São 3h da manhã. O cursor pisca num documento em branco. O prazo de entrega aproxima-se como um comboio descontrolado — e tu ainda não consegues perceber o que raio é uma pergunta de investigação.
Já perdeste quantas horas a tentar formular algo que faça sentido?
Não estás sozinho. A maioria dos estudantes portugueses entra na licenciatura ou no mestrado sem ninguém lhes ter ensinado isto. Os orientadores assumem que sabes. Os manuais académicos falam em linguagem de extraterrestre. E o resultado? Bloqueio. Ansiedade. Trabalhos medianos que nem tu consegues defender com convicção.
Mas aqui está a boa notícia: formular a pergunta de investigação perfeita não é talento — é técnica. E essa técnica pode ser aprendida em menos tempo do que demoras a ver um episódio da tua série favorita.
Na minha experiência a ajudar centenas de estudantes portugueses com as suas teses, identifiquei exatamente 9 segredos que separam perguntas que impressionam orientadores de perguntas que voltam cheias de rabiscos vermelhos. Vou partilhá-los contigo — com exemplos reais adaptados ao contexto académico português de 2025.
Descarrega o template que uso com os meus estudantes para transformar ideias vagas em perguntas aprovadas à primeira.
O Que É uma Pergunta de Investigação (e Porquê Importa Tanto)
Antes de mergulharmos nos segredos, precisamos de clarificar uma coisa fundamental. Prometo que não vou usar linguagem de manual académico.
Uma pergunta de investigação é a questão central que guia todo o teu trabalho académico. Define exatamente o que vais estudar, como vais estudar e porquê isso importa. Funciona como uma bússola: sem ela, perdes-te em círculos. Com ela, cada capítulo da tua tese tem propósito e direção.
Simples, certo? Mas aqui é onde a maioria dos estudantes tropeça.

Pergunta de Investigação vs. Tema de Pesquisa: A Confusão que Custa Meses
Imagina isto: vais ao supermercado comprar “comida”. Isso é um tema. Vago. Imenso. Podes passar horas a vaguear pelos corredores sem saber o que levar.
Agora imagina que vais comprar “ingredientes para uma carbonara para 4 pessoas”. Isso é uma pergunta de investigação — específica, direcionada, com um resultado claro em mente.
| Elemento | Tema | Pergunta de Investigação |
|---|---|---|
| Amplitude | Vasto e genérico | Específico e delimitado |
| Função | Área de interesse | Guia metodológico |
| Exemplo | “Redes sociais e adolescentes” | “Como o uso do Instagram influencia a autoestima de adolescentes portugueses entre 14-18 anos?” |
Vês a diferença? O tema é o território. A pergunta é o GPS que te leva ao destino.
Porque a Pergunta Define o Sucesso da Tua Tese
Aqui está a verdade que ninguém te conta: os orientadores avaliam primeiro a clareza da tua pergunta. Antes de lerem uma única linha da tua revisão de literatura.
Porquê? Porque uma boa pergunta de investigação gera uma metodologia óbvia. Se a pergunta é clara, o caminho para a resposta também é.
Uma má pergunta? Significa meses de retrabalho. Voltar atrás. Reformular. Reescrever capítulos inteiros. Segundo dados do Ministério da Educação português, cerca de 40% dos atrasos em defesas de tese estão relacionados com reformulações da pergunta de investigação.
Se ainda estás na fase de escolher e delimitar o teu tema, resolve isso primeiro. A pergunta vem depois — mas quando chegar, precisa de ser cirúrgica.
Os 9 Segredos da Pergunta de Investigação Perfeita
Depois de analisar centenas de teses bem-sucedidas (e outras tantas reprovadas), identifiquei os 9 elementos que separam perguntas medíocres de perguntas brilhantes.
Não são truques. São princípios testados que funcionam em qualquer área — de Psicologia a Engenharia, de Gestão a Educação.

1. Especificidade Cirúrgica
A regra de ouro: delimita população, tempo e contexto. Sem isto, tens um tema, não uma pergunta.
❌ Mau: “Como a tecnologia afeta a educação?”
✅ Bom: “Como o uso de tablets em sala de aula influencia a concentração de alunos do 5º ano em escolas públicas de Lisboa?”
A segunda pergunta diz-te exatamente quem estudar, onde e o quê. A primeira? Daria para 500 doutoramentos diferentes.
2. Pesquisabilidade Real
Pergunta crítica: podes realmente recolher dados para responder a isto?
Antes de te apaixonares por uma pergunta, verifica: tens acesso à população? Existe literatura suficiente? Consegues obter autorizações necessárias?
Uma pergunta linda que não podes investigar é apenas… uma pergunta bonita sem futuro.
3. Relevância Académica e Social
Porquê que alguém deveria importar-se com a tua investigação?
A tua pergunta precisa de se ligar a lacunas na literatura existente. Ou a problemas reais que afetam pessoas reais. Idealmente, ambos.
Dica: procura na tua revisão de literatura frases como “pouca investigação existe sobre…” ou “estudos futuros deveriam explorar…”. Essas são as tuas oportunidades de ouro.
4. Originalidade Suficiente
Boa notícia: não precisas de reinventar a roda.
Originalidade académica pode significar: um novo ângulo sobre um tema existente, uma nova população, um novo contexto geográfico, ou uma nova metodologia aplicada a um problema conhecido.
Estudar o impacto das redes sociais na autoestima não é original. Estudar esse impacto especificamente em estudantes de medicina portugueses durante o internato? Isso já é.
5. Formulação Interrogativa Clara
A tua pergunta precisa de começar com palavras interrogativas que abrem portas:
- Como — para processos e mecanismos
- Porquê — para causas e motivações
- Qual — para identificação e caracterização
- De que forma — para relações e influências
Evita a todo o custo: perguntas de sim/não. “Os videojogos afetam o comportamento?” pode ser respondida com uma palavra. Isso não é investigação — é um quiz.
6. Viabilidade Temporal
Consegues responder a esta pergunta no prazo que tens?
Uma tese de mestrado significa, na prática, 6-12 meses de pesquisa real. Uma licenciatura, menos. Um doutoramento, mais.
Ajusta a amplitude da tua pergunta ao tempo disponível. Ambição sem realismo é a receita para o desastre académico.
7. Alinhamento Metodológico
A forma como formulas a pergunta já sugere como a vais responder:
- Perguntas “Como” ou “Porquê” → tendem para metodologia qualitativa (entrevistas, observação)
- Perguntas “Qual a relação” ou “Em que medida” → tendem para metodologia quantitativa (questionários, estatística)
Se a tua pergunta não sugere naturalmente um método, provavelmente precisa de ser refinada.
8. Neutralidade Científica
A tua pergunta não pode conter a resposta embutida.
❌ Tendencioso: “Porque é que os videojogos são prejudiciais para os jovens?”
✅ Neutro: “Qual o impacto dos videojogos no desempenho académico de jovens portugueses?”
A primeira assume que são prejudiciais. A segunda investiga sem preconceitos. Adivinha qual passa no escrutínio do orientador?
9. Potencial de Subperguntas
Uma boa pergunta de investigação é como um rio principal — gera afluentes naturais.
Se consegues derivar 3-4 subperguntas da tua pergunta central, estás no caminho certo. Essas subperguntas vão tornar-se os teus objetivos específicos.
Se a tua pergunta é tão estreita que não gera nada mais, provavelmente é específica demais. Se gera 20 subperguntas, é ampla demais.
💡 “Uma pergunta de investigação perfeita não é apenas clara — é generativa. Deve abrir portas, não fechá-las.”
Segundo a investigadora Jane Agee, no seu estudo seminal sobre desenvolvimento de perguntas de investigação qualitativas, a formulação da pergunta é um “processo reflexivo” que evolui ao longo da investigação — mas o ponto de partida precisa de ser sólido.
Se queres aprofundar como passar do tema à pergunta em 7 passos, tenho um guia específico para isso.
Descobre como a Tesify ajuda estudantes portugueses a formular perguntas de investigação aprovadas à primeira — com feedback de especialistas em 24h.
Como Alinhar Pergunta de Investigação com Objetivos da Tese
Aqui está o erro mais comum que vejo: estudantes criam a pergunta de investigação e os objetivos como elementos separados. Como se fossem primos distantes que se encontram no Natal.
Erro fatal.
Pergunta e objetivos são engrenagens do mesmo motor. Se não encaixam, o motor gripou antes de arrancar.

Objetivo Geral vs. Objetivos Específicos: A Explicação Que Ninguém Te Deu
Vou simplificar ao máximo:
- Objetivo Geral: O que queres alcançar no final da investigação. É a resposta à tua pergunta principal, transformada em declaração de intenção.
- Objetivos Específicos: Os passos concretos para lá chegar. São as respostas às tuas subperguntas.
Pensa assim: o objetivo geral é o destino (Lisboa). Os objetivos específicos são as etapas da viagem (sair de casa → apanhar o comboio → chegar à estação → caminhar até ao hotel).
Tabela de Correspondência: Da Pergunta ao Objetivo
| Pergunta | Objetivo Correspondente |
|---|---|
| Como o Instagram afeta a autoestima de adolescentes? | Analisar a relação entre uso de Instagram e níveis de autoestima em adolescentes |
| Quais são os principais tipos de interação? | Identificar os tipos de interação mais comuns no Instagram entre adolescentes |
| Qual a perceção dos jovens sobre o impacto? | Explorar as perceções de adolescentes sobre o impacto do Instagram na sua autoestima |
Repara no padrão? A pergunta interroga. O objetivo declara. Mas dizem essencialmente a mesma coisa.
A Regra de Ouro dos Verbos no Infinitivo
Todos os objetivos — geral e específicos — começam com verbos no infinitivo. Sem exceção.
Mas não qualquer verbo. Escolhe verbos que indicam ação mensurável:
- Para descrever: Descrever, Caracterizar, Identificar, Mapear
- Para analisar: Analisar, Comparar, Relacionar, Contrastar
- Para explorar: Explorar, Investigar, Compreender, Examinar
- Para medir: Avaliar, Mensurar, Quantificar, Determinar
Segundo o guia de metodologia do MAPA da Universidade Federal Fluminense, verbos vagos como “estudar” ou “verificar” devem ser evitados — são pouco específicos e dificultam a avaliação do cumprimento do objetivo.
Teste de Coerência em 30 Segundos
Usa este checklist rápido antes de submeter ao orientador:
- ✅ O objetivo geral responde diretamente à pergunta principal?
- ✅ Cada objetivo específico contribui claramente para o geral?
- ✅ Todos usam verbos no infinitivo?
- ✅ São mensuráveis ou verificáveis?
- ✅ O número de objetivos específicos é adequado (3-5 para mestrado)?
Se respondeste “não” a qualquer um destes, tens trabalho a fazer. Mas é trabalho que vai poupar-te semanas de revisões futuras.
Para um aprofundamento sobre como definir objetivos e perguntas de investigação na tese, consulta o nosso guia dedicado.
Erros Fatais que Destroem a Tua Pergunta (e Como Evitá-los)
Já vi estudantes perderem meses de trabalho por erros que se corrigem em 5 minutos. Literalmente.
O problema? Ninguém lhes disse o que estava errado — até ser tarde demais.
Aqui estão os 5 erros mais comuns que vejo repetidamente, e a correção imediata para cada um.

Erro #1: A Pergunta É Uma Tese Disfarçada
❌ Mau: “Porque é que as escolas portuguesas falham na educação financeira?”
Problema: Esta pergunta assume que as escolas falham. Isso é uma conclusão, não um ponto de partida. Estás a partir com viés embutido.
✅ Correção: “Qual o estado atual da educação financeira nas escolas secundárias portuguesas?”
Primeiro investigas o estado atual. Depois, se os dados mostrarem falhas, discutes isso nas conclusões.
Erro #2: Amplitude Infinita
❌ Mau: “Como funciona a motivação humana?”
Problema: Este é um tema para 50 doutoramentos e uma carreira inteira de investigação. Nenhum orientador aprova isto.
✅ Correção: “Como a gamificação influencia a motivação de estudantes do ensino superior em disciplinas de estatística em Portugal?”
Específica. Delimitada. Pesquisável num período de mestrado.
Erro #3: Impossibilidade Metodológica
❌ Mau: “O que pensavam os portugueses sobre a educação em 1400?”
Problema: Não há dados disponíveis. Não existem registos suficientes. Não podes entrevistar pessoas do século XV.
✅ Correção: Antes de finalizar qualquer pergunta, verifica sempre: tenho acesso real aos dados que preciso?
Parece óbvio? Ficarias surpreendido com quantos estudantes só descobrem este problema depois de meses de trabalho.
Erro #4: Pergunta de Sim/Não
❌ Mau: “Os videojogos afetam o comportamento?”
Problema: A resposta é “sim” ou “não”. Uma palavra. E depois? Onde está a investigação?
✅ Correção: “De que forma os videojogos violentos influenciam o comportamento agressivo em adolescentes portugueses?”
Agora tens uma pergunta que exige análise, contexto e profundidade.
Erro #5: Confundir Pergunta com Objetivo
❌ Mau: “Compreender a influência das redes sociais na saúde mental”
Problema: Isto não é uma pergunta — é um objetivo disfarçado. Não tem ponto de interrogação. Não questiona nada.
✅ Correção: Transforma em interrogativa: “Qual a influência das redes sociais na saúde mental de jovens adultos portugueses?”
Segundo o Purdue Online Writing Lab, uma das referências mundiais em escrita académica, a pergunta de investigação deve ser “arguable” — deve permitir investigação genuína, não apenas confirmação do óbvio.
Se precisas de mais orientação sobre como formular a pergunta de pesquisa, temos um guia completo que cobre cada passo do processo.
Template Prático: Da Ideia à Pergunta de Investigação em 15 Minutos
Chega de teoria. Aqui está o método exato que uso com os meus estudantes para transformar uma ideia vaga numa pergunta pronta para aprovação — em apenas 15 minutos.
Pega num papel (ou abre um documento) e segue estes 5 passos.
Passo 1: Define o Teu Território (2 minutos)
Escreve uma frase simples sobre o que te interessa investigar. Não penses demasiado — escreve o que te vem à cabeça.
Exemplo: “Quero estudar como as redes sociais afetam os jovens.”
Passo 2: Especifica a População (3 minutos)
Responde a estas perguntas:
- Quem exatamente queres estudar?
- Que idade têm?
- Onde estão localizados?
- Que característica específica têm?
Resultado: “Adolescentes portugueses entre 14-18 anos que frequentam escolas públicas do distrito de Lisboa.”
Passo 3: Delimita o Fenómeno (3 minutos)
O que exatamente queres investigar sobre esse grupo?
- Que aspeto das redes sociais? (Instagram? TikTok? Tempo de uso? Tipo de conteúdo?)
- Que efeito específico? (Autoestima? Ansiedade? Desempenho académico?)
Resultado: “O impacto do uso diário de Instagram na autoestima.”
Passo 4: Escolhe a Palavra Interrogativa (2 minutos)
Que tipo de resposta procuras?
- Como → Processos e mecanismos
- Qual → Identificação e caracterização
- De que forma → Relações e influências
- Em que medida → Quantificação
Passo 5: Junta Tudo (5 minutos)
Combina os elementos numa frase interrogativa clara:
Pergunta Final: “Como o uso diário de Instagram influencia a autoestima de adolescentes portugueses entre 14-18 anos em escolas públicas do distrito de Lisboa?”
Checklist de Validação Final
Antes de considerar a tua pergunta pronta, verifica:
- ☐ É específica (população + contexto + fenómeno definidos)?
- ☐ É pesquisável (tens acesso aos dados)?
- ☐ É relevante (contribui para o conhecimento)?
- ☐ É neutra (não contém a resposta)?
- ☐ É viável (cabe no teu prazo)?
- ☐ Gera subperguntas naturalmente?
Se marcaste todos os itens, parabéns — tens uma pergunta de investigação sólida.
Perguntas Frequentes
O que é uma pergunta de investigação?
Uma pergunta de investigação é a questão central que orienta todo o trabalho académico. Define o que vais estudar, como e porquê. Funciona como bússola: sem ela, a tese perde direção; com ela, cada capítulo tem propósito claro.
Qual a diferença entre pergunta de investigação e objetivo geral?
A pergunta de investigação questiona (formato interrogativo), enquanto o objetivo geral declara a intenção de responder a essa pergunta (formato declarativo com verbo no infinitivo). São duas faces da mesma moeda — a pergunta gera o objetivo.
Quantas perguntas de investigação deve ter uma tese de mestrado?
Uma tese de mestrado deve ter uma pergunta de investigação principal e 3-5 subperguntas que a desdobram. Mais do que isso dispersa o foco; menos pode indicar falta de profundidade ou amplitude excessiva da pergunta principal.
Como saber se a minha pergunta de investigação é boa?
Uma boa pergunta cumpre 9 critérios: é específica, pesquisável, relevante, original, clara, viável temporalmente, metodologicamente alinhada, neutra e geradora de subperguntas. Se falhar em qualquer um destes, precisa de refinamento.
Posso mudar a pergunta de investigação durante a tese?
Sim, é comum e aceite refinar a pergunta durante a investigação. Pequenos ajustes são normais à medida que aprofundas a revisão de literatura. Mudanças radicais, contudo, podem atrasar significativamente o trabalho e devem ser discutidas com o orientador.
Onde colocar a pergunta de investigação na tese?
A pergunta de investigação aparece tipicamente no final da introdução, após a contextualização do tema e antes da apresentação dos objetivos e estrutura do trabalho. Algumas universidades portuguesas pedem também uma secção dedicada no capítulo metodológico.
Próximos Passos: Da Pergunta à Tese Aprovada
Chegaste ao fim deste guia — mas o teu trabalho está apenas a começar.
Tens agora as ferramentas para formular uma pergunta de investigação que impressiona orientadores. Os 9 segredos. O template dos 5 passos. Os erros a evitar. A lógica de alinhamento com objetivos.
A questão é: vais aplicar isto hoje, ou vais guardar este artigo nos favoritos e esquecer-te dele?
Aqui está o meu desafio: nos próximos 30 minutos, aplica o template. Escreve a tua primeira versão da pergunta. Não precisa de ser perfeita — precisa de existir.
E se quiseres feedback especializado sobre a tua pergunta? Se quiseres ter a certeza de que está pronta antes de apresentar ao orientador?
A Tesify ajuda estudantes portugueses a dominar cada etapa da tese — da pergunta de investigação à defesa final. Mais de 500 estudantes já aprovaram com a nossa ajuda.
Beta gratuita disponível por tempo limitado.
Boa sorte com a tua investigação. E lembra-te: a pergunta perfeita não nasce — constrói-se. Passo a passo. Palavra a palavra.
Agora vai lá criar a tua.




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