Como Escrever a Introdução da Dissertação de Mestrado: Passo a Passo
A introdução é o primeiro capítulo que o júri lê — e é onde a primeira impressão é formada. Muitos estudantes cometem o erro de escrever a introdução em primeiro lugar, quando na realidade ela deve ser escrita por último (ou pelo menos revista por último). Saber como escrever a introdução da tese passo a passo é determinante para o sucesso da dissertação de mestrado em 2026.
Uma boa introdução funciona como um “mapa” da tua tese: o leitor deve ficar a saber exatamente o que vai encontrar, porquê é relevante e como está organizado o trabalho.
Componentes essenciais da introdução
A introdução da dissertação de mestrado deve conter estes elementos, geralmente nesta ordem:
- Contexto amplo do tema — O “big picture” que contextualiza o tema
- Estreitamento para o problema específico — Da visão geral para o específico
- Justificação do estudo — Porquê este tema, porquê agora
- Objetivos gerais e específicos — O que a investigação pretende alcançar
- Questões de investigação — As perguntas que guiam o estudo
- Âmbito e delimitações — O que está e não está incluído no estudo
- Estrutura da dissertação — Descrição breve de cada capítulo
Passo 1: Contextualização do tema
Começa com uma abertura que capture a atenção e coloque o tema em contexto. Usa a técnica do “funil invertido”: começa no geral e estreita até ao específico.
Exemplo de má abertura: “Neste trabalho vou estudar o impacto da IA na educação.” — Demasiado direto e sem contexto.
Exemplo de boa abertura: “A integração de tecnologias de inteligência artificial no ensino superior transformou fundamentalmente as práticas pedagógicas nas últimas décadas, levantando questões centrais sobre qualidade, equidade e integridade académica. Em Portugal, onde mais de 350.000 estudantes frequentam o ensino superior em 2026, esta transformação é particularmente significativa…”
Passo 2: Problema de investigação
O problema de investigação é a lacuna no conhecimento que o teu estudo pretende preencher. Deve ser:
- Claro e específico — Não demasiado amplo
- Baseado em evidência — Referência a literatura que demonstra a lacuna
- Relevante — Para a área científica e/ou para a prática
Fórmula para enunciar o problema: “Embora [o que já se sabe], permanece pouco estudado/compreendido [o que não se sabe]. Este estudo pretende…”
Passo 3: Objetivos e questões de investigação
Os objetivos definem o que pretendes alcançar. Devem ser SMART:
- Specific (específicos)
- Measurable (mensuráveis)
- Achievable (alcançáveis)
- Relevant (relevantes)
- Time-bound (com prazo)
As questões de investigação são a formulação interrogativa dos objetivos. Devem começar por “Como”, “Quais”, “Em que medida”, “Qual a relação entre”… — nunca por “Sim/Não”.
Passo 4: Justificação e relevância
Justifica porquê este estudo é necessário e relevante. Inclui:
- Relevância teórica: Como contribui para o avanço do conhecimento científico na área
- Relevância prática: Como os resultados podem ser aplicados na prática
- Relevância temporal: Porquê é importante estudar isto agora
Passo 5: Estrutura da dissertação
O último elemento da introdução é uma breve descrição da estrutura da dissertação — um parágrafo que orienta o leitor sobre o que encontrará em cada capítulo.
Exemplo: “Esta dissertação está organizada em cinco capítulos. O Capítulo II apresenta a revisão da literatura sobre [tema]. O Capítulo III descreve a metodologia adotada. O Capítulo IV apresenta e analisa os resultados. O Capítulo V sintetiza as conclusões e apresenta recomendações.”
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Exemplo de abertura de introdução
“O processo de escrita académica em contexto universitário é simultaneamente uma competência fundamental e uma fonte de significativo stress para estudantes de todos os níveis de ensino. Em Portugal, onde o sistema de Bolonha impõe a produção de uma dissertação como requisito de conclusão de mestrado, o desenvolvimento de competências de escrita científica tornou-se uma prioridade institucional crescente (Santos, 2023; Ferreira & Costa, 2024). Apesar da relevância reconhecida desta competência, a literatura nacional sobre os fatores que influenciam a qualidade da escrita de dissertações de mestrado permanece escassa…“
Erros a evitar na introdução
- Começar com “Neste trabalho irei…” — É fraco e prescritivo
- Não ter um problema claro — A introdução deve responder “qual é a lacuna que estou a preencher?”
- Objetivos vagos — “Analisar o tema” não é um objetivo mensurável
- Introdução demasiado longa — A introdução é um mapa, não o destino
- Não incluir a estrutura da dissertação — O leitor precisa de orientação
- Escrever a introdução primeiro — Escreve-a por último ou revê-a por último
Perguntas frequentes
Quantas páginas deve ter a introdução da dissertação de mestrado?
Numa dissertação de mestrado de 80-120 páginas, a introdução deve ter 5-10 páginas (5-8% do total). Não deve ser demasiado longa — é um mapa, não um capítulo de revisão de literatura. Em teses de doutoramento, pode ser ligeiramente mais extensa (10-15 páginas).
Quando devo escrever a introdução?
A introdução deve ser escrita por último (ou revisto por último). A razão é simples: só quando terminares toda a investigação saberás exatamente o que a tua dissertação contém e como funciona como um todo. Muitos estudantes escrevem um rascunho inicial para guiar a escrita, mas a versão final deve sempre ser redigida depois de todos os outros capítulos estarem completos.
Qual a diferença entre a introdução e o enquadramento teórico?
A introdução contextualiza o problema, define objetivos e questões de investigação, e apresenta a estrutura da dissertação. O enquadramento teórico (ou revisão de literatura) aprofunda os conceitos e teorias relevantes, sintetiza o que a literatura científica sabe sobre o tema e identifica lacunas. São capítulos separados com funções distintas.
Devo citar muitas referências na introdução?
Sim, a introdução deve citar referências para fundamentar a contextualização e a justificação do problema. Uma introdução típica de mestrado tem 15-25 referências. As referências mais citadas na introdução são geralmente artigos de revisão, livros de referência da área e estudos recentes que demonstram a relevância e a lacuna do problema.
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