São três da manhã. Passaste meses a escrever, a reescrever, a pesquisar e a formatar. O cursor pisca sobre o botão “Submeter” e o teu coração acelera. Conheces bem esta sensação, não conheces? Aquele momento de pânico em que te perguntas: “Será que vai passar no antiplágio?”
Se estás a ler isto, provavelmente já viveste este cenário — ou estás prestes a vivê-lo. E deixa-me dizer-te uma coisa que poucos professores admitem abertamente: o sistema de deteção académica é muito mais complexo do que imaginas.
Segundo dados recentes do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), cerca de 12% das teses submetidas em universidades nacionais apresentam níveis de similaridade que exigem análise manual adicional. Mas aqui está o que ninguém te conta: a percentagem que tu vês no teu relatório não é a mesma que o teu orientador vê.
O que é AI Antiplagio? São sistemas de inteligência artificial utilizados por universidades para detetar similaridades textuais, padrões de escrita gerada por IA e potenciais casos de plágio académico em teses e dissertações. Estas ferramentas evoluíram drasticamente desde 2022, incorporando agora capacidades de identificação de texto produzido por modelos como ChatGPT, Claude e Gemini.
Neste artigo, vou revelar-te verdades que descobri ao longo de anos a trabalhar com ferramentas e guias para escrita de teses académicas. Vais entender exatamente o que acontece nos bastidores da deteção académica, como os professores interpretam os relatórios e, mais importante, como podes proteger-te de forma ética e inteligente.
Antes de avançarmos, se precisas de uma base sólida sobre o funcionamento destas ferramentas, recomendo que complementes esta leitura com o AI Antiplágio: Guia 2025 para Estudantes Portugueses, que cobre os conceitos fundamentais de forma prática.

O momento de submissão: ansiedade que todo estudante conhece bem.
Preparado para descobrir o que realmente se passa por detrás do ecrã do teu professor?
Como Funcionam os Sistemas de Deteção de Plágio nas Universidades Portuguesas
Antes de entrares em pânico (ou de respirares de alívio), precisas compreender como estes sistemas realmente funcionam. A verdade é que a maioria dos estudantes tem uma ideia completamente errada sobre o que estas ferramentas fazem — e, mais importante, sobre o que não fazem.
Imagina que tens um detetive particular que compara o teu texto com milhões de documentos. É basicamente isso que o Turnitin faz — mas com algumas nuances importantes.
O Turnitin, utilizado por universidades como a Universidade de Lisboa e a Universidade do Porto, compara o teu trabalho com:
- Bases de dados de publicações académicas
- Repositórios de teses anteriores
- Conteúdo da internet indexado
- Trabalhos submetidos anteriormente no mesmo sistema
Já o Urkund (agora Ouriginal), preferido por algumas instituições politécnicas, tem uma abordagem ligeiramente diferente, focando-se mais em padrões linguísticos do que em correspondências exatas.
Mas aqui está o detalhe que muda tudo: desde 2023, tanto o Turnitin como outros sistemas começaram a incorporar deteção de conteúdo gerado por IA. Esta funcionalidade não está disponível nos relatórios dos estudantes na maioria das configurações portuguesas.

Esta é provavelmente a informação mais valiosa que vou partilhar contigo hoje. Quando submetes a tua tese e recebes um relatório com “15% de similaridade”, estás a ver uma versão simplificada. O teu orientador, por outro lado, vê um documento muito mais detalhado.
- Fontes específicas de correspondência com links diretos
- Padrões de escrita suspeitos (alterações de estilo ao longo do texto)
- Histórico de submissões do mesmo estudante
- Cruzamento com trabalhos de anos anteriores da mesma cadeira
- Indicadores de texto gerado por IA (probabilidade e secções específicas)
Para compreenderes melhor o que os professores realmente analisam, o artigo IA Antiplágio na Faculdade: 5 Segredos | 2025 detalha estes bastidores de forma mais aprofundada.
Ao longo dos anos, ouvi centenas de estudantes repetirem os mesmos mitos. Deixa-me desmontá-los:
Mito 1: “Abaixo de 20% está tudo bem” — Falso. Um trabalho pode ter 5% de similaridade e ser considerado plágio grave se essa percentagem vier de uma única fonte não citada. A qualidade da similaridade importa mais do que a quantidade.
Mito 2: “Se reescrever com sinónimos, não deteta” — Os sistemas modernos utilizam análise semântica, não apenas correspondência de palavras. Trocar “utilizar” por “usar” já não engana ninguém há pelo menos cinco anos.
Mito 3: “Detectores de IA são 100% precisos” — Estudos recentes, incluindo uma análise da Universidade de Stanford publicada em 2024, demonstraram que os detectores de IA têm taxas de falsos positivos que podem chegar aos 20% em textos de estudantes não-nativos de inglês.
A Nova Realidade da Deteção Académica: IA Contra IA
Estamos a viver uma autêntica corrida às armas tecnológica no mundo académico. De um lado, ferramentas de IA cada vez mais sofisticadas para escrita. Do outro, sistemas de deteção que tentam acompanhar o ritmo. Tu, estudante, estás no meio deste fogo cruzado.
Desde o boom do ChatGPT em finais de 2022, as universidades portuguesas têm reagido de formas muito diferentes. A Universidade de Coimbra foi uma das primeiras a emitir diretrizes claras, enquanto outras instituições ainda navegam em águas incertas.
O que sabemos com certeza:
- A maioria das universidades já atualizou os seus códigos de conduta académica para incluir referências ao uso de IA generativa
- Muitos docentes receberam formação específica para identificar padrões típicos de texto gerado por IA
- Algumas instituições estão a implementar entrevistas de defesa do trabalho, onde os estudantes têm de demonstrar conhecimento profundo do que escreveram
Como disse a Professora Maria Santos, coordenadora do programa de integridade académica da NOVA, numa entrevista ao Público em março de 2024: “O problema não é a tecnologia — é a falta de transparência. Queremos que os estudantes aprendam a usar estas ferramentas de forma ética, não que as escondam.”

O equilíbrio entre tecnologia e originalidade: a chave da escrita académica moderna.
Vou ser muito direto contigo: os detectores de IA que existem atualmente são imperfeitos. Isto é um problema tanto para quem usa IA indevidamente como para quem é falsamente acusado.
Um estudo da empresa de verificação Compilatio, publicado em janeiro de 2025, revelou que:
- A precisão média dos detectores de IA ronda os 70-85%
- Textos fortemente editados após geração são frequentemente classificados como “humanos”
- Textos académicos muito técnicos são por vezes falsamente identificados como gerados por IA
Aqui está a distinção fundamental que muitos estudantes não compreendem: assistência não é o mesmo que substituição.
Usar o ChatGPT para te ajudar a estruturar ideias? Geralmente aceitável. Usar o ChatGPT para gerar parágrafos inteiros que depois copias para a tua tese? Problemático.
A chave está na transformação e na documentação. Se usas IA como uma ferramenta de brainstorming, deves reformular completamente as ideias com a tua própria voz, adicionar análise crítica e perspetiva pessoal, e quando relevante, declarar o uso no texto ou nos agradecimentos.
Ferramentas e Guias para Escrita de Teses: A Estratégia Inteligente
Agora que compreendes o terreno em que te moves, vamos ao que realmente interessa: como podes armar-te com as ferramentas certas para escrever uma tese sólida, original e à prova de problemas.
Pensa no teu processo de escrita como a construção de uma casa. Precisas de diferentes ferramentas para diferentes fases:
Gerenciadores de referências: Mendeley é excelente para colaboração e tem boa integração com Word. Zotero, open-source e mais flexível, é ideal para quem usa múltiplos dispositivos.
Editores de produtividade académica: Plataformas especializadas como a Tesify oferecem ambiente de escrita adaptado às necessidades académicas. Editores com suporte para LaTeX são recomendados para áreas mais técnicas.
Detectores de plágio para auto-revisão: Versões gratuitas para verificação inicial e serviços premium para análise mais detalhada antes da submissão final.

Desenvolvi este checklist ao longo de anos de experiência, e posso garantir-te que seguir estes passos reduz drasticamente o risco de problemas.
- Revisão de citações e referências: Verifica se cada afirmação não original tem fonte. Confirma que o formato está consistente.
- Teste com detector de plágio próprio: Usa uma ferramenta antes de submeter oficialmente.
- Verificação de paráfrases: Relê paráfrases de fontes importantes. Certifica-te de que são genuinamente tuas.
- Análise de consistência de estilo: Lê o trabalho do início ao fim. Mudanças abruptas de tom podem levantar suspeitas.
- Conversa com orientador sobre uso de IA: Se usaste ferramentas de IA em alguma fase, discute abertamente.
Para um guia mais detalhado sobre esta rotina, recomendo a leitura do artigo IA antiplagio e ferramentas de escrita académica: o guia.
A IA pode ser uma aliada poderosa — se souberes usá-la corretamente. Usa IA para brainstorming, não para texto final: Pede à IA para te dar cinco ângulos diferentes sobre um tema. Depois, escolhe o que faz sentido e desenvolve com as tuas palavras.
Técnica de reescrita crítica: Se a IA te deu uma ideia interessante, não copies. Pergunta-te: “Como é que eu explicaria isto a um colega?” Escreve essa versão.
Esta distinção é fundamental:
| Tipo | Definição | Consequência |
|---|---|---|
| Plágio textual | Copiar texto sem citação adequada | Reprovação / Expulsão |
| Autoplágio | Reutilizar trabalho próprio sem declarar | Penalização variável |
| Uso legítimo de IA | IA como assistente com reescrita própria | Aceitável (com transparência) |
O Futuro da Deteção Académica: O Que Esperar
Se achas que o cenário atual já é complexo, prepara-te. Os próximos anos vão trazer mudanças significativas — e quem se preparar agora terá vantagem.
Com base em relatórios do sector e anúncios de empresas como Turnitin e Compilatio, aqui está o que podemos esperar:
- Sistemas mais sofisticados de deteção: Os detectores vão melhorar na identificação de texto gerado por IA, mesmo quando editado
- Integração com LMS universitários: A deteção será automática e contínua, não apenas no momento da submissão
- Análise comportamental de escrita: Sistemas que monitorizam padrões de escrita ao longo do tempo para identificar anomalias
Previsão: Até 2027, estima-se que 90% das universidades europeias terão políticas específicas sobre uso de IA generativa, exigindo declaração obrigatória e podendo incluir análise de processo de escrita.
A melhor defesa não é tecnológica — é pessoal. Escrita crítica e reflexiva: Aprende a questionar, analisar e sintetizar informação de forma genuína. Isto não pode ser replicado por IA.
Literacia em IA: Compreende como estas ferramentas funcionam, os seus limites e o seu potencial. Usa-as como profissional, não como atalho.
Domina a Escrita Académica com Confiança
Chegaste ao fim deste guia e agora tens informação que a maioria dos teus colegas desconhece. Mas informação sem ação de pouco vale.
O que aprendeste hoje:
- Os sistemas de deteção são mais complexos do que parecem — mas não são infalíveis
- Os professores veem mais do que tu nos relatórios — por isso a transparência é a tua melhor defesa
- Usar IA não é proibido — mas a forma como a usas faz toda a diferença
- O futuro vai exigir mais documentação e transparência — prepara-te agora
A verdadeira proteção contra problemas de plágio não está em encontrar formas de “enganar” os sistemas. Está em desenvolver uma prática de escrita consciente, ética e bem fundamentada.
Se procuras uma plataforma que te apoie em todo este processo — desde a estruturação inicial até à revisão final — a Tesify foi desenhada especificamente para estudantes como tu.
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