Vou ser honesto contigo: nos últimos 18 meses, o número de estudantes reprovados por uso inadequado de inteligência artificial em teses académicas disparou mais de 400% nas principais universidades europeias. O mais assustador? A maioria nem sequer sabia que estava a cometer um erro.
Lembro-me perfeitamente do João, um estudante de mestrado em Gestão que conheci numa conferência em Lisboa. Tinha passado dois anos a desenvolver a sua dissertação. Estava orgulhoso. Usou o ChatGPT para “polir” alguns parágrafos e gerar referências bibliográficas. Parecia inofensivo, certo?
Três semanas depois, recebeu a notificação: trabalho anulado por falta de integridade académica. Dois anos de trabalho. Evaporados.

A verdade é que a inteligência artificial na elaboração de teses académicas tornou-se uma faca de dois gumes. Por um lado, temos ferramentas incrivelmente poderosas ao nosso alcance. Por outro, o desconhecimento sobre como usá-las está a destruir carreiras académicas antes mesmo de começarem.
⚠️ Os 7 Erros Fatais no Uso de IA para Teses:
- Copiar texto gerado sem adaptação
- Não declarar o uso de IA
- Confiar em referências inventadas
- Ignorar políticas institucionais
- Expor dados sensíveis nos prompts
- Depender excessivamente da ferramenta
- Tentar burlar detectores de IA
A diferença entre usar IA como ferramenta versus usá-la como “ghost writer” é exatamente o que separa uma tese brilhante de uma catástrofe académica.
Neste artigo, não vais encontrar conversa vazia ou teorias abstratas. Vais descobrir exatamente o que está a fazer estudantes perderem anos de trabalho, porque é que as universidades estão tão vigilantes, e — mais importante — como podes usar a inteligência artificial de forma ética, eficaz e segura para potenciar a tua tese.
💡 Para uma visão completa sobre o que realmente funciona com IA em teses, recomendo também: IA Para Escrever Tese: 7 Verdades Que Ninguém Conta
O Que as Universidades Realmente Dizem Sobre IA na Elaboração de Teses
Antes de mergulharmos nos erros fatais, precisamos entender o contexto. Porque, acredita, o que pensas que sabes sobre as regras pode estar completamente desatualizado.

Em setembro de 2023, a UNESCO lançou um documento que deveria ser leitura obrigatória para qualquer estudante universitário: o “Guidance for generative AI in education and research”. Este guia estabelece princípios fundamentais que estão a moldar as políticas de universidades em todo o mundo.
Os três pilares centrais são claros: transparência, validação humana e salvaguardas de privacidade. Em linguagem simples? Tens de dizer que usaste, tens de verificar tudo o que a IA gera, e nunca — repito, nunca — deves partilhar dados sensíveis.
📚 Recurso Oficial: Consulta o documento completo da UNESCO: UNESCO — Guidance for generative AI in education and research
Se estás a pensar em publicar a tua tese ou partes dela em revistas científicas, presta muita atenção. A Elsevier, uma das maiores editoras científicas do mundo, atualizou a sua política em outubro de 2025 com requisitos muito específicos:
- Obrigatoriedade de declaração: Qualquer uso de IA generativa deve ser explicitamente declarado
- IA não pode ser autora: Ferramentas como ChatGPT nunca podem ser listadas como co-autores
- Responsabilidade total: O autor humano é responsável por TUDO — incluindo erros gerados pela IA
- Confidencialidade: Cuidado redobrado com propriedade intelectual e dados de investigação
⚠️ Política Oficial Elsevier: “Authors must disclose the use of generative AI…” — Lê a política completa: Elsevier AI Policy
| Permitido ✅ | Proibido ❌ |
|---|---|
| Usar IA para brainstorming | Copiar texto sem adaptação |
| Revisão gramatical assistida | Não declarar uso de IA |
| Tradução com supervisão | Apresentar texto de IA como próprio |
| Organização de ideias | Usar IA para gerar conclusões originais |
A regra de ouro? Quando tiveres dúvidas, declara e pergunta. É sempre melhor ser transparente do que correr riscos desnecessários.
Os 7 Erros Fatais no Uso de IA na Elaboração de Teses
Chegámos ao coração deste artigo. Cada um destes erros já destruiu dezenas — se não centenas — de teses. O mais frustrante é que são completamente evitáveis.
Erro #1 — Copiar Texto Gerado Pela IA Sem Qualquer Adaptação
Este é, de longe, o erro mais comum. Quando copias texto diretamente do ChatGPT ou de qualquer outra ferramenta de IA, estás a produzir algo com características muito específicas: frases genéricas, estrutura previsível, e uma “perfeição artificial” que soa estranha.
É como comer num restaurante cinco estrelas onde tudo sabe a… nada. Tecnicamente perfeito, mas sem alma.
Detectores como Turnitin identificam padrões de escrita de IA com precisão crescente. Professores experientes reconhecem texto “artificial” em segundos. O texto gerado geralmente não se conecta com o resto da tua tese, criando dissonâncias óbvias.
A Solução: Usa a IA como ponto de partida, nunca como produto final. Pede-lhe que te dê ideias, estruturas, ou até um primeiro rascunho. Depois, reescreve completamente com a tua voz. Integra o teu conhecimento específico. Adiciona exemplos do teu campo de estudo.
🔗 Aprende o processo completo em: Como Usar IA Para Escrever Tese Sem Plágio | Guia 2025
Erro #2 — Não Declarar o Uso de Ferramentas de IA
Aqui está uma verdade desconfortável: a omissão é considerada tão grave quanto o plágio em muitas instituições.
Muitos estudantes pensam “se não copiei diretamente, não preciso de dizer nada”. Erro. As universidades estão a implementar políticas que exigem transparência total sobre qualquer uso de IA no processo de escrita. Consequências podem ser equiparadas a plágio, e processos disciplinares podem resultar em expulsão.
A Solução: Inclui sempre uma declaração específica na secção de metodologia:
"Neste trabalho, utilizou-se o ChatGPT (versão 4.0) como ferramenta auxiliar para brainstorming inicial e revisão gramatical. Todo o conteúdo foi posteriormente verificado, editado e validado pelo autor. As referências bibliográficas foram obtidas exclusivamente de fontes primárias verificadas."
Erro #3 — Confiar em Referências Bibliográficas Geradas Pela IA
Este erro é particularmente traiçoeiro. A IA dá-te referências formatadas perfeitamente, com DOIs e tudo. O problema? Muitas delas simplesmente não existem.
A IA sofre de “alucinações bibliográficas” — inventa referências que parecem credíveis mas são completamente fictícias. Autores inexistentes, artigos nunca publicados, DOIs que levam a lugar nenhum.
Imagina a cena: estás na defesa da tese, um membro do júri pergunta sobre aquela referência crucial do “Smith et al., 2022” que suporta o teu argumento principal… e tu descobres, nesse momento, que o artigo nunca existiu.
A Solução: Estabelece uma regra inviolável: NUNCA uses referências diretamente da IA. Vai sempre às bases de dados oficiais (Google Scholar, Scopus, Web of Science) confirmar cada fonte.
🛠️ Ferramenta Recomendada: O Ibict disponibiliza um tutorial completo e gratuito: Tutorial Zotero para Referências Bibliográficas
Erro #4 — Ignorar as Políticas Institucionais Sobre IA
“Não sabia que não podia” é provavelmente a frase mais comum entre estudantes que enfrentam processos disciplinares. Também é a menos eficaz como defesa.
Cada universidade tem regras diferentes. Algumas permitem uso limitado de IA com declaração. Outras proíbem completamente. Muitas estão a atualizar as suas políticas em tempo real — o que era permitido há seis meses pode já não ser.
A Solução: Consulta os regulamentos atualizados da tua instituição. Fala diretamente com o teu orientador. Quando em dúvida, declara e pergunta antes de usar. Documenta todas as comunicações sobre este tema.
Erro #5 — Expor Dados Sensíveis ou Confidenciais nos Prompts
Este é o erro que menos estudantes conhecem — e potencialmente o mais grave em termos de consequências legais.
Quando inserires dados no ChatGPT ou ferramentas similares, esses dados são enviados para servidores externos. Isso inclui dados de investigação, informações de participantes de estudos, ou propriedade intelectual ainda não publicada. Pensa nisso como colocar os teus documentos confidenciais num café público.
Violação direta de protocolos de ética em investigação. Possível violação do RGPD com multas pesadas. Comprometimento de patentes ou descobertas antes da publicação.
A Solução: Nunca insiras dados brutos de investigação em ferramentas de IA online. Usa versões anonimizadas quando precisares de ajuda. Consulta sempre o comité de ética da tua instituição.

Erro #6 — Depender Excessivamente da IA e Perder o Domínio do Conteúdo
Aqui está o cenário de pesadelo que já vi acontecer demasiadas vezes: estudante entrega uma tese tecnicamente competente. Chega à defesa. O júri faz uma pergunta simples sobre a metodologia. Silêncio total.
Quando deixas a IA fazer o trabalho pesado, perdes algo fundamental: o entendimento profundo do teu próprio trabalho. Isso torna-se dolorosamente óbvio no momento da defesa.
A Solução: A IA deve ser a tua assistente, nunca a tua substituta. Para cada secção da tese, estuda profundamente o conteúdo. Garante que consegues explicar TUDO sem consultar qualquer material. Pratica responder a perguntas críticas. Faz simulações de defesa com colegas.
🔗 Este erro é explorado em profundidade em: 7 Erros Fatais ao Usar IA na Tese – Evite Reprovação 2025
Erro #7 — Tentar Burlar Detectores de IA com Técnicas de “Humanização”
Vou ser direto: se estás a pesquisar “como enganar Turnitin” ou “bypass AI detection”, estás a jogar um jogo que não podes vencer.
Existem dezenas de ferramentas que prometem “humanizar” texto de IA para escapar aos detectores. O que não te dizem é que os detectores estão em evolução constante, as técnicas de “bypass” frequentemente criam texto incoerente, e muitas universidades usam múltiplos sistemas de deteção em simultâneo.
Tentar burlar sistemas é considerado fraude intencional — muito mais grave que uso inadvertido. As penalidades são significativamente agravadas.
📊 Entende o Detector: O Turnitin explica como funciona o seu sistema: AI Writing Detection – Turnitin Guide
A Solução: A única forma verdadeiramente segura é criar conteúdo genuíno. Usa a IA como ferramenta de suporte, mas o pensamento original tem de ser teu. Foca na originalidade das tuas ideias, não em técnicas de camuflagem.
A Abordagem Inteligente: Como Usar IA de Forma Ética e Eficaz
Depois de tantos “nãos”, vamos falar do que podes e deves fazer. Usado corretamente, a inteligência artificial pode genuinamente acelerar e melhorar o teu trabalho académico.

Framework 3Vs para Uso Ético de IA em Teses:
- Verificar — Toda informação gerada deve ser confirmada em fontes primárias
- Validar — Cada output deve passar pelo crivo do teu conhecimento especializado
- Voz Própria — Todo texto final deve refletir a tua perspetiva única
Pensa nisto como um filtro triplo. Nenhum conteúdo de IA chega à tua tese sem passar pelos três estágios.
| Fase da Tese | Uso Apropriado ✅ | Uso Inadequado ❌ |
|---|---|---|
| Pesquisa inicial | Brainstorming de tópicos, identificar lacunas | Gerar revisão de literatura completa |
| Escrita | Correção gramatical, sugestões de fluidez | Criar parágrafos inteiros |
| Análise | Explicação de conceitos estatísticos | Interpretar os teus dados |
| Revisão final | Verificar consistência e formatação | Reescrever secções inteiras |
A inteligência artificial pode ser a tua melhor aliada ou a tua pior inimiga na jornada académica. A diferença está na forma como a utilizas.
Lembra-te: a tua tese é uma demonstração do TEU conhecimento, da TUA capacidade de investigação, do TEU pensamento crítico. A IA pode ajudar-te a organizar ideias, polir a escrita e acelerar processos mecânicos. Mas o brilho intelectual? Esse tem de vir de ti.
Os estudantes que prosperam são aqueles que encaram a IA como uma ferramenta poderosa que amplifica as suas capacidades — não como um atalho para evitar o trabalho duro que uma tese exige.
🎯 Próximo Passo: Antes de usares qualquer ferramenta de IA na tua tese, verifica as políticas da tua instituição. Fala com o teu orientador. E aplica sempre o Framework 3Vs. O teu futuro académico agradece.




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