seja declarado e limitado a funções específicas.
Evolução dos Algoritmos de Deteção: Os sistemas de deteção estão a tornar-se mais sofisticados, mas também mais conscientes das suas limitações. A tendência é para relatórios mais nuançados, com níveis de confiança e contexto adicional.
Políticas Específicas para IA Generativa: Espera-se que a ULisboa publique diretrizes específicas sobre o uso de IA generativa em trabalhos académicos até ao final de 2025.
As universidades portuguesas vão transitar de uma abordagem de “deteção e punição” para “transparência e educação”. Os estudantes serão incentivados a declarar ferramentas utilizadas, enquanto o foco se desloca da deteção para o desenvolvimento de literacia em IA.
Como Proteger a Tua Tese — Guia Prático

Chega de teoria — vamos à prática. Aqui está um guia acionável para protegeres a tua tese e navegares com confiança pelo sistema de verificação.
- Documenta o uso de ferramentas IA — Mantém registo de como e quando usaste qualquer assistente de IA
- Guarda todos os rascunhos — Versões datadas provam a evolução do teu trabalho
- Verifica a tese antes de submeter — Usa ferramentas de verificação prévia
- Conhece o regulamento específico — Cada faculdade pode ter regras adicionais
- Revê citações e referências — Citações mal formatadas aumentam similaridade
- Personaliza o texto — A tua voz deve ser evidente ao longo de todo o documento
A melhor estratégia? Antecipa-te às mudanças. Começa já a documentar o teu processo de escrita, mantém rascunhos datados e familiariza-te com as políticas atuais da tua faculdade.
| Situação | Nível de Risco | Recomendação |
|---|---|---|
| Usar ChatGPT para brainstorming de ideias | Baixo | Documentar e reescrever completamente |
| Usar IA para correção gramatical | Baixo | Geralmente aceite, mas verifica política |
| Usar IA para tradução de fontes | Médio | Rever e adaptar significativamente |
| Copiar texto de IA diretamente | Alto | Evitar sempre — viola integridade |
| Gerar secções inteiras com IA | Muito Alto | Nunca — constitui fraude académica |
Verifica a Tua Tese Antes da Universidade
Agora que conheces como funciona a deteção de inteligência artificial em teses académicas na Universidade de Lisboa, a pergunta lógica é: como posso verificar o meu trabalho antes de submeter?
Pensa nisto como um exame médico preventivo. Preferias descobrir um problema antes ou depois de ser tarde demais?
- Identificas potenciais problemas antes que o orientador ou júri os vejam
- Tens tempo para corrigir qualquer secção que levante alertas
- Submetes com confiança, sabendo que verificaste previamente
- Manténs o controlo sobre a narrativa do teu trabalho
Não Deixes a Tua Tese ao Acaso
Verifica se o teu texto levanta alertas de IA antes de entregar na Universidade de Lisboa. A Tesify oferece ferramentas de verificação, humanização e conformidade académica desenvolvidas especificamente para estudantes portugueses.
A Verdade Que Precisavas Saber
Chegámos ao fim desta jornada pelos bastidores da deteção de inteligência artificial em teses académicas na Universidade de Lisboa. Vamos recapitular:
- A deteção existe, mas tem limitações significativas — nenhum sistema é infalível e a decisão final é sempre humana
- O problema não é usar IA, mas como a usas — transparência e ética são mais importantes que evitar totalmente estas ferramentas
- Documentação é a tua melhor defesa — guarda rascunhos, datas e registos do teu processo
- Verifica antes de submeter — ferramentas preventivas podem poupar-te muitas dores de cabeça
A inteligência artificial veio para ficar no contexto académico. A questão não é evitá-la, mas aprender a usá-la de forma ética, transparente e responsável. As universidades estão a adaptar-se — e tu também deves fazê-lo.
Se tens mais dúvidas sobre as políticas atuais da ULisboa relativamente à deteção de IA, não hesites em explorar mais recursos. O conhecimento é a tua melhor ferramenta.




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