Conclusão TCC Exemplo: Como Escrever uma Conclusão que Impressiona a Banca
A conclusão do TCC é o capítulo que os professores da banca leem com mais atenção logo depois do resumo — e um dos que mais geram questionamentos na defesa. Muitos estudantes chegam às últimas páginas exaustos e escrevem uma conclusão vaga, que repete o que já foi dito, ou pior, introduz informações novas que pertencem ao desenvolvimento. O resultado é uma conclusão fraca que diminui o impacto de um trabalho que pode ter sido excelente em todo o resto.
Este guia mostra exatamente como escrever uma conclusão de TCC forte: os 5 elementos que não podem faltar, dois exemplos comentados (Administração e Pedagogia), o que a banca avalia nessa seção, e os erros que transformam uma boa conclusão em medíocre. Ao final, você terá um modelo claro para adaptar ao seu próprio trabalho.
Conclusão vs. Considerações finais: qual usar?
Esta dúvida aparece em quase todos os TCCs. A distinção técnica é sutil, mas importante:
| Termo | Quando usar | Tom |
|---|---|---|
| Conclusão | Pesquisas hipotético-dedutivas, pesquisas quantitativas onde os resultados permitem afirmações conclusivas | Assertivo — “os resultados demonstraram que…” |
| Considerações finais | Pesquisas qualitativas, exploratórias, bibliográficas — onde as afirmações têm caráter mais reflexivo e provisório | Reflexivo — “os dados sugerem que…”, “observou-se que…” |
Na prática, a maioria dos orientadores aceita ambos os termos. Se sua pesquisa foi quantitativa com resultados estatisticamente significativos, use “Conclusão”. Se foi qualitativa, use “Considerações finais” — soa mais adequado epistemologicamente. Confirme sempre com seu orientador.
Os 5 elementos essenciais da conclusão do TCC
Estes cinco elementos devem aparecer em toda conclusão de TCC bem escrita. Não precisam seguir esta ordem rigidamente, mas todos devem estar presentes:
Elemento 1: Retomada do objetivo geral
Comece relembrando o que o trabalho se propôs a fazer. Não copie e cole da introdução — reformule com outras palavras, indicando que o objetivo foi alcançado (ou parcialmente alcançado, com justificativa). Exemplo: “Este trabalho teve como objetivo geral analisar o impacto da liderança transformacional na satisfação dos colaboradores em startups de tecnologia de Belo Horizonte, objetivo que foi alcançado a partir de…”
Elemento 2: Síntese dos principais resultados
Resuma os achados mais relevantes — não todos, apenas os principais. Esta síntese deve ser seletiva: o leitor da conclusão já leu os resultados; o que você está fazendo aqui é destacar o que realmente importa para responder ao problema. Use 2–4 parágrafos para cobrir os resultados mais significativos.
Elemento 3: Resposta ao problema de pesquisa
Este é o momento mais importante da conclusão: responder diretamente à pergunta que motivou a pesquisa. Se sua pergunta foi “Quais fatores influenciam a evasão escolar no Ensino Médio público?”, sua conclusão deve dizer explicitamente quais fatores foram identificados. Uma conclusão que não responde ao problema de pesquisa está incompleta.
Elemento 4: Limitações do estudo
Toda pesquisa tem limitações — e declará-las não enfraquece o trabalho, pelo contrário: demonstra maturidade acadêmica e honestidade científica. Limitações comuns incluem: tamanho reduzido da amostra, recorte geográfico ou temporal específico, dificuldades no acesso a dados, metodologia única que impede triangulação. Seja específico e honesto, sem catastrofizar.
Elemento 5: Sugestões para pesquisas futuras
A conclusão deve apontar para frente: o que este trabalho sugere que seja investigado em continuidade? Essas sugestões devem emergir das limitações (o que não foi possível fazer aqui) e dos achados (novas perguntas que surgiram). Demonstra que o estudante pensa além do próprio trabalho e compreende o contexto científico mais amplo.
Como conectar a conclusão à introdução
A estrutura de um TCC é circular: a conclusão deve “fechar o círculo” iniciado na introdução. Isso significa que:
- O problema de pesquisa da introdução deve ter resposta na conclusão
- Os objetivos específicos da introdução devem ser retomados individualmente
- A justificativa da introdução (“por que este tema é relevante”) deve ser validada pelos resultados
Um truque prático: após escrever a conclusão, coloque-a lado a lado com a introdução e verifique se cada elemento encontra seu “par”. Se algo na introdução fica sem resposta na conclusão, há uma inconsistência que a banca vai perceber.
Para garantir que a introdução e a conclusão se complementam, veja nosso guia de introdução do TCC com exemplos — especialmente a seção sobre estrutura circular.
Exemplo comentado: Conclusão de Administração
TCC: “Estratégias de Fidelização de Clientes em E-commerce de Moda: Um Estudo Multicaso em Startups Brasileiras”
5 CONCLUSÃO
Este trabalho teve como objetivo geral identificar as estratégias de fidelização de clientes adotadas por startups brasileiras de e-commerce de moda e analisar sua efetividade percebida pelos gestores. O objetivo foi plenamente alcançado por meio de estudo multicaso com três empresas do ecossistema de startups de São Paulo, combinando entrevistas semiestruturadas com análise documental. [Elemento 1: retomada do objetivo — reformulada, não copiada]
Os resultados evidenciaram que as estratégias mais utilizadas pelas empresas estudadas são os programas de pontos com benefícios progressivos, a personalização de comunicações via e-mail marketing baseada em histórico de compras, e a experiência de unboxing como diferencial emocional. [Elemento 2: síntese dos principais resultados — seletiva] Destaca-se que as empresas com maior taxa de recompra (acima de 40%) compartilham uma característica comum: integração entre o programa de fidelidade e o aplicativo móvel próprio, com notificações personalizadas baseadas no comportamento de navegação.
Em resposta ao problema de pesquisa — “Quais estratégias de fidelização são mais efetivas para startups de e-commerce de moda no Brasil?” —, conclui-se que não existe uma estratégia universalmente superior, mas que a combinação entre personalização baseada em dados e construção de comunidade de marca apresenta o melhor custo-benefício para o porte das empresas estudadas. [Elemento 3: resposta direta ao problema — a mais importante]
Esta pesquisa apresenta limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. O estudo multicaso com três empresas, embora profundo, não permite generalizações estatísticas. Adicionalmente, as três empresas estão localizadas em São Paulo, o que pode não refletir a realidade de e-commerces de outras regiões do Brasil, onde o comportamento do consumidor e as condições logísticas diferem significativamente. [Elemento 4: limitações — específicas e honestas]
Para pesquisas futuras, sugere-se: (a) a replicação do estudo em empresas de outros estados, especialmente do Norte e Nordeste, onde o e-commerce cresce a taxas superiores à média nacional; (b) a investigação quantitativa da correlação entre investimento em personalização e taxa de retenção em amostras maiores; (c) o estudo comparativo entre estratégias de fidelização no e-commerce de moda e outros segmentos (eletrônicos, alimentos). [Elemento 5: agenda de pesquisa — específica e derivada das limitações]
Por que esta conclusão funciona
- Retoma o objetivo com verbo no passado (“foi plenamente alcançado”)
- A síntese de resultados é seletiva — não repete o capítulo inteiro
- Responde diretamente ao problema de pesquisa (citado entre aspas para deixar claro)
- Limitações são específicas (número de empresas, concentração geográfica)
- Sugestões futuras são derivadas das limitações e dos achados, não genéricas
- Sem novas citações ou informações que não apareceram antes
Exemplo comentado: Considerações Finais de Pedagogia
TCC: “Inclusão de Alunos com Transtorno do Espectro Autista no Ensino Regular: Percepções de Professores da Rede Municipal de Goiânia”
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa buscou compreender as percepções de professores do Ensino Fundamental I da rede municipal de Goiânia sobre a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em turmas regulares, objetivo que foi contemplado por meio de pesquisa qualitativa com 14 professoras entrevistadas em seis escolas da região central do município. [Objetivo reformulado — “contemplado” é bom verbo para pesquisa qualitativa]
Os dados revelaram um paradoxo central: embora 92% das professoras afirmem acreditar no princípio da inclusão escolar, apenas 28% relatam sentir-se preparadas para atender alunos com TEA em turmas regulares. A formação inicial emergiu como o principal gargalo — nenhuma das entrevistadas cursou disciplina específica sobre TEA na graduação em Pedagogia. A colaboração com o professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) foi apontada por todas como o principal apoio, mas 11 das 14 entrevistadas relatam que o AEE funciona de forma insuficiente nas suas unidades escolares. [Síntese de resultados — com dado quantitativo mesmo sendo pesquisa qualitativa]
Diante desses achados, é possível sugerir que a inclusão efetiva de alunos com TEA no ensino regular enfrenta obstáculos sistêmicos que vão além da vontade individual dos professores: a formação inicial inadequada, a insuficiência do AEE e a falta de apoio gestacional configuram um sistema que declara a inclusão como valor mas não oferece as condições para concretizá-la. [Resposta ao problema — tom reflexivo, adequado para pesquisa qualitativa]
Reconhece-se que os resultados desta pesquisa têm alcance limitado ao contexto municipal de Goiânia e ao período de coleta (primeiro semestre de 2026), não sendo passíveis de generalização para outras redes municipais. A perspectiva das famílias e dos próprios alunos com TEA, ausente neste estudo por escolha metodológica, representaria um enriquecimento importante para compreensão mais completa do fenômeno. [Limitações honestas e específicas]
Espera-se que este trabalho contribua para o debate sobre políticas de formação continuada no município de Goiânia e sirva de base para pesquisas futuras que: (a) incluam a perspectiva das famílias; (b) realizem comparação entre redes municipais com diferentes investimentos em formação docente; (c) acompanhem longitudinalmente o desenvolvimento de alunos com TEA em classes inclusivas versus especializadas. [Contribuição + agenda futura]
O que NÃO incluir na conclusão
Estes são os elementos que não devem aparecer na conclusão e que, quando presentes, sinalizam para a banca que o estudante não domina a escrita acadêmica:
- Informações novas: Qualquer dado, resultado ou argumento que não foi apresentado no desenvolvimento não pertence à conclusão. Se você se pegou escrevendo algo novo, é porque falta um parágrafo no desenvolvimento.
- Novas citações: Conclusão não tem citações de autores externos. Eventualmente é possível usar uma citação de reforço, mas o padrão geral é que a conclusão é a voz do próprio autor.
- Frases de encerramento genéricas: “Espera-se que este trabalho tenha contribuído de alguma forma para a área” é vaga e fraca. Seja específico sobre a contribuição.
- Repetição literal do resumo ou da introdução: A conclusão deve ser diferente do resumo — ela responde ao problema após a apresentação completa dos resultados, não antes.
- Autoelogio excessivo: “Esta pesquisa trouxe contribuições fundamentais e revolucionárias” soa arrogante. Deixe a avaliação do impacto para os outros; você apenas declara o que foi feito e encontrado.
- Justificativa do tema: A justificativa fica na introdução. A conclusão não precisa reexplicar por que o tema é importante.
O que a banca avalia na conclusão do TCC
Os membros de uma banca examinadora geralmente verificam na conclusão:
- Coerência interna: A conclusão é consistente com os resultados apresentados? Nada na conclusão “aparece do nada”.
- Resposta ao problema: O problema de pesquisa foi efetivamente respondido? Se a pergunta foi “quais fatores X”, a resposta lista esses fatores.
- Consciência das limitações: O estudante demonstra compreensão dos limites do seu próprio estudo — sinal de maturidade acadêmica.
- Visão prospectiva: As sugestões de pesquisa futura revelam que o estudante pensa além do próprio trabalho e compreende o campo.
- Clareza e objetividade: A conclusão vai direto ao ponto. Bancas valorizam estudantes que sabem ser sintéticos sem perder profundidade.
Erros que enfraquecem a conclusão do TCC
- Começar com “Concluindo,” ou “Por fim,”: Redundante — você está no capítulo “Conclusão”, o leitor já sabe que está concluindo.
- Objetivos específicos sem resposta: Se você listou 4 objetivos específicos na introdução, cada um deve ser contemplado na conclusão.
- Limitações no final, como se fossem desculpa: Integre as limitações naturalmente ao texto, como reflexão acadêmica, não como defesa.
- Sugestões de pesquisa genéricas: “Sugere-se que futuras pesquisas estudem mais o tema” não diz nada. Seja específico sobre o quê, como e por quê.
- Extensão excessiva: A conclusão deve ter 2 a 5 páginas. Se passar disso, você provavelmente está repetindo o desenvolvimento ou adicionando informações novas.
- Tom de derrota: Apresentar as limitações de forma tão ampla que pareça que o trabalho não valeu nada. Reconheça as limitações, mas afirme o que o trabalho contribuiu dentro delas.
Erros de formatação também afetam a nota. Consulte nosso guia sobre os erros de ABNT mais comuns no TCC para garantir que a formatação da conclusão (e do trabalho inteiro) está correta.
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Perguntas frequentes sobre conclusão do TCC
Quantas páginas deve ter a conclusão do TCC?
A conclusão do TCC deve ter entre 2 e 5 páginas em trabalhos de graduação. A ABNT não define um número específico, mas esse é o intervalo mais aceito pelos orientadores. Uma conclusão muito curta (menos de uma página) indica superficialidade. Uma muito longa (mais de 6–7 páginas) geralmente indica que o estudante está repetindo o desenvolvimento ou adicionando informações novas que deveriam estar no corpo do trabalho.
Posso usar citações na conclusão do TCC?
Tecnicamente é possível, mas não é a prática recomendada. A conclusão é o espaço onde o autor sintetiza e avalia os próprios resultados — usar muitas citações de outros autores nessa seção diminui a voz do pesquisador e sugere que ele não tem confiança suficiente nas próprias conclusões. Se absolutamente necessário, use apenas uma citação de reforço muito específica, e apenas de autores já citados no desenvolvimento. Nunca introduza autores novos na conclusão.
Qual a diferença entre conclusão e considerações finais no TCC?
“Conclusão” é mais assertivo e adequado para pesquisas hipotético-dedutivas e quantitativas, onde os resultados permitem afirmações mais definitivas. “Considerações finais” é mais reflexivo e adequado para pesquisas qualitativas, exploratórias ou bibliográficas, onde as afirmações têm caráter mais provisório e contextual. Estruturalmente, ambos contêm os mesmos 5 elementos (objetivo, resultados, resposta ao problema, limitações, pesquisas futuras). A diferença está no tom e no tipo de linguagem usada.
O que fazer quando os resultados não confirmaram a hipótese do TCC?
Este é um cenário comum e academicamente legítimo. Na conclusão, afirme claramente que a hipótese não foi confirmada pelos dados, apresente as possíveis razões (limitações metodológicas, especificidade da amostra, complexidade do fenômeno) e discuta o que isso significa para o campo de conhecimento. Hipóteses rejeitadas não significam pesquisa fracassada — signficam que você encontrou uma resposta diferente da esperada, o que também é uma contribuição científica válida. Evite forçar os dados para confirmar o que você queria encontrar.
Como escrever as sugestões de pesquisas futuras na conclusão?
As sugestões de pesquisas futuras devem ser derivadas de duas fontes: (1) das limitações do seu estudo — o que ficou de fora por limitações de tempo, recursos ou metodologia; (2) dos achados inesperados — perguntas novas que surgiram a partir dos resultados. Seja específico: em vez de “sugere-se mais estudos sobre o tema”, escreva “sugere-se pesquisa longitudinal com amostra representativa nacional para verificar se os padrões identificados neste estudo de caso se mantêm em escala maior”. Sugestões específicas demonstram maturidade científica.
A conclusão do TCC tem número de seção (5, 6, etc.)?
Sim. Segundo a ABNT NBR 14724, a conclusão é um elemento textual primário e deve ter número de seção como os demais capítulos. Por exemplo, se o desenvolvimento ocupa os capítulos 2, 3 e 4, a conclusão é o Capítulo 5. Deve aparecer no sumário com o número correspondente e seu título em maiúsculas negrito (seção primária). As referências que vêm depois da conclusão são elementos pós-textuais e não têm número de seção.
Quanto tempo antes da defesa devo escrever a conclusão?
Idealmente, escreva a conclusão pelo menos 2 a 3 semanas antes da defesa, para que o orientador possa revisá-la. A conclusão é frequentemente a seção mais revisada, pois erros nela são visíveis para a banca logo no início da leitura. Uma estratégia eficaz: escreva um rascunho da conclusão antes de terminar o desenvolvimento, apenas com o esqueleto dos 5 elementos. Depois que terminar os resultados, volte e preencha com as respostas reais. Isso garante que você não esquece nenhum elemento e que a conclusão responde efetivamente ao problema definido no início.
A conclusão do TCC deve mencionar implicações práticas?
Sim, especialmente em cursos de Ciências Sociais Aplicadas (Administração, Contabilidade, Direito, Serviço Social) e áreas da saúde (Enfermagem, Fisioterapia). Após responder ao problema de pesquisa, inclua um parágrafo sobre implicações práticas: o que gestores, professores, profissionais ou políticas públicas podem fazer com base nos seus achados. Para pesquisas básicas (Física, Química, Matemática), as implicações são geralmente mais teóricas — contribuições para o campo do conhecimento em si.
Para estruturar o trabalho completo com coerência entre todas as seções, consulte nosso guia completo de como fazer TCC. Para garantir que a metodologia — que a conclusão precisa retomar — está bem descrita, veja o guia de metodologia do TCC com exemplos. Se você também precisa escrever artigos com normas internacionais, o guia de normas APA sétima edição oferece comparativos úteis com a ABNT.
