Imagina o cenário: passaste meses a investigar, a escrever, a reformular. Finalmente, chegas ao fim da dissertação. Passas o texto pelo corretor automático do Word, vês aquele reconfortante “sem erros encontrados” e respiras de alívio. Pronto, está feito.
Só que não está. E é exatamente aqui que milhares de mestrandos e doutorandos portugueses se enganam todos os anos.
Segundo dados partilhados por orientadores académicos em fóruns especializados, cerca de 40% das dissertações entregues em Portugal requerem correções linguísticas antes da versão final — e não estamos a falar de erros de conteúdo, mas de ortografia, pontuação e inconsistências que o Word simplesmente não apanha.

A verdade é esta: a revisão ortográfica de dissertações acadêmicas é muito mais do que passar o texto por um corretor automático. É um processo que exige atenção humana, conhecimento das normas vigentes e, sobretudo, consciência dos pontos cegos que os softwares ignoram.
📚 O que é realmente a revisão ortográfica académica?
É o processo sistemático de verificação e correção de grafias, acentuação, hifenização e consistência linguística segundo as normas do Acordo Ortográfico de 1990, adaptado à variante (PT-PT ou PT-BR) exigida pela instituição. Vai muito além de corrigir “gralhas” — implica garantir uniformidade em todo o documento.
Neste artigo, vou revelar-te os segredos que orientadores e membros de júri conhecem bem, mas raramente partilham. São os detalhes que podem fazer a diferença entre um “aprovado com distinção” e um “aprovado com recomendações de correção”.
Se procuras um guia técnico passo a passo, recomendo que consultes o nosso guia completo de correção ortográfica em dissertações académicas. Mas se queres entender o que realmente importa — o que ninguém te diz — continua a ler.
Porque é Que a Ortografia Académica é Um Campo Minado
Antes de entrarmos nos segredos propriamente ditos, precisamos de falar sobre algo que a maioria dos estudantes desconhece: a ortografia académica em português não é simples. Na verdade, é um autêntico campo minado, e há razões históricas e práticas para isso.
PT-PT vs PT-BR — O Pesadelo das Variantes
Portugal e Brasil partilham a mesma língua, mas não a mesma ortografia. Quando falamos de revisão ortográfica de dissertações acadêmicas, esta diferença torna-se crítica.

Imagina que escreves “facto” numa página e “fato” noutra. Ou que usas “recepção” no capítulo 1 e “receção” no capítulo 3. Para ti, pode parecer um detalhe insignificante. Para um membro do júri? É um sinal de desleixo que pode custar pontos preciosos.
A primeira coisa que deves fazer — antes sequer de começares a escrever — é confirmar qual a variante exigida pela tua universidade. Algumas instituições portuguesas aceitam ambas, desde que haja consistência. Outras são inflexíveis.
Para validar grafias em português europeu, consulta o Vocabulário Ortográfico Português (VOP). Se escreveres em português brasileiro, a referência é o VOLP da Academia Brasileira de Letras.
O Acordo Ortográfico de 1990 — A Confusão Instalada
Se tens dúvidas sobre hifenização, acentuação ou consoantes mudas, não estás sozinho. O Acordo Ortográfico de 1990 criou mudanças significativas na língua portuguesa — e continua a gerar confusão mais de 30 anos depois.
As mudanças que mais afetam dissertações incluem:
- Hífen: “auto-estima” passou a “autoestima”, mas “bem-estar” mantém-se
- Acentos: “pára” (verbo) perdeu o acento, igualando-se a “para” (preposição)
- Consoantes mudas: “óptimo” em PT-PT passou a “ótimo” (já alinhado com PT-BR)
Aqui está uma verdade que ninguém te conta: muitos orientadores mais velhos ainda “corrigem” segundo normas antigas. Já vi casos de estudantes que receberam feedback a “corrigir” grafias que estavam perfeitamente corretas segundo o AO90. Se isso te acontecer, teres o VOP ou o VOLP como referência pode evitar discussões desnecessárias.
Revisão ≠ Correção — Entende as Diferenças
Outro ponto de confusão comum: quando falamos de “revisão”, de que tipo estamos a falar exatamente?
| Tipo | O Que Corrige | Quando Usar |
|---|---|---|
| Revisão ortográfica | Grafias, acentos, hifenização | Fase final, antes da entrega |
| Revisão gramatical | Concordância, regência, sintaxe | Durante a escrita |
| Copidesque | Estilo, clareza, coesão | Antes da formatação final |
| Proofreading | Última verificação de “gralhas” | Documento já formatado |
A revisão ortográfica de dissertações acadêmicas é apenas uma parte do puzzle. Mas é, frequentemente, a que mais impacto visual tem — porque os erros ortográficos são os mais fáceis de identificar por qualquer leitor.
IA na Revisão — Porque Não Podes Confiar Cegamente
Vivemos a era da inteligência artificial. ChatGPT, Grammarly, LanguageTool — nunca houve tantas ferramentas disponíveis para “corrigir” textos. E no entanto, nunca houve tantos problemas de inconsistência ortográfica em dissertações.
Porquê? Porque a IA ainda tem limitações significativas quando aplicada a texto académico em português.

Os 3 Erros Que a IA Ainda Não Consegue Apanhar
Através da nossa experiência na Tesify e do feedback de centenas de estudantes, identificámos três categorias de erros que os corretores automáticos consistentemente ignoram:
- Inconsistência de variante: Misturas de PT-PT e PT-BR no mesmo documento passam completamente despercebidas
- Termos técnicos e científicos: A IA não conhece a grafia correta de terminologia específica da tua área
- Formatação de citações e referências: Nomes de autores estrangeiros, títulos em outras línguas, datas em formatos diferentes
⚠️ 5 erros que corretores automáticos não detetam:
- Inconsistência entre PT-PT e PT-BR
- Hifenização incorreta pós-AO90
- Termos científicos específicos da área
- Siglas não padronizadas
- Formatação de números e datas segundo normas académicas
Isto não significa que deves abandonar as ferramentas de IA — longe disso. Significa que deves usá-las como primeiro passo, não como solução final. Para uma análise mais profunda, lê o nosso artigo sobre as 5 verdades ocultas da revisão de tese com IA em 2025.
Os 7 Segredos Que Orientadores Não Te Dizem (Mas Avaliam)
Chegamos ao coração deste artigo. Estes são os pontos que, em mais de 40 anos a trabalhar com texto académico, vi repetidamente fazerem a diferença.
#1 — A Consistência Vale Mais Que a Perfeição
Podes ter alguns erros pontuais e ainda assim passar uma boa impressão. Mas se o teu texto for inconsistente — ora “facto”, ora “fato”; ora “número” em algarismos, ora por extenso — transmites amadorismo. Regra de ouro: Escolhe uma forma e mantém-na do início ao fim.
#2 — Erros no Resumo São Sentença de Morte
O resumo e o abstract são as únicas partes da tua dissertação que todos os membros do júri lêem com atenção total. Um único erro ortográfico no resumo é como aparecer a uma entrevista de emprego com uma nódoa na camisa. Revisa o resumo pelo menos três vezes, em dias diferentes.
#3 — A Bibliografia É Uma Armadilha Ortográfica
Aqui está algo que ninguém te avisa: a maioria dos corretores automáticos ignora a secção de referências bibliográficas. O resultado? Bibliografias cheias de inconsistências: “São Paulo” numa referência e “Sao Paulo” noutra. A bibliografia deve ser revista manualmente, entrada por entrada.
#4 — Notas de Rodapé São o Lugar Favorito dos Erros
As notas de rodapé são escritas com menos cuidado — geralmente enquanto estás focado no texto principal. Os corretores automáticos frequentemente ignoram o conteúdo das notas, tratando-as como elementos secundários. Não são. Um júri atento lê-as todas.
#5 — Legendas de Figuras e Tabelas Contam
Outro ponto negligenciado: as legendas. “Figura 1 – resultados do questionário” ou “Figura 1: Resultados do questionário”? Não há uma resposta universalmente “correta” — mas há uma resposta consistente.
#6 — O Hífen Pós-AO90 Destrói Candidatos
Alguns exemplos que geram confusão:
- Auto-estima → autoestima (sem hífen)
- Bem-estar → bem-estar (mantém hífen)
- Co-autor → coautor (sem hífen)
- Anti-inflamatório → anti-inflamatório (mantém, porque segunda palavra começa com “i”)
Na dúvida, consulta sempre o VOP ou o VOLP. Nunca confies apenas na memória.
#7 — A Tua Universidade Pode Ter Regras Próprias
Algumas universidades portuguesas têm manuais de estilo internos. Verifica sempre as normas da tua instituição antes de entregar. Um guia útil é este artigo sobre como evitar erros de português na escrita do TCC.

- ☐ Verificaste a variante exigida (PT-PT/PT-BR)?
- ☐ Passaste o resumo com atenção especial?
- ☐ Reviste notas de rodapé separadamente?
- ☐ Confirmaste grafias duvidosas no VOLP/VOP?
- ☐ Verificaste hífen em palavras compostas?
- ☐ Revisaste legendas de figuras e tabelas?
- ☐ Verificaste a bibliografia entrada por entrada?
Quando Pedir Ajuda Profissional
Nem todos precisam de revisão profissional. Mas algumas situações tornam-na quase indispensável:
- Prazo apertado + texto longo: Se tens 200 páginas e duas semanas, a matemática não fecha
- Escrita em variante não-nativa: Se cresceste a escrever em PT-BR e a tua universidade exige PT-PT
- Feedback negativo anterior: Se o teu orientador já mencionou problemas ortográficos
- Área técnica com terminologia específica: Medicina, Direito, Engenharia
A auto-revisão tem uma grande vantagem: conheces o teu texto melhor que ninguém. Mas tem uma grande desvantagem: estás demasiado perto dele para ver os erros. Se estás a considerar ajuda profissional, consulta o nosso guia completo para escolher um revisor de tese online.
A Revisão Que Faz a Diferença
Vamos recapitular o que aprendeste:
- A revisão ortográfica de dissertações acadêmicas é muito mais do que corretores automáticos
- PT-PT e PT-BR têm diferenças críticas que devem ser tratadas com consistência
- O AO90 continua a gerar confusão — consulta sempre fontes oficiais
- A IA ajuda, mas não substitui o olhar humano especializado
- Resumo, bibliografia, notas de rodapé e legendas são “zonas de risco”
- A consistência é mais importante que a perfeição pontual
- A tua universidade pode ter regras próprias que deves conhecer
A diferença entre “aprovado com distinção” e “aprovado com recomendações de correção” está frequentemente nos detalhes que abordámos hoje — nos pormenores que ninguém te conta, mas que todos avaliam.
A tua dissertação representa meses (ou anos) do teu trabalho. Merece uma revisão à altura.
🎓 Garante Uma Dissertação Impecável
A Tesify oferece ferramentas especializadas de apoio académico para dissertações de mestrado e doutoramento em Portugal.




Leave a Reply