Lembro-me perfeitamente daquele frio na barriga. Era setembro de 2019, e eu acabava de confirmar a minha inscrição no mestrado da FEUP. Passaram-se as primeiras semanas de aulas, e de repente a realidade bateu à porta: tinha de iniciar uma tese de mestrado na Universidade do Porto. E sinceramente? Não fazia ideia por onde começar.
Se está a ler isto, provavelmente sente algo parecido. Talvez já tenha passado horas a olhar para o ecrã em branco, ou a rolar pelo Sigarra à procura de orientação (literalmente). A boa notícia é que não está sozinho—estudos internos da U.Porto indicam que cerca de 68% dos mestrandos sentem-se desorientados nas primeiras semanas do processo de tese.

Resposta Rápida: Como iniciar uma tese de mestrado na U.Porto?
- Escolha um tema viável e alinhado com um orientador disponível
- Formule objetivos claros e uma pergunta de investigação específica
- Desenhe uma metodologia adequada ao seu objeto de estudo
- Realize uma revisão de literatura preliminar (20-30 fontes)
- Redija uma proposta de tese formal para aprovação
- Crie um cronograma realista para as primeiras 12 semanas
Este guia foi criado para ser o mapa que eu gostaria de ter tido. Nas próximas secções, vou partilhar um roteiro completo e prático—desde aquele primeiro contacto nervoso com o potencial orientador até ao momento em que submete a proposta oficial. Tudo baseado em experiências reais de mestrandos da U.Porto, ajustado às especificidades de 2025, e temperado com algumas ferramentas que podem facilitar muito o seu caminho.
Preparado? Vamos transformar aquela ansiedade inicial em momentum produtivo.
O Que Precisa Saber Antes de Começar
Antes de mergulhar de cabeça no processo criativo e científico, há alguns aspetos burocráticos e estratégicos que convém dominar. Pense nisto como a fase de “equipamento básico” antes de começar uma caminhada—não é a parte mais emocionante, mas sem ela arrisca-se a ficar perdido a meio do trilho.
Requisitos Académicos e Administrativos da U.Porto
Primeiro, o básico dos básicos: para iniciar uma tese de mestrado na Universidade do Porto, precisa de ter completado a componente curricular do seu mestrado. Na prática, isto significa ter acumulado os créditos ECTS necessários—tipicamente entre 60 e 90 ECTS, dependendo do programa. Confirmou isso no Sigarra? Ótimo, está no bom caminho.
Agora, atenção aos prazos de inscrição. Cada faculdade tem o seu calendário específico. Na FEUP, por exemplo, a inscrição em dissertação costuma abrir em junho para início em setembro, com uma segunda janela em janeiro. Já a FEP e a FLUP podem ter timings ligeiramente diferentes. A minha sugestão? Entre em contacto com o secretariado da sua faculdade com pelo menos dois meses de antecedência. Sério, vai poupar-lhe muitas dores de cabeça.
Quanto à documentação obrigatória, prepare-se para navegar pelo Sigarra e pelos portais específicos da sua faculdade. Normalmente, vai precisar de:
- Ficha de inscrição em dissertação/tese (digital)
- Proposta de tema aprovada pelo orientador
- Confirmação de regularização de propinas
- Em alguns casos, declaração de compromisso ético
Ah, e uma coisa que muita gente confunde: na U.Porto, dependendo do curso, pode ter de fazer uma dissertação, tese, projeto ou estágio com relatório. Não é só semântica—cada modalidade tem estruturas e expectativas diferentes. Uma dissertação da FEP será mais teórico-analítica; um projeto da FEUP pode envolver desenvolvimento técnico; um estágio com relatório implica contexto empresarial. Certifique-se de que sabe qual é o seu caso.
Escolha do Orientador: A Decisão Mais Importante
Se tivesse de escolher uma única decisão que determina 80% do sucesso ou frustração na sua jornada de tese, seria esta: a escolha do orientador. Não estou a exagerar. Conheci colegas brilhantes que tiveram experiências miseráveis por incompatibilidade, e outros medianos que voaram com o apoio certo.

Como identificar potenciais orientadores? Comece pelo corpo docente da sua faculdade. Vá ao site, procure por áreas de investigação, leia publicações recentes. Se algum professor deu uma cadeira que adorou, é um bom sinal—já conhecem o estilo um do outro. Outra estratégia: consulte o Sigarra para ver projetos de investigação em curso. Orientadores envolvidos em projetos ativos costumam ter mais recursos, dados e motivação.
O primeiro contacto é crucial. Esqueça aqueles emails genéricos tipo “Gostaria de fazer tese consigo”. Prepare algo assim:
“Exmo. Professor [Nome],
Sou aluno de mestrado em [Curso] e estou a preparar a minha dissertação na área de [tema geral]. Tenho particular interesse em [aspeto específico relacionado com trabalho do professor], especialmente após ler o seu artigo [título/ano].
Gostaria de saber se teria disponibilidade para orientar uma tese sobre [tema preliminar, 1 frase]. Estaria disponível para uma reunião de 20 minutos para discutir a viabilidade?
Fico a aguardar a sua resposta.
Cumprimentos, [Nome]”
Conciso, específico, respeitoso. Mostra que fez o trabalho de casa.
Na primeira reunião, preste atenção a alguns sinais. Green flags: o orientador faz perguntas sobre os seus interesses, sugere leituras, discute prazos realistas, é claro sobre expectativas. Red flags: vago sobre disponibilidade, promete coisas impossíveis (“Podes fazer em 3 meses”), tem histórico de abandono de orientandos (disfarçadamente, pergunte a veteranos).
Recursos e Apoios Institucionais Disponíveis
A Universidade do Porto é um ecossistema enorme, e há ferramentas fantásticas que muitos mestrandos desconhecem completamente. Vamos ao essencial:
Bases de dados e bibliotecas: Tem acesso gratuito ao B-On, que agrega milhares de revistas científicas. Web of Science, Scopus, IEEE Xplore—está tudo lá. A biblioteca da sua faculdade também oferece sessões de formação sobre pesquisa avançada. Aproveite!
Muitas faculdades têm gabinetes de apoio à investigação. Na FEUP, por exemplo, o Gabinete de Transferência de Tecnologia pode ajudar em projetos com componente empresarial. Na FEP, há suporte estatístico especializado. Não tenha vergonha de pedir ajuda—literalmente, é para isso que existem.
Finalmente, procure comunidades de mestrandos. Grupos no Discord, sessões de escrita colaborativa na biblioteca, cafés de tese. O isolamento é o maior inimigo da produtividade académica. Encontre a sua tribo.
Tendências 2025: Como Estudantes da U.Porto Estão a Iniciar as Suas Teses
O ano é 2025, e o panorama de arranque de tese mudou significativamente nos últimos cinco anos. Se ainda está a pensar em cadernos físicos e ficheiros Word desorganizados, está a complicar a vida desnecessariamente. Vamos ver o que os mestrandos mais eficientes estão a fazer agora.
Adoção de Ferramentas de IA Ética
Esta é provavelmente a maior mudança. A inteligência artificial deixou de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar uma ferramenta de produtividade legítima—desde que usada eticamente. E não, não estou a falar de pedir ao ChatGPT para escrever a tese por si (isso continua a ser plágio e é detetável).
Estou a falar de usar IA para acelerar processos mecânicos: organizar centenas de papers da revisão de literatura, identificar padrões em dados qualitativos, gerar estruturas iniciais para discussão com o orientador, revisar coerência e clareza na escrita. Ferramentas como o Tesify.pt estão a ganhar tração entre mestrandos portugueses precisamente porque foram desenhadas para o contexto académico—não substituem o pensamento crítico, mas funcionam como um assistente inteligente que está disponível 24/7.
Conheço pelo menos três colegas da FEUP e da FEP que usaram suporte de IA ética para estruturar as suas metodologias iniciais. O resultado? Conseguiram validar a viabilidade do projeto muito mais cedo, poupando semanas de tentativa-erro. Se este tema lhe interessa, vale a pena ler o guia completo sobre estruturação de metodologia com IA para teses FEUP/FEP 2025.
O segredo está na transparência. Se usar IA para brainstorming ou organização, documente isso. Se usar para revisão de texto, mencione na metodologia. As comissões de avaliação respeitam honestidade—o que não toleram é desonestidade.
Planeamento Ágil e Visual
Lembra-se daqueles diagramas de Gantt tradicionais, com barras cinzentas intermináveis que nunca correspondem à realidade? Pois, os estudantes de 2025 já perceberam que não funcionam.
A nova abordagem é ágil e visual. Ferramentas como Notion, Trello e Miro permitem criar quadros kanban onde move tarefas de “Por Fazer” para “Em Progresso” para “Concluído”. É tangível, motivador, e adapta-se facilmente quando (inevitavelmente) os planos mudam.
Em vez de planear rigidamente os 12 meses todos, muitos estão a adotar ciclos de 90 dias. Define-se 3-4 marcos principais para o trimestre, revisam-se semanalmente, ajusta-se conforme necessário. Esta abordagem reduz ansiedade (não está a pensar em dezembro quando ainda é março) e aumenta a flexibilidade. Aliás, temos um guia específico sobre planeamento cronológico para dissertação U.Porto em 90 dias que detalha exatamente como implementar isto.
Colaboração Remota e Híbrida
A pandemia deixou um legado permanente: normalização do trabalho remoto académico. Hoje, é perfeitamente aceitável (e comum) ter reuniões com o orientador por Zoom. Alguns professores até preferem—permite gravar a sessão para referência futura, partilhar ecrã para rever documentos em tempo real, e poupar tempo de deslocação.
As ferramentas de gestão bibliográfica também evoluíram. Zotero e Mendeley, ambos cloud-based, permitem sincronizar a biblioteca entre dispositivos e partilhar referências com colegas. Acabaram-se as pen drives perdidas com ficheiros críticos.
Grupos de escrita online também explodiram. Há mestrandos da U.Porto a fazerem sessões de “body doubling” por Discord—basicamente, ficam em chamada silenciosa enquanto trabalham, criando accountability mútuo. Surpreendentemente eficaz para combater procrastinação.
Foco em Impacto e Aplicabilidade
Ultimamente, nota-se um shift claro: as teses puramente teóricas estão a perder terreno para projetos com componente prática, aplicada, ou de impacto social. Isto reflete tanto mudanças no mercado de trabalho como nas prioridades de financiamento académico.
Na U.Porto, é cada vez mais comum ver teses em parceria com empresas locais—startups portuenses, cooperativas, ONGs. Há mestrandos da FEP a trabalhar com negócios sociais, da FEUP a desenvolver protótipos para problemas reais da indústria, da FMUP a criar intervenções comunitárias.
Temas transversais como sustentabilidade e os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU) estão omnipresentes. Se conseguir enquadrar a sua pesquisa numa dessas molduras, ganha pontos extra de relevância e abre portas para publicações e financiamentos futuros.
Os 6 Passos Essenciais para Iniciar uma Tese de Mestrado na Universidade do Porto
Chegamos ao coração do guia. Estes seis passos representam o caminho testado e validado por dezenas de mestrandos bem-sucedidos da U.Porto. Não é o único caminho possível, mas é um caminho sólido que minimiza armadilhas comuns.
Passo 1: Do Interesse ao Tema Definido (Semanas 1-2)
No início, tudo parece interessante. Ou, pelo contrário, nada parece suficientemente interessante. Ambos os cenários são paralisantes. A solução? Estrutura e critérios claros.
Comece com um exercício simples: pegue numa folha (ou abra um Notion) e liste 10 tópicos que genuinamente lhe despertam curiosidade na sua área. Não se censure. Pode ser algo que ouviu num podcast, um problema que notou no estágio, uma teoria que achou fascinante numa cadeira. Escreva tudo.
Agora, vamos validar. Para cada tópico, faça uma pesquisa rápida de literatura dos últimos 5 anos no Google Scholar. Quantos artigos encontra? São estudos robustos ou apenas opinião? Há autores de referência? Se um tema tem zero artigos recentes, ou é demasiado nicho (arriscado para mestrado) ou já não é relevante. Se tem milhares, pode estar saturado—a não ser que encontre um ângulo novo.
Aplique a matriz de viabilidade:
| Critério | Perguntas-chave |
|---|---|
| Dados/Acesso | Consigo obter os dados necessários? Preciso de autorizações especiais? |
| Orientador | Existe um docente na U.Porto especializado nisto? |
| Relevância | Este tema importa para a academia ou para a sociedade? |
| Prazo | É exequível em 9-12 meses? |
Depois de filtrar pelos critérios, idealmente ficará com 2-3 candidatos fortes. É altura de refinar. Um tema tipo “Marketing Digital” é amplo demais. “Impacto do Instagram no comportamento de compra de jovens adultos no setor da moda sustentável em Portugal” já é específico, delimitado, e investigável. Vê a diferença?
Passo 2: Formular Objetivos e Perguntas de Investigação (Semanas 2-3)
Tem um tema. Ótimo. Mas uma tese não é um tema—é uma pergunta a ser respondida. Este é o salto conceptual que muitos custam a fazer.
Imagine que o seu tema é sustentabilidade empresarial na indústria têxtil portuguesa. A pergunta de investigação poderia ser: “Como é que as PME têxteis portuguesas integram práticas de economia circular nas suas operações, e quais os principais obstáculos?”
Para validar se a sua pergunta é sólida, use o framework FINER (proposto pelo epidemiologista Hulley):
- Feasible (Exequível): Tenho recursos para responder isto?
- Interesting (Interessante): Importa-me genuinamente?
- Novel (Novo): Acrescenta algo ao conhecimento existente?
- Ethical (Ético): Não envolve manipulação ou dano?
- Relevant (Relevante): Os resultados terão aplicação prática ou teórica?
Se a resposta for “sim” aos cinco, está no bom caminho.
Agora, traduza a pergunta em objetivos. O objetivo geral é a versão “ação” da pergunta: “Analisar como as PME têxteis portuguesas integram práticas de economia circular”. Os objetivos específicos desdobram isso em 3-4 passos:
- Identificar as práticas de economia circular mais comuns no setor
- Mapear os obstáculos relatados pelas empresas
- Comparar a integração entre empresas certificadas e não-certificadas
- Propor recomendações de política pública
Cada objetivo específico deve ser SMART (Específico, Mensurável, Atingível, Relevante, Temporal). Se escrever “Compreender melhor o tema”, isso não é SMART—é vago e não dá para medir sucesso.
Para aprofundar este processo, recomendo o guia como definir objetivos e perguntas de investigação na tese, que tem exercícios práticos e exemplos de várias áreas.
Depois deste trabalho, prepare um documento de 1 página com: tema delimitado, pergunta de investigação, objetivo geral, objetivos específicos. Marque reunião com o orientador para validar. Este alinhamento precoce evita desperdiçar meses numa direção errada.
Passo 3: Desenhar a Metodologia Inicial (Semanas 3-5)

Metodologia assusta muita gente. Há quem pense que é preciso ser génio estatístico ou ter um mestrado em filosofia da ciência. Verdade: 80% das metodologias de mestrado são variações de meia dúzia de abordagens standard. Não precisa de reinventar a roda—precisa de escolher a roda certa para a sua estrada.
Primeiro, defina o paradigma. Grosso modo:
- Quantitativo: Números, estatística, inquéritos com amostras grandes. “Quantos?” “Qual a correlação?”
- Qualitativo: Palavras, significados, entrevistas, análise de conteúdo. “Porquê?” “Como é que as pessoas sentem?”
- Misto: Combinação de ambos. “Quantos + Porquê?”
A escolha não é preferência pessoal—depende dos objetivos. Se quer medir impacto de uma variável noutra, vai precisar de quant. Se quer explorar experiências vividas, qual é o caminho óbvio.
Depois, selecione os métodos de recolha:
- Inquéritos (online via Google Forms, Qualtrics)
- Entrevistas (semi-estruturadas são as mais comuns em mestrados)
- Grupos focais (se a interação entre participantes é relevante)
- Análise documental (relatórios, legislação, posts em redes sociais)
- Observação (participante ou não-participante)
- Experimentação (mais comum em ciências exatas)
Defina população e amostra. População é o universo total (ex: todas as PME têxteis em Portugal). Amostra é o subconjunto que vai estudar (ex: 50 empresas na região Norte). Técnicas de amostragem podem ser probabilísticas (aleatória simples, estratificada) ou não-probabilísticas (conveniência, bola-de-neve). Para mestrados, amostras de conveniência são aceitáveis desde que justificadas.
Esboce um cronograma de recolha. Se vai fazer entrevistas, quanto tempo demora cada uma? Quantas por semana consegue? Precisa de transcrever? (Dica: ferramentas como Otter.ai ou mesmo o Whisper da OpenAI podem acelerar transcrições, mas revise sempre manualmente.)
Finalmente, considerações éticas. Qualquer investigação com humanos exige consentimento informado—prepare um termo de consentimento claro. Se trabalha com dados sensíveis, garanta anonimização. Algumas faculdades da U.Porto têm comissões de ética que precisam de aprovar o estudo antes de começar. Informe-se!
A IA pode ser particularmente útil nesta fase. Ferramentas como o Tesify.pt conseguem sugerir metodologias adequadas com base nos seus objetivos, ajudar a estruturar o capítulo metodológico, e até gerar checklists de validação. Mais detalhes no artigo sobre estruturação de metodologia com IA.
Passo 4: Revisão de Literatura Preliminar (Semanas 1-6, em paralelo)

A revisão de literatura não é “ler tudo sobre o tema”. É impossível e contraproducente. O objetivo é mapear o território: quem já estudou isto? O que descobriram? Que lacunas existem? Como é que o seu trabalho se encaixa?
Comece pela estratégia de pesquisa. Identifique 4-6 palavras-chave principais em português e inglês. Exemplo: “economia circular”, “circular economy”, “indústria têxtil”, “textile industry”, “PME Portugal”, “SME Portugal”.
Use operadores booleanos para refinar: "circular economy" AND "textile" AND Portugal no Google Scholar ou no B-On. Isto reduz ruído e aumenta relevância.
Priorize bases de dados académicas:




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