Lembro-me perfeitamente da Ana. Uma estudante de mestrado em Sociologia que me contactou depois de três semanas a olhar para o cursor a piscar no ecrã. Três semanas. O documento ainda estava vazio. “Não é que eu não saiba o que quero estudar”, disse-me ela com a voz tremida ao telefone. “É que cada vez que tento escrever a primeira frase, sinto que não é suficientemente boa.”
A história da Ana não é única. Na verdade, é assustadoramente comum.
Nos últimos cinco anos a acompanhar estudantes de mestrado e doutoramento em Portugal e no Brasil, observei um padrão que inicialmente me chocou: aproximadamente 85% dos estudantes experienciam bloqueio severo nas primeiras semanas de escrita da tese. E não, não é por falta de inteligência ou dedicação — longe disso.

Dados do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas indicam que a taxa de abandono em programas de pós-graduação ronda os 30%, com a maioria das desistências a ocorrer precisamente na fase inicial de redação. O psicólogo Piers Steel, no seu estudo seminal sobre procrastinação publicado no Psychological Bulletin (2007), demonstrou que trabalhos académicos de longo prazo — como teses — são os mais suscetíveis ao adiamento crónico.
Resposta rápida: 85% dos estudantes bloqueiam ao começar a tese porque tentam escrever antes de ter uma pergunta de pesquisa clara e um roteiro estruturado. A solução passa por: (1) delimitar o tema, (2) definir o problema de pesquisa, (3) criar um plano mínimo viável, e (4) usar técnicas de desbloqueio como escrita livre cronometrada.
O bloqueio inicial não é uma falha de carácter. É uma consequência previsível de tentar construir uma casa sem planta. E a boa notícia? Tem solução.
Neste guia, vais perceber exatamente por que isto acontece e, mais importante, os primeiros passos para saíres da paralisia hoje — não amanhã, não na próxima semana. Se procuras um passo a passo ainda mais detalhado, o nosso guia completo para 2025 complementa perfeitamente este artigo.
O Que Está Por Trás do Bloqueio Inicial na Tese?
Antes de resolver um problema, precisamos de o compreender. E o bloqueio mental na tese não é um monstro único — é uma hidra com múltiplas cabeças.
Síndrome do Impostor Académico: Aquela voz interior que sussurra “quem é que tu pensas que és para escrever uma tese?”. Estudos da Universidade de Harvard mostram que até 70% dos estudantes de pós-graduação experienciam esta síndrome. É o medo visceral de ser “descoberto” como não suficientemente inteligente para estar onde está.
Perfeccionismo Paralisante: A crença de que a primeira frase tem de ser perfeita. Como se Hemingway ou Saramago tivessem escrito as suas obras-primas sem rascunhos, sem rasuras, sem lixo inicial. Spoiler alert: não escreveram.
Falta de Estrutura Clara: Sentes-te perdido porque não sabes o que escrever primeiro. Introdução? Metodologia? Revisão de literatura? A ausência de um roteiro transforma a tese num labirinto sem mapa.
Tema Demasiado Amplo: Querer estudar “a influência das redes sociais na sociedade” é como querer abraçar o oceano. Sem delimitação — temporal, espacial, populacional — o tema torna-se um peso impossível de carregar.
O já mencionado Piers Steel identificou um ciclo vicioso: ansiedade → evitamento → mais ansiedade. Quanto mais adiamos, pior nos sentimos. Quanto pior nos sentimos, mais adiamos. É uma armadilha psicológica perfeita.
O Prof. Renato Soares argumenta no seu artigo sobre escolha do tema e problema de pesquisa que grande parte do bloqueio inicial nasce de uma confusão fundamental: muitos estudantes tentam “escrever” antes de terem uma pergunta orientadora clara.
Há verdades incómodas que raramente são discutidas nos corredores das universidades: a escrita não é linear (ninguém escreve do início ao fim numa sequência perfeita), os orientadores focam no conteúdo, não no processo (sabem avaliar, mas poucos sabem ensinar a escrever), e os prazos institucionais criam pressão artificial que gera paralisia em vez de produtividade.
Se queres aprofundar o lado emocional do bloqueio, recomendo a leitura do nosso artigo sobre as verdades ocultas sobre iniciar uma tese académica.
Primeiros Passos Para Começar do Zero
Aqui está a mudança de mentalidade que transforma tudo: antes de escrever, precisas de planear. Não um plano detalhado de 50 páginas. Um plano mínimo viável — aquilo que no mundo das startups se chama MVP.
Imagina que queres construir uma casa. Não pegas em tijolos e começas a empilhar aleatoriamente, certo? Primeiro, defines o terreno, o tipo de casa, o número de divisões. Só depois começas a construção. Com a tese é exactamente igual.

Se há uma coisa que quero que guardes deste artigo, é esta sequência. Estes são os passos que separam os estudantes que avançam dos que ficam presos meses na página em branco:
- Escolher e delimitar o tema — Transformar um interesse vago num recorte específico. “Redes sociais” torna-se “O impacto do Instagram na autoestima de adolescentes portuguesas entre 2020 e 2024”.
- Formular o problema de pesquisa — Criar a pergunta orientadora que guia toda a tese. Uma boa pergunta é metade da resposta.
- Definir objetivos gerais e específicos — Saber exactamente o que pretendes alcançar e em que etapas.
- Esboçar a metodologia — Decidir como vais responder à pergunta (entrevistas? análise documental? inquéritos?).
- Criar um cronograma realista — Dividir a tese em etapas semanais ou mensais com datas concretas.
Para um roteiro completo sobre como transformar o teu tema num projeto de pesquisa estruturado, recomendo o excelente guia do Prof. Dr. Ivan Claudio Guedes. Quanto à delimitação do tema, o blog da Mettzer oferece um guia com exemplos práticos que vale a pena consultar.
Técnicas Comprovadas Para Destravar a Escrita Hoje
Teoria é importante, mas sei que vieste aqui à procura de algo prático. Algo que possas aplicar hoje. Aqui estão as técnicas que mais tenho visto funcionar.
A Técnica do “Escreve Mal de Propósito”: Anne Lamott, no seu livro clássico Bird by Bird (1994), popularizou o conceito do “shitty first draft”. A ideia é simples mas contraintuitiva: permite-te escrever mal de propósito. Coloca um timer de 25 minutos, escreve tudo o que te vier à cabeça, não pares para corrigir erros. O objetivo não é produzir texto final — é vencer a inércia.

O Método Pomodoro Adaptado: O clássico são 25 minutos de trabalho focado seguidos de 5 minutos de pausa. Mas para iniciantes em tese, sugiro uma adaptação: começa com apenas 15 minutos. Porquê? Porque 15 minutos parecem inofensivos. Não assustam. E uma vez que começas, descobres frequentemente que continuas para além do tempo.
Começa Pelo Meio: Este conselho contradiz o que aprendeste na escola, mas é crucial: a introdução deve ser escrita no final. Como podes introduzir algo que ainda não conheces completamente? A introdução resume e apresenta o trabalho. Só faz sentido escrevê-la quando já tens uma visão clara do todo. Começa pela revisão de literatura ou pela metodologia — são secções mais “mecânicas” e menos intimidantes.
O Poder do Esboço Visual: Antes de escrever parágrafos, experimenta criar um mapa mental da tua tese. Coloca o tema central no meio e ramifica: capítulos, secções, ideias-chave, autores a citar. Esta visualização mostra-te que a tese é um conjunto de peças (não um monstro monolítico) e dá-te pontos de entrada claros.
Para mais técnicas práticas de desbloqueio, consulta o nosso artigo dedicado sobre como superar o bloqueio mental na tese.
O Futuro da Escrita Académica e o Papel da IA
Estamos a viver uma transformação silenciosa mas profunda na forma como se escrevem trabalhos académicos. E os estudantes que compreenderem esta mudança terão uma vantagem significativa.

As ferramentas de inteligência artificial já não são ficção científica. Estão a mudar radicalmente a forma como os iniciantes enfrentam a página em branco: brainstorming de temas (a IA pode sugerir recortes específicos a partir de um interesse vago), organização de referências (ferramentas inteligentes ajudam a catalogar e relacionar artigos científicos), e superação do “branco” inicial (sugestões de estrutura e primeiros parágrafos desbloqueiam a escrita).
É neste contexto que surgem plataformas especializadas como o tesify.pt. Desenvolvida para estudantes universitários portugueses, oferece editor de tese com formatação académica integrada, guia inteligente passo a passo para cada capítulo, e gestão automática de referências bibliográficas.
Importante: A IA é uma ferramenta, não um substituto. O pensamento crítico, a análise e a autoria continuam a ser teus. Mas ter um assistente que te ajuda a vencer o “branco” inicial? Isso é revolucionário.
Para perceberes melhor como estruturar a tua revisão de literatura — um dos passos que mais causa bloqueio —, vê este vídeo prático:
Perguntas Frequentes Sobre Começar a Tese
❓ Qual é o primeiro passo para começar a escrever uma tese do zero?
O primeiro passo é definir e delimitar o tema de pesquisa. Sem um recorte claro — temporal, espacial e do objeto de estudo —, é impossível avançar com confiança.
❓ Por que tantos estudantes bloqueiam ao começar a tese?
O bloqueio acontece por uma combinação de perfeccionismo, falta de estrutura clara, síndrome do impostor e temas demasiado amplos. A solução passa por ter um plano mínimo viável antes de começar a escrever.
❓ Devo começar a escrever pela introdução?
Não. A introdução deve ser escrita no final, quando já tens uma visão completa do trabalho. Começa pela revisão de literatura ou pela metodologia.
❓ Ferramentas de IA podem ajudar a começar a tese?
Sim. Ferramentas como o tesify.pt ajudam a estruturar ideias, gerar esboços e superar o bloqueio inicial. No entanto, o pensamento crítico e a autoria final devem ser sempre teus.
❓ Quanto tempo demora a escrever uma tese?
Um mestrado tipicamente requer 12 a 18 meses, enquanto um doutoramento pode levar 3 a 5 anos. Com um cronograma realista e as ferramentas certas, é possível reduzir significativamente estes prazos.
O Teu Próximo Passo Começa Agora
Chegámos ao momento da verdade. Leste sobre as causas do bloqueio, as técnicas para o superar e as ferramentas disponíveis. Mas nada disto vale se não passares à ação.
Três insights para guardares:
- O bloqueio não é fraqueza — é consequência de falta de estrutura. Resolve-se com um plano mínimo viável.
- Não precisas de perfeição — precisas de um primeiro rascunho. A edição vem depois.
- Começar é mais importante que começar bem — a inércia é a tua inimiga; o movimento é o teu aliado.
A Ana, aquela estudante de mestrado que mencionei no início? Três meses depois de aplicar estas técnicas, tinha dois capítulos completos. Não perfeitos — completos. E a diferença entre um rascunho imperfeito e uma página em branco é toda a diferença do mundo.
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