Estudante de mestrado a verificar dissertação para plágio no computador com checklist de prevenção
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Evitar Plágio no Mestrado: 7 Erros Fatais e Soluções

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5 min de leitura

Vou contar-te algo que poucos orientadores admitem abertamente: mais de 60% dos casos de plágio detetados em dissertações de mestrado em Portugal não são intencionais. A maioria dos mestrandos que enfrentam problemas sérios de integridade académica não tentava enganar ninguém — simplesmente cometeu erros que poderiam ter sido facilmente evitados.

Sei o que estás a pensar: “Eu nunca faria isso, tenho cuidado.” Foi exatamente o que disse a Ana, uma estudante de mestrado em Gestão que orientei há dois anos. Passou meses a trabalhar na dissertação, entregou com confiança, e descobriu na defesa que tinha 38% de similaridade — a maior parte vinda de parágrafos que ela jurava ter escrito com as próprias palavras.

O problema? Ana não conhecia os erros específicos que levam ao plágio acidental. E provavelmente tu também não.

Estudante universitário a enfrentar armadilhas comuns de plágio académico
As armadilhas do plágio acidental apanham até os mais cuidadosos

Neste artigo, vais descobrir os 7 erros de plágio que praticamente todos os mestrandos cometem — e mais importante, como corrigi-los antes que seja tarde demais. Se estás a escrever a tua dissertação em 2025, estas informações podem literalmente salvar o teu grau académico.

Antes de avançarmos: se queres aprofundar estratégias práticas para dissertações, já tenho um guia completo que complementa perfeitamente o que vais ler aqui.

O que significa prevenir plágio: Um conjunto de práticas que inclui citação correta, paráfrase adequada, gestão de referências e verificação sistemática da originalidade — evitando tanto o plágio intencional como o acidental.

O Que as Universidades Portuguesas Realmente Verificam

Antes de mergulharmos nos erros, precisas compreender algo fundamental: as universidades portuguesas tornaram-se muito mais sofisticadas na deteção de plágio. Já não basta “passar no Turnitin” para estar seguro.

As políticas de integridade académica em instituições como a Universidade de Lisboa, Porto, Coimbra e Nova evoluíram significativamente. Hoje, o processo de verificação é multicamada — análise automática combinada com revisão humana especializada.

📋 O que as universidades verificam atualmente:

  • Percentagem de similaridade em softwares como Turnitin e SafeAssign
  • Correspondência com trabalhos anteriores do mesmo autor (auto-plágio)
  • Qualidade das citações e referências bibliográficas
  • Coerência de estilo de escrita — mudanças bruscas de tom levantam alertas
  • Sinais de texto gerado por IA não declarado

A diferença entre plágio intencional e plágio por negligência pode parecer importante para ti — mas para a comissão de ética da tua universidade, ambos têm consequências sérias. O desconhecimento das regras não é defesa aceite.

As sanções variam desde a reprovação na unidade curricular até à anulação completa do grau académico — mesmo anos após a conclusão. Em Portugal, já houve casos mediáticos de revogação de doutoramento por plágio descoberto posteriormente.

Para entenderes melhor o funcionamento numa instituição específica, recomendo a leitura sobre políticas específicas na Universidade Nova de Lisboa. Se quiseres conhecer as consequências devastadoras do plágio, tenho um artigo dedicado ao tema.

Os 7 Erros Fatais Que Destroem Dissertações

Chegou o momento de conheceres os erros que arruínam trabalhos académicos. Para cada um, vou explicar o que é, porque acontece, e exatamente como resolver.

Erro #1 — Copiar Trechos “Só Para Depois Reformular”

Este é talvez o erro mais traiçoeiro. Funciona assim: estás a pesquisar, encontras um parágrafo perfeito, e pensas: “Vou copiar agora e reformular depois, quando tiver mais tempo.”

Esse “depois” quase nunca chega.

Sob a pressão de prazos, aquele texto copiado vai ficando. Quando finalmente tentas reformular, já não te lembras do que era teu e do que era da fonte. Pior: mesmo quando reformulas, a estrutura da frase muitas vezes permanece idêntica — e isso também é plágio.

Imagina que constróis uma casa usando as paredes de outra pessoa e apenas pintas de cor diferente. A estrutura continua a ser a mesma, certo?

✅ Como resolver:

  • Técnica de leitura-fecho-escrita: Lê a fonte, fecha o documento, escreve a ideia com as tuas palavras sem olhar para o original
  • Sistema de cores: Usa preto para texto próprio e vermelho para notas de fontes. Nunca mistures
  • Regra de ouro: Se copiaste algo, NUNCA avances sem primeiro reformular ou colocar entre aspas com citação

Queres dominar as técnicas de reformulação sem perder ideias? Tenho um guia completo sobre o tema.

Erro #2 — Confusão Entre Citação Direta e Indireta

Este erro deixa-me particularmente frustrado porque é tão fácil de evitar — mas tão comum de acontecer.

Diagrama visual comparando citação direta, paráfrase e resumo académico
Três tipos de citação que deves dominar

Os erros mais frequentes:

  • Parafrasear mas esquecer de colocar a referência
  • Usar aspas mas não indicar a página específica
  • Misturar texto próprio com citações sem demarcação clara
Tipo Aspas? Referência? Exemplo
Citação Direta ✅ Sim ✅ Com página “Texto exato” (Silva, 2024, p. 45)
Paráfrase ❌ Não ✅ Sim A ideia adaptada (Silva, 2024)
Resumo ❌ Não ✅ Sim Síntese de várias páginas (Silva, 2024)

✅ 3 perguntas antes de inserir informação de fonte:

  1. Estou a usar as palavras exatas do autor? → Aspas + referência completa
  2. Estou a explicar a ideia com as minhas palavras? → Sem aspas + referência
  3. Coloquei a referência? → SEMPRE necessário

Erro #3 — Confiar Cegamente no Relatório do Detector

“Tenho 12% de similaridade, estou tranquilo!” — Esta frase já ouvi centenas de vezes. E centenas de vezes tive de explicar porque é uma ilusão perigosa.

Análise de software de deteção de plágio mostrando importância da revisão manual
A percentagem não conta toda a história

A verdade: a percentagem de similaridade não te diz se tens plágio ou não. Um trabalho com 5% pode ter plágio grave (um parágrafo copiado sem citação), enquanto um com 25% pode estar perfeitamente dentro das normas (citações diretas devidamente referenciadas).

Existe ainda o problema dos falsos negativos. Se traduziste um texto de inglês para português, ou se a fonte não está na base de dados — o detector não vai assinalar. Mas um revisor humano experiente pode reconhecer.

⚠️ O que a percentagem NÃO revela:

  • Se as correspondências estão corretamente citadas
  • Se há plágio de fontes fora da base de dados
  • Se há auto-plágio de trabalhos anteriores
  • Se há problemas de atribuição incorreta

✅ Como resolver:

  • Analisa qualitativamente: Abre cada correspondência e verifica se está citada
  • Usa múltiplas ferramentas: Cada uma tem bases de dados diferentes
  • Faz revisão manual: Pergunta “isto são palavras minhas ou de outra pessoa?”

Para entenderes melhor os erros críticos na verificação, recomendo este artigo. Se quiseres saber como as ferramentas antiplágio realmente funcionam, tenho um guia detalhado.

Erro #4 — Gerir Referências “De Cabeça”

Imagina: estás a terminar a dissertação, faltam três dias para a entrega, e precisas de formatar 87 referências em APA 7ª edição. Abres o ficheiro onde guardaste os links… e descobres que metade não tem ano de publicação, um terço não tem página, e alguns nem têm o título completo.

São as piores 48 horas que um mestrando pode viver.

Comparação entre gestão de referências caótica e organizada
A diferença entre caos e organização nas referências

🔧 Gestores de referências gratuitos:

  • Zotero — Integração com Word e Google Docs, extensão para captura automática
  • Mendeley — Funcionalidades sociais e descoberta de artigos relacionados
  • EndNote Web — Versão básica gratuita com sincronização na cloud

✅ Como resolver:

  • Implementa desde o dia 1: Configura o gestor antes de começares a pesquisa
  • Sistema de pastas: Organiza por capítulo ou tema
  • Notas em cada fonte: Adiciona comentários sobre a relevância

Erro #5 — Reutilizar o Próprio Trabalho Sem Declarar

“Mas como posso plagiar-me a mim próprio?”

Quando submetes um trabalho académico, declaras implicitamente que é original e inédito para aquele contexto. Reutilizar parágrafos de trabalhos anteriores sem declarar viola essa expectativa.

Cenários comuns de auto-plágio:

  • Usar secções do trabalho de projeto na dissertação final
  • Reciclar revisão de literatura de cadeiras anteriores
  • Copiar metodologia de um artigo próprio já publicado

A diferença está entre “construir sobre trabalho anterior” (aceitável) e “reciclar texto” (problemático). Podes desenvolver ideias que já trabalhaste — mas tens de reescrever e, quando necessário, citar-te a ti mesmo.

✅ Como resolver:

  • Declara sempre: Informa o orientador quando usas material próprio anterior
  • Auto-cita: Referencia os teus trabalhos anteriores quando apropriado
  • Reescreve: Não copies — desenvolve as ideias com nova perspetiva

Para um guia completo sobre originalidade e ética em teses portuguesas, consulta este artigo.

Erro #6 — Usar IA Sem Transparência

Este é o novo grande desafio de 2025. Com ferramentas como ChatGPT e Claude cada vez mais sofisticadas, a linha entre “assistência legítima” e “fraude académica” tornou-se cinzenta.

Serei direto: usar IA para escrever partes da dissertação sem declarar é potencialmente fraude académica. Mas o problema vai além da ética — texto gerado por IA pode conter plágio de fontes não citadas, factos incorretos, e referências que simplesmente não existem.

As universidades portuguesas estão a atualizar rapidamente as suas políticas. Muitas já exigem declaração explícita de uso de IA.

⚠️ Quando usar IA é aceitável vs. problemático:

Geralmente aceitável: Brainstorming, revisão gramatical, sugestões de estrutura, tradução (com verificação)

Potencialmente problemático: Gerar secções inteiras, usar texto sem revisão crítica, não declarar o uso, confiar em referências sem verificar

✅ Como resolver:

  • IA como assistente, não escritor: Usa para estruturar ideias, não para gerar texto final
  • Verifica SEMPRE: Qualquer facto ou referência sugerida deve ser confirmada
  • Conhece as regras: Consulta o regulamento da tua universidade
  • Declara: Em caso de dúvida, informa o orientador

Para aprofundares como usar ferramentas de IA eticamente na escrita académica, deixo-te este recurso.

Erro #7 — Deixar a Verificação Para o Último Minuto

O pesadelo mais comum: véspera da entrega, corres finalmente o verificador, e aparece 42% de similaridade. Pânico. Noite em branco. Reformulações apressadas que destroem a coerência. Um trabalho claramente inferior ao que poderia ter sido.

A verificação de plágio não é um evento único no fim — é um processo contínuo. Cada vez que terminas um capítulo, verificas. Quando chegas ao final, não há surpresas.

📅 Rotina de verificação recomendada:

  1. Verificar cada capítulo após conclusão do primeiro rascunho
  2. Analisar correspondências e corrigir imediatamente
  3. Re-verificar após cada revisão significativa
  4. Verificação final completa 2 semanas antes da entrega
  5. Verificação de segurança 48 horas antes

O Próximo Passo É Teu

Agora conheces os 7 erros que apanham a maioria dos mestrandos desprevenidos. A questão é: o que vais fazer com esta informação?

Podes continuar a escrever como sempre fizeste, esperando que “contigo seja diferente”. Ou podes implementar estas soluções desde já — antes que seja tarde demais.

A escolha parece óbvia. Mas sei que entre ler um artigo e aplicar as técnicas há uma distância enorme. Por isso, deixo-te um desafio: escolhe apenas um destes erros para corrigir esta semana. Só um. Depois, na próxima semana, passa ao seguinte.

Daqui a dois meses, terás transformado completamente a tua abordagem à integridade académica. E a tua dissertação vai agradecer-te.

Recurso adicional: Se quiseres aprofundar qualquer um destes temas, explora os links que deixei ao longo do artigo. Cada um foi escolhido para complementar o que aprendeste aqui.


One response to “Evitar Plágio no Mestrado: 7 Erros Fatais e Soluções”

  1. […] de avançarmos, vale a pena entender como o plágio involuntário por falhas na citação está intimamente ligado à má gestão de referências. São duas faces da mesma […]

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