Como Entregar a Tese no SIGARRA/Fenix/Moodle: Guia 2026

Como Entregar a Tese no SIGARRA, Fenix e Moodle: Guia Completo 2026

Chegaste ao fim de meses (ou anos) de trabalho, o orientador aprovou — e agora? Saber como entregar a tese no sistema académico da tua universidade pode parecer simples, mas os detalhes técnicos — formato PDF/A, requisitos de metadados, opções de embargo, depósito automático no RCAAP — podem criar atrasos desnecessários mesmo a horas do prazo. Em Portugal, cada universidade usa o seu próprio sistema de gestão académica: a UPorto tem o SIGARRA, o IST usa o Fenix, a UC e a UMinho usam o Inforestudante, e a NOVA usa o Clip ou o NOVA ID.

Este guia percorre as plataformas mais utilizadas passo a passo, explica os requisitos de formato e metadados, clarifica as regras de embargo e descreve como funciona o depósito automático no RCAAP com o teu ORCID ligado.

Resposta rápida: Para entregar a tese em qualquer universidade portuguesa, precisas de: (1) ficheiro PDF/A (não um PDF normal), (2) aprovação do orientador no sistema académico, (3) ORCID registado, (4) metadados Dublin Core básicos (título, autor, resumos PT+EN, palavras-chave, área científica). O depósito no RCAAP é automático após a entrega na maioria das IES. O embargo de 12 ou 24 meses pode ser solicitado para trabalhos com potencial de comercialização ou com dados sensíveis.

1. Antes de entregar: checklist obrigatória

Antes de iniciares o processo de submissão no sistema académico, certifica-te de que tens todos os elementos em ordem:

  • Aprovação formal do orientador: na maioria das IES, o orientador tem de aprovar a submissão da tese no sistema antes de poderes avançar. Certifica-te de que este passo está feito com antecedência de pelo menos 5 dias úteis em relação ao prazo.
  • Versão final da tese em PDF/A: o formato PDF regular não é aceite na maioria das plataformas — vê a secção 2 abaixo para instruções de criação.
  • ORCID criado e activado: a maioria das IES exige ORCID para o depósito. Cria o teu em orcid.org — é gratuito e imediato.
  • Resumos em PT e EN: o resumo em português europeu e o abstract em inglês devem estar prontos (150–300 palavras cada, com 3–6 palavras-chave).
  • Declaração de uso de IA (se aplicável): muitas IES integram este documento no processo de submissão.
  • Decisão sobre embargo: se pretendes solicitar embargo, prepara a justificação com antecedência.
  • Dados de acesso ao sistema académico: assegura que te lembras das credenciais ou que tens a autenticação de dois factores configurada.

2. O formato PDF/A: o que é e como criar

O PDF/A é um subconjunto do formato PDF desenvolvido especificamente para arquivo a longo prazo. É o formato exigido pelos repositórios institucionais e pelo RCAAP porque garante que o documento pode ser lido em décadas, independentemente de actualizações de software.

As principais características do PDF/A são:

  • Todas as fontes (tipos de letra) estão incorporadas no ficheiro;
  • Não existem ligações externas (URLs activas, vídeos incorporados);
  • Os metadados estão em formato XMP padronizado;
  • Não é encriptado nem tem restrições de acesso.

Como converter para PDF/A

A partir do Microsoft Word (Windows):

  1. Ficheiro → Guardar Como → PDF
  2. Clica em “Mais opções” → “Opções”
  3. Selecciona “ISO 19005-1 compatível (PDF/A)”
  4. Guarda o ficheiro

A partir do Microsoft Word (Mac):

  1. Ficheiro → Exportar para → PDF
  2. Verifica se a opção “Melhor para impressão electrónica e online” está seleccionada (o Word para Mac produz PDF/A por padrão em versões recentes)
  3. Valida com o Adobe Acrobat ou com uma ferramenta online de validação PDF/A

A partir do LaTeX:

Adiciona ao preâmbulo: usepackage[a-1b]{pdfx} e compila com pdflatex. O template do IST e o da FEUP já incluem esta configuração por padrão nas versões actualizadas.

Validação: Podes validar o teu PDF/A em pdfa.org ou usando o Adobe Acrobat Pro (Ferramentas → PDF Standards).

3. Entrega via SIGARRA (Universidade do Porto)

O SIGARRA (Sistema de Informação para Gestão Agregada dos Recursos e dos Registos Académicos) é o sistema de informação académica da Universidade do Porto, utilizado pela FEUP, FEP, FLUP, FBA e outras faculdades.

Procedimento de submissão no SIGARRA

  1. Acede ao SIGARRA em sigarra.up.pt com as tuas credenciais institucionais.
  2. Menu “Dissertações / Teses” → “Submeter dissertação/tese”
  3. Preenche os metadados:
    • Título em PT e EN
    • Resumo (até 2.000 caracteres em PT e EN)
    • Palavras-chave (mínimo 3, máximo 6, em PT e EN)
    • Área científica (classificação da FCT)
    • Orientador(es) — selecciona da lista de docentes registados
    • ORCID do autor
  4. Carrega o ficheiro PDF/A da tese (tamanho máximo tipicamente 100 MB na FEUP; para ficheiros maiores, contacta os Serviços Académicos).
  5. Selecciona a opção de acesso: acesso aberto imediato ou embargo (12/24 meses com justificação obrigatória).
  6. Submete e aguarda a aprovação do orientador — o orientador recebe uma notificação automática e deve aprovar no sistema.
  7. Aprovação pelos Serviços Académicos — após a aprovação do orientador, os Serviços Académicos verificam o processo e confirmam a submissão. Após esta confirmação, o documento é transmitido automaticamente ao Repositório Institucional da UP e ao RCAAP.
Atenção FEUP: A FEUP exige também a submissão de 5 exemplares impressos da tese para a Biblioteca (os custos de impressão são do estudante). Esta exigência foi mantida mesmo após a pandemia, embora o número de exemplares e os procedimentos exactos possam variar — confirma com os Serviços de Documentação da FEUP.

4. Entrega via Fenix (IST / ULisboa)

O Fenix é o sistema de gestão académica do Instituto Superior Técnico (IST), da Faculdade de Direito e de outras unidades da Universidade de Lisboa. A submissão de teses e dissertações é feita inteiramente online.

Procedimento de submissão no Fenix (IST)

  1. Acede ao Fenix em fenix.tecnico.ulisboa.pt com o teu IST ID.
  2. Menu Académico → Trabalho Académico (ou “Dissertação” dependendo do curso).
  3. Proposta de tema e orientação: se ainda não registaste o tema e o orientador, faz-o nesta secção primeiro. Qualquer alteração de tema ou orientador também é feita aqui.
  4. Submissão final: após aprovação da tese pelo orientador (que aprova na sua área do Fenix), carrega o documento PDF da tese e do resumo alargado ou abstract estendido (em inglês, se a tese for em português).
  5. Metadados: preenche o título, resumos, palavras-chave (em ASCII — sem acentos para compatibilidade máxima), área científica.
  6. Acesso e embargo: selecciona acesso imediato ou embargado; o embargo pode ser solicitado por motivos de patenteação ou confidencialidade empresarial.
  7. Submissão e transmissão ao repositório: após a submissão final, o documento é integrado no Repositório do IST e transmitido automaticamente ao RCAAP.

Para detalhes específicos do procedimento no IST, consulta a página oficial de entrega de tese do Fenix.

5. Entrega via Inforestudante (UC, UMinho)

O Inforestudante é a plataforma de serviços académicos utilizada pela Universidade de Coimbra (UC) e pela Universidade do Minho (UMinho), entre outras.

Procedimento de submissão no Inforestudante

  1. Acede ao Inforestudante em inforestudante.uc.pt (UC) ou serviços.uminho.pt (UMinho) com as tuas credenciais.
  2. Serviços Académicos → Submissão de Dissertação
  3. Preenche os dados obrigatórios:
    • Título completo em PT e EN
    • Resumo em PT (150–300 palavras)
    • Abstract em EN (150–300 palavras)
    • Palavras-chave (PT e EN)
    • ORCID (obrigatório; podes criar e ligar neste passo se ainda não o fizeste)
    • Área científica e subárea
    • Orientador(es) — confirmados pelo orientador na plataforma
  4. Carrega os ficheiros: tese em PDF/A; autorização para depósito em repositório assinada digitalmente ou em papel (dependendo da versão da plataforma da IES).
  5. Declaração de autoria e originalidade: concordância com as políticas de acesso aberto da instituição.
  6. Submissão e validação pelos Serviços Académicos: o processo pode demorar entre 2 e 10 dias úteis. O repositório institucional e o RCAAP são actualizados automaticamente após validação.

6. Entrega via Clip/NOVA ID (Universidade NOVA)

A Universidade NOVA de Lisboa utiliza o sistema CLIP (nalgumas faculdades) ou o portal NOVA ID para a gestão académica e submissão de dissertações.

  1. Acede ao portal académico da tua escola (cada escola da NOVA pode ter o seu interface específico: NOVA SBE, NMS, FCSH, FCT/UNL).
  2. Segue o menu de submissão de dissertação — tipicamente em “Área do Aluno” → “Dissertação / Trabalho Final”.
  3. Preenche os metadados conforme indicado (semelhantes às outras plataformas).
  4. Carrega o ficheiro PDF/A e quaisquer documentos acessórios (declaração de autoria, AI disclosure).
  5. Aguarda a aprovação do orientador e dos Serviços Académicos — o prazo de validação na NOVA é tipicamente de 5 a 15 dias úteis.

7. Embargo: quando e como pedir

O embargo é o período durante o qual a tese, após estar depositada no repositório institucional e no RCAAP, não é acessível ao público. O documento existe no repositório, mas apenas os metadados (título, autor, resumo) são visíveis. O conteúdo completo só fica disponível após o fim do período de embargo.

Quando é legítimo pedir embargo?

  • Potencial de patenteação: se o trabalho contém uma invenção ou inovação tecnológica que está a ser avaliada para patente.
  • Confidencialidade empresarial: se a dissertação foi realizada em contexto de estágio ou colaboração com empresa, e os dados ou resultados são confidenciais.
  • Publicação científica prevista: algumas universidades aceitam embargo para proteger a prioridade de publicação num artigo científico.
  • Dados pessoais sensíveis: se a tese contém dados de participantes que não foram anonimizados adequadamente.

Prazos de embargo típicos

  • 12 meses: o período de embargo mais comum; requer justificação mas é concedido com maior facilidade.
  • 24 meses: reservado para situações com justificação mais forte (patente em processo, acordo de confidencialidade formal).
  • Prorrogação: em casos excepcionais, pode ser solicitada prorrogação do embargo, mas esta exige aprovação do Conselho Científico.

8. Depósito no RCAAP e ligação ORCID

O RCAAP (Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal) é o portal nacional que agrega os repositórios institucionais de todas as IES portuguesas. Em 2025, o RCAAP ultrapassou 1 milhão de documentos agregados, o que atesta a importância e dimensão do sistema.

O depósito no RCAAP, na maioria das IES, é automático após a validação da entrega nos sistemas académicos — não precisas de fazer nada separado. O repositório institucional da tua universidade exporta automaticamente os metadados e o ficheiro da tese para o RCAAP dentro de 24 a 72 horas após a validação final.

Ligação com ORCID

O ORCID (Open Researcher and Contributor ID) é um identificador digital persistente para investigadores. A maioria das IES e o próprio RCAAP promovem activamente a ligação entre a tese depositada e o ORCID do autor. Benefícios:

  • A tese aparece automaticamente no teu perfil ORCID;
  • O teu trabalho fica associado ao teu identificador permanente, mesmo que mudes de instituição;
  • Facilita a sincronização com o Ciência Vitae (o currículo académico português);
  • Aumenta a visibilidade e citabilidade do trabalho.

Para mais informações sobre o RCAAP como ferramenta de pesquisa, consulta o nosso artigo como pesquisar no RCAAP com IA em 2026.

9. Declaração de uso de IA na entrega

Em 2026, a declaração de uso de inteligência artificial passou a ser um elemento obrigatório — ou fortemente recomendado — no processo de submissão de dissertações em muitas universidades portuguesas. Esta declaração deve especificar:

  • Quais ferramentas de IA foram utilizadas (ChatGPT, Claude, Tesify, Grammarly, etc.);
  • Em que tarefas específicas foram utilizadas (revisão de texto, tradução, análise de dados, formatação);
  • Se foi gerado conteúdo que foi incorporado directamente na tese e em que extensão;
  • Que todos os resultados científicos e as interpretações são da autoria do estudante.

A maioria das plataformas de submissão (SIGARRA, Fenix, Inforestudante) já tem campos específicos ou um formulário separado para esta declaração em 2026. Para mais sobre as políticas de IA nas universidades portuguesas, consulta o nosso artigo sobre IA permitida nas universidades de Portugal 2026.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre PDF e PDF/A?

O PDF/A é uma versão do PDF especificamente desenhada para arquivo a longo prazo (norma ISO 19005). A principal diferença prática é que o PDF/A incorpora todas as fontes tipográficas no ficheiro, não permite ligações externas, não pode ser encriptado e tem metadados em formato padronizado. Um PDF normal pode não ter estas características e portanto não é adequado para arquivo permanente em repositório. A maioria das plataformas de submissão de teses em Portugal rejeita ficheiros que não cumpram a norma PDF/A.

O que acontece se perco o prazo de submissão da tese?

Perder o prazo de submissão pode implicar a necessidade de renovação de matrícula para o semestre seguinte (com pagamento das respectivas propinas) e o possível adiamento das provas públicas. Em casos de bolseiros FCT, a não submissão dentro do prazo pode afectar o pagamento da bolsa. Se prevês dificuldades em cumprir o prazo, contacta com antecedência os Serviços Académicos e o teu orientador — existem mecanismos de pedido de prorrogação que precisam de ser activados antes da data limite, não depois.

Posso submeter a tese sem ORCID?

Depende da IES. A maioria das universidades portuguesas tornou o ORCID obrigatório ou fortemente recomendado para a submissão de dissertações. Se ainda não tens ORCID, cria a tua conta em orcid.org — é gratuito e o processo demora menos de 10 minutos. Após criar a conta, podes ligar o teu ORCID ao Ciência Vitae e ao repositório da tua universidade.

Posso fazer correcções à tese depois de a submeter no sistema?

Antes das provas públicas, na maioria das plataformas podes submeter uma versão corrigida até à validação final pelos Serviços Académicos — contacta-os directamente se precisares de substituir o ficheiro. Após as provas públicas, se o júri determinar correcções, existe um procedimento específico de submissão de versão final corrigida, que é depois carregada no repositório em substituição da versão preliminar.

A tese vai aparecer no Google depois de depositada no RCAAP?

Sim, se não pediste embargo. O RCAAP e os repositórios institucionais estão indexados pelo Google Scholar e, em muitos casos, pelo próprio Google. A tua tese ficará disponível para pesquisa académica em todo o mundo — o que é uma das vantagens do acesso aberto. Se pediste embargo, os metadados (título, autor, resumo) serão visíveis, mas o ficheiro completo só estará disponível após o fim do período de embargo.

A preparar a versão final da tese para entrega?

Antes de submeter, assegura-te de que a formatação está correcta segundo as normas da tua IES (NP 405 ou APA 7.ª ed.), as referências bibliográficas estão completas e a verificação de plágio está feita. A Tesify faz tudo isto automaticamente em português europeu. Experimenta gratuitamente e chega à submissão com confiança.

Experimentar Tesify gratuitamente