Imagina a seguinte cena: passaste 18 meses a desenvolver a tua tese de mestrado. Noites sem dormir, centenas de artigos lidos, dezenas de capítulos reescritos. Finalmente, entregas o trabalho com um suspiro de alívio.
Duas semanas depois, recebes um email do orientador com o assunto: “Urgente: Irregularidades detetadas — possível plágio”.
O teu coração dispara. Abres o documento anexo e vês secções inteiras marcadas a vermelho. Não copiaste nada conscientemente. Mas o relatório do Turnitin mostra 37% de similaridade, e boa parte dessas marcações são paráfrases que fizeste — ou que pensavas ter feito corretamente.

Este cenário não é ficção. É uma realidade que afeta milhares de estudantes todos os anos em Portugal e no Brasil. Segundo dados de universidades europeias compilados pelo sistema Turnitin, cerca de 40% das acusações de plágio em teses de pós-graduação estão relacionadas com erros de paráfrase — e não com cópia direta de textos.
A maioria dos estudantes não sabe que está a cometer erros de paráfrase até ser demasiado tarde. E quando descobrem, o prejuízo académico já está feito.
Mas aqui está a boa notícia: estes erros são completamente evitáveis. Neste guia, vais descobrir exatamente quais são os 7 erros de paráfrase mais comuns que levam à reprovação, como os detectores de plágio modernos identificam estas falhas, e como usar ferramentas de paráfrase para elaboração de teses académicas de forma segura e ética.
Preparado para proteger meses (ou anos) do teu trabalho académico? Continua a ler.
📘 Se já queres explorar ferramentas específicas, consulta o nosso Guia de Ferramentas de Paráfrase para Teses Acadêmicas 2025.
O Que É Paráfrase Académica e Por Que Tantos Estudantes Erram?
Antes de mergulharmos nos erros específicos, precisamos esclarecer algo que parece básico mas que gera confusão generalizada: o que é, afinal, uma paráfrase académica correta?
Paráfrase não é simplesmente “dizer a mesma coisa com outras palavras”. Se fosse assim tão simples, não teríamos epidemias de reprovações. A verdadeira paráfrase académica exige três elementos simultâneos:
- Reformulação completa — estrutura frasal, vocabulário e organização das ideias devem ser genuinamente tuas
- Preservação do sentido — a ideia original do autor deve manter-se intacta
- Atribuição da fonte — mesmo reformulando, tens de citar quem teve a ideia primeiro
Falhar em qualquer um destes três elementos pode resultar em acusação de plágio. E é precisamente aqui que a maioria dos estudantes tropeça.

Vamos tornar isto concreto. Observa a diferença entre citação direta, paráfrase correta e paráfrase problemática:
| Tipo | Exemplo | Avaliação |
|---|---|---|
| Texto Original | “A inteligência artificial está a transformar radicalmente os métodos de investigação científica contemporânea.” | — |
| Citação Direta | Segundo Silva (2024, p. 45), “a inteligência artificial está a transformar radicalmente os métodos de investigação científica contemporânea.” | ✅ Correto |
| Paráfrase Correta | Os processos de pesquisa atuais têm sido profundamente modificados pelo avanço das tecnologias de IA (Silva, 2024). | ✅ Correto |
| Paráfrase Problemática | A IA está a alterar drasticamente as metodologias de investigação científica atual. | ❌ Plágio (sem citação + estrutura similar) |
Repara como a paráfrase problemática mantém a mesma estrutura frasal do original e simplesmente troca algumas palavras por sinónimos. Além disso, não cita a fonte. Este é exatamente o tipo de erro que os detectores identificam — e que reprova estudantes.
Para aprofundar a diferença entre citação direta e indireta nas normas ABNT, recomendo a leitura do artigo Citação direta e citação indireta: como fazer? do Brasil Escola.
Se preferes uma explicação visual sobre os fundamentos da paráfrase, a videoaula da Conexão Escola aborda os conceitos essenciais de forma acessível.
Os 7 Erros de Paráfrase Que Destroem Teses
Depois de analisar centenas de casos de acusações de plágio em contexto académico, identifiquei um padrão claro. Os mesmos sete erros aparecem repetidamente — e a maioria dos estudantes comete pelo menos dois ou três deles sem sequer perceber.

Os 7 erros que mais reprovam estudantes:
- Substituição simples de sinónimos
- Manutenção da estrutura frasal original
- Omissão da referência bibliográfica
- Patchwriting (colagem de fragmentos)
- Alteração do sentido original
- Uso excessivo de ferramentas automáticas
- Falta de compreensão do texto-fonte
Erro #1 — Substituição de Sinónimos (O “Word Spinning”)
Este é, de longe, o erro mais comum — e também o mais fácil de detetar. Acontece quando pegas no texto original e simplesmente trocas palavras por sinónimos, mantendo tudo o resto intacto.
Pensa nisto como trocar a roupa de um manequim: continua a ser o mesmo manequim, apenas com roupas diferentes. Os detectores de plágio modernos identificam esta técnica com facilidade porque analisam não só as palavras, mas também os padrões estruturais do texto.
Original: “Os estudantes universitários enfrentam crescentes desafios na gestão do tempo académico.”
Word Spinning (ERRADO): “Os alunos de universidade confrontam aumentantes dificuldades na administração do tempo escolar.”
Paráfrase Correta: “A capacidade de organizar horários de estudo tornou-se uma competência crítica para quem frequenta o ensino superior (Referência, ano).”
O blog do Turnitin explica esta armadilha em detalhe no artigo Exploring the gray area: Understanding paraphrasing & potential path to plagiarism.
Erro #2 — Manutenção da Estrutura Frasal
Este erro é mais subtil. Mesmo quando usas palavras completamente diferentes, se a estrutura da frase for idêntica ao original, estás a cometer um erro de paráfrase.
A solução passa por reconstruir completamente a frase. Muda a voz (ativa para passiva ou vice-versa), altera a ordem dos elementos, divide frases longas ou une frases curtas. O objetivo é que, lendo a tua versão, seja impossível reconhecer a estrutura do original.
Erro #3 — Paráfrase Sem Citação da Fonte
Aqui está um dos equívocos mais perigosos na academia: a ideia de que, se reformulaste o texto com as tuas próprias palavras, já não precisas de citar a fonte. Isto é completamente falso.
A paráfrase é uma forma de citação indireta. Estás a apresentar a ideia de outra pessoa — simplesmente estás a fazê-lo com a tua própria linguagem. A ideia continua a pertencer ao autor original. O FastFormat Blog tem um guia detalhado sobre estas regras.
📘 Para uma abordagem completa sobre prevenção de plágio, consulta o nosso artigo sobre Prevenção de Plágio em Dissertações Académicas.
Erro #4 — Patchwriting (Colagem de Fragmentos)
O patchwriting acontece quando pegas em frases ou expressões de várias fontes diferentes e as “coses” juntas, criando um texto que parece original mas que é, essencialmente, uma colcha de retalhos de textos alheios.
Técnica para evitar: O processo de “digestão” do texto. Antes de escrever, lê várias fontes sobre o tema. Depois, fecha tudo. Espera pelo menos algumas horas. Só então, escreve o que ficou na tua mente — com as tuas próprias palavras e estrutura.
Erro #5 — Alteração do Sentido Original
Na tentativa de reformular completamente um texto, alguns estudantes vão longe demais — e acabam por distorcer o significado do que o autor original quis dizer. Este tipo de erro é especialmente comum quando estudantes usam ferramentas de paráfrase automáticas sem verificar se o sentido foi preservado.
Para entender melhor estes riscos, recomendo o artigo Parafrasear Tese com IA em 2025: A Verdade Oculta.
Erro #6 — Dependência Excessiva de Ferramentas Automáticas
As ferramentas de paráfrase podem ser aliadas valiosas — mas apenas quando usadas corretamente. O problema surge quando estudantes as tratam como substitutas do trabalho intelectual.
Checklist pós-ferramenta:
- ☐ O sentido original está 100% preservado?
- ☐ A estrutura frasal é genuinamente diferente?
- ☐ Incluí a citação da fonte?
- ☐ Compreendo completamente o que escrevi?
- ☐ Conseguiria explicar esta ideia oralmente?
O guia de paráfrase do Scribbr oferece um excelente framework para integrar ferramentas no processo de escrita sem comprometer a integridade académica.
Erro #7 — Parafrasear Sem Compreender
Este é o erro mais fundamental. Quando não compreendes verdadeiramente o que estás a parafrasear, é praticamente impossível criar uma reformulação genuína.
O método correto de paráfrase (validado pela San José State University Library):
- Lê o texto original com atenção total
- Compreende — pergunta a ti próprio: “Qual é a ideia central aqui?”
- Fecha o documento original
- Escreve a ideia com as tuas próprias palavras e estrutura
- Verifica comparando com o original para garantir precisão e originalidade
- Cita sempre a fonte
A Evolução dos Detectores de Plágio — Truques Antigos Já Não Funcionam
Se já ouviste histórias de colegas que “conseguiram passar” nos detectores usando truques como trocar caracteres por símbolos parecidos, tenho más notícias: esses tempos acabaram.

A tecnologia de deteção evoluiu drasticamente nos últimos cinco anos. Os detectores modernos utilizam múltiplas camadas de análise:
Correspondência textual clássica: Comparação direta de sequências de palavras com bases de dados massivas.
Análise estrutural: Identificação de padrões estruturais — mesmo quando as palavras são diferentes, se a estrutura frasal for similar, o sistema sinaliza.
Análise semântica: Compreensão do significado do texto. Duas frases podem ter zero palavras em comum e ainda assim serem identificadas como paráfrase da mesma ideia.
Detecção de “impressão digital” estilística: Análise do estilo de escrita para identificar mudanças bruscas que possam indicar uso de ferramentas de IA.
Com a popularização do ChatGPT, surgiu uma nova categoria: os detectores de conteúdo gerado por IA. Estes sistemas analisam padrões de escrita típicos de modelos de linguagem — como repetição de estruturas e escolhas vocabulares previsíveis.
A conclusão é inevitável: a única solução sustentável é desenvolver competências genuínas de escrita académica. Ferramentas podem auxiliar, mas não podem substituir o teu trabalho intelectual.
Como Usar Ferramentas de Paráfrase de Forma Ética
A questão não é se usas ferramentas, mas como as usas. Pensa nas ferramentas de paráfrase como um dicionário de sinónimos sofisticado — útil para encontrar alternativas de expressão, mas não para fazer o trabalho de pensar por ti.
Usos legítimos:
- Obter sugestões quando estás bloqueado criativamente
- Verificar alternativas de expressão para evitar repetição vocabular
- Confirmar se a tua própria paráfrase está suficientemente original
Usos problemáticos:
- Reescrever automaticamente textos que não compreendeste
- Substituir o processo de leitura e análise crítica
- Gerar grandes volumes de texto parafraseado sem revisão
A tua tese representa meses ou anos de dedicação. Não deixes que erros evitáveis comprometam todo esse esforço. Aplica o que aprendeste aqui, desenvolve as tuas competências de escrita, e entrega um trabalho do qual possas ter orgulho — sem sustos no Turnitin.




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