Quem Pode Ser Coorientador de Tese? FAQ PT/BR 2026

Quem Pode Ser Coorientador de Tese? FAQ PT/BR 2026

A dúvida sobre os coorientador de tese requisitos aparece cedo no processo de pós-graduação: pode ser um especialista da indústria? Um professor estrangeiro? Alguém sem doutoramento? As respostas variam entre Portugal e o Brasil, e até entre instituições — mas há regras-base claras que qualquer mestrando ou doutorando precisa de conhecer antes de propor um nome ao Conselho Científico.

Este artigo responde às perguntas mais frequentes, em formato FAQ, cobrindo os dois contextos: o enquadramento regulamentar português (Decreto-Lei n.º 65/2018 e regulamentos institucionais) e as normas dos programas de pós-graduação stricto sensu brasileiros (CAPES). Se estiver a preparar o pedido formal, guarde este guia como referência.

Resposta direta: Em Portugal, o coorientador tem de possuir o grau de doutor e ser reconhecido como idóneo pelo Conselho Científico — pode ser de outra instituição, nacional ou estrangeira. No Brasil, a exigência-base é também o doutoramento, embora alguns programas profissionais admitam profissionais de notório saber em áreas aplicadas. Em ambos os casos, o pedido é feito pelo orientador principal, mediante proposta fundamentada.

O que é um coorientador e para que serve?

Fonte: Ciência em Suma

O coorientador é um segundo académico que partilha a supervisão científica da tese com o orientador principal. Não é um consultor informal nem um revisor de última hora: tem responsabilidade formal no processo, assina documentos de avaliação e pode integrar o júri de defesa.

A coorientação justifica-se quando a investigação cruza duas áreas disciplinares (por exemplo, bioinformática e ecologia), quando o orientador principal não domina uma metodologia específica necessária ao projeto, ou quando o trabalho envolve parceria com uma instituição estrangeira — caso em que a coorientação pode evoluir para um regime de cotutela.

Ao contrário do que muitos estudantes assumem, a coorientação não é automática nem um direito garantido. Depende sempre de aprovação pelo órgão científico competente — em Portugal, o Conselho Científico; no Brasil, o Colegiado do Programa.

Coorientação: o que funciona e o que falha

O investigador Marco Armello analisa os problemas mais comuns da coorientação à brasileira: expectativas mal alinhadas, duplicidade de orientação e gestão de conflitos entre supervisores.

Ler no Sobrevivendo na Ciência →

Fonte: Sobrevivendo na Ciência — Marco Armello

Requisitos em Portugal

Grau académico exigido

O requisito fundamental, transversal a todas as instituições públicas portuguesas, é o grau de doutor. Os regulamentos de mestrado e doutoramento de universidades como o Instituto Superior Técnico, a Universidade de Lisboa e a Universidade do Porto estabelecem que o coorientador deve ser professor ou investigador doutorado — seja da própria instituição, de outra instituição nacional ou estrangeira, ou especialista de mérito reconhecido pelo Conselho Científico.

Em termos práticos, um especialista da indústria com vasta experiência mas sem doutoramento não pode ser coorientador formal em Portugal, salvo se a instituição considerar que possui “mérito excecional” na área e o Conselho Científico deliberar nesse sentido — situação rara e reservada a casos muito específicos.

Vínculo institucional

O coorientador não precisa de ter vínculo à instituição onde o estudante está matriculado. Pode ser docente ou investigador de outra universidade, de um laboratório associado, de um instituto de investigação ou mesmo de uma instituição estrangeira. O que a instituição exige é que o candidato a coorientador tenha produção científica verificável na área e que o orientador principal justifique formalmente a necessidade da coorientação.

Número máximo de coorientadores

A maioria dos regulamentos portugueses limita a equipa de orientação a um máximo de três membros (orientador + dois coorientadores). Ter três supervisores simultâneos é incomum e exige justificação reforçada; na prática, a configuração mais frequente é orientador + um coorientador.

Se estiver a pensar em escolher o orientador e já tem em mente um especialista de outra área para a coorientação, comece por validar a intenção com o orientador principal antes de qualquer contacto formal com o candidato a coorientador.

Requisitos no Brasil

Programas académicos (stricto sensu)

Nos programas de mestrado académico e doutoramento avaliados pela CAPES, o coorientador deve possuir o título de doutor e ter produção científica compatível com a área de conhecimento do programa. A exigência não é meramente burocrática: a CAPES avalia a qualificação do corpo de orientadores como critério de qualidade do programa nas avaliações quadrienais.

O processo varia por instituição: na Unicamp (FT), por exemplo, o pedido de coorientação deve ser aprovado pela Comissão de Pós-Graduação, com justificativa de como a expertise do coorientador complementa a do orientador. Na UFSM (PPGEC), existe formulário próprio e prazo mínimo antes da defesa para que a coorientação seja formalizada.

Programas profissionais

Os mestrados profissionais têm, em alguns programas, maior flexibilidade. Regulamentos de programas ligados a áreas aplicadas (saúde, engenharia, gestão) podem admitir um profissional de notório saber como coorientador — mesmo sem o título de doutor — desde que o programa justifique a decisão perante a CAPES e que o orientador principal seja doutor credenciado. Esta exceção não é universal: consulte o regulamento específico do seu programa antes de a invocar.

Para programas de doutoramento sanduíche financiados pela CAPES (PDSE), o coorientador no exterior deve ter, no mínimo, o título de doutor e produção científica compatível, e o orientador brasileiro tem de apresentar carta demonstrando colaboração técnico-científica com o coorientador estrangeiro.

Coorientação em cotutela internacional

A coorientação em cotutela é o regime mais exigente: o estudante desenvolve a tese em duas instituições de países diferentes, sendo supervisionado por um orientador em cada uma, e obtém o grau pelas duas instituições no final. Em Portugal, este regime está previsto nos regulamentos das principais universidades e conta com o apoio da FCT através do Programa Cotutelas Pessoa (para co-tutelas com França).

Para que a cotutela seja válida, é necessário celebrar um acordo formal entre as duas instituições, definir as responsabilidades de cada orientador, estabelecer os períodos de permanência em cada país e acordar a língua da tese e a composição do júri. Tanto o orientador português como o coorientador estrangeiro têm de ser doutores reconhecidos pelas respetivas instituições.

A cotutela não é uma coorientação simples com um professor estrangeiro: implica burocracia inter-institucional significativa e normalmente dura entre três e quatro anos. Antes de avançar, vale a pena ler sobre os seus direitos face ao orientador em situações de coorientação, nomeadamente quando os dois supervisores têm visões divergentes sobre a direção da investigação.

Segundo a documentação da Universidade de Ciências de Lisboa e da Universidade do Porto, o acordo de cotutela deve ser assinado preferencialmente no primeiro ano do doutoramento, para que o estudante possa beneficiar plenamente dos dois ambientes de investigação.

Como formalizar o pedido de coorientação

O processo formal é, em ambos os países, uma responsabilidade partilhada entre o estudante e o orientador principal. Na prática, segue estes passos:

  1. Identificar o candidato: O estudante propõe um nome ao orientador, que avalia a adequação académica. Pode encontrar orientadores via Ciência Vitae ou através de bases de dados académicas como o Lattes (Brasil) para verificar o currículo do candidato antes de contactá-lo.
  2. Obter acordo do candidato: O candidato a coorientador tem de aceitar formalmente o convite, geralmente por carta ou declaração assinada.
  3. Submeter proposta fundamentada: O orientador principal apresenta ao Conselho Científico (PT) ou Colegiado do Programa (BR) uma proposta escrita a justificar a necessidade da coorientação e a idoneidade do candidato.
  4. Aprovação do órgão competente: O Conselho Científico delibera — normalmente em reunião ordinária. Em Portugal, a deliberação é publicada em ata; em algumas universidades brasileiras, é formalizada por portaria do programa.
  5. Registo na secretaria académica: Após aprovação, o nome do coorientador é registado no processo do estudante e na plataforma de gestão académica (SIGARRA em Portugal, sistemas locais no Brasil).

O timing importa: em Portugal, a coorientação deve ser formalizada o mais cedo possível — idealmente no primeiro semestre da tese — para que o coorientador possa acompanhar todo o processo. Formalizar a coorientação a três meses da defesa é possível mas levanta questões sobre a efetividade da supervisão.

Sobre o tempo de resposta do orientador a pedidos de reunião e revisão de documentos, os dados recolhidos junto de estudantes portugueses apontam para diferenças substanciais entre orientadores — um aspeto que se estende igualmente à relação com o coorientador.

Erros comuns ao propor um coorientador

Com base nos regulamentos analisados e nas dúvidas mais frequentes em fóruns académicos portugueses e brasileiros, estes são os equívocos mais recorrentes:

Erro Consequência Como evitar
Propor alguém sem doutoramento em Portugal Recusa imediata pelo Conselho Científico Verificar grau no Ciência Vitae ou Lattes antes de qualquer contacto
Não obter acordo escrito do candidato antes da proposta Processo devolvido para resubmissão Pedir declaração de disponibilidade antes de submeter ao órgão
Propor coorientação tardia (último ano) Questionamento da efetividade; possível recusa Formalizar no primeiro semestre da tese
Confundir coorientador com consultor científico Responsabilidades e direitos mal definidos Clarificar o papel desde o início por escrito
Não verificar se a área de especialidade do candidato está alinhada com o regulamento do programa Recusa por área de expertise demasiado distante Consultar regulamento antes de identificar candidatos

O investigador Marco Armello, que escreve sobre o quotidiano da investigação científica, aborda aspetos práticos da orientação e da relação orientador-orientando que se aplicam igualmente à dinâmica de coorientação — nomeadamente a importância de alinhar expectativas desde o primeiro encontro.

O blog Ferramentas para Doutorandar oferece também uma perspetiva útil sobre como não se sentir perdido durante a tese, incluindo a gestão da relação com múltiplos supervisores — um desafio real quando há coorientação.

FAQ: Coorientador de Tese em Portugal e no Brasil

Um professor estrangeiro pode ser coorientador de uma tese portuguesa?

Sim. Os regulamentos das universidades portuguesas permitem explicitamente que professores ou investigadores doutorados de instituições estrangeiras sejam designados coorientadores, desde que possuam o grau de doutor e sejam reconhecidos como idóneos pelo Conselho Científico. O orientador principal deve submeter proposta fundamentada com o currículo do candidato estrangeiro.

É obrigatório ter coorientador?

Não. A coorientação é facultativa na grande maioria dos programas de mestrado e doutoramento, tanto em Portugal como no Brasil. É uma opção quando a investigação exige expertise complementar que o orientador principal não domina. Alguns programas com componente interdisciplinar forte podem recomendar a coorientação, mas não a exigem.

Um profissional da indústria sem doutoramento pode ser coorientador em Portugal?

Regra geral, não. Os regulamentos portugueses exigem o grau de doutor. A exceção é o reconhecimento de “especialista de mérito” pelo Conselho Científico, que é raro e reservado a casos muito específicos. Em Portugal, um técnico especializado da indústria pode ser consultor informal, mas não coorientador formal sem o grau de doutor.

No Brasil, os requisitos são diferentes para mestrados profissionais?

Em alguns programas de mestrado profissional, a regulamentação pode ser mais flexível, admitindo profissionais de notório saber em áreas aplicadas como coorientadores, mesmo sem doutoramento, desde que o programa justifique a decisão perante a CAPES. Esta exceção não é universal — consulte o regulamento específico do seu programa, pois a maioria ainda exige o título de doutor.

Quantos coorientadores posso ter em simultâneo?

Em Portugal, a maioria dos regulamentos limita a equipa de orientação a três membros no total (orientador + até dois coorientadores). No Brasil, a prática mais comum é também um coorientador, mas depende do regulamento de cada programa. Ter dois coorientadores é possível mas pouco frequente, e exige justificação mais robusta.

O coorientador integra o júri de defesa?

Em Portugal, os orientadores e coorientadores participam no júri de defesa, mas com estatuto diferente dos vogais externos: estão presentes e podem intervir, mas normalmente não têm voto na deliberação final ou têm um papel diferente consoante o regulamento da instituição. No Brasil, as regras variam por programa — em alguns, o coorientador integra a banca; noutros, tem estatuto de observador.

Posso mudar de coorientador a meio da tese?

Sim, é possível, mas implica um novo processo de aprovação pelo órgão competente. A mudança deve ser justificada (mudança de rumo na investigação, incompatibilidade, indisponibilidade do coorientador) e requer o mesmo tipo de proposta fundamentada que o pedido original. Convém gerir este processo com cuidado e, se houver dificuldades relacionais, conhecer os seus direitos face ao orientador antes de avançar.

A cotutela é o mesmo que coorientação?

Não exatamente. A coorientação é um acordo de supervisão científica adicional, normalmente dentro da mesma instituição ou entre instituições sem consequências para o grau atribuído. A coorientação em cotutela implica um acordo formal entre duas instituições de países diferentes, com o estudante a obter o grau pelas duas instituições. A cotutela é mais exigente burocraticamente e implica períodos de residência nos dois países.

Como encontrar o coorientador certo

Identificar um coorientador adequado começa por mapear as lacunas de expertise no projeto: que metodologias ou áreas temáticas exigem um segundo olhar especializado? Uma vez definida a necessidade, há várias formas de encontrar candidatos qualificados.

Em Portugal, pode encontrar orientadores via Ciência Vitae, a plataforma nacional de currículos académicos, que permite filtrar investigadores por área científica, instituição e produção recente. O Google Scholar e o ResearchGate são igualmente úteis para verificar as publicações recentes do candidato na área relevante.

Antes de contactar um potencial coorientador, certifique-se de que o seu orientador principal concorda com a escolha e está disponível para subscrever a proposta. A iniciativa formal é sempre do orientador principal — o estudante pode sugerir nomes, mas não pode submeter o pedido diretamente.

Se estiver ainda na fase de escolher o orientador principal, vale a pena considerar desde logo se a investigação vai exigir coorientação e, nesse caso, se o orientador que está a considerar tem experiência em trabalhar em equipa de supervisão — porque a dinâmica entre orientador e coorientador afeta diretamente a qualidade do acompanhamento que o estudante recebe.

Tesify pode ajudar. Se está a preparar a sua tese e a gerir a relação com múltiplos supervisores — orientador, coorientador, e talvez um parceiro de cotutela —, a plataforma Tesify ajuda a organizar versões de documentos, registar feedback de cada supervisor e acompanhar o progresso da investigação de forma estruturada.