Estudante universitário a verificar citações de inteligência artificial na tese académica seguindo normas ABNT
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5 Erros ao Citar IA na Tese Que Reprovam Seu Trabalho

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5 min de leitura

Mais de 23% das teses submetidas em 2024 foram questionadas por uso inadequado de inteligência artificial. Este número, divulgado por associações académicas europeias, revela uma realidade que muitos estudantes preferem ignorar: as universidades estão cada vez mais atentas — e punitivas — quando o assunto é IA não declarada.

Se está a escrever a sua tese, TCC ou dissertação e já usou (ou pretende usar) ferramentas como ChatGPT, Gemini ou Claude, este artigo pode ser a diferença entre a aprovação e uma reprovação humilhante.

Vou revelar-lhe os 5 erros fatais que fazem estudantes brilhantes perderem meses de trabalho — e, mais importante, vou mostrar-lhe exactamente como evitar cada um deles.

Definição essencial: Citar inteligência artificial em teses académicas significa documentar de forma transparente o uso de ferramentas como ChatGPT, incluindo o nome da ferramenta, versão utilizada, data de acesso e descrição do uso específico (geração de texto, tradução, revisão), seguindo as normas ABNT, APA ou a exigência da sua instituição.

Compreender como citar inteligência artificial em teses académicas deixou de ser um “detalhe técnico” para se tornar uma competência obrigatória. A boa notícia? Depois de ler este guia, estará à frente de 90% dos seus colegas.

Antes de mergulharmos nos erros, recomendo que leia também o nosso artigo sobre as regras para uso de ChatGPT na tese em 2025 — vai ajudá-lo a contextualizar tudo o que vamos discutir.

Por Que Citar IA Tornou-se Obrigatório nas Universidades

Lembra-se quando, em 2023, algumas universidades simplesmente proibiam qualquer uso de IA generativa? Pois bem, essa abordagem revelou-se tão eficaz quanto proibir calculadoras em engenharia. O mundo mudou — e as instituições académicas foram obrigadas a adaptar-se.

Estudante a documentar correctamente o uso de ferramentas de IA em trabalho académico

A transformação foi rápida e, para muitos, surpreendente:

  • 2023: Proibição generalizada (“uso de IA = plágio”)
  • 2024: Transição para “permitido com declaração obrigatória”
  • 2025: Consolidação de frameworks específicos para citação de IA

As universidades brasileiras e portuguesas, inicialmente mais conservadoras, seguiram o modelo anglo-saxónico. Hoje, a maioria exige não apenas que declare o uso, mas que documente exactamente como utilizou cada ferramenta.

Aqui está o que precisa saber sobre os elementos obrigatórios para referenciar IA em trabalhos académicos:

✅ Elementos obrigatórios para citar IA em ABNT:

  1. Nome da ferramenta (ex.: ChatGPT)
  2. Versão utilizada (ex.: GPT-4)
  3. Empresa desenvolvedora (ex.: OpenAI)
  4. Data de acesso
  5. URL (quando aplicável)
  6. Descrição do uso no corpo do texto

Para aprofundar este tema, o artigo do TecMundo sobre ABNT e IA oferece exemplos práticos excelentes. Se trabalha com normas internacionais, o MLA Style Center publicou directrizes actualizadas que vale a pena consultar.

Um ponto crucial que muitos estudantes não compreendem: mesmo que use IA extensivamente, você é o responsável final por tudo que está na sua tese. As recomendações actualizadas do ICMJE (Janeiro 2024) são claras: ferramentas de IA não podem ser listadas como autoras porque não podem assumir responsabilidade pelo trabalho. É como usar uma calculadora — ela ajuda, mas o engenheiro assina o projecto.

Para entender como isto afecta a sua lista de referências bibliográficas, recomendo a leitura do nosso guia específico.

Os 5 Erros Fatais ao Citar IA na Tese

Agora, vamos ao que interessa. Estes são os erros que vejo repetidamente — e que transformam trabalhos promissores em fracassos académicos.

Cinco erros comuns a evitar na citação de IA em trabalhos académicos

❌ Erro #1 — Omitir Completamente o Uso de IA

“Se eu não contar, ninguém vai descobrir.”

Esta é, de longe, a ilusão mais perigosa que um estudante pode ter em 2025. Entendo a tentação — há medo do julgamento, desconhecimento das regras, ou simplesmente a crença de que os detectores não funcionam.

A realidade inconveniente: funcionam sim. E estão cada vez melhores.

Como explicamos no nosso artigo sobre como as universidades detetam IA, as ferramentas actuais conseguem identificar padrões estatísticos que nem você percebe no seu próprio texto. Pior ainda: quando descobrem uso não declarado, a presunção é de má-fé.

As consequências podem incluir:

  • Advertência formal no registo académico
  • Obrigação de refazer todo o trabalho
  • Reprovação sumária da disciplina
  • Em casos extremos, processo disciplinar

💡 Solução:

Declare na metodologia ou numa secção específica todo e qualquer uso de IA — mesmo para tarefas auxiliares como organização de ideias ou tradução. A transparência é sempre valorizada; a omissão, nunca perdoada.

❌ Erro #2 — Citar IA Como Autora do Trabalho

Este erro parece inocente, mas revela uma incompreensão fundamental sobre autoria académica.

❌ ERRADO

ChatGPT (Autor). Análise sobre metodologias qualitativas. 2024.

✅ CORRETO

OPENAI. ChatGPT (versão GPT-4). Disponível em: https://chat.openai.com. Acesso em: 15 jan. 2025.

A diferença é subtil mas essencial: a IA é uma ferramenta, não um autor. Tal como não cita o Microsoft Word como coautor do seu texto, também não pode atribuir autoria intelectual a um modelo de linguagem.

O guia da Biblioteca de Georgetown explica isto de forma exemplar: cite a empresa desenvolvedora como “autor institucional” e trate a ferramenta como software.

💡 Solução:

Trate a IA como ferramenta/software nas referências. No corpo do texto, descreva como utilizou: “Para auxiliar na síntese inicial da revisão de literatura, utilizou-se o ChatGPT (OpenAI, versão GPT-4)…”

❌ Erro #3 — Não Registar Versão, Data e Prompt

Imagine o seguinte cenário: o seu orientador lê uma passagem interessante da sua tese e decide verificar. Abre o ChatGPT, digita algo semelhante ao que usou e… recebe uma resposta completamente diferente.

Por quê? Porque a IA muda. Constantemente.

Processo de verificação de conteúdo gerado por IA em trabalhos académicos

A versão GPT-4 de Janeiro de 2025 não responde da mesma forma que a de Julho de 2024. Sem um registo preciso, não tem como provar o que a ferramenta lhe disse originalmente.

Este problema conecta-se directamente com os erros em verificar citações geradas automaticamente — sem rastreabilidade, qualquer verificação torna-se impossível.

💡 Solução:

Crie um “diário de uso de IA” durante a pesquisa. Para cada interacção significativa, registe:

  • Data e hora
  • Ferramenta e versão exacta
  • O prompt utilizado (pode ir em anexo)
  • Resumo do output obtido
  • Como utilizou a informação no seu trabalho

❌ Erro #4 — Aceitar Referências da IA Sem Verificação

Este é o erro que mais me dói presenciar. E, ironicamente, é o mais fácil de evitar.

A IA “alucina”. Este termo técnico significa que ela inventa informações com uma confiança perturbadora. E adivinha o que ela adora inventar? Referências bibliográficas que não existem.

Já vi casos reais — e dolorosos — de estudantes reprovados por citar artigos científicos completamente fictícios. Títulos convincentes, autores com nomes plausíveis, revistas que parecem legítimas… mas que simplesmente não existem em nenhuma base de dados do mundo.

Este vídeo explica estratégias para usar ChatGPT no TCC sem cair na armadilha das referências inventadas:

O Blog Mettzer também aborda este problema de forma detalhada, mostrando como a alucinação de fontes é um dos maiores riscos do uso ingénuo de IA.

💡 Solução:

Trate TODA referência sugerida por IA como “não verificada” até confirmação. Verifique em:

  • Google Scholar: pesquise o título exacto entre aspas
  • DOI.org: se houver DOI, confirme que é válido
  • Site da revista: aceda directamente e procure o artigo
  • CrossRef: para verificação cruzada de metadados

Este erro está intimamente ligado às consequências de referências falsas na sua tese — leitura obrigatória para quem quer evitar problemas.

❌ Erro #5 — Confundir Paráfrase Assistida com Conteúdo Original

A linha é ténue, eu sei. E é exactamente por isso que tantos estudantes tropeçam nela.

Pergunta-chave: Se pegar no seu próprio parágrafo e pedir à IA para “reescrever de forma mais clara”, precisa citar a IA?

A resposta curta: depende.

Cenário Exige citação formal? O que fazer?
IA gerou ideias/informações novas Sim Citar nas referências + descrever uso
IA apenas reformulou SEU texto Não Declarar na metodologia que usou IA para revisão
IA traduziu conteúdo de outra fonte Parcial Citar fonte original + declarar uso de IA para tradução

O nosso guia sobre paráfrase assistida por IA explora este tema em profundidade.

💡 Solução:

Regra prática: Pergunte-se “Esta informação existiria sem a IA?”. Se não, cite. Se apenas pediu para melhorar a escrita do que já tinha, declare na metodologia mas não precisa de citação formal.

Para mais contexto sobre erros comuns ao escrever com IA, recomendo esta leitura complementar.

O Framework DRVD Para Citar IA Correctamente

Depois de anos a acompanhar estudantes, desenvolvi um framework simples que cobre todas as situações.

🧠 Framework DRVD para Citação de IA

Framework DRVD: quatro passos para documentação correcta de IA em trabalhos académicos

📢

Declarar

Sempre informar que usou IA

📝

Registar

Versão, data, prompt resumido

🔍

Verificar

Toda informação gerada pela IA

📁

Documentar

Na metodologia, referências ou anexos

Este framework alinha-se com as recomendações do nosso artigo sobre uso responsável de IA na tese.

Tipo de Uso Onde Declarar Citação Formal?
Geração de texto/ideias Metodologia + Referências ✓ Sim
Tradução/revisão linguística Metodologia ou Agradecimentos ✗ Não
Busca de referências Metodologia ✗ Não
Geração de imagens Legenda + Metodologia ✓ Sim

A diferença entre uma tese aprovada e uma reprovada está, muitas vezes, nos detalhes que parecem insignificantes. Citar correctamente o uso de IA não é burocracia — é demonstrar maturidade académica e respeito pela comunidade científica.

Aplique o framework DRVD desde o primeiro dia de pesquisa, mantenha registos organizados e, acima de tudo, lembre-se: a transparência é a sua maior aliada neste novo cenário académico.


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