Erasmus Portugal-Espanha: Guia Completo para Intercâmbio Universitário em 2026

Erasmus Portugal-Espanha: Guia Completo para Intercâmbio Universitário em 2026

O corredor Erasmus Portugal–Espanha é um dos mais movimentados da Europa. Ano após ano, milhares de estudantes portugueses escolhem universidades espanholas como destino Erasmus, e os dados da Comissão Europeia confirmam que Espanha é consistentemente um dos três países mais escolhidos por estudantes portugueses em mobilidade. A proximidade geográfica, a facilidade linguística e a qualidade das instituições espanholas fazem deste intercâmbio uma das experiências mais transformadoras disponíveis para um universitário português — e, cada vez mais, também para estudantes brasileiros que estudam em Portugal e aproveitam acordos de dupla diplomação para experiências em Espanha.

Este guia cobre tudo o que precisas de saber sobre o programa Erasmus+ entre Portugal e Espanha em 2026: os pares universitários mais ativos, o valor real das bolsas, o processo de Learning Agreement, o reconhecimento de créditos ECTS e dicas práticas para tornar a experiência académica e pessoal um sucesso.

Resumo rápido: O Erasmus Portugal→Espanha oferece bolsas de 300–400€/mês (mais suplemento DGES de 100–150€ para bolseiros). Não é necessário visto nem NIE inicial para cidadãos portugueses (UE). Os pares mais ativos são U.Porto↔Salamanca e Lisboa↔Complutense. O Learning Agreement deve ser assinado antes da partida. O espanhol exigido é geralmente B2 do QECR.

O que é o Erasmus+ e como funciona PT↔ES

O Erasmus+ (European Region Action Scheme for the Mobility of University Students) é o programa da União Europeia para a mobilidade académica. A sua última geração, Erasmus+ 2021–2027, tem um orçamento total de 26,2 mil milhões de euros — o maior da história do programa.

Em termos concretos, o Erasmus+ de mobilidade de estudantes (Ação-Chave 1) funciona assim:

  1. A tua universidade portuguesa tem acordos bilaterais com universidades espanholas específicas.
  2. Candidatas-te internamente à tua universidade para uma vaga Erasmus na instituição espanhola parceira.
  3. Se selecionado(a), recebes uma bolsa mensal e mantens a inscrição (e eventual bolsa de ação social) na universidade portuguesa.
  4. Passas 3 a 12 meses na universidade espanhola, frequentando disciplinas acordadas no Learning Agreement.
  5. No regresso, a tua universidade portuguesa reconhece os créditos ECTS obtidos em Espanha.

A gestão do programa em Portugal é feita pela DGES (Direção-Geral do Ensino Superior), que é a Agência Nacional Erasmus+ para o ensino superior português. Em Espanha, a agência equivalente é a SEPIE (Servicio Español para la Internacionalización de la Educación).

Leitura complementar em espanhol: Erasmus España-Portugal: Guía Completa 2026 — versão deste guia para estudantes espanhóis que vêm fazer Erasmus em Portugal.

Top Pares Universitários Portugal-Espanha

As parcerias Erasmus entre Portugal e Espanha são numerosas — praticamente todas as universidades portuguesas têm acordos com pelo menos uma universidade espanhola. Os pares mais ativos em 2026 incluem:

Universidade Portuguesa Universidade Espanhola Parceira Áreas Principais
Universidade do Porto Universidade de Salamanca Direito, Letras, Engenharia
Universidade de Lisboa Universidade Complutense de Madrid Ciências Sociais, Medicina, Direito
Universidade do Minho Universidade de Santiago de Compostela Engenharia, Ciências
NOVA de Lisboa Universidade Autónoma de Madrid Economia, Direito, Ciências
Universidade de Aveiro Universidade de Valladolid Engenharia, Línguas
Universidade de Coimbra Universidade de Granada Humanidades, Ciências
ISCTE Universidade Carlos III de Madrid Gestão, Ciências Sociais
Universidade da Beira Interior Universidade de Extremadura Todas as áreas (fronteira)

As vagas disponíveis em cada par universitário são limitadas e atribuídas por concurso interno. Em geral, as vagas para Espanha são as mais concorridas nos programas Erasmus portugueses, dada a combinação de proximidade, qualidade académica e custo de vida.

Bolsas e Valores: DGES vs SEPIE

Bolsa Erasmus+ (lado português)

O valor da bolsa Erasmus+ para estudantes portugueses que vão para Espanha é definido anualmente pela DGES com base nas diretrizes da Comissão Europeia. Em 2025–2026, os valores para mobilidade de estudantes Portugal→Espanha são:

  • Bolsa base Erasmus+: 300–400€/mês (países do Grupo 2 no Erasmus+, que inclui Espanha)
  • Suplemento de inclusão: estudantes com necessidades especiais ou de menor poder socioeconómico podem ter suplemento adicional.
  • Suplemento DGES (para bolseiros de ação social): 100–150€ adicionais por mês, atribuídos diretamente pela DGES.

A bolsa Erasmus não é tributável em Portugal. Também não conta como rendimento para efeitos de bolsa de ação social (não reduz a tua bolsa de origem).

Bolsa Erasmus+ (lado espanhol — SEPIE)

A SEPIE gere as mobilidades de espanhóis para o estrangeiro, mas também as mobilidades de estudantes de outras nacionalidades que estudam em Espanha e saem para terceiros países no âmbito de acordos. Para estudantes portugueses que já estão em Espanha e fazem mobilidade a partir de Espanha, a SEPIE seria relevante — mas na prática, a bolsa Erasmus para o intercâmbio Portugal→Espanha é gerida pela DGES.

Manutenção da Bolsa de Ação Social Portuguesa

Os estudantes bolseiros da DGES mantêm a sua bolsa de ação social durante o Erasmus. Este é um ponto frequentemente ignorado: não precisas de abdicar da tua bolsa nacional para ir a Erasmus. A bolsa Erasmus é acumulável com a bolsa de ação social.

Leitura complementar em espanhol: partilha com colegas espanhóis o guia Erasmus España-Portugal: Guía Completa 2026 para a perspetiva hispânica desta mobilidade.

O Learning Agreement: Como Preencher

O Learning Agreement (LA) é o documento central do Erasmus+. Define quais as unidades curriculares que frequentarás em Espanha e como serão reconhecidas no teu plano de estudos em Portugal. É assinado por ti, pelo coordenador Erasmus da tua universidade portuguesa e pelo coordenador da universidade espanhola.

Secções do Learning Agreement

  • Tabela A: disciplinas que vais frequentar na universidade espanhola, com código, nome e créditos ECTS.
  • Tabela B: disciplinas portuguesas que serão substituídas (reconhecidas) pelas disciplinas da Tabela A. A correspondência não tem de ser 1-para-1 — pode ser um bloco de créditos reconhecidos como equivalentes.
  • Cláusula de alteração: podes alterar o LA nas primeiras semanas em Espanha (habitualmente até 5 semanas após o início), mediante nova aprovação de ambas as universidades.

O LA deve ser preenchido antes da partida. Atrasos no LA podem comprometer o reconhecimento dos créditos e o pagamento da bolsa. A ferramenta digital OLA (Online Learning Agreement) está disponível na maioria das universidades e simplifica o processo.

Dica sobre o TFG no Learning Agreement

Se pretendes desenvolver parte do teu trabalho final (dissertação de mestrado ou TFG) durante o Erasmus, inclui-o explicitamente no Learning Agreement, indicando créditos ECTS e forma de reconhecimento. Sem esta inclusão prévia, o reconhecimento do TFG desenvolvido em Espanha fica comprometido.

Reconhecimento de Créditos ECTS no Regresso

O reconhecimento de créditos é uma obrigação, não uma opção — as universidades portuguesas são legalmente obrigadas a reconhecer os créditos ECTS obtidos em Erasmus, desde que estejam no Learning Agreement aprovado.

Na prática, o processo é:

  1. Após terminar o semestre em Espanha, a universidade espanhola emite o Transcript of Records com as notas em escala espanhola (0–10).
  2. A tua universidade portuguesa converte as notas para a escala portuguesa (0–20) usando a tabela de equivalência definida no acordo bilateral.
  3. Os créditos são lançados no teu percurso académico conforme definido na Tabela B do Learning Agreement.

Para detalhes sobre a conversão de notas entre os sistemas português e espanhol, consulta o artigo TFG Espanhol vs TCC/Tese Portuguesa: Diferenças Completas 2026, que inclui uma tabela completa de equivalências.

Sobre diferenças nas normas de citação para trabalhos académicos na transição entre os dois sistemas, o artigo Normas APA 7: Diferenças Entre Português e Espanhol em 2026 é uma leitura essencial.

Espanhol para o Erasmus: O Que Precisas Saber

Para o corredor Portugal→Espanha, a vantagem linguística é real mas não deve ser subestimada. Algumas considerações:

  • Nível mínimo recomendado: B2 do QECR. Com nível A2-B1, as aulas universitárias em espanhol serão difíceis de acompanhar.
  • Espanhol académico vs. espanhol conversacional: há diferença entre entender uma conversa em espanhol e escrever um trabalho académico rigoroso. Dedica tempo a praticar escrita académica em espanhol antes de partir.
  • Cursos de espanhol gratuitos: muitas universidades espanholas oferecem cursos de espanhol para estudantes Erasmus no início do semestre (as chamadas “semanas de integração”). Aproveita sempre esta oferta.
  • Variações regionais: em Barcelona vais ouvir muito catalão; em Santiago de Compostela muito galego. Em Bilbau, o basco. Não é obrigatório aprenderes estas línguas, mas a sensibilidade cultural é importante.

Visto e NIE: O Que Precisas (e o Que Não Precisas)

Para estudantes portugueses (cidadãos da UE):

  • Visto: não precisas. Livre circulação europeia.
  • NIE/TIE: para estadas superiores a 3 meses, deves registar-te no Registro Central de Extranjeros e obter o TIE. O NIE é atribuído neste processo.
  • Seguro de saúde: o Cartão Europeu de Seguro de Doença (CESD) cobre cuidados de saúde de urgência em Espanha. Para cobertura mais ampla, considera um seguro de saúde complementar.

Cidadãos europeus não precisam de justificar meios financeiros para residir em Espanha. O processo de registo é administrativo e gratuito (excetuando a taxa de ~12€ do modelo 790-012).

Alojamento em Espanha: Opções e Plataformas

O alojamento é frequentemente o aspeto mais desafiante da mobilidade Erasmus, especialmente em Madrid e Barcelona, onde os preços subiram significativamente nos últimos anos.

  • Residências universitárias (Colegios Mayores / Residencias de Estudiantes): candidatura antecipada (março–maio) é essencial. Custo: 600–1200€/mês tudo incluído. Vantagem: comunidade universitária e refeições.
  • Piso partilhado: plataformas recomendadas — Idealista, Fotocasa, Badi, Uniplaces. Para Erasmus, o Erasmus Without Borders e grupos do Facebook da universidade de destino são recursos úteis.
  • Alojamento temporário: reserva 1–2 semanas em alojamento temporário (hostel ou Airbnb) para chegares e procurares alojamento permanente em pessoa.

Dica importante: nunca assines um contrato de arrendamento sem ver o apartamento pessoalmente ou ter uma confirmação presencial de um amigo de confiança. As burlas de arrendamento a estudantes Erasmus são frequentes, especialmente em plataformas online.

Dicas Práticas para a Mobilidade Erasmus Ibérica

  • Confirma os acordos Erasmus da tua faculdade específica — os acordos são por faculdade, não por universidade como um todo. A Faculdade de Direito da U.Porto pode ter acordos diferentes da Faculdade de Engenharia.
  • Candidata-te cedo: os processos internos de seleção Erasmus das universidades portuguesas abrem habitualmente entre outubro e fevereiro para o ano letivo seguinte.
  • Usa a aplicação Erasmus+: a app oficial da Comissão Europeia centraliza documentação, suporte e rede de contactos de estudantes Erasmus.
  • Abre conta bancária em Espanha: para receber a bolsa Erasmus diretamente, muitas universidades pedem um IBAN espanhol. O Revolut e o N26 são alternativas digitais sem taxas internacionais.
  • Regista-te na ESN (Erasmus Student Network): a rede de estudantes Erasmus organiza eventos, excursões e apoio prático em praticamente todas as universidades espanholas.

O Trabalho Académico Durante o Erasmus

Escrever trabalhos académicos em espanhol requer atenção às normas de citação e às convenções do sistema espanhol. Para evitar erros comuns, consulta o artigo Normas APA 7: Diferenças Entre Português e Espanhol.

Se vais desenvolver parte da tua dissertação ou TFG durante o Erasmus, o guia Como Escrever a Metodologia da Tese é um recurso independente do sistema (aplica-se a ambos os contextos) que pode poupar tempo e evitar revisões extensas no regresso.

O Tesify suporta trabalhos académicos em português e espanhol, ajudando o estudante a manter a coerência das citações e a estrutura do trabalho quando se trabalha em dois idiomas ou em contexto de mobilidade. A autoria e argumentação são sempre do estudante.

Versão espanhola deste guia: para estudantes espanhóis que fazem Erasmus em Portugal, consulta Erasmus España-Portugal: Guía Completa 2026 no Tesify.es.

Perguntas Frequentes

Quanto vale a bolsa Erasmus Portugal→Espanha em 2026?

Em 2025–2026, a bolsa Erasmus+ base para estudantes portugueses em Espanha é de 300–400€/mês. Estudantes bolseiros da DGES recebem um complemento adicional de 100–150€/mês. A bolsa não é tributável e não afeta a bolsa de ação social nacional.

Posso ir a Erasmus e manter a minha bolsa de ação social portuguesa?

Sim. Os estudantes bolseiros da DGES mantêm a bolsa de ação social durante a mobilidade Erasmus. Além disso, recebem um suplemento DGES adicional de 100–150€/mês por cada mês de mobilidade. A bolsa Erasmus e a bolsa de ação social são acumuláveis.

O que é o Learning Agreement e quando tenho de o preencher?

O Learning Agreement é o documento que define quais as disciplinas que vais frequentar em Espanha e como serão reconhecidas em Portugal. Deve ser preenchido e assinado antes da partida, com aprovação do coordenador Erasmus da tua faculdade portuguesa e da universidade espanhola. Pode ser alterado nas primeiras semanas em Espanha (habitualmente até 5 semanas após o início).

A universidade portuguesa é obrigada a reconhecer os créditos do Erasmus?

Sim. O reconhecimento de créditos Erasmus é uma obrigação legal para as instituições de ensino superior da UE. Desde que os créditos estejam no Learning Agreement aprovado e o estudante os tenha completado com aprovação, a universidade de origem é obrigada a reconhecê-los.

Preciso de NIE para fazer Erasmus em Espanha como cidadão português?

Não precisas de NIE antes de ir — é obtido em Espanha. Para estadas superiores a 3 meses (o que é o caso da maioria dos Erasmus), deves registar-te no Registro Central de Extranjeros nas primeiras semanas e obter o TIE/NIE. O processo é administrativo e custa cerca de 12€. Não é um visto — cidadãos europeus têm livre residência em Espanha.

Posso desenvolver a minha dissertação de mestrado durante o Erasmus em Espanha?

Sim, mas requer planeamento. Inclui explicitamente a dissertação no Learning Agreement antes de partir. A co-orientação (um orientador espanhol e um orientador português) é a solução mais prática para trabalhos desenvolvidos em contexto de mobilidade. Verifica o regulamento do teu programa em Portugal antes de assumir que é possível.

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