Estudante universitário a rever dissertação académica com checklist de correção ortográfica em português
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Revisão Ortográfica de Dissertações Acadêmicas: 7 Segredos

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5 min de leitura

Imagina o cenário: passaste meses a investigar, a escrever, a reformular. Finalmente, chegas ao fim da dissertação. Passas o texto pelo corretor automático do Word, vês aquele reconfortante “sem erros encontrados” e respiras de alívio. Pronto, está feito.

Só que não está. E é exatamente aqui que milhares de mestrandos e doutorandos portugueses se enganam todos os anos.

Segundo dados partilhados por orientadores académicos em fóruns especializados, cerca de 40% das dissertações entregues em Portugal requerem correções linguísticas antes da versão final — e não estamos a falar de erros de conteúdo, mas de ortografia, pontuação e inconsistências que o Word simplesmente não apanha.

Estudante preocupado a rever dissertação no computador com marca de erro visível
O momento em que percebes que o corretor automático não apanha tudo

A verdade é esta: a revisão ortográfica de dissertações acadêmicas é muito mais do que passar o texto por um corretor automático. É um processo que exige atenção humana, conhecimento das normas vigentes e, sobretudo, consciência dos pontos cegos que os softwares ignoram.

📚 O que é realmente a revisão ortográfica académica?

É o processo sistemático de verificação e correção de grafias, acentuação, hifenização e consistência linguística segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1990, adaptado à variante (PT-PT ou PT-BR) exigida pela instituição. Vai muito além de corrigir “gralhas” — implica garantir uniformidade em todo o documento.

Neste artigo, vou revelar-te os segredos que orientadores e membros de júri conhecem bem, mas raramente partilham. São os detalhes que podem fazer a diferença entre um “aprovado com distinção” e um “aprovado com recomendações de correção”.

Se procuras um guia técnico passo a passo, recomendo que consultes o nosso guia completo de correção ortográfica em dissertações académicas. Mas se queres entender o que realmente importa — o que ninguém te diz — continua a ler.

Porque é Que a Ortografia Académica é Um Campo Minado

Antes de entrarmos nos segredos propriamente ditos, precisamos de falar sobre algo que a maioria dos estudantes desconhece: a ortografia académica em português não é simples. Na verdade, é um autêntico campo minado, e há razões históricas e práticas para isso.

PT-PT vs PT-BR — O Pesadelo das Variantes

Portugal e Brasil partilham a mesma língua, mas não a mesma ortografia. Quando falamos de revisão ortográfica de dissertações acadêmicas, esta diferença torna-se crítica.

Comparação visual entre português de Portugal e português do Brasil em documentos académicos
Escolher a variante certa é o primeiro passo para uma dissertação impecável

Imagina que escreves “facto” numa página e “fato” noutra. Ou que usas “recepção” no capítulo 1 e “receção” no capítulo 3. Para ti, pode parecer um detalhe insignificante. Para um membro do júri? É um sinal de desleixo que pode custar pontos preciosos.

A primeira coisa que deves fazer — antes sequer de começares a escrever — é confirmar qual a variante exigida pela tua universidade. Algumas instituições portuguesas aceitam ambas, desde que haja consistência. Outras são inflexíveis.

Para validar grafias em português europeu, consulta o Vocabulário Ortográfico Português (VOP). Se escreveres em português brasileiro, a referência é o VOLP da Academia Brasileira de Letras.

O Acordo Ortográfico de 1990 — A Confusão Instalada

Se tens dúvidas sobre hifenização, acentuação ou consoantes mudas, não estás sozinho. O Acordo Ortográfico de 1990 criou mudanças significativas na língua portuguesa — e continua a gerar confusão mais de 30 anos depois.

As mudanças que mais afetam dissertações incluem:

  • Hífen: “auto-estima” passou a “autoestima”, mas “bem-estar” mantém-se
  • Acentos: “pára” (verbo) perdeu o acento, igualando-se a “para” (preposição)
  • Consoantes mudas: “óptimo” em PT-PT passou a “ótimo” (já alinhado com PT-BR)

Aqui está uma verdade que ninguém te conta: muitos orientadores mais velhos ainda “corrigem” segundo normas antigas. Já vi casos de estudantes que receberam feedback a “corrigir” grafias que estavam perfeitamente corretas segundo o AO90. Se isso te acontecer, teres o VOP ou o VOLP como referência pode evitar discussões desnecessárias.

Revisão ≠ Correção — Entende as Diferenças

Outro ponto de confusão comum: quando falamos de “revisão”, de que tipo estamos a falar exatamente?

Tipo O Que Corrige Quando Usar
Revisão ortográfica Grafias, acentos, hifenização Fase final, antes da entrega
Revisão gramatical Concordância, regência, sintaxe Durante a escrita
Copidesque Estilo, clareza, coesão Antes da formatação final
Proofreading Última verificação de “gralhas” Documento já formatado

A revisão ortográfica de dissertações acadêmicas é apenas uma parte do puzzle. Mas é, frequentemente, a que mais impacto visual tem — porque os erros ortográficos são os mais fáceis de identificar por qualquer leitor.

IA na Revisão — Porque Não Podes Confiar Cegamente

Vivemos a era da inteligência artificial. ChatGPT, Grammarly, LanguageTool — nunca houve tantas ferramentas disponíveis para “corrigir” textos. E no entanto, nunca houve tantos problemas de inconsistência ortográfica em dissertações.

Porquê? Porque a IA ainda tem limitações significativas quando aplicada a texto académico em português.

Colaboração entre inteligência artificial e revisão humana para correção de textos académicos
O futuro é a combinação: IA + olhar humano

Os 3 Erros Que a IA Ainda Não Consegue Apanhar

Através da nossa experiência na Tesify e do feedback de centenas de estudantes, identificámos três categorias de erros que os corretores automáticos consistentemente ignoram:

  1. Inconsistência de variante: Misturas de PT-PT e PT-BR no mesmo documento passam completamente despercebidas
  2. Termos técnicos e científicos: A IA não conhece a grafia correta de terminologia específica da tua área
  3. Formatação de citações e referências: Nomes de autores estrangeiros, títulos em outras línguas, datas em formatos diferentes

⚠️ 5 erros que corretores automáticos não detetam:

  1. Inconsistência entre PT-PT e PT-BR
  2. Hifenização incorreta pós-AO90
  3. Termos científicos específicos da área
  4. Siglas não padronizadas
  5. Formatação de números e datas segundo normas académicas

Isto não significa que deves abandonar as ferramentas de IA — longe disso. Significa que deves usá-las como primeiro passo, não como solução final. Para uma análise mais profunda, lê o nosso artigo sobre as 5 verdades ocultas da revisão de tese com IA em 2025.

Os 7 Segredos Que Orientadores Não Te Dizem (Mas Avaliam)

Chegamos ao coração deste artigo. Estes são os pontos que, em mais de 40 anos a trabalhar com texto académico, vi repetidamente fazerem a diferença.

#1 — A Consistência Vale Mais Que a Perfeição

Podes ter alguns erros pontuais e ainda assim passar uma boa impressão. Mas se o teu texto for inconsistente — ora “facto”, ora “fato”; ora “número” em algarismos, ora por extenso — transmites amadorismo. Regra de ouro: Escolhe uma forma e mantém-na do início ao fim.

#2 — Erros no Resumo São Sentença de Morte

O resumo e o abstract são as únicas partes da tua dissertação que todos os membros do júri lêem com atenção total. Um único erro ortográfico no resumo é como aparecer a uma entrevista de emprego com uma nódoa na camisa. Revisa o resumo pelo menos três vezes, em dias diferentes.

#3 — A Bibliografia É Uma Armadilha Ortográfica

Aqui está algo que ninguém te avisa: a maioria dos corretores automáticos ignora a secção de referências bibliográficas. O resultado? Bibliografias cheias de inconsistências: “São Paulo” numa referência e “Sao Paulo” noutra. A bibliografia deve ser revista manualmente, entrada por entrada.

#4 — Notas de Rodapé São o Lugar Favorito dos Erros

As notas de rodapé são escritas com menos cuidado — geralmente enquanto estás focado no texto principal. Os corretores automáticos frequentemente ignoram o conteúdo das notas, tratando-as como elementos secundários. Não são. Um júri atento lê-as todas.

#5 — Legendas de Figuras e Tabelas Contam

Outro ponto negligenciado: as legendas. “Figura 1 – resultados do questionário” ou “Figura 1: Resultados do questionário”? Não há uma resposta universalmente “correta” — mas há uma resposta consistente.

#6 — O Hífen Pós-AO90 Destrói Candidatos

Alguns exemplos que geram confusão:

  • Auto-estima → autoestima (sem hífen)
  • Bem-estar → bem-estar (mantém hífen)
  • Co-autor → coautor (sem hífen)
  • Anti-inflamatório → anti-inflamatório (mantém, porque segunda palavra começa com “i”)

Na dúvida, consulta sempre o VOP ou o VOLP. Nunca confies apenas na memória.

#7 — A Tua Universidade Pode Ter Regras Próprias

Algumas universidades portuguesas têm manuais de estilo internos. Verifica sempre as normas da tua instituição antes de entregar. Um guia útil é este artigo sobre como evitar erros de português na escrita do TCC.

Checklist de revisão ortográfica para dissertações académicas com itens verificados
Uma checklist estruturada pode salvar a tua dissertação
📋 Checklist Rápida Antes de Entregar

  • ☐ Verificaste a variante exigida (PT-PT/PT-BR)?
  • ☐ Passaste o resumo com atenção especial?
  • ☐ Reviste notas de rodapé separadamente?
  • ☐ Confirmaste grafias duvidosas no VOLP/VOP?
  • ☐ Verificaste hífen em palavras compostas?
  • ☐ Revisaste legendas de figuras e tabelas?
  • ☐ Verificaste a bibliografia entrada por entrada?

Quando Pedir Ajuda Profissional

Nem todos precisam de revisão profissional. Mas algumas situações tornam-na quase indispensável:

  • Prazo apertado + texto longo: Se tens 200 páginas e duas semanas, a matemática não fecha
  • Escrita em variante não-nativa: Se cresceste a escrever em PT-BR e a tua universidade exige PT-PT
  • Feedback negativo anterior: Se o teu orientador já mencionou problemas ortográficos
  • Área técnica com terminologia específica: Medicina, Direito, Engenharia

A auto-revisão tem uma grande vantagem: conheces o teu texto melhor que ninguém. Mas tem uma grande desvantagem: estás demasiado perto dele para ver os erros. Se estás a considerar ajuda profissional, consulta o nosso guia completo para escolher um revisor de tese online.

A Revisão Que Faz a Diferença

Vamos recapitular o que aprendeste:

  1. A revisão ortográfica de dissertações acadêmicas é muito mais do que corretores automáticos
  2. PT-PT e PT-BR têm diferenças críticas que devem ser tratadas com consistência
  3. O AO90 continua a gerar confusão — consulta sempre fontes oficiais
  4. A IA ajuda, mas não substitui o olhar humano especializado
  5. Resumo, bibliografia, notas de rodapé e legendas são “zonas de risco”
  6. A consistência é mais importante que a perfeição pontual
  7. A tua universidade pode ter regras próprias que deves conhecer

A diferença entre “aprovado com distinção” e “aprovado com recomendações de correção” está frequentemente nos detalhes que abordámos hoje — nos pormenores que ninguém te conta, mas que todos avaliam.

A tua dissertação representa meses (ou anos) do teu trabalho. Merece uma revisão à altura.

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