Doutorando a verificar originalidade da tese de doutoramento com checklist de erros comuns para evitar reprovação em 2025
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5 Erros de Originalidade Que Reprovam Teses em 2025

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5 min de leitura

Imagina isto: passaste quatro, cinco, talvez seis anos a investigar. Noites mal dormidas, centenas de artigos lidos, revisões infindáveis. Chegas ao dia da defesa — e a banca diz que o teu trabalho não demonstra originalidade suficiente.

Parece um pesadelo, não é? Infelizmente, acontece mais vezes do que imaginas.

Em 2025, estima-se que mais de 30% das teses reprovadas ou pedidas para revisão profunda em Portugal falham precisamente por problemas de originalidade — não por erros de metodologia, não por má escrita, mas porque a banca simplesmente não reconhece o contributo novo do trabalho. E o mais frustrante? A maioria destes problemas poderia ter sido evitada com consciência e técnica.

Neste artigo, vais descobrir os 5 erros de originalidade que mais reprovam teses de doutoramento em 2025 — com exemplos concretos, soluções práticas e referências a critérios reais das bancas portuguesas e europeias. Se estás a meio do teu doutoramento ou prestes a submeter, este guia pode literalmente salvar anos do teu trabalho.

Antes de avançarmos, vale a pena teres claro o que é (e não é) originalidade numa tese de doutoramento — porque muitos erros nascem de uma definição errada desde o início.

Vamos a isto?


O Que Conta Como Originalidade em 2025

Antes de falarmos dos erros, precisamos de alinhar expectativas. Existe uma confusão perigosa que ainda circula nos corredores académicos: “originalidade é não ter plágio”.

Errado.

Podes ter uma tese com 0% de similaridade no Turnitin e ainda assim ser reprovado por falta de originalidade. Porquê? Porque originalidade académica não é apenas “texto único” — é a demonstração clara de um contributo novo e relevante ao conhecimento existente.

O que é originalidade em teses de doutoramento?
Originalidade numa tese de doutoramento é a demonstração clara de um contributo novo e relevante ao conhecimento existente. Pode manifestar-se como avanço teórico, metodológico ou aplicado, mas exige sempre que o doutorando explicite o “gap” na literatura e articule como o seu trabalho o preenche.

O primeiro problema surge aqui: muitos doutorandos nunca param para definir que tipo de contributo original estão a fazer. Existem pelo menos três categorias principais:

  • Contributo teórico: propõe um novo modelo, conceito ou framework que avança a compreensão de um fenómeno.
  • Contributo metodológico: desenvolve ou adapta uma abordagem de investigação que permite estudar algo de forma nova ou mais eficaz.
  • Contributo aplicado: gera conhecimento prático ou evidência empírica que informa políticas, práticas ou decisões concretas.
Ilustração mostrando uma estante de livros com uma lacuna visível entre eles, simbolizando o gap na literatura académica
Identificar o gap na literatura é o primeiro passo para demonstrar originalidade

De acordo com o estudo “Como identificar a originalidade num artigo científico ou numa tese de doutoramento?”, publicado na Educar em Revista (UFPR), a originalidade não se resume a novidade — exige relevância, explicitação do contributo e diferenciação clara do estado da arte.

As expectativas também mudaram. Em 2025, as universidades portuguesas e europeias exigem que o doutorando demonstre explicitamente onde está o gap na literatura e como o seu trabalho o preenche. Já não basta “fazer investigação” — tens de comunicar claramente o que há de novo.


Os 5 Erros de Originalidade Que Mais Reprovam Teses

Estes são os erros que surgem repetidamente — e que as bancas identificam em minutos. O mais preocupante? A maioria dos doutorandos só descobre que cometeu estes erros quando já é tarde demais.

Erro #1 – Não Demonstrar Claramente o Gap na Literatura

Este é, de longe, o erro mais comum — e o mais fatal.

O cenário típico: o doutorando faz uma revisão de literatura extensíssima. Cita 150 estudos, organiza tudo por temas, mostra que domina a área. Mas quando a banca pergunta “Então, o que falta saber?”, a resposta é vaga ou inexistente.

O problema: uma revisão de literatura sem identificação clara da lacuna que a tese preenche faz o trabalho parecer “mais do mesmo”. A banca lê páginas e páginas de síntese bibliográfica, mas nunca encontra a frase crucial: “Nenhum estudo até à data abordou X na perspetiva de Y.”

Pensa nisto como construir uma ponte: podes ter os melhores materiais e engenheiros, mas se não mostrares onde está o rio que precisas de atravessar, ninguém entende porque é que a ponte existe.

A solução:

  • Cria uma subsecção explícita chamada “Lacuna e Contributo” no capítulo de revisão de literatura.
  • Formula o gap numa frase clara e direta — algo como: “Apesar da extensa literatura sobre X, permanece por explorar a relação entre Y e Z no contexto português.”
  • Liga essa lacuna diretamente às tuas perguntas de investigação.

Este erro está diretamente ligado à forma como constróis a revisão de literatura. Para uma análise detalhada, consulta os 7 Erros Que Reprovam Teses na Revisão de Literatura.

Erro #2 – Quadro Teórico Que Não Sustenta a Originalidade

Aqui está um erro que parece técnico mas é profundamente conceptual: usar teorias de forma acrítica.

O cenário típico: o capítulo de enquadramento teórico apresenta Bourdieu, Foucault e Giddens (ou qualquer trio de autores da área). Há definições copiadas, citações diretas, resumos de conceitos. Mas quando a banca pergunta “Como é que estes autores se articulam para sustentar a TUA tese?”, o silêncio é ensurdecedor.

Diagrama conceptual mostrando nós interligados que representam um quadro teórico bem articulado
Um quadro teórico eficaz articula conceitos, não os empilha

O problema: a banca percebe que o doutorando não construiu um modelo conceptual próprio — apenas “empilhou autores”. É como fazer uma sopa com ingredientes excelentes, mas sem receita: tens os componentes, mas não tens um prato.

A solução:

  • Cria um modelo conceptual visual (um diagrama, mesmo que simples) que mostre como os conceitos se relacionam no teu estudo específico.
  • Explicita as relações entre conceitos: não basta dizer que usas capital cultural de Bourdieu — tens de explicar como esse conceito informa a tua análise.
  • Justifica as tuas escolhas teóricas face a alternativas: porque usaste esta teoria e não outra?

Para aprofundar este tema, recomendo o artigo Quadro Teórico: 5 Erros Fatais Que Reprovam Teses.

Erro #3 – Confundir Similaridade Textual com Falta de Originalidade

Este erro é particularmente traiçoeiro porque afeta tanto doutorandos como, por vezes, membros da banca menos informados.

O cenário típico: o doutorando recebe o relatório de similaridade do Turnitin com 35% de correspondência. Entra em pânico. Começa a reescrever freneticamente tudo o que pode, incluindo citações legítimas e terminologia técnica obrigatória.

O problema: percentagem alta de similaridade ≠ plágio ou falta de originalidade. Um capítulo metodológico com 35% de correspondência pode ser perfeitamente original se as coincidências forem citações diretas (corretamente atribuídas), referências bibliográficas ou termos técnicos que simplesmente não podem ser escritos de outra forma.

É como dizer que um advogado não é original porque usa “os termos do Código Civil” — há linguagem que é necessariamente partilhada.

Ilustração de um relatório de similaridade com secções destacadas a cores diferentes, representando análise contextualizada
Percentagens de similaridade exigem interpretação, não pânico

A solução:

  • Aprende a interpretar relatórios de similaridade — não olhes apenas para a percentagem total.
  • Usa os filtros de exclusão (citações, bibliografia, pequenas correspondências).
  • Analisa as fontes de coincidência: são tuas publicações anteriores? São definições padrão? São citações bem atribuídas?

A University of Lincoln oferece orientações detalhadas sobre como interpretar relatórios de originalidade — incluindo o que excluir e como analisar fontes de coincidência.

Vídeo: Como interpretar o Relatório de Similaridade (Turnitin)

Para dominar esta competência em profundidade, lê o nosso guia completo sobre Turnitin e Deteção de Plágio em Teses Portugal 2025.

Erro #4 – Autoplágio e Reciclagem de Texto Sem Transparência

Este erro apanha muitos doutorandos desprevenidos porque parece contra-intuitivo: “Como posso plagiar a mim mesmo?”

O cenário típico: o doutorando publica artigos durante o doutoramento (o que é excelente e incentivado). Depois, copia a introdução e metodologia desses artigos para a tese sem qualquer indicação de que são textos reciclados. Afinal, são palavras suas, certo?

O problema: mesmo sendo texto próprio, a falta de disclosure (declaração de reutilização) é considerada má prática académica. A banca pode classificar como falta de originalidade, violação de integridade ou, no mínimo, como sinal de que o doutorando não entende as normas de publicação científica.

O Office of Research Integrity (ORI) dos EUA define autoplágio como a reutilização de trabalho próprio sem citação adequada — uma prática que pode comprometer seriamente a integridade da tese.

A solução:

  • Declara explicitamente todas as reutilizações de texto próprio — no início da tese, pode haver uma nota a indicar quais capítulos derivam de publicações anteriores.
  • Recontextualiza os textos para o novo documento: não copies e coles mecanicamente; adapta, expande, integra.
  • Segue políticas de text recycling como as definidas pelo Council of Science Editors.

Estratégias práticas para evitar este problema estão detalhadas no artigo Prevenção de Plágio em Dissertações Académicas | Guia 2025.

Erro #5 – Replicar Estudos Existentes Sem Justificar o Contributo

Este é um erro subtil mas devastador, especialmente em teses que aplicam metodologias consolidadas a novos contextos.

O cenário típico: o doutorando replica uma pesquisa americana bem conhecida no contexto português. A metodologia está impecável, os dados são sólidos, os resultados são interessantes. Mas quando a banca pergunta “Porque é que esta replicação é necessária?” ou “O que aprendemos de novo com isto?”, a resposta é fraca ou inexistente.

O problema: a banca interpreta o trabalho como um “exercício de aplicação” — válido para um mestrado, talvez, mas insuficiente para um doutoramento. Replicar não é automaticamente contribuir; tens de mostrar porque essa replicação gera conhecimento novo.

É como traduzir um livro: é trabalho valioso, mas não é escrever um livro novo — a menos que mostres que a tradução revela algo que o original não tinha.

A solução:

  • Inclui uma secção de “justificação da replicação contextualizada” — explica porque estudar isto em Portugal (ou noutro contexto) é necessário e relevante.
  • Explicita diferenças metodológicas, culturais ou teóricas que fazem desta replicação algo mais do que um copy-paste geográfico.
  • Antecipa e responde à pergunta fatal: “Porquê este estudo, aqui e agora?”

O Que Está a Mudar na Avaliação de Originalidade

Se pensas que os critérios de originalidade são estáticos, prepara-te para uma surpresa. O panorama está a mudar rapidamente, e os doutorandos que não acompanharem estas tendências vão estar em desvantagem.

Ferramentas de IA na deteção: As bancas e universidades estão cada vez mais atentas ao uso de IA generativa como o ChatGPT. A originalidade já não é apenas “texto único” — agora inclui “autenticidade de pensamento”. Se a tua argumentação parece gerada automaticamente, mesmo que seja tecnicamente original, podes ter problemas.

Transparência como critério: Declarações de contributo, conflito de interesses e reutilização de texto estão a tornar-se obrigatórias em muitas instituições europeias. Já não basta ser original — tens de documentar como és original.

Open Science e reprodutibilidade: A originalidade está a ser avaliada também pela disponibilização de dados e métodos. Não basta ser “novo” — tem de ser verificável. Teses que disponibilizam dados abertos e protocolos reproduzíveis ganham pontos extra.

Interdisciplinaridade valorizada: Teses que cruzam áreas de forma fundamentada têm sido reconhecidas como particularmente originais. Mas atenção: o cruzamento tem de ser justificado metodologicamente, não apenas “interessante”.


Checklist Para Garantir Originalidade Antes da Submissão

Vamos ser práticos. Aqui tens uma checklist que podes (e deves) usar antes de submeter a tua tese. Imprime-a, cola-a na parede, e revê cada ponto com honestidade brutal.

Ilustração de uma checklist com itens verificados, representando a preparação sistemática antes da submissão da tese
Verificação sistemática evita surpresas desagradáveis na defesa

✅ Checklist de Originalidade:

  • ☐ O gap na literatura está explicitamente formulado numa frase clara?
  • ☐ O contributo original está identificado na introdução E nas conclusões?
  • ☐ O quadro teórico articula autores (em vez de apenas listá-los)?
  • ☐ Existe um modelo conceptual próprio (mesmo que simples)?
  • ☐ Todas as reutilizações de texto próprio estão declaradas?
  • ☐ O relatório de similaridade foi analisado com filtros adequados?
  • ☐ As replicações metodológicas estão justificadas contextualmente?
  • ☐ A tese antecipa e responde à pergunta “O que há de novo aqui?”

Dica extra: Pede a alguém de fora da tua área que leia a introdução e conclusões. Se essa pessoa não conseguir dizer em uma frase qual é o teu contributo original, tens trabalho a fazer.


O Futuro da Originalidade Académica em Portugal

Olhando para os próximos anos, aqui está o que espero ver:

2025–2027: A FCT e as principais universidades portuguesas vão provavelmente adotar guidelines mais específicas sobre uso de IA e text recycling. Quem se antecipar a estas normas estará em vantagem.

Avaliação contínua: Modelos de doutoramento com publicações integradas (PhD by publication) vão exigir declarações de contributo ainda mais detalhadas — não basta ter artigos publicados, tens de explicar o que cada um contribui para a tese como um todo.

Formação obrigatória: Algumas instituições já exigem módulos de integridade académica antes da submissão da tese. Esta tendência vai expandir-se — e é uma boa notícia para quem quer fazer as coisas bem.


Não Deixes Anos de Trabalho Escapar

Vamos recapitular. Os 5 erros de originalidade que mais reprovam teses em 2025 são:

  1. Não demonstrar claramente o gap na literatura — a banca não vê onde está a lacuna que justifica a tese.
  2. Quadro teórico acrítico — autores empilhados sem articulação para o teu estudo específico.
  3. Confundir similaridade com falta de originalidade — pânico com percentagens sem análise contextual.
  4. Autoplágio não declarado — reutilização de texto próprio sem transparência.
  5. Replicação sem justificação — aplicar metodologias existentes sem explicar o contributo novo.

A boa notícia? Originalidade não é talento — é técnica documentável. Com consciência destes erros e as estratégias certas, podes garantir que a tua tese não só passa na banca, como se destaca.

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