Discussão de Tese: 7 Erros Fatais Que Reprovam Alunos em 2025
Passaste meses — talvez anos — a recolher dados, a analisar resultados, a formatar tabelas intermináveis. E agora? Olhas para o ecrã em branco, o cursor a piscar, e pensas: “O que é suposto eu escrever na discussão?”
Não estás sozinho. Na minha experiência a apoiar estudantes de mestrado, o capítulo de discussão é, de longe, o que mais ansiedade gera. E com razão — é aqui que mais alunos perdem pontos na avaliação final. É aqui que o júri decide se tens ou não maturidade científica.
O pior? Muitos orientadores não explicam claramente o que esperam. Dizem coisas vagas como “interpreta os resultados” ou “dialoga com a literatura” — e deixam-te a nadar em mar aberto.
Mas aqui está a boa notícia: os erros mais comuns são perfeitamente evitáveis. E conhecê-los é meio caminho andado para escrever uma discussão que impressiona.
Neste guia, vou revelar-te os 7 erros fatais que reprovam alunos em 2025. Mais importante: vou dar-te estratégias práticas para cada um. Se aplicares o que aprenderes aqui, a discussão pode passar de ponto fraco a ponto forte da tua tese.
Se ainda estás a estruturar a tese toda, começa por este guia completo sobre escrita de tese de mestrado antes de avançares.
O Que É (Realmente) o Capítulo de Discussão numa Tese?
Vamos começar pelo básico — porque muita gente confunde isto.
Parece simples, certo? Mas aqui está onde a maioria falha: confundem apresentar com interpretar.
Deixa-me clarificar com uma analogia que uso frequentemente. Imagina um julgamento:

- Capítulo de Resultados = As provas apresentadas ao tribunal
- Capítulo de Discussão = A argumentação do advogado
- Conclusão = O veredito final
Ninguém espera que o advogado volte a mostrar as provas. Espera que as interprete, que as contextualize, que convença o júri do seu significado.
A mesma lógica aplica-se à tua tese.
Resultados vs. Discussão: A Diferença Que Salva Teses
| Capítulo de Resultados | Capítulo de Discussão |
|---|---|
| Apresenta os dados | Interpreta os dados |
| Descreve o que encontraste | Explica o que significa |
| Objetivo e factual | Analítico e argumentativo |
| Tabelas, gráficos, números | Comparações, implicações, limitações |
| “Verificou-se que 67% dos participantes…” | “Este resultado sugere que… porque…” |
Segundo a Biblioteca da FSP-USP, a discussão deve “analisar e interpretar os resultados obtidos, discutindo-os à luz da literatura” e “mostrar o alcance dos objetivos e/ou hipóteses”.
Por que é o capítulo mais difícil?
Porque exige algo que os outros capítulos não exigem: pensamento crítico original. Na revisão de literatura, compilas o que outros disseram. Na metodologia, descreves o que fizeste. Nos resultados, apresentas o que encontraste.
Mas na discussão? Tens de assumir posições. Tens de argumentar. Tens de mostrar que entendes o teu campo profundamente.
E isso assusta. Mas não deveria — se souberes evitar os erros que vou partilhar a seguir.
Os 7 Erros Fatais na Discussão de Resultados
Aqui está a lista que pode salvar a tua tese. Cada erro vem com o porquê reprova e, mais importante, como corrigir.
Erro #1 — Transformar a Discussão num “Resultados 2.0”
❌ O Erro:
Este é, de longe, o erro mais comum. Acontece quando:
- Repetes os resultados com palavras ligeiramente diferentes
- Listas novamente percentagens e valores sem interpretação
- Descreves tabelas que já foram apresentadas no capítulo anterior
Conheço estudantes que escreveram discussões inteiras a dizer coisas como: “No gráfico 3, observa-se que 45% dos participantes responderam afirmativamente, enquanto 55% responderam negativamente.”
Isso não é discussão. Isso é descrição — e já fizeste isso antes.
🚨 Por Que Reprova:
O júri e o orientador veem isto como falta de capacidade analítica. Demonstra que não entendes a função do capítulo. E, francamente, aumenta a extensão da tese sem adicionar qualquer valor.
Um avaliador experiente lê isto e pensa: “Este aluno não sabe interpretar dados.”
✅ Como Corrigir:
Aplica esta regra de ouro: cada parágrafo da discussão deve responder à pergunta “E então? O que significa isto?”
Usa verbos de interpretação: “sugere”, “indica”, “pode explicar-se por”, “corrobora a teoria de”.
Exemplo prático:
- ❌ Errado: “67% dos participantes concordaram com a afirmação.”
- ✅ Certo: “A elevada concordância (67%) sugere que os profissionais reconhecem a importância desta prática, corroborando os achados de Silva (2022). Este resultado pode explicar-se pela crescente exposição a formações na área.”
Vês a diferença? O segundo não só apresenta — interpreta, compara e explica.
Se estás com dificuldade em fazer esta transição, a técnica do primeiro rascunho sem perfeccionismo pode ajudar-te a começar.
Erro #2 — Ignorar o Diálogo com a Literatura
❌ O Erro:
Apresentas os teus resultados como se existissem num vácuo. Não comparas com estudos anteriores. Citas literatura apenas na revisão e nunca mais falas nela.
É como se a tua investigação fosse a única que alguma vez existiu sobre o tema.
🚨 Por Que Reprova:
A discussão existe precisamente para posicionar os teus achados no conhecimento existente. Sem comparação, não demonstras contributo científico.
O avaliador lê e pergunta: “E os outros autores? O que disseram sobre isto? Concordam? Discordam?”
Se não respondes a estas perguntas, o avaliador assume que não dominas a literatura — mesmo que a tua revisão seja excelente.
✅ Como Corrigir:
Para cada resultado principal, cita 2-3 estudos: concordantes E discordantes.
Usa esta estrutura:
“Este resultado corrobora os achados de Silva (2022), que também encontrou uma relação positiva entre X e Y numa amostra de profissionais portugueses. Contudo, difere parcialmente de Pereira (2021), que obteve uma correlação mais fraca — possivelmente devido às diferenças no contexto organizacional estudado.”
O truque está em explicar as divergências. Diferenças metodológicas? Contexto diferente? Amostra distinta? Esta análise é o que demonstra maturidade científica.
Se a tua revisão de literatura não está suficientemente sólida, volta atrás e reforça-a antes de avançar para a discussão. Problemas na revisão contaminam inevitavelmente a discussão.
Erro #3 — Esconder ou Minimizar as Limitações
❌ O Erro:
Há duas versões deste erro:
- Não incluir nenhuma secção de limitações
- Mencionar limitações de forma superficial: “A amostra poderia ser maior”
Muitos estudantes pensam: “Se mencionar as limitações, o júri vai achar que o meu estudo é fraco.”
Nada poderia estar mais longe da verdade.
🚨 Por Que Reprova:
Esconder limitações demonstra falta de maturidade científica. O júri sabe que nenhum estudo é perfeito. Quando não mencionas limitações óbvias, interpreta como desonestidade intelectual.
E pior: se tu não mencionas, o avaliador vai mencionar por ti — e de forma muito menos simpática.
✅ Como Corrigir:
Cria uma subsecção dedicada: “Limitações do Estudo”.
Sê específico e honesto:
- Tipo e dimensão da amostra
- Instrumentos utilizados e suas limitações
- Contexto temporal ou geográfico
- Variáveis não controladas
Mas — e isto é crucial — não termines nas limitações.
Segue sempre com algo como: “Apesar destas limitações, o estudo contribui para o conhecimento na área ao…”
Segundo o Proof-Reading-Service, o equilíbrio é fundamental: reconhece os constrangimentos sem destruir a credibilidade do teu trabalho.
Se as limitações estão relacionadas com problemas na amostra, este guia sobre erros na amostra ajuda-te a abordá-las corretamente.
Erro #4 — Fazer Afirmações Que os Dados Não Suportam
❌ O Erro:
Este erro é o oposto do anterior — e igualmente fatal:
- Generalizar a partir de uma amostra limitada
- Usar linguagem causal quando o estudo é correlacional
- Extrapolar para populações que não estudaste
Frases como “Este estudo prova que…” ou “Os resultados demonstram definitivamente que…” são bandeiras vermelhas imediatas.
🚨 Por Que Reprova:
Viola princípios básicos de validade científica. Mostra desconhecimento metodológico profundo. E — talvez mais importante — o avaliador marca imediatamente como erro grave.
É o tipo de erro que te persegue durante toda a defesa oral.
✅ Como Corrigir:
Usa linguagem hedged (cautelosa):
- “sugere”
- “parece indicar”
- “nesta amostra”
- “no contexto estudado”
- “pode ser interpretado como”
Nunca uses “prova” ou “demonstra definitivamente” em ciências sociais. Mesmo em ciências exatas, estas afirmações são raras.
Verifica cada afirmação: tem base nos teus dados específicos, ou estás a projetar o que gostarias que os dados dissessem?
A relação entre metodologia sólida e validade das conclusões é direta. Uma discussão forte começa numa metodologia transparente.
Erro #5 — Não Responder às Perguntas de Investigação
❌ O Erro:
Discutes resultados, comparas com literatura, falas de limitações… mas em lado nenhum respondes explicitamente às perguntas que formulaste na introdução.
O leitor termina a discussão e pergunta: “Então, afinal, respondeste ao que te propuseste?”
🚨 Por Que Reprova:
Quebra a coerência lógica da tese. Se definiste três perguntas de investigação na introdução, o avaliador espera três respostas claras na discussão.
Demonstra falta de foco e organização — duas qualidades essenciais num investigador.
✅ Como Corrigir:
Estrutura a discussão por pergunta ou objetivo de investigação.
Cria subsecções claras: “Relativamente ao primeiro objetivo…” ou “No que diz respeito à PI2…”
Sê explícito:
“Os resultados permitem responder afirmativamente à primeira pergunta de investigação, uma vez que se verificou uma correlação positiva significativa (r = 0.67, p < 0.01) entre as variáveis X e Y."
Se os teus objetivos e perguntas de investigação não estão bem definidos, resolve isso primeiro. Sem boas perguntas, não há boas respostas.
Erro #6 — Misturar Resultados e Discussão Sem Critério
❌ O Erro:
Alternar aleatoriamente entre descrição de dados e interpretação. Criar um capítulo híbrido “Resultados e Discussão” sem estrutura clara. O leitor nunca sabe se estás a apresentar ou a interpretar.
🚨 Por Que Reprova:
Confunde o leitor e o avaliador. Dificulta a avaliação da tua capacidade analítica. Gera repetições e inconsistências.
✅ Como Corrigir:
Tens duas opções legítimas:
Opção A: Capítulos separados (mais seguro para iniciantes)
- Capítulo 4: Resultados (apenas descrição de dados)
- Capítulo 5: Discussão (apenas interpretação)
Opção B: Capítulo integrado (requer mais experiência)
- Estrutura clara por variável ou tema
- Para cada bloco: primeiro os dados, depois a interpretação
- Separação visual e linguística consistente
O vídeo “Resultados e discussões: O que são na sua dissertação ou tese?” explica visualmente esta diferença de forma muito clara.
Consulta sempre o regulamento do teu programa e a preferência do teu orientador. Algumas áreas preferem capítulos integrados; outras, separados.
E lembra-te: uma análise de dados bem organizada facilita imenso a discussão. Se a análise está confusa, a discussão também estará.
Erro #7 — Terminar Sem Implicações Práticas
❌ O Erro:
Concluir a discussão abruptamente após as limitações. Não explicar para que serve o conhecimento que produziste. Esquecer recomendações para a prática ou investigação futura.
O leitor termina e pensa: “OK, encontraste isto. E então? Para que serve?”
🚨 Por Que Reprova:
Deixa o avaliador a questionar a relevância do trabalho. Não demonstra capacidade de transferir conhecimento para contextos reais. Enfraquece o impacto percebido de toda a tese.
✅ Como Corrigir:
Inclui duas subsecções finais:
1. Implicações para a Prática
- Quem pode usar estes resultados?
- Como podem ser aplicados?
- Em que contextos são relevantes?
2. Recomendações para Investigação Futura
- Que perguntas ficam por responder?
- Que metodologias alternativas poderiam ser usadas?
- Que populações deveriam ser estudadas?
Atenção: mantém as implicações proporcionais aos resultados. Não prometas revoluções baseadas num estudo com 50 participantes.
Estrutura Eficaz: Como Organizar a Discussão Passo a Passo
Agora que conheces os erros a evitar, vamos à parte construtiva: como organizar uma discussão que impressiona.
Template de Estrutura para o Capítulo de Discussão
1. Parágrafo Introdutório (50-100 palavras)
- Recapitula brevemente o propósito do estudo
- Anuncia a estrutura da discussão que se segue
2. Discussão dos Resultados Principais (corpo do capítulo)
- Organiza por objetivo/pergunta de investigação OU por tema/variável
- Para cada bloco: resultado → interpretação → comparação com literatura → significado
3. Limitações do Estudo (200-400 palavras)
- Honestidade sobre constrangimentos metodológicos
- Impacto das limitações nos resultados
4. Implicações (200-400 palavras)
- Para a teoria (contributo conceptual)
- Para a prática (aplicações concretas)
- Para a investigação futura (portas abertas)
5. Síntese Final (100-150 palavras)
- Reafirma a contribuição central
- Prepara o terreno para as conclusões
O Fluxo Argumentativo Ideal
Para cada resultado principal, segue este padrão:
↓
Interpretação → “Este resultado sugere que…”
↓
Comparação → “Corrobora/Contrasta com Silva (2022)…”
↓
Explicação → “A diferença pode dever-se a…”
↓
Significado → “Isto implica que…”
Quando este fluxo se torna automático, a discussão escreve-se quase sozinha.
Na tesify.pt, desenvolvemos ferramentas de IA que te ajudam a estruturar este fluxo argumentativo de forma natural. O Smart Guide cria uma checklist personalizada para cada secção da tua discussão, garantindo que não saltas nenhum passo.
Checklist: A Tua Discussão Está Pronta?
Antes de entregares, passa por esta lista de verificação:
✅ Estrutura e Organização
- ☐ A discussão segue uma ordem lógica (por objetivo ou por tema)?
- ☐ Existe parágrafo introdutório que orienta o leitor?
- ☐ Há subsecção dedicada às limitações?
- ☐ Inclui implicações práticas e/ou teóricas?
- ☐ Termina com síntese que prepara as conclusões?
✅ Conteúdo e Argumentação
- ☐ Cada resultado principal é interpretado (não apenas repetido)?
- ☐ Há comparação sistemática com a literatura existente?
- ☐ As afirmações são proporcionais aos dados?
- ☐ Todas as perguntas de investigação têm resposta explícita?
- ☐ Explico as divergências com estudos anteriores?
✅ Linguagem e Rigor
- ☐ Uso verbos de interpretação (“sugere”, “indica”, “pode explicar”)?
- ☐ Evito linguagem absoluta (“prova”, “demonstra definitivamente”)?
- ☐ Distingo claramente entre correlação e causalidade?
- ☐ A linguagem é académica mas acessível?
✅ Conexões
- ☐ A discussão dialoga com a revisão de literatura?
- ☐ Está alinhada com a metodologia definida?
- ☐ Prepara o terreno para as conclusões?
- ☐ Há coerência entre introdução, metodologia, resultados e discussão?
Se assinalaste menos de 80% dos itens, a tua discussão provavelmente precisa de revisão.
Não tens de fazer isto sozinho. Na tesify.pt, o Smart Revision analisa automaticamente a coerência da tua discussão e sugere melhorias específicas — mantendo sempre a tua voz e estilo.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual a diferença entre resultados e discussão na tese?
O capítulo de resultados apresenta os dados de forma objetiva (tabelas, gráficos, estatísticas), enquanto a discussão interpreta esses dados, compara-os com estudos anteriores e explica o seu significado no contexto da investigação.
Quantas páginas deve ter a discussão de uma tese de mestrado?
Tipicamente, a discussão ocupa entre 15% a 25% da tese total. Para uma tese de 80 páginas, espera-se uma discussão de 12 a 20 páginas. Contudo, a qualidade da argumentação é mais importante que a extensão.
Posso juntar resultados e discussão num só capítulo?
Sim, algumas áreas científicas e programas de mestrado permitem ou até preferem capítulos integrados. Verifica o regulamento do teu programa e consulta o teu orientador. Se optares por integrar, mantém uma estrutura clara que distinga descrição de interpretação.
O que escrever quando os resultados contradizem a literatura?
Apresenta a divergência de forma transparente e propõe explicações: diferenças metodológicas, contexto cultural, características da amostra, ou evolução temporal do fenómeno. Resultados divergentes podem ser contributos valiosos se bem argumentados.
Como evitar repetir os resultados na discussão?
Aplica a regra do “E então?”: cada parágrafo deve ir além da descrição e responder ao significado do resultado. Usa verbos de interpretação (sugere, indica, implica) em vez de verbos descritivos (verificou-se, observou-se).
Conclusão: Transforma a Discussão no Ponto Forte da Tua Tese
Chegaste ao fim deste guia. E se aplicares o que aprendeste, a discussão da tua tese vai destacar-se.
Vamos recapitular os 7 erros fatais a evitar:
- Repetir resultados sem interpretar — lembra-te: “E então?”
- Ignorar a literatura — compara sempre com estudos anteriores
- Esconder limitações — a honestidade demonstra maturidade
- Afirmar sem suporte — mantém as conclusões proporcionais aos dados
- Não responder às perguntas — fecha o ciclo da investigação
- Misturar sem critério — escolhe uma estrutura e mantém-na
- Terminar sem implicações — mostra o valor prático do teu trabalho
A discussão é onde demonstras que és mais do que um colecionador de dados. É onde mostras pensamento crítico, domínio da área, e capacidade de contribuir para o conhecimento.
O próximo passo? Abre a tua discussão (ou o documento onde vais escrevê-la) e aplica a checklist que partilhei. Identifica os pontos fracos. Melhora um de cada vez.
E se precisares de apoio estruturado, a tesify.pt está aqui para ajudar. As nossas ferramentas de IA foram desenhadas especificamente para estudantes de mestrado portugueses — com templates, checklists e feedback personalizado que respeitam as normas académicas nacionais.
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