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Erros Fatais ao Usar IA na Tese | Guia 2025

Estudante universitário a analisar erros ao usar inteligência artificial na elaboração da tese académica em 2025



Imagina perder meses de trabalho por um erro que podias ter evitado em cinco minutos. Parece exagero? Infelizmente, é a realidade de milhares de estudantes em Portugal e no Brasil. E o mais assustador? A maioria só percebe que cometeu esses erros quando já é tarde demais.

No início de 2024, uma universidade portuguesa revelou que quase 23% dos trabalhos finais continham sinais de utilização excessiva ou inadequada de inteligência artificial. Não estamos a falar de pequenas correções gramaticais — estamos a falar de capítulos inteiros que pareciam ter sido escritos por um robô sem alma.

O paradoxo é cruel: a mesma tecnologia que promete acelerar a tua tese em semanas pode destruí-la em segundos. Tudo depende de como a utilizas.

Estudante preocupado ao perceber erros no uso de IA na tese

Neste artigo, vou desmontar os sete erros fatais que estão a reprovar estudantes — com exemplos reais, consequências concretas e soluções práticas que podes implementar hoje. Se estás a iniciar a tua tese ou já te encontras a meio do processo, este guia pode ser a diferença entre aprovação e reprovação.

E antes que perguntes: sim, há formas completamente legítimas e éticas de usar IA na tua investigação. Só precisas de saber quais são as regras do jogo.


A explosão do ChatGPT em novembro de 2022 mudou tudo. De repente, qualquer pessoa com acesso à internet podia gerar texto fluente sobre praticamente qualquer tema. Estudantes que antes passavam noites a tentar estruturar um parágrafo coerente descobriram que podiam pedir a uma máquina para fazer isso por eles.

Mas aqui está o problema: a facilidade criou uma ilusão perigosa. Muitos começaram a confundir “assistência” com “substituição” do trabalho intelectual. E essa confusão tem custado caro.

O COPE (Committee on Publication Ethics) já se pronunciou claramente:

“A IA não pode ser considerada autora. O uso deve ser transparentemente declarado.”

Isto significa que, mesmo quando usas IA para apoiar o teu trabalho, tu continuas a ser o único responsável pelo conteúdo — e essa responsabilidade inclui declarar exatamente como e quando utilizaste essas ferramentas.


Vamos diretos ao assunto. Estes são os erros que tenho visto repetidamente ao longo dos últimos anos — e que continuam a destruir trabalhos académicos todos os dias.

Delegar a escrita completa à IA é, sem dúvida, o erro mais comum e devastador. Percebo perfeitamente a tentação — quem não gostaria de ter um capítulo inteiro escrito em dez minutos?

O problema é que texto gerado integralmente por IA carece de algo fundamental: a tua voz autoral. Quando pedes ao ChatGPT para escrever o capítulo três da tua tese, recebes um texto genérico, sem profundidade analítica, que qualquer orientador experiente vai reconhecer imediatamente.

A solução: Usa a IA para estruturar ideias, não para substituir o pensamento crítico. Pede sugestões de tópicos, ajuda para organizar argumentos, mas escreve tu o texto final.

Ilustração sobre alucinações de IA e referências bibliográficas falsas

Se há algo que devias memorizar deste artigo, é isto: a IA mente — e mente muito bem.

Já vi casos de estudantes que incluíram nas suas referências bibliográficas artigos que simplesmente não existem. Autores com nomes plausíveis, títulos convincentes, revistas científicas reais — mas quando vais procurar, nada. O ChatGPT inventou tudo.

Quando um membro do júri decide verificar uma citação aleatória e descobre que é fictícia? A credibilidade de todo o trabalho colapsa instantaneamente.

A solução: Verificação cruzada obrigatória. Cada dado, cada citação, cada referência gerada por IA deve ser confirmada em fontes primárias. Sem exceções.


Omitir o uso de IA na metodologia é outro erro gravíssimo. Muitos estudantes pensam: “Se não disser que usei IA, ninguém vai saber.” Erro crasso.

A declaração do uso de IA não é apenas uma formalidade ética — é, cada vez mais, um requisito metodológico obrigatório. As diretrizes da APA sobre citação de IA generativa já estabelecem formatos específicos para documentar qual ferramenta foi utilizada, quando, e para que fins.

Algumas universidades já exigem que os estudantes anexem o histórico completo de interações com ferramentas de IA. Não declarar esse uso pode ser considerado omissão deliberada — e as consequências são muito mais graves do que simplesmente ter sido transparente desde o início.

Sistema de deteção de IA a analisar documento académico

Achar que a IA não será detetada é uma aposta que estás condenado a perder. Os sistemas de deteção evoluíram dramaticamente. O Turnitin, usado por grande parte das universidades portuguesas e brasileiras, já não se limita a verificar plágio tradicional — agora identifica ativamente padrões de escrita gerada por IA.

Segundo a documentação oficial do Turnitin, o modelo de deteção foi expandido para identificar inclusive texto processado por ferramentas de “AI bypasser” — aquelas que prometem “humanizar” conteúdo gerado por máquinas.


Usar paráfrase automática para “disfarçar” texto de IA representa uma escalada perigosa: não só estás a usar IA de forma inadequada, como estás a tentar esconder esse uso.

Ferramentas como “AI humanizers” deixam as suas próprias impressões digitais — e os sistemas de deteção estão treinados para as reconhecer. Pior ainda: quando uma universidade identifica uma tentativa deliberada de burlar os sistemas de verificação, já não estamos a falar de “uso inadequado de tecnologia” — estamos a falar de tentativa de fraude académica.

Também é crucial não confundir assistência com autoria. “Se o texto foi gerado por uma máquina e não copiado de outra pessoa, é plágio?” A resposta, segundo a maioria das instituições académicas, é: sim, pode ser considerado plágio. Estás a apresentar como teu um trabalho intelectual que não realizaste.

O vídeo abaixo explora esta questão de forma bastante clara:

Vídeo: “ChatGPT e plágio no TCC” – Canal TCC SEM DRAMA

Por fim, desconhecer as políticas da tua instituição é talvez o erro mais evitável. Não existe uma política universal sobre o uso de IA em trabalhos académicos. O que é permitido numa universidade pode ser motivo de expulsão noutra.

A solução é simples: Antes de usar qualquer ferramenta de IA, consulta o regulamento da tua instituição e, se houver dúvidas, pergunta diretamente ao teu orientador. Melhor ainda: pede por escrito.


Balança equilibrada entre assistência de IA e autoria humana

Pensa na IA como uma calculadora científica avançada. Quando usas uma calculadora para resolver uma equação complexa, ninguém te acusa de fazer batota — porque é uma ferramenta que facilita o cálculo, mas não substitui o teu entendimento do problema.

O mesmo deve aplicar-se à IA na escrita académica. Ela pode ajudar-te a organizar ideias, sugerir estruturas, corrigir erros gramaticais, e até apontar lacunas no teu argumento. Mas o pensamento crítico, a análise original e a contribuição científica têm de ser teus.

✅ Uso Apropriado ❌ Uso Problemático
Brainstorming de ideias iniciais Escrita de capítulos inteiros
Revisão gramatical e ortográfica Criação de argumentos centrais
Organização de estrutura Interpretação de resultados
Formatação de referências Geração de conclusões
Distinção entre uso apropriado e problemático de IA na elaboração de teses

Estamos a caminhar para uma padronização internacional das declarações de uso de IA em trabalhos académicos. É muito provável que, num futuro próximo, todas as teses incluam um “anexo metodológico de IA” obrigatório.

A corrida entre IA geradora e IA detetora vai intensificar-se. A margem para uso não declarado vai tornar-se cada vez mais estreita. A transparência deixará de ser opcional — será a única opção viável.

Se estás a começar agora a tua investigação, documenta tudo desde o início — guarda todos os prompts, outputs e iterações. Estabelece um protocolo pessoal de uso ético e define claramente para que vais usar IA. A tua voz autoral é insubstituível; usa a tecnologia para a amplificar, nunca para a substituir.

Para aprofundar este tema, consulta também o nosso artigo sobre uso permitido de ChatGPT na tese e regras académicas em 2025.