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Taxa de Abandono no Mestrado/Doutoramento: Dados 2026

Taxa de Abandono no Mestrado/Doutoramento: Dados 2026

Inscrever-se num mestrado ou doutoramento é uma das decisões mais exigentes da vida académica — e uma proporção considerável de quem começa não chega à defesa. Esta realidade é frequentemente silenciada: as universidades raramente publicam taxas de abandono de forma proativa, e os estudantes que desistem raramente falam abertamente sobre a experiência. Mas os dados existem, e em 2026 há estudos publicados que permitem quantificar o fenómeno com razoável precisão, tanto em Portugal como no Brasil.

Este artigo reúne os números disponíveis, identifica os fatores de risco mais comuns e apresenta o que a investigação diz sobre as estratégias que distinguem quem conclui de quem abandona.

Resposta rápida: Em Portugal, a taxa de abandono no mestrado situa-se entre 25% e 30%, e no doutoramento pode atingir 41% nos programas sem bolsa de financiamento. No Brasil, taxas de abandono de 15% a 26% foram documentadas em programas de mestrado de engenharia, com valores semelhantes noutras áreas. O maior preditor individual de conclusão é o financiamento: doutorands com bolsa FCT ou CAPES completam em média em 56 meses com taxa de abandono de 14%; sem bolsa, a taxa sobe para 41%.

Dados de Portugal: taxas por tipo de programa

O estudo mais abrangente e recente sobre doutoramentos em Portugal foi publicado com base em dados da DGES e do DGEEC (Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência). Os dados apontam para diferenças marcantes consoante o tipo de financiamento e o enquadramento institucional do programa.

Tipo de programa Taxa de abandono Duração média Fonte
Doutoramento com bolsa FCT 14% 56 meses Silva & Sarrico / DGES, 2023
Doutoramento sem bolsa 41% 81 meses Silva & Sarrico / DGES, 2023
Mestrado (geral) 25–30% 33 meses Dados DGEEC / estimativas institucionais

Fonte primária: Doutoramentos em Portugal — Pedro Luís Silva & Cláudia S. Sarrico, DGES, junho 2023. Taxa de abandono para mestrado é uma estimativa baseada em dados de matrícula vs. conclusão reportados pelo DGEEC.

Os dados do Programa de Promoção de Sucesso e Redução de Abandono no Ensino Superior, lançado pelo MCTES em setembro de 2023, reconheceram explicitamente que as taxas de não-conclusão no mestrado são “preocupantes” e justificaram uma linha de financiamento específica para apoiar as instituições na sua redução. O programa financia iniciativas de acompanhamento individualizado e de suporte ao bem-estar dos estudantes de pós-graduação.

Dados do Brasil: mestrado e doutoramento

No Brasil, os dados mais detalhados provêm de estudos centrados em programas de pós-graduação específicos avaliados pela CAPES. O maior conjunto de dados publicado focou-se nos programas de engenharia, onde a granularidade dos dados era superior, mas os padrões encontrados são consistentes com outros estudos de área.

Tipo de programa Taxa de evasão Período observado
Mestrado académico (engenharia) 23% Ingressantes 2013–2017
Mestrado profissional (engenharia) 26% Ingressantes 2013–2017
Doutoramento (engenharia) 21% Ingressantes 2013, em 5 anos
Estimativa geral (todas as áreas) 15–25% Vários estudos

Fonte: Tese de doutorado que avaliou causas da evasão na pós-graduação, UFRGS; dados CAPES citados no Correio Braziliense, 2024.

Gráfico FAPESP sobre taxas de conclusão e evasão na pós-graduação brasileira por área do conhecimento
Fonte: Revista Pesquisa FAPESP

Um aspeto relevante do contexto brasileiro é o impacto da bolsa na conclusão: segundo dados da CAPES, mestrandos e doutorandos com financiamento completo têm taxas de conclusão significativamente superiores. A pesquisa científica brasileira depende fortemente desta população, já que cerca de 90% da produção científica do país provém de estudantes de pós-graduação — o que torna a evasão um problema com consequências diretas para a ciência nacional.

Principais fatores de risco de abandono

A investigação publicada sobre abandono na pós-graduação é consistente na identificação de um conjunto de fatores de risco. Embora a sua importância relativa varie por país, área científica e tipo de programa, estes fatores aparecem repetidamente nos estudos disponíveis:

Fator de risco Prevalência nos estudos Notas
Ausência de financiamento Muito alta Maior preditor individual em Portugal
Problemas de relação com orientador Alta Comunicação deficiente, ausência de feedback regular
Isolamento social e académico Alta Especialmente em programas sem estrutura de grupo de investigação
Problemas de saúde mental Crescente Ansiedade, síndrome de impostora, burnout
Dificuldade de conciliar com trabalho Alta (mestrado profissional) Especialmente em mestrados a tempo parcial
Escolha inadequada de tema ou metodologia Moderada Projetos excessivamente ambiciosos ou mal delimitados

O isolamento académico está relacionado com os dados sobre saúde mental dos pós-graduandos — um tema que o artigo sobre stress na reta final da tese desenvolve com dados específicos. O artigo sobre síndrome do impostor em doutorandos complementa esta perspetiva com dados sobre prevalência e impacto na progressão.

O papel decisivo do financiamento

Os dados portugueses são particularmente eloquentes sobre o impacto do financiamento. A diferença de 27 pontos percentuais na taxa de abandono entre doutoramentos com e sem bolsa FCT não se explica apenas pelo alívio financeiro direto. O financiamento também indica uma seleção mais rigorosa à entrada, cria um contexto de dedicação exclusiva que permite progressão mais rápida, e reduz o stress financeiro que é um dos fatores de precipitação do abandono.

Para o mestrado, onde a bolsa raramente existe e o financiamento é menos estruturado, os dados sugerem que as taxas de não-conclusão são substancialmente mais altas. A duração média real de 33 meses para um mestrado de 24 meses regulamentares indica que uma proporção significativa de estudantes está em atraso — e parte deles acabará por não concluir.

Estudantes internacionais: um perfil distinto

Em Portugal, a crescente internacionalização do ensino superior traz um perfil específico de risco. Estudantes internacionais — que em 2025–2026 representam uma proporção crescente dos mestrandos e doutorandos — apresentam taxas de abandono geralmente superiores às de estudantes nacionais, com exceção de grupos com forte suporte institucional ou comunitário.

Os fatores específicos incluem: dificuldades de integração cultural, barreiras linguísticas em trabalho académico de alto nível (mesmo quando o programa é em inglês), dificuldades de acesso a serviços de apoio social, e pressão familiar adicional para concluir em prazo. Estudantes brasileiros em Portugal constituem uma das maiores comunidades internacionais neste contexto e tendem a apresentar taxas de conclusão relativamente elevadas, possivelmente por proximidade linguística e cultural.

Saúde mental e abandono: os dados

A relação entre saúde mental e abandono na pós-graduação é documentada por um corpo crescente de investigação. Estudos internacionais publicados em revistas indexadas reportam que os problemas de saúde mental são um fator contribuinte em 30% a 40% dos casos de abandono precoce de programas de doutoramento.

Em Portugal, os dados específicos são escassos, mas o MCTES reconheceu formalmente o problema ao incluir apoio psicológico como componente do Programa de Promoção de Sucesso no Ensino Superior. No Brasil, o Correio Braziliense reportou em 2024 uma crise crescente de saúde mental na pós-graduação, com estudantes e orientadores a alertarem para um aumento de situações de burnout e síndrome de impostora.

A síndrome de impostora — o sentimento persistente de que se está a “enganar” o sistema académico e de que os outros descobrirão a nossa incompetência — é particularmente prevalente em estudantes de doutoramento. Para dados detalhados sobre este fenómeno, consulte o artigo sobre síndrome do impostor em doutorandos de Portugal e Brasil.

O que ajuda a concluir: evidências

Para além dos fatores de risco, a investigação também identifica fatores protetores — condições que aumentam significativamente a probabilidade de conclusão:

  1. Reuniões regulares com o orientador: Estudantes que se reúnem com o orientador pelo menos uma vez por mês têm taxas de conclusão substancialmente superiores. A comunicação regular, mesmo que breve, funciona como âncora de progressão.
  2. Integração num grupo de investigação ativo: Pertencer a um grupo com vida académica (seminários, publicações em comum, colaborações) reduz o isolamento e cria um sentido de pertença académica.
  3. Milestones intermédios formalizados: Programas que exigem relatórios de progresso anuais ou apresentações intermédias têm taxas de abandono inferiores, porque tornam visível a progressão — ou a falta dela — antes de ser tarde.
  4. Acesso a apoio psicológico: Serviços de apoio psicológico específicos para pós-graduandos, quando acessíveis e sem estigma, reduzem o risco de abandono por razões de saúde mental.
  5. Clareza metodológica nos primeiros 12 meses: Estudantes que consolidam a questão de investigação, a metodologia e o cronograma no primeiro ano têm prognóstico substancialmente melhor. Ver dados sobre mestrandos que não defendem a tempo para mais contexto.

Ferramentas que ajudam a estruturar e manter o ritmo de escrita — como o Tesify — podem reduzir a fase de paralisia que frequentemente antecede o abandono. A combinação de feedback contínuo e estrutura clara diminui a sensação de estar “preso” que muitos estudantes descrevem como o ponto de viragem para a desistência.

Perguntas Frequentes

Qual é a taxa de abandono no doutoramento em Portugal?

Segundo dados publicados em 2023 com base em registos da DGES, a taxa de abandono no doutoramento em Portugal varia substancialmente: 14% para programas com bolsa FCT e 41% para programas sem bolsa. A duração média real é de 56 meses com bolsa e 81 meses sem bolsa, face aos 36–48 meses regulamentares.

Qual é a taxa de abandono no mestrado no Brasil?

Estudos sobre programas de mestrado em engenharia no Brasil documentaram taxas de evasão de 23% no mestrado académico e 26% no mestrado profissional para ingressantes entre 2013 e 2017. Estimativas gerais para outras áreas situam-se entre 15% e 25%.

Posso desistir do mestrado e retomar mais tarde?

Em Portugal, a maioria das universidades permite a suspensão da matrícula por razões justificadas (doença, maternidade/paternidade, dificuldades económicas graves). A retoma posterior depende do regulamento específico e da disponibilidade do orientador. No Brasil, o regulamento varia por instituição e tipo de bolsa. Consulte a secretaria académica da sua instituição.

O que acontece à bolsa FCT se abandonar o doutoramento?

A rescisão de uma bolsa FCT implica, em regra, a devolução dos montantes recebidos a partir do momento da rescisão, exceto em casos de força maior devidamente documentados. Os termos específicos estão no regulamento de bolsas da FCT, e a aplicação varia consoante a causa da rescisão. Consulte sempre a sua instituição de acolhimento e a FCT antes de tomar qualquer decisão.

Qual é o maior fator de risco de abandono num doutoramento?

Segundo os dados disponíveis para Portugal, a ausência de financiamento é o maior preditor individual de abandono, com uma diferença de 27 pontos percentuais entre programas com e sem bolsa FCT. Outros fatores de risco elevado incluem problemas de relação com o orientador e isolamento académico/social.

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