Deixa-me contar-te algo que vai mudar completamente a forma como olhas para a tua tese de Direito. Cerca de 23% das teses de mestrado em Direito são devolvidas para correção ou enfrentam complicações sérias por problemas de citação e referências bibliográficas. Não estou a falar de plágio intencional — estou a falar de erros que parecem pequenos, mas que destroem meses de trabalho árduo.
A verdade? Tu passaste anos a estudar códigos, doutrinas, jurisprudência. Aprendeste a argumentar, a interpretar leis, a construir raciocínios jurídicos sólidos. Mas aposto que ninguém te sentou e te explicou, de forma clara e prática, como citar corretamente uma fonte em trabalhos académicos.
E aqui está o paradoxo cruel: estudantes de Direito lidam com as fontes mais complexas de todas as áreas académicas — legislação, jurisprudência, doutrina, tratados internacionais, pareceres — mas raramente recebem formação adequada sobre como referenciá-las. É como se te dessem um Ferrari mas esquecessem de te ensinar a conduzir.
O que é citação de fontes em trabalhos académicos?
É o processo de identificar e creditar as origens das ideias, dados e argumentos utilizados num texto académico, seguindo normas técnicas específicas (como ABNT, APA ou Vancouver) para garantir a rastreabilidade, evitar plágio e conferir credibilidade científica ao trabalho.
A citação de fontes em trabalhos académicos vai muito além da formatação. Não se trata apenas de colocar um parêntese no sítio certo ou recuar um parágrafo. É a espinha dorsal da credibilidade do teu trabalho. E a verdade oculta que ninguém te conta é esta: não basta seguir as normas mecanicamente — é preciso entender a lógica por trás delas e as especificidades brutais do Direito.
Se já cometeste erros de referências que reprovam teses, este artigo vai mudar a tua perspetiva. E se ainda não cometeste… bem, vais descobrir os buracos invisíveis onde a maioria cai.
Por Que a Citação em Direito É Diferente de Qualquer Outra Área
Imagina que estás a construir uma casa. Um engenheiro civil usa betão, tijolo, ferro — materiais relativamente padronizados. Agora imagina que, para a tua casa, precisas de usar simultaneamente madeira medieval, aço contemporâneo, pedra romana e vidro futurista, cada um com regras de instalação completamente diferentes. É exatamente isso que acontece quando citas fontes em Direito.

Em Direito, trabalhamos com um ecossistema de fontes que não existe em mais nenhuma área académica:
- Fontes primárias: legislação (leis, decretos-lei, portarias), jurisprudência (acórdãos, decisões judiciais), atos normativos, tratados internacionais, constituições
- Fontes secundárias: doutrina (manuais, monografias), artigos científicos, pareceres jurídicos, comentários legislativos
- Fontes terciárias: enciclopédias jurídicas, dicionários de termos legais
O problema? Cada tipo de fonte tem regras de citação específicas na NBR 6023:2018. Citar um acórdão do Supremo Tribunal de Justiça não é igual a citar um artigo de revista. Referenciar uma lei não segue o mesmo padrão de referenciar um manual de Direito Civil.
📚 Recurso Recomendado: Para entender como referenciar documentos jurídicos corretamente, consulta o material da CETESB sobre NBR 6023/2018 para documentos jurídicos — foca especificamente em legislação, jurisprudência e atos normativos.
As 4 Categorias de Citação Que Precisas Dominar
Antes de mergulharmos nos erros (e são muitos), precisas de ter cristalino na tua mente os quatro tipos de citação que vais usar constantemente:
- Citação direta curta — transcrição literal até 3 linhas, entre aspas, incorporada no parágrafo
- Citação direta longa — mais de 3 linhas, recuada 4cm da margem esquerda, sem aspas, fonte menor
- Citação indireta — paráfrase das ideias do autor original, com as tuas próprias palavras
- Citação de citação (apud) — quando não tens acesso à fonte original e citas através de outro autor

🎓 Guia Completo: O Guia de Elaboração de Trabalhos Académicos da UFPA oferece explicações detalhadas sobre cada tipo de citação segundo a ABNT NBR 10520:2023.
Sistema de Chamada: Autor-Data vs. Numérico
Aqui está uma das primeiras verdades ocultas que precisas conhecer. A ABNT permite dois sistemas de chamada:
- Sistema autor-data: (SILVA, 2023, p. 45) — mais comum em ciências sociais
- Sistema numérico: notas de rodapé numeradas — tradicionalmente preferido em Direito
A verdade oculta? Em Direito, o sistema numérico é frequentemente preferido porque permite notas de rodapé explicativas — essenciais quando precisas contextualizar uma decisão judicial ou explicar uma alteração legislativa. Mas muitas universidades portuguesas e brasileiras exigem o sistema autor-data nos regulamentos internos.
A gestão incorreta entre o que citas no texto e o que aparece nas referências é um dos erros de gestão de referências que mais reprovam estudantes. Tens de escolher UM sistema e mantê-lo religiosamente do início ao fim.
O Que Mudou nas Normas (E Por Que Isso Te Afeta Agora)
Se há algo que te deveria preocupar neste momento, é isto: as normas de citação mudaram recentemente, e a maioria dos manuais universitários ainda não atualizou. Estás potencialmente a seguir instruções desatualizadas.
A versão 2023 da norma de citações trouxe alterações significativas que poucos estudantes (e até alguns orientadores) conhecem:
- Localização expandida: já não basta indicar a página — para fontes digitais, podes precisar de indicar timestamp (em vídeos), posição no e-book, ou secção específica
- Citações de fontes sem paginação: regras mais claras para documentos digitais nativos
- Ênfase e supressões: novos padrões para indicar quando adicionas destaque ou removes partes do texto original
A verdade oculta: Se estás a usar um manual da tua faculdade de 2020 ou anterior, provavelmente estás a seguir regras desatualizadas. E sim, as bancas mais rigorosas reparam nisso.
🎬 Assiste à Live da SISBI UEFS: “Citações – ABNT NBR 10520:2023”
Este vídeo explica as novidades da norma de citações de forma clara e prática, diretamente de bibliotecários especializados.
A norma de referências também passou por revisão substancial. Eis as mudanças mais relevantes para quem trabalha com fontes jurídicas:
| Elemento | Versão Anterior | NBR 6023:2018 |
|---|---|---|
| Destaque do título | Negrito ou itálico | Negrito preferencial |
| Documentos digitais | Regras vagas | Especificações claras para DOI, URL, data de acesso |
| Documentos jurídicos | Tratamento genérico | Seção específica detalhada |
| Responsabilidade | Até 3 autores listados | Flexibilização para obras coletivas |
📖 Aprofunda: O resumo do CEFET-MG sobre o que mudou na ABNT NBR 6023:2018 é excelente para entender as alterações de forma rápida.
Vivemos numa era em que consultas o Diário da República Eletrónico mais vezes do que abres um livro físico. A jurisprudência está disponível em bases de dados online. Muitos estudantes esquecem a “data de acesso” — e isto é requisito obrigatório para qualquer fonte consultada online. Parece um detalhe menor, mas a sua ausência pode ser interpretada como descuido metodológico.
Se usas normas APA na tua instituição, conhece os 7 erros de normas APA que reprovam alunos em Portugal.
Os 7 Erros Ocultos de Citação Que Destroem Teses de Direito
Chegámos ao coração deste artigo. Estes são os erros que vejo repetidamente — erros que parecem pequenos mas que podem custar-te a aprovação ou, no mínimo, uma revisão humilhante.

Erro #1 — Confundir Citação com Referência. Parece básico, mas é impressionante quantos estudantes misturam estes conceitos. Citação é a menção no corpo do texto; referência é a entrada completa na lista final. Inconsistência entre ambas levanta imediatamente bandeiras vermelhas — pode parecer plágio mal disfarçado ou incompetência metodológica.
Erro #2 — Usar “Apud” Como Muleta. O apud existe para situações excecionais — quando genuinamente não consegues aceder à fonte original. Em Direito, isto é particularmente grave. Fontes primárias como legislação e jurisprudência devem ser SEMPRE consultadas diretamente. Bancas de Direito são notoriamente críticas com apud excessivo. Se a tua tese tem mais de 2-3 citações de citação, já estás em terreno perigoso.
Erro #3 — Citar Legislação Sem os Elementos Obrigatórios. Quantas vezes viste (ou escreveste) algo como “conforme a Lei nº X”? Incompleto. Gravemente incompleto.
- ☐ Jurisdição (Brasil, Portugal, União Europeia)
- ☐ Tipo de documento (Lei, Decreto-Lei, Portaria, Regulamento)
- ☐ Número e data de publicação
- ☐ Ementa ou assunto (quando aplicável)
- ☐ Dados da publicação oficial
- ☐ Disponibilidade e data de acesso (se online)
⚖️ Exemplo Prático: O Professor Ricardo Dagnino (UFRGS) criou um guia objetivo sobre como citar leis e legislação que resolve a maioria das dúvidas.
Erro #4 — Ignorar a Hierarquia das Fontes Jurídicas. A ordem em que apresentas as fontes revela o teu domínio sobre o tema. Citar doutrina sem primeiro mencionar a base legal é como construir uma casa pelo telhado. Examinadores experientes percebem em segundos se realmente entendes a matéria apenas pela forma como organizas as tuas fontes.
Erro #5 — Formatação Inconsistente ao Longo da Tese. Começas com o sistema autor-data. No capítulo 3, sem perceberes, passas para notas de rodapé. A pontuação das citações varia. Isto revela falta de rigor metodológico — algo fatal em qualquer trabalho jurídico.
Erro #6 — Não Verificar se a Fonte Ainda Está em Vigor. Citar uma lei revogada como se ainda fosse válida. Basear um argumento em jurisprudência já superada. Em Direito, isto não é apenas um erro formal — é um erro substantivo que mina toda a tua argumentação.
Erro #7 — Copiar Citações de Outras Teses Sem Verificar. Encontras uma citação perfeita na tese de um colega. Copias a referência. Problema: ele também tinha copiado de outra tese, e a citação original estava errada. Agora tens uma citação em cadeia incorreta — e a responsabilidade é tua.
📋 Material de Apoio: O tutorial da Biblioteca da UFSC sobre citação e referência oferece exemplos comparativos entre “o que o aluno faz” e “o que a ABNT exige”.
O Futuro da Citação Académica em Direito
O panorama da citação académica está a mudar rapidamente. Já existem ferramentas que verificam automaticamente se as tuas citações estão em conformidade com as normas ABNT. Universidades começam a adotar sistemas de verificação automática que detetam inconsistências antes mesmo da banca analisar o teu trabalho.
A IA não vai substituir o teu trabalho de citação — mas vai tornar impossível esconder erros. Quem dominar as normas agora terá vantagem; quem continuar a improvisar será apanhado.
Programas de mestrado internacionais e publicações em revistas estrangeiras exigem cada vez mais flexibilidade normativa. Dominar apenas as normas ABNT já não é suficiente. Precisas de entender a lógica subjacente a todos os sistemas de citação.
Bases de dados jurídicas, pareceres em PDF, webinars jurídicos, decisões publicadas apenas online — quem dominar citação de fontes digitais agora terá vantagem competitiva significativa nos próximos anos.
Checklist Final — Valida as Tuas Citações Antes de Entregar
Antes de submeteres a tua tese, passa por este checklist. Imprime-o. Cola-o na parede. Usa-o religiosamente.

✅ Checklist de Citação de Fontes em Teses de Direito
Antes de Citar:
- ☐ A fonte é primária ou posso aceder à original?
- ☐ A legislação/jurisprudência ainda está em vigor?
- ☐ Tenho todos os dados necessários para a referência completa?
Durante a Escrita:
- ☐ Estou a usar um único sistema de chamada (autor-data OU numérico)?
- ☐ As citações diretas longas estão recuadas 4cm e sem aspas?
- ☐ Usei apud apenas quando absolutamente necessário?
- ☐ A hierarquia das fontes está correta (lei → jurisprudência → doutrina)?
Na Lista de Referências:
- ☐ Todas as citações do texto estão na lista final?
- ☐ Todas as referências da lista foram citadas no texto?
- ☐ A formatação está consistente em todas as entradas?
- ☐ Documentos jurídicos seguem o padrão específico da NBR 6023:2018?
- ☐ Fontes online incluem data de acesso?
Verificação Final:
- ☐ Passei por um verificador de plágio?
- ☐ Conferi o manual de normas atualizado da minha universidade?
- ☐ Pedi a alguém para rever a consistência?
Não Deixes a Citação Sabotar a Tua Tese
Chegaste até aqui porque te preocupas com a qualidade do teu trabalho. E isso já te coloca à frente da maioria. Mas preocupação sem ação não aprova teses.
A realidade é que gerir citações, referências, formatação e verificação de plágio manualmente é exaustivo e propenso a erros — especialmente quando estás sob pressão de prazos.
A Tesify foi criada exatamente para resolver este problema. É uma plataforma de inteligência artificial académica que ajuda estudantes universitários a escrever teses de forma mais eficiente, com ferramentas de gestão de bibliografia, formatação automática segundo normas ABNT, e verificação integrada de plágio.
🎓 Não arrisques a tua tese por erros de citação.
A Tesify ajuda estudantes de Direito a formatar citações e referências corretamente, seguindo as normas ABNT atualizadas.




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