Anexos ou Apêndices na Tese: Qual a Diferença e Como Numerar em 2026?
A diferença entre anexos e apêndices na tese resume-se a um único critério: a autoria. O apêndice é produzido pelo próprio investigador — questionários, guiões de entrevista, grelhas de observação. O anexo contém documentos elaborados por terceiros — legislação, formulários institucionais, tabelas do INE ou do IBGE. Confundir os dois é um dos erros de formatação mais frequentes em dissertações de mestrado e TCCs, e pode levar a pedidos de correção antes da defesa.
Em 2026, tanto as universidades portuguesas (que seguem as NP 405 e os regulamentos internos) como as brasileiras (ABNT NBR 14724:2011) mantêm esta distinção. Conhecê-la evita surpresas na revisão final e garante que o júri encontra os materiais de apoio exatamente onde os espera.
Qual é a diferença entre apêndice e anexo na tese?
O critério é exclusivamente a autoria do documento:
| Elemento | Quem elaborou | Exemplos típicos |
|---|---|---|
| APÊNDICE | O próprio autor da tese | Questionário, guião de entrevista, grelha de observação, código-fonte, transcrição |
| ANEXO | Um terceiro (externo ao autor) | Legislação, formulário do comité de ética, tabela do INE/IBGE, decreto-lei, relatório institucional |
A regra prática é simples: se o criaste, é apêndice; se o recolheste de outro autor ou entidade, é anexo. Esta distinção está presente tanto na ABNT NBR 14724:2011 como nos regulamentos das principais universidades portuguesas.
Que tipo de documentos vai para o apêndice?
O apêndice destina-se a materiais originais produzidos no âmbito da investigação que, pela sua extensão ou caráter técnico, quebrariam o fluxo do corpo do trabalho. Os mais comuns são:
- Guião de entrevista semiestruturada — as perguntas formuladas pelo investigador antes da recolha de dados.
- Questionário de recolha de dados — o instrumento aplicado aos participantes.
- Grelhas de observação — criadas pelo investigador para registar comportamentos ou fenómenos.
- Transcrições de entrevistas — quando elaboradas e editadas pelo próprio autor.
- Protocolos experimentais — procedimentos desenhados para a investigação.
- Código-fonte de software — programas ou scripts desenvolvidos no âmbito da tese.
- Bases de dados criadas pelo autor — conjuntos de dados primários.
Que tipo de documentos vai para o anexo?
O anexo reúne materiais externos que fundamentam, contextualizam ou ilustram a investigação, mas que não foram criados pelo autor. Exemplos habituais:
- Legislação e decretos-lei — artigos de lei ou normas jurídicas relevantes para o tema.
- Formulários do comité de ética ou da instituição — documentos emitidos por organismos externos.
- Declarações e parecer de ética — aprovações emitidas pelo CEI (Comité de Ética para a Investigação) ou CEP (Comité de Ética em Pesquisa).
- Tabelas estatísticas oficiais — dados do INE (Portugal), IBGE (Brasil) ou Eurostat.
- Mapas e plantas — elaborados por terceiros e reproduzidos com autorização.
- Relatórios institucionais — documentos emitidos por entidades parceiras da investigação.
- Formulários de consentimento informado emitidos pela instituição — quando o modelo é fornecido pela universidade.
Qual é a ordem dos elementos pós-textuais na tese?
A sequência após o último capítulo do corpo da tese é:
- Referências bibliográficas (obrigatório)
- Glossário (opcional)
- Apêndice(s) (opcional, mas frequente em investigação empírica)
- Anexo(s) (opcional)
Os apêndices surgem sempre antes dos anexos. Esta ordem está definida na ABNT NBR 14724:2011 e é adotada por consenso nas universidades portuguesas. Consulte também o guia definitivo das normas ABNT 2026 para uma visão completa das regras de estrutura do trabalho académico.
Como se numeram os apêndices e os anexos?
A numeração é feita com letras maiúsculas do alfabeto, de forma sequencial e independente para cada série:
| Série | Sequência | Quando esgotam as letras |
|---|---|---|
| Apêndices | APÊNDICE A → APÊNDICE B → … → APÊNDICE Z | APÊNDICE AA → APÊNDICE AB → … |
| Anexos | ANEXO A → ANEXO B → … → ANEXO Z | ANEXO AA → ANEXO AB → … |
As letras Ç, K, W, X e Y podem ser usadas, dependendo do regulamento da universidade. Verifique sempre se o regulamento da sua instituição especifica o alfabeto a adotar (alguns excluem as letras não existentes no alfabeto português ou brasileiro).

Para compreender como estas regras de estrutura se articulam com a metodologia, veja o artigo como o Tesify estrutura o capítulo de metodologia da tese, onde se explica a organização dos materiais de recolha de dados.
Qual a formatação do título de cada apêndice ou anexo?
O título de cada apêndice ou anexo ocupa uma página própria e segue uma estrutura de duas linhas, centradas e em maiúsculas:
APÊNDICE A
GUIÃO DE ENTREVISTA AOS PARTICIPANTES
- Fonte: a mesma do restante trabalho (geralmente Times New Roman 12pt ou Arial 12pt).
- Estilo: negrito, maiúsculas, centrado.
- Espaçamento: igual ao do corpo da tese (normalmente 1,5 linhas).
- Posição: no topo da primeira página do elemento, após uma quebra de página.
A segunda linha pode ser omitida quando o título do apêndice ou anexo é suficientemente descritivo na primeira. Consulte sempre o modelo de dissertação fornecido pela sua universidade — algumas instituições têm variações menores nesta formatação.
Para dúvidas sobre a formatação geral do TCC ou da dissertação, o artigo como formatar o TCC nas normas ABNT cobre todos os elementos estruturais passo a passo.
Os apêndices e os anexos contam para a contagem de páginas?
A paginação é contínua e não é interrompida na transição para os apêndices e os anexos. A página 87 do corpo do trabalho é seguida pela página 88, que pode ser a primeira página do APÊNDICE A.
No entanto, a maioria das universidades portuguesas e brasileiras não contabiliza os apêndices e os anexos no limite de páginas estabelecido para a dissertação ou o TCC. Por exemplo, se o regulamento exige «entre 80 e 120 páginas», esse intervalo refere-se geralmente ao corpo do trabalho (da introdução à conclusão), excluindo os elementos pós-textuais. Confirme sempre esta interpretação com o orientador ou no regulamento da sua faculdade.
Os apêndices e os anexos têm de constar no sumário?
Sim, obrigatoriamente. Tanto os apêndices como os anexos devem aparecer no sumário (ou índice geral) com:
- A designação completa (ex.: APÊNDICE A — Guião de Entrevista)
- O número da página onde começa cada elemento
A entrada no sumário não recebe numeração de capítulo (não é «7. APÊNDICE A», mas apenas «APÊNDICE A»). A formatação é geralmente a mesma usada para os capítulos principais, embora sem o número de nível.
Como se referencia um apêndice ou um anexo no corpo do texto?
Todo o apêndice e todo o anexo incluídos na tese devem ser mencionados pelo menos uma vez no corpo do trabalho. A referência faz-se entre parênteses, imediatamente após a afirmação que remete para o material:
«O guião utilizado nas entrevistas semiestruturadas encontra-se no APÊNDICE A.»
«Os dados recolhidos foram validados com base no parecer do comité de ética (ver ANEXO B).»
«O instrumento aplicado foi adaptado do questionário original (cf. Apêndice C).»
Em Portugal usa-se também a forma latina «vide» (vide Apêndice A) em trabalhos de caráter mais formal ou em Direito. Se o apêndice ou o anexo não for mencionado no texto, o orientador pode questionar a sua pertinência — e há risco de o júri pedir a sua remoção.
É obrigatório incluir apêndices e anexos na tese?
Não. A inclusão depende do tipo e do design da investigação:
- Investigação empírica com recolha de dados primários: quase sempre inclui apêndices (questionários, guiões, transcrições) e, frequentemente, anexos (pareceres éticos, formulários institucionais).
- Revisão sistemática ou revisão de literatura: pode não ter apêndices; pode incluir o protocolo PRISMA como apêndice.
- Investigação documental ou histórica: geralmente tem anexos com fontes primárias de terceiros.
- Ensaios teóricos: raramente incluem qualquer elemento pós-textual além das referências.
Qual a diferença entre apêndice e anexo nas normas NP 405 e ABNT?
A distinção autoria-própria vs. autoria-de-terceiros é comum às duas normas, embora a profundidade das definições varie:
| Aspeto | ABNT (NBR 14724:2011) | NP 405 / Regulamentos PT |
|---|---|---|
| Definição formal | Explícita na norma | Nos regulamentos de cada universidade |
| Critério autoria | Idêntico (própria vs. terceiros) | Idêntico |
| Ordem pós-textual | Referências → Glossário → Apêndices → Anexos | Idem (por convenção das universidades) |
| Paginação | Contínua | Contínua |
Em Portugal, as NP 405 regulam principalmente as referências bibliográficas, não a estrutura global da dissertação. Os regulamentos de cada faculdade (disponíveis no portal da universidade) são a fonte definitiva para questões de estrutura e formatação em contexto português.
Para referências sobre apêndices e anexos segundo a ABNT, a Infonormas explica a formatação detalhada de apêndice e anexo no TCC, e o portal normasabnt.org detalha as normas ABNT para apêndice no TCC.
Perguntas Frequentes
Qual é a diferença entre apêndice e anexo na tese?
O apêndice é elaborado pelo próprio autor do trabalho — questionários, guiões de entrevista, transcrições, protocolos criados durante a investigação. O anexo contém documentos produzidos por terceiros que o autor utiliza como suporte — legislação, formulários institucionais, tabelas de organismos oficiais. A autoria é o critério decisivo.
Como se numeram os apêndices e os anexos?
Utilizam-se letras maiúsculas sequenciais: APÊNDICE A, APÊNDICE B, APÊNDICE C; ANEXO A, ANEXO B. Quando o número de elementos supera as letras do alfabeto, recorre-se a combinações duplas: APÊNDICE AA, APÊNDICE AB. O título de cada elemento surge a negrito e em maiúsculas, centrado no topo da página.
Qual é a ordem dos elementos pós-textuais na tese?
A ordem correta após o corpo do trabalho é: referências bibliográficas, glossário (opcional), apêndices e, por último, anexos. Em Portugal, as normas NP 405 seguem a mesma lógica estrutural. No Brasil, a ABNT NBR 14724:2011 é explícita nesta sequência e não admite variações.
Os apêndices e os anexos contam para a contagem de páginas?
A paginação continua de forma ininterrupta a partir do corpo do trabalho. As páginas dos apêndices e dos anexos são numeradas e contabilizadas no total, mas a maioria das universidades portuguesas e brasileiras não as inclui no limite de páginas exigido para a dissertação ou o TCC.
Os apêndices e os anexos têm de constar no sumário?
Sim. Tanto os apêndices como os anexos devem figurar no sumário (índice geral) com o respetivo título e número de página. A entrada no sumário segue a mesma formatação dos capítulos, ainda que estes elementos não sejam capítulos numerados do trabalho.
Que tipo de documentos vai para o apêndice?
Vão para o apêndice todos os materiais criados pelo investigador: guião de entrevista semiestruturada, questionário de recolha de dados, grelhas de observação, transcrições de entrevistas, protocolos experimentais, código-fonte de programas desenvolvidos no âmbito da investigação.
Que tipo de documentos vai para o anexo?
Vão para o anexo documentos externos ao autor: legislação, despachos, regulamentos institucionais, formulários emitidos pela universidade ou pelo comité de ética, tabelas estatísticas do INE ou IBGE, mapas de terceiros, relatórios de organismos oficiais que fundamentam a investigação.
É obrigatório incluir apêndices e anexos na tese?
Não são obrigatórios. A sua inclusão depende do tipo de investigação. Trabalhos com recolha de dados primários quase sempre têm apêndices. Investigações documentais ou de revisão sistemática podem não ter nenhum elemento pós-textual além das referências.
Como se referencia um apêndice ou um anexo no corpo do texto?
A referência faz-se entre parênteses imediatamente após a afirmação que remete para o elemento: (ver Apêndice A) ou (cf. Anexo B). Em Portugal usa-se frequentemente «vide Apêndice A». O elemento deve sempre ser citado pelo menos uma vez no corpo do texto.
Qual a formatação do título de cada apêndice ou anexo?
O título compõe-se em duas linhas centradas: a primeira indica a designação e a letra (APÊNDICE A), a segunda indica o título descritivo em maiúsculas (GUIÃO DE ENTREVISTA AOS PARTICIPANTES). Usa-se negrito, fonte 12pt para o corpo, com o mesmo tipo de letra do restante trabalho.
Qual a diferença entre apêndice e anexo nas normas NP 405 e ABNT?
A distinção autoria-própria vs. autoria-de-terceiros é comum às duas normas. A ABNT (NBR 14724:2011) define explicitamente os dois elementos e a sua ordem. As NP 405 não regulam a estrutura global do trabalho, mas as universidades portuguesas aplicam a mesma lógica nos seus regulamentos de dissertação.
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