FCT Bolsas Doutoramento: Candidatura, Requisitos e Dicas 2026

FCT Bolsas Doutoramento: Candidatura, Requisitos e Dicas 2026

As bolsas FCT para doutoramento são o principal mecanismo de financiamento da investigação científica em Portugal e uma das bolsas de doutoramento mais competitivas da Europa meridional. A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) disponibiliza anualmente centenas de bolsas para doutorandos portugueses e estrangeiros que queiram investigar em Portugal ou em co-tutela com instituições internacionais. Em 2026, o valor mensal é de 1 686 €, isento de IRS, com duração de 4 anos.

Mas a candidatura a uma bolsa FCT não é um processo simples: é altamente competitiva (taxa de aprovação de 20–30% em anos recentes), exige uma proposta de investigação sólida e um orientador credenciado. Este guia explica como funciona todo o processo, o que os avaliadores procuram e como maximizar as tuas hipóteses de aprovação.

Resposta rápida: A FCT publica concursos anuais de bolsas de doutoramento. Valor: 1 686 €/mês durante 4 anos. Candidatura via portal MyFCT em fct.pt. Exige: proposta de investigação, orientador aprovado pela FCT, mestrado concluído (ou em fase final) e nota mínima recomendada de 16 valores.

Tipos de bolsas FCT para doutoramento

Tipo Descrição Duração
BD — Bolsa de Doutoramento Investigação em instituição portuguesa. Modalidade principal. 4 anos (48 meses)
BDE — BD em Empresa Co-orientação com empresa parceira. Investigação com aplicação industrial. 3–4 anos
BDRD — BD no Estrangeiro Investigação numa instituição estrangeira (em países europeus ou outros). 2–3 anos
Bolsas em PD FCT No âmbito de Programas Doutorais aprovados pela FCT (atribuição pela universidade). 4 anos

Valores e benefícios em 2026

A bolsa FCT de doutoramento inclui as seguintes componentes:

  • Subsídio mensal: 1 686 €/mês (2025, revisto anualmente de acordo com o SMN)
  • Isenção de propinas: A FCT paga diretamente as propinas de doutoramento à instituição hospedeira (até ao valor do regulamento)
  • Seguro de acidentes pessoais: Obrigatório, pago pela FCT
  • Subsídio de mobilidade: Até 1 000 €/ano para participação em conferências, estágios curtos ou missões de investigação
  • Isenção de IRS: As bolsas FCT são isentas de tributação ao abrigo do artigo 12.º do CIRS
  • Segurança Social: Os bolseiros FCT podem inscrever-se voluntariamente na Segurança Social (regime dos trabalhadores independentes)
Nota importante: A bolsa FCT não é um contrato de trabalho — é uma bolsa de investigação. Isso significa que não geras contribuições automáticas para a Segurança Social nem tens direito a subsídio de desemprego no final. Muitos doutorandos complementam a bolsa com trabalho de assistência à docência (tutoria ou laboratórios) através de contratos separados.

Requisitos de candidatura

Requisitos obrigatórios

  • Ter grau de mestre concluído ou estar em fase de conclusão (pode candidatar no último semestre do mestrado)
  • Proposta de projeto de investigação definida (5–15 páginas)
  • Orientador credenciado pela FCT (com habilitação para orientar) e concordância expressa
  • Instituição de acolhimento com unidade de I&D reconhecida pela FCT (classificação “Bom” ou superior)
  • Não ter beneficiado anteriormente de bolsa FCT de doutoramento

Requisitos recomendados (aumentam a pontuação)

  • Média do mestrado de 16 valores ou superior
  • Publicações científicas ou comunicações em conferências (mesmo como co-autor)
  • Experiência de investigação prévia (trabalhos de laboratório, projetos de investigação)
  • Carta de motivação detalhada e personalizada para o projeto
  • Co-orientação internacional

Processo de candidatura passo a passo

  1. Acompanha os concursos FCT: A FCT publica os avisos de abertura de concursos no portal fct.pt e na newsletter oficial. Os concursos de bolsas individuais abrem geralmente em março–abril e em setembro–outubro.
  2. Confirma o orientador e a instituição: Antes de iniciar a candidatura, garante que tens o acordo formal do orientador e que a unidade de I&D onde vais investigar está reconhecida pela FCT. Verifica no portal FCT sob “Unidades de I&D”.
  3. Registo no MyFCT: Cria ou confirma o teu perfil no portal MyFCT (my.fct.pt). Preenche o currículo científico no formato FCT (Curriculum Vitae de Investigadores — CVI).
  4. Prepara a proposta de investigação: Documento de 5–15 páginas em inglês (na maioria dos concursos). Ver estrutura recomendada abaixo.
  5. Submissão: Submete a candidatura no portal MyFCT dentro do prazo do concurso. Verifica que todos os documentos estão corretamente carregados antes de submeter — não há possibilidade de alterar após a submissão.
  6. Avaliação: Realizada por painéis de peritos internacionais (peer review). Processo dura 3–6 meses.
  7. Resultado: Publicado no MyFCT. Em caso de aprovação, tens 30 dias para aceitar formalmente.

Estrutura recomendada da proposta de investigação FCT

  • Título e palavras-chave
  • Sumário executivo (max. 250 palavras)
  • Estado da arte e lacuna de investigação (1–2 páginas)
  • Objetivos e perguntas de investigação
  • Metodologia proposta
  • Plano de trabalho e cronograma (por ano)
  • Impacto esperado e disseminação (publicações, conferências)
  • Referências bibliográficas

Critérios de avaliação

A FCT avalia as candidaturas numa escala de 1 a 5 (1 = fraco, 5 = excelente) em quatro critérios principais:

Critério Peso O que avaliam
Mérito científico do projeto 40% Originalidade, relevância, fundamentação teórica, metodologia
Mérito do candidato 35% Classificações académicas, publicações, experiência de investigação
Qualidade da equipa e ambiente de investigação 15% CV do orientador, classificação da unidade I&D, infraestruturas
Impacto e disseminação 10% Plano de publicações, comunicação científica, valorização

Dicas para aumentar as hipóteses de aprovação

  • Escolhe um orientador com h-index elevado e projetos FCT ativos: Um orientador com projetos FCT em curso tem mais credibilidade junto dos avaliadores e pode facilitar a tua integração no projeto.
  • Proposta em inglês, mesmo que possa ser em português: Os avaliadores são frequentemente internacionais. Uma proposta em inglês aumenta o alcance e demonstra proficiência linguística.
  • Cita literatura recente (últimos 3 anos): Uma revisão bibliográfica desatualizada sinaliza falta de domínio do estado da arte.
  • Sé específico na metodologia: Propostas vagas — “utilizaremos métodos qualitativos e quantitativos” — perdem pontos. Define quais métodos, com que amostras/dados, em que fases.
  • Inclui pelo menos uma publicação ou comunicação: Mesmo um artigo de conferência como co-autor demonstra experiência na produção científica.
  • Plano de trabalho realista: Um plano que prevê 5 artigos em 4 anos é suspeito. Um plano que prevê 0 publicações também o é. Aponta para 2–4 artigos ao longo do doutoramento.

Para apoio na escrita da proposta e na gestão da investigação doutoral, o Tesify pode ajudar-te a estruturar e rever os documentos académicos chave. Para aceder a literatura científica para a proposta, consulta o guia sobre como usar RCAAP e b-on.

O que acontece após a aprovação

  1. Aceitação formal: Aceita a bolsa no MyFCT em 30 dias. Podes negociar a data de início (geralmente dentro de 6 meses da aprovação).
  2. Contrato de bolsa: A FCT emite um contrato tripartido (FCT — candidato — instituição hospedeira). O contrato define obrigações: dedicação exclusiva, relatórios semestrais, proibição de emprego remunerado paralelo (com exceções).
  3. Relatórios semestrais: Tens de submeter relatórios de progresso cada 6 meses. A FCT pode suspender a bolsa em caso de progresso insatisfatório.
  4. Prorrogações: Podes pedir prorrogação de até 6 meses por motivos devidamente justificados (maternidade/paternidade, doença, participação em projetos aprovados).

Para o contexto mais amplo do doutoramento em Portugal, consulta o nosso guia completo de doutoramento em Portugal e os dados sobre ranking de universidades em Portugal.

Perguntas Frequentes sobre Bolsas FCT

Quando abre o próximo concurso FCT de bolsas de doutoramento?

A FCT publica tipicamente dois concursos de bolsas por ano: um no primeiro semestre (março–abril) e outro no segundo semestre (setembro–outubro). Os avisos são publicados no portal fct.pt, no Diário da República e na newsletter FCT. Subscreve os alertas da FCT para não perderes os prazos.

Qual é a taxa de aprovação das bolsas FCT de doutoramento?

A taxa de aprovação varia por área científica e por concurso, mas situa-se geralmente entre 20% e 35%. Em áreas de maior competição (ciências biomédicas, engenharia informática), a taxa pode ser inferior a 20%. Em humanidades e ciências sociais, pode superar os 35% dependendo do número de candidaturas e de vagas disponíveis.

Posso ter uma bolsa FCT e trabalhar paralelamente?

Não de forma remunerada a tempo inteiro. O regulamento FCT exige dedicação exclusiva. Podes exercer atividades de docência auxiliar (tutoria, assistência a laboratórios) por valores modestos, mediante autorização da FCT. A colaboração em projetos de extensão universitária ou consultoria pontual pode ser permitida, caso a caso, mediante autorização prévia da FCT.

Estudantes estrangeiros podem candidatar às bolsas FCT?

Sim. As bolsas FCT de doutoramento estão abertas a cidadãos de qualquer nacionalidade, desde que a investigação seja realizada em Portugal (numa instituição com unidade I&D reconhecida pela FCT) e o candidato cumpra os restantes requisitos. Estudantes brasileiros, angolanos e de outros países lusófonos candidatam-se com frequência e são elegíveis nos mesmos termos que candidatos portugueses.

O que é o Contrato de Bolsa FCT?

O Contrato de Bolsa FCT é o documento tripartido (entre o bolseiro, a FCT e a instituição hospedeira) que formaliza os direitos e obrigações de todas as partes. Define o valor, a duração, as condições de renovação, as obrigações de reporte, as condições de suspensão e as regras de propriedade intelectual sobre os resultados da investigação. Deve ser lido com atenção antes de assinar.

Posso mudar de orientador ou de instituição durante a bolsa FCT?

Sim, mas requer autorização formal da FCT. A mudança de orientador é possível mediante parecer do conselho científico da instituição hospedeira e aprovação da FCT. A mudança de instituição hospedeira segue processo semelhante. Ambas as situações são previstas no regulamento FCT de bolsas mas implicam formalidades e potenciais períodos de suspensão temporária do financiamento.

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