Imagina isto: faltam duas semanas para entregares a tua dissertação de mestrado. Meses de investigação, noites sem dormir, centenas de páginas escritas e reescritas. Decides fazer uma verificação final no Turnitin, só para confirmar que está tudo bem. O relatório chega. 47% de similaridade.
O coração dispara. As mãos tremem. Como é possível? Tu escreveste tudo. Fizeste a pesquisa. Citaste as fontes. E agora, aquele número vermelho olha para ti como uma sentença de morte académica.
Se esta cena te causa arrepios, não estás sozinho. Em Portugal, estima-se que cerca de 30% das dissertações são sinalizadas por suspeitas de plágio na primeira submissão. E a pergunta que todos fazem é sempre a mesma: “Como é que isto aconteceu se eu escrevi tudo?”
A resposta é mais complexa — e mais importante — do que imaginas.
O que é considerado plágio numa dissertação?
Plágio em dissertações académicas vai muito além da cópia direta de texto. Inclui paráfrase inadequada, citações mal formatadas, falta de referenciação de ideias, autoplágio e até o uso de estruturas argumentativas de outros autores sem devido crédito. Em Portugal, uma dissertação pode ser reprovada com percentagens de similaridade acima de 15-20%, dependendo da instituição.
Neste artigo, vou revelar-te as verdades sobre prevenção de plágio em dissertações académicas que as universidades raramente explicam com clareza. Vais descobrir porque é que estudantes dedicados acabam reprovados, quais são os erros “invisíveis” que te podem custar o grau, e — mais importante — como te protegeres eficazmente.
Para um guia completo de prevenção de plágio, recomendo também consultares este recurso detalhado.
Por Que o Plágio se Tornou o Maior Fantasma das Dissertações Portuguesas
Antes de mergulharmos nas soluções, precisamos entender como chegámos aqui. E acredita: a história é fascinante — e assustadora ao mesmo tempo.

Nos anos 90, detetar plágio era quase um trabalho de detetive. Professores experientes liam trabalhos e, quando algo “soava estranho” — uma mudança súbita no estilo de escrita, um parágrafo demasiado sofisticado —, iam verificar manualmente. Era um processo lento, impreciso e facilmente contornável.
Depois veio a internet. E com ela, o plágio democratizou-se. Copiar e colar tornou-se tão fácil que as universidades entraram em pânico. A resposta? Ferramentas de deteção automatizadas como o Turnitin, o Urkund (agora Ouriginal), e sistemas proprietários desenvolvidos por algumas instituições.
Hoje, estes sistemas comparam o teu trabalho com milhões de páginas da internet indexadas, repositórios de dissertações e teses de todo o mundo, bases de dados de artigos científicos e trabalhos submetidos anteriormente na mesma e noutras instituições.
Mas aqui está o que mudou nos últimos cinco anos e que poucos estudantes sabem: os algoritmos evoluíram para detetar paráfrases “inteligentes”. Já não basta trocar algumas palavras por sinónimos. Os sistemas modernos analisam estruturas semânticas, padrões de argumentação e até sequências de ideias.
Segundo a Cochrane, o plágio académico representa uma das maiores ameaças à integridade da investigação científica, com consequências que vão desde a perda de credibilidade até à retratação de artigos publicados.
Os 5 Tipos de Plágio Que Mais Reprovam Dissertações
Atenção: isto não é teoria abstrata. Estes são os tipos de plágio que efetivamente levam estudantes portugueses à reprovação todos os anos.
- Plágio direto — cópia palavra por palavra sem aspas ou citação
- Plágio de mosaico — combinação de frases de várias fontes sem citação adequada
- Paráfrase inadequada — reformulação superficial mantendo estrutura original
- Autoplágio — reutilização de trabalho próprio anterior sem declaração
- Plágio de ideias — uso de conceitos ou argumentos de outros sem crédito
Qual é o mais perigoso? A paráfrase inadequada. E vou explicar-te porquê.
O plágio direto é óbvio — qualquer estudante sabe que não pode copiar texto. Mas a paráfrase inadequada é traiçoeira. Tu achas que reformulaste. Mudaste palavras, alteraste a ordem das frases. No entanto, mantiveste a estrutura do argumento original, a sequência de ideias, a lógica de apresentação.
Para os sistemas de deteção — e para os avaliadores experientes — isso é plágio. E o pior? Tu nem te apercebes que cometeste.
Se queres aprofundar este tema, lê sobre os 5 erros que destroem teses e as consequências reais do plágio nas universidades portuguesas.
O Enquadramento Legal Que Poucos Conhecem
Vamos ser claros: plágio não é apenas uma questão de ética académica. É uma questão legal.

Em Portugal, a Lei de Direitos de Autor (Lei n.º 16/2008) protege obras intelectuais. Quando plagias um texto académico, estás potencialmente a violar direitos de propriedade intelectual. E embora processos judiciais por plágio académico sejam raros, não são inexistentes — especialmente quando envolvem publicações ou trabalhos com projeção pública.
As consequências académicas são mais imediatas e tangíveis: reprovação da dissertação (o cenário mais comum), suspensão ou expulsão (em casos de reincidência ou gravidade elevada), anulação do grau (sim, mesmo depois de já teres o diploma), e registo permanente (que pode afetar futuras candidaturas académicas ou profissionais).
Um artigo científico da Revista Horizontes analisa em profundidade os aspetos jurídicos e éticos do plágio académico, demonstrando como a integridade na investigação é fundamental para a credibilidade de todo o sistema científico.
O Que os Relatórios de Similaridade Realmente Mostram
Aqui está uma verdade que vai libertar-te de muita ansiedade: 20% de similaridade NÃO significa que 20% do teu trabalho é plagiado.
Os relatórios de similaridade detetam correspondências de texto. Isso inclui citações diretas corretamente formatadas (que deviam estar lá!), referências bibliográficas (nomes de autores, títulos de obras), termos técnicos e expressões específicas da área, frases comuns da língua portuguesa e estruturas de texto académico padronizadas.
Por isso, uma dissertação com 15% de similaridade pode estar perfeitamente original, enquanto outra com 8% pode ter problemas sérios de plágio não detetado. O truque está em saber interpretar o relatório, não apenas olhar para o número.
O problema dos “falsos negativos” é igualmente preocupante. Quando o plágio passa despercebido — porque a fonte não está na base de dados, porque a paráfrase foi sofisticada demais, ou porque o texto original foi traduzido de outra língua — tens uma falsa sensação de segurança.
É por isso que confiar cegamente num único verificador é um erro fatal. Lê mais sobre os erros críticos na verificação de plágio que levam à reprovação.
A Armadilha dos Verificadores Gratuitos
Deixa-me ser brutalmente honesto contigo: os verificadores de plágio gratuitos são, na maioria dos casos, uma armadilha.
O problema é simples: as universidades usam sistemas profissionais com acesso a bases de dados enormes. Tu, com um verificador gratuito, estás a comparar com uma fração mínima dessa informação. Ferramentas online básicas têm base de dados limitada, versões gratuitas de sistemas premium apenas verificam 1000-3000 palavras, e detetores genéricos não comparam com repositórios académicos.
Resultado? O teu relatório gratuito diz 3%. O Turnitin da universidade diz 35%. E tu só descobres isso quando já é tarde demais.
Descobre as armadilhas dos verificadores gratuitos e porque é que confiar apenas neles pode arruinar a tua tese.
Os 7 Erros de Plágio Não Intencional Que Mais Reprovam

Aqui está o que me parte o coração: a maioria dos estudantes reprovados por plágio não tinha intenção de plagiar. Cometeram erros “inocentes” que custaram caro.
- Não colocar aspas em citações diretas — mesmo com a referência presente
- Parafrasear demasiado perto do original — mudando só 2-3 palavras por frase
- Esquecer de citar ideias — pensando que só texto literal precisa de referência
- Misturar notas pessoais com excertos — durante a fase de investigação
- Usar traduções como texto próprio — traduzir artigos estrangeiros sem citar
- Copiar estruturas de argumentação — mesmo reformulando completamente o texto
- Reutilizar trabalho próprio anterior — sem declarar (autoplágio)
Reconheces algum destes erros? Se sim, não estás sozinho. Aprende como evitar os 7 erros fatais que levam à reprovação no mestrado.
Quando Citar Demais Também é um Problema
Parece contraditório, certo? Dissemos que falta de citações é plágio. Mas excesso de citações também é problemático.
Chamo-lhe a “ditadura do plágio” — a obsessão por evitar qualquer sinalização que leva os estudantes a encher as dissertações de citações diretas. O resultado? Um trabalho que é mais uma colagem de textos de outros autores do que uma contribuição original.
Segundo Marcelo Krokoscz, investigador especializado em integridade académica, esta obsessão pela citação pode ser tão prejudicial quanto o plágio em si, porque anula a voz autoral do estudante e transforma a dissertação num mero exercício de compilação.
A recomendação? Citações diretas não devem ultrapassar 10% do texto total da tua dissertação. O resto deve ser síntese, análise e reflexão própria — sempre com as devidas referências às fontes das ideias, mas com a tua voz, a tua estrutura, a tua argumentação.
A Gestão de Referências Que Salva Dissertações
Vou partilhar contigo um segredo que aprendi após décadas a observar estudantes: a maioria dos problemas de plágio começa na gestão de referências. Não na intenção de plagiar, mas na desorganização.
Como gerir referências para prevenir plágio:
- Usar gestor de referências desde o dia 1 (Mendeley, Zotero, EndNote)
- Registar fonte completa imediatamente ao ler qualquer material
- Distinguir claramente notas próprias de citações diretas
- Verificar formatação contra norma exigida (APA, Vancouver, Harvard)
- Cruzar lista final de referências com citações no texto
O erro mais comum? Tomar notas durante a investigação sem distinguir claramente o que é texto copiado do que são as tuas próprias reflexões. Semanas depois, olhas para as notas e já não sabes o que é de quem. Resultado: incorporas texto de outros como se fosse teu, sem qualquer má intenção. Mas o Turnitin não se importa com intenções.
Aprende a evitar os erros na gestão de referências que reprovam teses com este guia prático.
IA Generativa e o Novo Paradigma da Integridade Académica
ChatGPT, Claude, Gemini — as ferramentas de IA generativa revolucionaram a forma como produzimos texto. E as universidades estão a reagir.
O debate já não é apenas sobre plágio tradicional (copiar de outros humanos). Agora inclui uso de IA para gerar texto de dissertações, paráfrase assistida por IA para “mascarar” plágio e tradução automatizada de trabalhos estrangeiros.
As ferramentas de deteção estão a evoluir para identificar texto gerado por IA — com graus variáveis de sucesso. E as universidades portuguesas estão a desenvolver políticas específicas para o uso de IA em trabalhos académicos.
A posição mais consensual? IA como ferramenta de apoio, não como autor. Usar IA para brainstorming, organização de ideias, ou revisão linguística é geralmente aceitável. Usar IA para escrever secções da dissertação é, na maioria das instituições, considerado má conduta académica.
As tendências tecnológicas apontam para sistemas cada vez mais sofisticados: análise semântica avançada para detetar plágio de ideias, comparação de estilo de escrita identificando mudanças súbitas, e integração com repositórios institucionais.
Protege a Tua Dissertação: Checklist Final

Chegámos ao momento crucial: transformar conhecimento em ação. Porque saber sobre plágio não te protege — agir é que protege.
Antes de qualquer submissão, passa por esta lista:
- ☐ Todas as citações diretas estão entre aspas E com referência
- ☐ Paráfrases mantêm a ideia mas usam estrutura e palavras genuinamente diferentes
- ☐ Cada ideia de outro autor tem citação (mesmo sem texto direto)
- ☐ Bibliografia inclui TODAS as fontes citadas no texto
- ☐ Verificação em ferramenta de similaridade confiável realizada
- ☐ Percentagem de similaridade abaixo do limite da instituição
- ☐ Autoplágio declarado (se aplicável)
- ☐ Revisão final por outra pessoa
A prevenção de plágio em dissertações académicas não precisa ser um processo solitário e stressante. Hoje existem ferramentas desenvolvidas especificamente para apoiar estudantes universitários neste desafio.
A Tesify é uma plataforma de IA académica que combina várias funcionalidades essenciais para quem está a escrever uma dissertação: deteção de plágio integrada com sugestões de melhoria, gestão automática de citações e bibliografia em múltiplos estilos académicos, revisão inteligente de texto e guia estruturado para organizares cada capítulo.
O mais importante: a integridade académica não é apenas sobre evitar punições. É sobre construir uma carreira baseada na honestidade intelectual. E isso começa com cada dissertação que escreves.




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