Sabia que cerca de 30% das teses de mestrado em Portugal são devolvidas na primeira submissão por erros de formatação? Meses de noites mal dormidas, centenas de horas de investigação, e aquela sensação de finalmente ter chegado ao fim… tudo comprometido por uma margem mal configurada ou um sumário que não bate certo.
Provavelmente está a pensar: “Mas eu escrevi uma tese brilhante! O conteúdo é sólido!” E certamente está certo. Mas aqui está a verdade inconveniente que ninguém lhe conta: os júris académicos portugueses são implacáveis com a apresentação formal. Uma tese mal formatada é como aparecer a uma entrevista de emprego de chinelos — por muito competente que seja, a primeira impressão já está arruinada.
A formatação de tese de mestrado não é apenas uma formalidade burocrática. É uma competência crítica que pode significar a diferença entre celebrar a conquista do grau ou enfrentar mais um semestre de correções humilhantes.
Os erros de formatação mais comuns que reprovam mestrandos portugueses incluem: margens incorretas, sumário manual desatualizado, inconsistência nas citações APA/Chicago, numeração de páginas errada, capa fora do padrão institucional, e ficheiros em formato não aceite para depósito no RCAAP.
Neste guia, vou revelar-lhe os 12 erros de formatação que mais reprovam teses de mestrado em Portugal — com exemplos reais, soluções práticas e uma checklist final que pode literalmente salvar o seu trabalho. Se já cometeu algum erro no Word, não deixe de consultar também o nosso artigo sobre erros de formatação de tese no Word que reprovam estudantes.
Preparado para garantir que a sua tese passa à primeira? Então continue a ler.
Por Que a Formatação Reprova Tantos Mestrandos em Portugal
Antes de mergulharmos nos erros específicos, precisa de entender por que raio a formatação tem tanto peso. Não é capricho dos professores nem obsessão burocrática — há razões estruturais por trás desta exigência.

Imagine que está a avaliar dois documentos. O primeiro tem títulos desalinhados, margens irregulares e um sumário onde os números de página não correspondem ao conteúdo. O segundo está impecável, com hierarquia visual clara e formatação consistente. Qual lhe transmite mais confiança no rigor da investigação?
Exatamente. Os júris portugueses fazem esta avaliação mental nos primeiros minutos de análise. A formatação funciona como um indicador proxy do rigor científico do autor. Se não conseguiu seguir instruções claras de apresentação, como pode o avaliador confiar que seguiu metodologias de investigação complexas?
Um estudo da Universidade de Princeton demonstrou que a apresentação visual de um documento afeta significativamente a perceção de credibilidade do conteúdo — mesmo quando o conteúdo é idêntico. Em contexto académico português, esta realidade traduz-se em penalizações formais que podem ir desde a solicitação de correções até à reprovação pura e simples.
Aqui está algo que muitos mestrandos desconhecem: depositar a tese num repositório institucional não é opcional. O Decreto-Lei n.º 115/2013 estabelece a obrigatoriedade de depósito de teses e dissertações em repositórios da rede RCAAP.
E o que acontece se a sua tese não cumprir os requisitos técnicos do repositório? Simples: o seu grau não é certificado. Pode ter defendido brilhantemente, mas sem o depósito correto, o processo não está concluído.
Para complicar ainda mais, cada universidade portuguesa tem as suas próprias normas específicas. A Universidade do Porto exige um modelo de capa diferente da Universidade de Lisboa. Coimbra tem requisitos distintos dos das instituições politécnicas. Não existe um “padrão universal” em Portugal — existe o regulamento específico da sua instituição e faculdade.
Os 12 Erros de Formatação Que Mais Reprovam Teses
Chegámos ao coração deste artigo. Estes são os erros que vejo repetidamente a comprometer teses que, de outra forma, seriam aprovadas sem problemas. Tome nota — e verifique se já não cometeu algum.

1. Capa e Folha de Rosto Fora do Padrão Institucional
O Problema: Este é provavelmente o erro mais visível e, ironicamente, um dos mais fáceis de evitar. Acontece quando o mestrando usa um modelo genérico descarregado da internet em vez do aprovado pela sua universidade.
Exemplo típico: “O mestrando usou uma capa elegante encontrada no Pinterest sem verificar que a U.Porto exige modelo específico aprovado em Conselho. Resultado? Tese devolvida antes sequer de chegar ao júri.”
Os elementos que frequentemente faltam incluem: logótipo institucional na posição correta, nome completo do orientador, data no formato exigido, e formatação específica da lombada.
Solução: Descarregue sempre o modelo oficial diretamente do site da sua faculdade. Verifique se há versões atualizadas — algumas instituições alteram os modelos anualmente.
2. Sumário (Índice) Manual ou Desatualizado
O Problema: Este erro grita “amador” a quilómetros de distância. Ao abrir uma tese, o júri verifica imediatamente se o sumário corresponde ao conteúdo. Quando os números de página não batem certo, a credibilidade do trabalho inteiro é questionada.
Exemplo típico: “O sumário indica ‘Capítulo 3 — página 45’ mas o capítulo começa na página 52. O mestrando tinha editado o documento após criar o índice e esqueceu-se de atualizar.”
Solução: Use sempre o sumário automático do Word com estilos Título 1, Título 2 e Título 3 corretamente configurados. Antes de submeter, clique com o botão direito no sumário e selecione “Atualizar Campo” → “Atualizar todo o índice”.
Para um guia mais aprofundado, consulte o nosso artigo sobre erros de formatação de tese no Word.
3. Margens, Espaçamentos e Configuração de Página Incorretos
O Problema: As margens e espaçamentos podem parecer detalhes insignificantes, mas têm impacto direto na legibilidade e na impressão/encadernação do documento.
Exemplo típico: “O ficheiro foi criado com configuração Letter (padrão americano) em vez de A4, cortando texto na margem direita quando impresso. O mestrando só descobriu na gráfica, horas antes da entrega.”
Solução: Configure o documento desde o primeiro dia de escrita. A maioria das universidades portuguesas exige margens de 2,5cm ou 3cm, espaçamento de 1,5 linhas, e formato A4. Use o modelo institucional como base.
4. Inconsistência nas Citações e Referências Bibliográficas

O Problema: Se existe um erro que faz os orientadores perder a paciência, é este. Misturar estilos de citação transmite desorganização e falta de atenção metodológica.
Exemplo típico: “A tese usa ‘(Silva, 2020)’ no texto mas na bibliografia aparece ‘SILVA (2020):’ — dois estilos diferentes no mesmo documento.”
Solução: Adote um único estilo desde o início (APA 7 é o mais comum em Portugal) e use um gestor de referências como Zotero ou Mendeley. Aprofunde este tema no nosso artigo sobre erros na gestão de referências que reprovam teses.
5. Notas de Rodapé Mal Formatadas
O Problema: Numeração reiniciada incorretamente, fontes diferentes do corpo do texto, e confusão entre notas explicativas e citações bibliográficas são problemas comuns.
Solução: Uniformize a formatação via estilos do Word. A maioria das normas académicas exige fonte 2 pontos menor que o corpo do texto, na mesma família tipográfica. Consulte o nosso guia sobre 5 erros em notas de rodapé que reprovam teses.
6. Numeração de Páginas Caótica
O Problema: A numeração de páginas parece simples até tentar implementá-la corretamente. As páginas pré-textuais devem ter numeração diferente — ou nenhuma — das páginas textuais.
Exemplo típico: “A capa aparece como página 1 quando deveria ser página i (romano) ou sem numeração. O corpo do texto começa na página 15 em vez de na página 1.”
Solução: A chave está nas quebras de secção do Word. Crie uma quebra de secção após os elementos pré-textuais, desvincule os cabeçalhos/rodapés da secção anterior, e configure numeração diferente para cada secção.
7. Figuras e Tabelas Sem Formatação Padronizada
O Problema: Figuras com legendas em baixo, tabelas com legendas em cima — esta é a norma em muitos estilos académicos. Mas a confusão reina: numeração não sequencial, imagens de baixa resolução, e ausência de fonte nos dados.
Solução: Verifique a norma específica da sua instituição. Use a funcionalidade “Inserir Legenda” do Word para numeração automática. Todas as figuras e tabelas devem ter fonte indicada (mesmo que seja “Elaboração própria”).
8. Ficheiro em Formato Errado para Depósito

O Problema: Entregar a tese em .docx quando o repositório exige PDF/A é um erro administrativo que atrasa todo o processo. Mesmo quem entrega em PDF pode errar: ficheiros sem OCR ou com restrições são frequentemente rejeitados.
Exemplo típico: “O mestrando exportou para PDF normalmente, sem saber que o RCAAP exige especificamente formato PDF/A-1b ou PDF/A-2b para preservação de longo prazo.”
Solução: No Word, vá a Ficheiro → Exportar → Criar PDF/XPS → Opções → e selecione “Compatível com ISO 19005-1 (PDF/A)”. Verifique sempre os requisitos específicos do repositório.
9. Elementos Pré-Textuais Incompletos ou Desordenados
O Problema: A ordem dos elementos pré-textuais está definida no regulamento de cada instituição. Trocar essa ordem ou omitir elementos obrigatórios resulta em devolução.
Solução: Faça uma lista exaustiva dos elementos obrigatórios segundo o regulamento da sua instituição. Elementos comuns incluem: capa, folha de rosto, dedicatória, agradecimentos, resumo + palavras-chave, abstract + keywords, índice geral, índice de figuras, índice de tabelas, lista de abreviaturas.
10. Abstract e Resumo Com Problemas
O Problema: O resumo em português e o abstract em inglês devem ser espelhos perfeitos um do outro — mesma estrutura, mesmo número de palavras-chave, mesma extensão aproximada.
Solução: Escreva primeiro numa língua, depois traduza mantendo a estrutura. Verifique o limite de palavras exigido (geralmente 150-300) e o número de palavras-chave (tipicamente 3-6).
11. Tipografia Inconsistente
O Problema: Múltiplas fontes sem justificação, títulos formatados manualmente com negrito em vez de estilos, tamanhos que variam aleatoriamente. Tudo isto transmite improviso.
Solução: Defina uma hierarquia tipográfica no início e use exclusivamente estilos do Word. Título 1 para capítulos, Título 2 para secções, Título 3 para subsecções. Nunca formate manualmente.
12. Anexos e Apêndices Mal Estruturados
O Problema: Os anexos são frequentemente tratados como um “depósito” onde se atira tudo. Resultado: numeração confusa e referências que não correspondem.
Solução: Use numeração consistente (Anexo A, B, C ou Anexo 1, 2, 3 — nunca misture). Verifique que cada referência no texto tem correspondência exata. Inclua os anexos no índice geral.
O Que Está a Mudar em 2025
O panorama da formatação académica não é estático. Este ano traz novas exigências que deve conhecer.
Digitalização Total: A eliminação gradual da entrega em papel significa que novos requisitos técnicos ganharam importância: metadados corretamente preenchidos, ficheiros em formatos de preservação de longo prazo, e documentos estruturados para processamento automatizado.
Exigências de Acessibilidade: A acessibilidade digital tornou-se requisito legal em muitos contextos europeus. Para teses, isto traduz-se em texto alternativo obrigatório em imagens, estrutura de headings adequada para leitores de ecrã, e contraste de cores suficiente em gráficos.
Integração Europeia: A rede RCAAP está cada vez mais integrada com iniciativas europeias como o OpenAIRE, implicando novas exigências: identificadores persistentes (DOI, ORCID) e metadados harmonizados.
Ferramentas de IA: 2025 marca a chegada de ferramentas que usam inteligência artificial para detetar inconsistências de formatação automaticamente. Use estas ferramentas a seu favor — é melhor que os robôs encontrem os erros antes da universidade.
A Psicologia Por Trás da Reprovação
Por que razão um júri de professores doutorados se preocupa com margens e espaçamentos? A resposta tem tanto de psicologia como de regulamento.
O “efeito halo” é um viés cognitivo bem documentado: a primeira impressão sobre uma característica influencia a avaliação de todas as outras. Uma tese visualmente descuidada cria uma impressão negativa que contamina a leitura do conteúdo. Os júris formam opinião nos primeiros 5 minutos de contacto com o documento.
Para um orientador, a formatação é um proxy para competências que não consegue avaliar diretamente: atenção ao detalhe, capacidade de seguir instruções complexas, e rigor metodológico. Se não conseguiu seguir um regulamento de formatação com instruções explícitas, como pode o júri confiar que seguiu corretamente metodologias de investigação implícitas?
Por que júris reprovam teses por formatação: Cria impressão de trabalho descuidado, dificulta a leitura e avaliação do conteúdo, e levanta dúvidas sobre o rigor metodológico geral da investigação.
A formatação é, em certa medida, um teste de competência disfarçado de formalidade administrativa. Não subestime o seu peso — e garanta que a sua tese passa à primeira.




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