Passaste meses — talvez até anos — a trabalhar na tua tese. Noites sem dormir, pilhas de artigos científicos, revisões intermináveis. Finalmente, clicas em “submeter” com aquele suspiro de alívio. E depois… recebes um email que te gela o sangue.
“O seu trabalho foi sinalizado pelo sistema de deteção de inteligência artificial. Aguarde contacto do júri.”
Parece ficção científica? Infelizmente, em 2025, esta é a realidade de um número crescente de estudantes portugueses. E aqui está o que verdadeiramente assusta: nem todos os que recebem este email usaram IA. Alguns foram simplesmente vítimas de falsos positivos — ou cometeram erros que poderiam ter sido facilmente evitados.
Dados recentes da Direção-Geral do Ensino Superior indicam que mais de 85% das universidades portuguesas já implementaram alguma forma de verificação de IA nos trabalhos académicos. Lisboa, Porto, Coimbra — todas equipadas com ferramentas que analisam cada parágrafo que submetes.

A boa notícia? Com o conhecimento certo, podes proteger-te completamente. Neste artigo, vais descobrir os 5 erros fatais que estão a reprovar estudantes — e, mais importante, como evitá-los. Mesmo que nunca tenhas usado ChatGPT na vida, há informação aqui que pode salvar a tua tese.
Como Funcionam os Detectores de IA nas Universidades Portuguesas
Antes de falarmos dos erros, precisas de entender contra o quê estás a lutar. A maioria dos estudantes não faz ideia de como estes sistemas funcionam — e essa ignorância é o primeiro passo para a reprovação.
Pensa na deteção de IA como uma “impressão digital linguística”. Cada um de nós escreve de forma única — com pausas, hesitações, variações de ritmo, expressões preferidas. A IA, por outro lado, escreve de forma estatisticamente previsível.
Os detectores analisam dois conceitos principais:
- Perplexidade: Quão “surpreendente” é cada palavra? Humanos são imprevisíveis; a IA escolhe sempre a opção mais provável.
- Burstiness: Humanos alternam entre frases curtas e longas, simples e complexas. A IA mantém um ritmo uniforme.
É como comparar uma conversa natural com alguém a ler um teleprompter — mesmo que as palavras sejam corretas, algo parece… mecânico.

As principais instituições de ensino superior em Portugal utilizam ferramentas como Turnitin AI Detection (ULisboa, UPorto, UMinho), GPTZero (UCoimbra, UNL), Originality.ai (ISCTE, Universidade de Aveiro) e Copyleaks (Universidade do Algarve, UBI). A precisão varia entre 82% e 95% — o que significa que erros acontecem dos dois lados.
Um estudo publicado pela Stanford University em 2024 revelou que detectores de IA apresentam uma taxa de falsos positivos entre 5% e 15%. O problema agrava-se com textos académicos formais, estudantes não nativos e áreas técnicas com terminologia específica.
Os 5 Erros Fatais Que Estão a Reprovar Estudantes
Agora sim, vamos ao que interessa. Estes são os erros que vejo repetidamente — e que podes evitar a partir de hoje.
Erro #1 – Confiar Cegamente Num Único Detector
Este é o erro mais perigoso pela falsa sensação de segurança que cria. Passas o texto pelo GPTZero e obtens 8% de probabilidade de IA. Ótimo, certo? Submetes tranquilo. Mas a tua universidade usa Turnitin — que devolve 67%. E agora?
Cada ferramenta usa algoritmos diferentes, foi treinada com dados diferentes, e analisa aspetos diferentes do texto. A discrepância entre detectores pode variar até 60 pontos percentuais para o mesmo texto.
Como evitar: Usa pelo menos 2-3 ferramentas diferentes antes de submeter. Compara os resultados e analisa quais secções são sinalizadas em comum. Dá prioridade às ferramentas que a tua universidade utiliza.
Erro #2 – Não Verificar o Próprio Trabalho Antes da Entrega
“Eu não usei IA, portanto não tenho de me preocupar” — este raciocínio ignora completamente a realidade dos falsos positivos.
O teu estilo de escrita académica, formal e estruturado, pode naturalmente parecer “robótico” aos olhos de um algoritmo. Aquela secção de metodologia que escreveste com tanto cuidado, seguindo templates académicos? Pode ser sinalizada.
Conheço o caso de uma estudante brilhante que viu a tese sinalizada com 45% de probabilidade de IA — num trabalho genuinamente original. O problema? Tinha um estilo de escrita extremamente formal e consistente.
Como evitar: Verifica secção por secção durante o processo de escrita. Guarda todos os relatórios de verificação como prova. Se uma secção for sinalizada, reescreve com mais personalidade e exemplos pessoais.
Erro #3 – Usar IA Sem Declaração Adequada

Aqui está uma verdade que muitos desconhecem: a maioria das universidades portuguesas não proíbe completamente o uso de IA. O que proíbem é o uso não declarado.
Usaste o ChatGPT para brainstorming? Legítimo — desde que declares. Pediste ao Claude para estruturar um capítulo? Aceitável em muitas instituições — se mencionares. Muitos estudantes usam IA para tarefas “inocentes” e assumem que não conta. Conta. E quando o detector sinaliza padrões no teu texto, não tens defesa se nunca declaraste.
Como evitar: Consulta o regulamento de integridade académica da tua faculdade. Declara qualquer uso de ferramentas de IA, por menor que pareça. Na dúvida, pergunta ao orientador antes — não depois de seres apanhado.
Erro #4 – Parafrasear Conteúdo de IA Superficialmente
O raciocínio é este: “Vou pedir ao ChatGPT para escrever, depois troco umas palavras por sinónimos, mudo a ordem das frases, e fica indetectável.” Errado.
Os detectores modernos não analisam apenas palavras — analisam estruturas semânticas, padrões de raciocínio, e fluxo lógico. A paráfrase superficial de conteúdo gerado por IA mantém aproximadamente 70-80% das características detetáveis.
É como tentar disfarçar um carro mudando apenas a cor — a carroçaria, o motor, o chassis… tudo continua igual.
Como evitar: Usa IA apenas como ponto de partida para ideias. Reescreve completamente, com a tua voz. Lê o output, fecha a janela, e escreve do zero com base no que aprendeste.
Erro #5 – Desconhecer as Normas da Tua Universidade
Portugal tem dezenas de instituições de ensino superior — e cada uma tem as suas próprias regras. O que é aceitável no Minho pode ser motivo de expulsão na Nova de Lisboa.
Algumas universidades exigem declarações formais de não utilização. Outras permitem uso assistido desde que documentado. Há faculdades que distinguem entre IA para pesquisa e IA para escrita. “Eu não sabia” não é defesa perante um júri académico.
Como evitar: Consulta o regulamento da tua faculdade — está disponível online. Pede esclarecimentos por escrito se houver ambiguidade. Documenta tudo para te protegeres.
O Que Esperar nos Próximos Anos

O panorama está a mudar rapidamente. A próxima geração de ferramentas já não se limita a analisar texto estático — vai monitorizar o processo de escrita em tempo real. Pausas, retrocessos, ritmo de digitação, padrões de edição. Esta tecnologia já está a ser testada.
A tendência em Portugal não é a proibição total — é a regulamentação clara. O Ministério da Ciência está a trabalhar com as principais universidades para criar guidelines nacionais. Espera-se para 2026 políticas unificadas e formação obrigatória em ética de IA para doutorandos.
A mudança mais significativa? A defesa oral vai ganhar peso. Se consegues defender com profundidade o que escreveste, demonstras autoria genuína. Se gaguejas quando te perguntam sobre um capítulo, levantas suspeitas.
Checklist Antes de Submeter
✅ Verifica antes de cada entrega:
- ☐ Conheço as regras específicas da minha universidade
- ☐ Declarei qualquer uso de ferramentas de IA
- ☐ Verifiquei o trabalho em múltiplos detectores
- ☐ Guardei relatórios de verificação como prova
- ☐ Reescrevi genuinamente qualquer conteúdo assistido
- ☐ Adicionei reflexões pessoais e exemplos originais
- ☐ Consultei o orientador sobre dúvidas
- ☐ Guardei rascunhos anteriores como prova de processo
- ☐ Estou preparado para defender oralmente cada secção
A realidade é simples: a deteção de IA nas universidades portuguesas veio para ficar. Não podes ignorá-la, mas podes dominar as regras do jogo. Os cinco erros que partilhei contigo são evitáveis — e agora tens as ferramentas para os evitar.
A tua tese merece chegar ao fim do percurso sem sobressaltos. Faz a tua parte, conhece as regras, e submete com confiança. O resto é trabalho académico como sempre foi — só que agora com mais um checkpoint no caminho.




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