Relação com Orientador: 9 Erros Que Atrasam a Tua Tese (e Como Evitá-los)

Enviaste o capítulo há três semanas. Três. Semanas.
Cada vez que abres o email, é a mesma coisa: nada. O cursor a piscar, a caixa de entrada vazia, e aquela sensação de que o tempo escorre enquanto tu ficas… parado.
Mas espera. O pior nem é isso.
O pior é quando finalmente chega o feedback — e parece que o orientador acabou de destruir meses do teu trabalho em três parágrafos. “Isto não está claro.” “Falta fundamentação.” “Reescreve esta secção.”
Já sentiste isto? Aquela mistura de frustração, confusão e vontade de atirar o portátil pela janela?
A verdade é que a maioria dos atrasos em teses não vem da escrita em si. Vem de uma relação mal gerida com o orientador. E o mais frustrante? A maior parte dos estudantes nem percebe que está a cometer estes erros.
Neste artigo, vais descobrir exatamente quais são esses 9 erros — e, mais importante, estratégias práticas para transformar a relação com o teu orientador no teu maior aliado para terminar a tese. Se já sentes que estás a navegar às cegas na vida universitária, este guia vai mudar isso.
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Porque é Que a Relação com o Orientador Determina o Sucesso da Tua Tese
Vamos começar pelo elefante na sala.
A relação com o orientador de tese é a dinâmica profissional entre estudante e professor supervisor que determina o ritmo, qualidade e sucesso do projeto académico. Estudos recentes demonstram que a confiança nesta relação prevê diretamente a motivação, bem-estar psicológico e desempenho do estudante — mais do que talento individual ou recursos disponíveis.
Sim, leste bem. Mais do que talento.
O Que Diz a Ciência Sobre Orientadores e Sucesso Académico
Um estudo publicado na PNAS Nexus em 2026 analisou centenas de estudantes de doutoramento e chegou a uma conclusão que devia estar afixada em todas as faculdades: a confiança no orientador é o melhor preditor de motivação académica, bem-estar e desempenho.
Não os livros que tens. Não as horas que estudas. A relação.
Outro estudo da Springer (2024) vai mais longe: quando a qualidade da relação com o orientador melhora, o stress percebido diminui — e a autoeficácia (aquela sensação de “eu consigo fazer isto”) dispara.
Sinais de Uma Relação Saudável vs. Problemática
Como saber se a tua relação está no bom caminho? Aqui está a diferença:
| Relação Saudável | Relação Problemática |
|---|---|
| Expectativas claras desde o início | Adivinhação constante do que o orientador quer |
| Feedback regular e construtivo | Silêncio prolongado ou críticas destrutivas |
| Comunicação proativa de ambos os lados | Tu sempre a correr atrás |
| Respeito pelos limites profissionais | Confusão entre amizade e supervisão |
A boa notícia? Mesmo que a tua relação atual pareça mais com a coluna da direita, os erros que a causam são corrigíveis. E é exatamente isso que vamos ver a seguir.
Os 9 Erros Fatais Que Atrasam a Tua Tese (e Como Evitá-los)

Depois de analisar dezenas de testemunhos de estudantes portugueses e investigação académica sobre supervisão, identifiquei os 9 erros que mais consistentemente atrasam teses. O padrão é claro: quase todos envolvem comunicação ou expectativas mal geridas.
Vamos a eles.
Erro #1 — Esperar Passivamente Pelo Orientador
“Enviei o capítulo. Agora é só esperar.”
Este é provavelmente o erro mais comum — e o mais custoso em termos de tempo.
Tens de perceber uma coisa: o teu orientador tem, em média, 10 a 20 orientandos. Mais aulas. Mais investigação. Mais vida. A tua tese, por mais importante que seja para ti, é uma fração do dia dele.
O que fazer em vez disso:
- Define prazos de resposta logo no início (“Posso esperar feedback em quanto tempo?”)
- Envia follow-ups educados após 5-7 dias úteis
- Avança noutras secções enquanto esperas — nunca fiques parado
Se o orientador não responde consistentemente, há estratégias específicas que funcionam. O primeiro passo é sair do modo passivo.
Erro #2 — Não Alinhar Expectativas Desde o Início
“Pensei que ele queria reuniões semanais. Afinal, só me vê quando eu peço.”
Este desalinhamento é fonte de 80% das frustrações. E a culpa? É partilhada — mas tu podes resolver.
O que alinhar na primeira reunião:
- Frequência de contacto (semanal? quinzenal? mensal?)
- Formato preferido (email? presencial? videochamada?)
- Tempo esperado para feedback
- Como quer receber os drafts (capítulos completos? secções curtas?)
O Grad Coach chama a isto criar um “contrato informal” — e pode poupar-te meses de mal-entendidos.
Erro #3 — Ignorar ou Defender-se do Feedback
Recebeste o feedback. E a primeira reação foi… raiva? Frustração? Vontade de responder “mas eu expliquei isso no parágrafo seguinte”?
Perfeitamente normal. Mas péssimo para o progresso.
Quando te defendes do feedback, o orientador deixa de querer dar feedback. E aí ficas sozinho — que é muito pior.
A regra de ouro: Espera 24 horas antes de responder a qualquer feedback difícil. Depois, lê com olhos de “como posso usar isto?” em vez de “como posso contra-argumentar?”
Para estratégias detalhadas de como transformar críticas em melhorias, consulta o nosso Guia Prático de Feedback para 2025.
Erro #4 — Enviar Trabalho Sem Preparação Adequada
Imagina que o teu orientador abre o documento que lhe enviaste e encontra:
- Erros ortográficos básicos
- Parágrafos mal formatados
- Referências incompletas
- Nenhuma pergunta específica — só “veja lá o que acha”
Acabaste de desperdiçar o tempo dele — e de mostrar que não valorizas a orientação que recebes.
Antes de enviar qualquer draft:
- Passa o corretor ortográfico (mínimo dos mínimos)
- Verifica formatação básica
- Inclui 2-3 perguntas específicas sobre o que queres feedback
- Indica claramente o estado do trabalho (“draft inicial”, “versão para revisão final”)
💡 “Enviar um draft mal preparado não poupa tempo — custa-te credibilidade e atrasa o feedback que realmente precisas.”
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Erro #5 — Não Documentar Reuniões e Decisões
“Tenho a certeza que ele disse para usar metodologia X.”
“Não, eu disse metodologia Y. Não te lembras?”
A memória humana é terrivelmente pouco fiável. E quando há semanas entre reuniões, os mal-entendidos multiplicam-se.
A solução é simples: Após cada reunião, envia um email-resumo com:
- O que foi discutido
- O que foi decidido
- Quais são os próximos passos
- Qual é o deadline para a próxima entrega
Não é burocracia — é proteção. E o orientador vai agradecer a clareza.
Erro #6 — Evitar Conversas Difíceis
“Não percebo o que ele quer, mas tenho medo de parecer incompetente se perguntar outra vez.”
Esta frase já atrasou milhares de teses.
As conversas difíceis — seja pedir clarificação, negociar prazos, ou discordar de uma direção — são inevitáveis. Quanto mais as evitas, mais se acumulam. E quando finalmente explodem, o estrago é muito maior.
Como enquadrar conversas difíceis:
- Em vez de “Não percebo nada”, diz “Queria clarificar um ponto específico…”
- Em vez de “Isto é impossível”, diz “Estou com dificuldades em X. Podemos discutir alternativas?”
- Em vez de “Discordo”, diz “Considerei esta abordagem porque… Qual é a sua perspetiva?”
Este vídeo sobre relação com orientador explora estas técnicas de comunicação em detalhe.
Erro #7 — Confundir Orientador com Amigo (ou Inimigo)
Há dois extremos igualmente problemáticos:
O extremo da intimidade: Tratar o orientador como confidente, partilhar problemas pessoais em excesso, esperar compreensão emocional para todos os atrasos.
O extremo da hostilidade: Ver o orientador como obstáculo, interpretar cada feedback como ataque pessoal, criar uma dinâmica de “nós contra eles”.
A verdade está no meio: o orientador é um profissional que te pode ajudar — se respeitares os limites da relação.
A regra: Mantém a relação cordial, respeitosa e focada no trabalho. Nem demasiado frio, nem demasiado pessoal.
Erro #8 — Não Respeitar Limites de Tempo do Orientador
Enviar emails às 23h de sexta-feira e ficar frustrado por não ter resposta no fim de semana. Pedir reunião de urgência 24 horas antes. Entregar o capítulo tarde e esperar feedback rápido.
Cada vez que fazes isto, estás a comunicar: “O meu tempo é mais importante que o teu.”
Regras básicas de respeito temporal:
- Emails em horário laboral (ou pelo menos não esperes resposta fora dele)
- Pedidos de reunião com pelo menos uma semana de antecedência
- Se tu atrasas, o feedback também atrasa — aceita as consequências
Erro #9 — Isolar-se Quando Há Problemas
Este é talvez o erro mais perigoso.
Quando a escrita bloqueia, quando a motivação desaparece, quando surgem problemas pessoais — o instinto é desaparecer. Parar de responder. Evitar reuniões. Esperar que o problema se resolva sozinho.
O desaparecimento cria desconfiança que leva muito tempo a recuperar.
O que fazer em vez disso:
- Comunicar proativamente: “Estou a ter dificuldades com X. Posso marcar reunião para discutir?”
- Ser honesto (sem drama): “Tenho o progresso atrasado por [razão]. Este é o meu plano para recuperar.”
- Manter contacto mínimo mesmo sem progresso: “Só para informar que continuo a trabalhar em X.”
Como mostra este tópico do Reddit, o isolamento é um dos arrependimentos mais comuns de estudantes que atrasaram ou abandonaram teses.
Como Transformar Feedback Difícil em Progresso Real

Vamos ser honestos: receber feedback duro dói.
Passaste semanas a escrever. Releste cem vezes. Achaste que estava bom. E depois… “Isto não está claro.” “Falta rigor.” “Reescreve.”
A primeira reação é emocional — e isso é perfeitamente humano. A diferença entre estudantes que terminam a tese e estudantes que desistem está no que fazem depois dessa reação.
O Ciclo Emocional do Feedback (e Como Encurtá-lo)
O ciclo típico tem quatro fases:
- Choque: “Como assim não está bom?”
- Defesa: “Ele não percebeu o que eu queria dizer.”
- Aceitação: “Ok, talvez tenha alguns pontos…”
- Ação: “Vou corrigir isto e aquilo.”
O problema? A maioria dos estudantes fica presa nas fases 1 e 2 durante dias ou semanas. Tempo perdido.
Técnica para encurtar o ciclo: Quando receberes feedback difícil, fecha o email. Espera 24 horas. Depois, relê com uma única pergunta em mente: “Se eu assumir que o orientador tem razão, o que preciso de mudar?”
Técnica dos “3 Baldes” para Priorizar Correções
Nem todo o feedback é igual. Usa esta técnica para organizar:
| Tipo de Feedback | Reação Errada | Reação Certa |
|---|---|---|
| “Isto não está claro” | Defender a escrita | Perguntar: “Pode indicar qual parte?” |
| “Falta fundamentação” | Ignorar | Adicionar 2-3 fontes por parágrafo |
| “Reescreve esta secção” | Desesperar | Dividir em tarefas de 30 minutos |
| Feedback vago | Adivinhar | Pedir exemplo concreto |
Balde 1 (Urgente): Problemas estruturais ou de argumento — corrigir primeiro.
Balde 2 (Importante): Clareza e fundamentação — trabalhar depois.
Balde 3 (Menor): Estilo e formatação — deixar para o fim.
Guia Prático: Checklist para Reuniões Produtivas com o Orientador

Já saíste de uma reunião a pensar “Ok, e agora? O que é que ficou decidido?”
Reuniões improdutivas são um dos maiores desperdiçadores de tempo na relação com o orientador. Com preparação mínima, podes transformar cada encontro em progresso concreto.
Como Preparar Uma Reunião com o Orientador
- Enviar agenda 48h antes com pontos específicos a discutir
- Preparar 3-5 perguntas concretas (não vagas)
- Trazer material de suporte (draft, dados, esboço)
- Tirar notas durante — não confies na memória
- Enviar email-resumo nas 24 horas seguintes
- Definir próximos passos com deadlines claros
Template de Agenda para Reunião (Copiar e Usar)
Olá Professor/a [Nome],
Para a nossa reunião de [data], gostaria de discutir:
1. [Progresso desde última reunião]
2. [Dúvida específica 1]
3. [Dúvida específica 2]
4. [Próximos passos a validar]
Envio em anexo [documento/capítulo/esboço] para revisão prévia.
Cumprimentos,
[Nome]
Template de Email-Resumo Pós-Reunião
Olá Professor/a [Nome],
Obrigado/a pela reunião de hoje. Fico com os seguintes pontos:
Decisões tomadas:
• [Decisão 1]
• [Decisão 2]
Próximos passos (da minha parte):
• [Tarefa 1] — deadline: [data]
• [Tarefa 2] — deadline: [data]
Pendente (aguardo confirmação/feedback):
• [Item pendente]
Se houver alguma correção, por favor avise.
Cumprimentos,
[Nome]
💡 “Reuniões sem agenda são conversas. Reuniões com agenda são progresso.”
— Partilha esta dica
FAQ: Dúvidas Comuns Sobre a Relação com Orientadores
O que fazer quando o orientador demora muito tempo a dar feedback?
Envia um follow-up educado após 5-7 dias úteis. Enquanto esperas, avança noutras secções da tese para não perder tempo. Se os atrasos forem recorrentes, agenda uma conversa para alinhar expectativas sobre prazos de resposta.
Como lidar com um orientador que dá feedback muito crítico ou negativo?
Espera 24 horas antes de responder para processar emocionalmente. Depois, usa a técnica dos “3 baldes” para priorizar as correções: urgentes (estrutura), importantes (clareza) e menores (estilo). Feedback crítico significa que o orientador ainda está investido no teu trabalho.
É possível trocar de orientador durante a tese?
Sim, mas deve ser último recurso. Antes de considerar a mudança, tenta uma conversa franca sobre os problemas. Se a relação for realmente incompatível, contacta a coordenação do curso para entender o processo formal e as implicações para o cronograma da tese.
Com que frequência devo contactar o orientador?
Depende do que alinharem na primeira reunião. Contacto quinzenal é comum, mas alguns orientadores preferem reuniões mensais. O mais importante é definir esta expectativa logo no início e manter consistência no contacto, mesmo que seja apenas um update breve.
O orientador pode reprovar a minha tese?
Tecnicamente, a aprovação final é da banca examinadora, não do orientador. Contudo, um orientador envolvido raramente permite que uma tese vá a defesa sem estar preparada. Se seguires o feedback e mantiveres comunicação regular, a aprovação é o resultado natural do processo.
Conclusão: O Teu Plano de Ação para os Próximos 7 Dias
Leste os 9 erros. Reconheceste alguns (ou vários) que estás a cometer. Agora, a pergunta que interessa: o que vais fazer com esta informação?
A diferença entre estudantes que terminam a tese a tempo e estudantes que arrastam o processo durante anos não está no talento. Está na forma como gerem a relação com o orientador.
O teu plano de ação para esta semana:
- Hoje: Identifica qual dos 9 erros está a afetar mais o teu progresso
- Amanhã: Prepara o email/reunião para resolver esse erro específico
- Esta semana: Implementa uma das técnicas deste artigo (documenta reuniões, usa os templates, ou aplica a regra das 24 horas)
- Próxima semana: Avalia se a dinâmica melhorou e ajusta conforme necessário
Lembra-te: a relação com o orientador não é algo que te acontece — é algo que tu constróis ativamente. E agora tens as ferramentas para a construir bem.
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