Já passaste horas — talvez dias — a olhar para uma página em branco, sem conseguir arrancar o capítulo da revisão de literatura? Ou pior: escreveste três parágrafos e apagaste tudo porque “não soava académico”?
A boa notícia é que não estás sozinho nesta luta. Nos últimos anos, acompanhei centenas de estudantes de mestrado e doutoramento que enfrentavam exatamente este bloqueio. E aqui está um dado que talvez te surpreenda: cerca de 50% dos estudantes de pós-graduação consideram desistir do programa, sendo a dificuldade de escrita uma das principais razões apontadas.
Mas 2025 trouxe uma mudança de jogo. As ferramentas de IA para escrever tese deixaram de ser uma curiosidade tecnológica para se tornarem aliadas indispensáveis de quem quer terminar a dissertação com sanidade mental intacta.
Neste guia, vou mostrar-te as 7 melhores ferramentas disponíveis, como escolher a certa para o teu projeto, e — talvez mais importante — como usá-las sem comprometer a tua integridade académica. Antes de mergulharmos nas ferramentas, é fundamental teres o tema bem delimitado — porque nenhuma IA faz milagres se não souberes para onde queres ir.
- Tesify.pt — Especializada em português europeu e normas portuguesas
- ChatGPT — Mais versátil para brainstorming
- Claude — Melhor para textos longos e análise
- Jenni AI — Foco em artigos científicos
- Elicit — Excelente para revisão de literatura
- Writefull — Especialista em edição académica
- Grammarly + QuillBot — Combinação para correção e paráfrase
O Que São Ferramentas de IA para Escrita Académica
Antes de mergulharmos nas recomendações, precisamos esclarecer algo fundamental: o que são realmente estas ferramentas e como funcionam?
As ferramentas de IA para escrita académica são sistemas baseados em Large Language Models (LLMs) — modelos de linguagem treinados em enormes quantidades de texto. Imagina uma biblioteca com milhões de livros, artigos e documentos. Estes modelos “leram” essa biblioteca inteira e aprenderam padrões de linguagem, estrutura e argumentação.

Quando lhes fazes uma pergunta ou pedes para escreverem algo, não estão a copiar texto de lado nenhum. Estão a gerar novas combinações de palavras baseadas nos padrões que aprenderam. É como um músico de jazz que, depois de ouvir milhares de músicas, consegue improvisar algo original — mas reconhecivelmente dentro do género.
No entanto — e isto é crucial — estas ferramentas não “pensam” nem “compreendem” no sentido humano. São incrivelmente boas a produzir texto fluente, mas podem inventar factos (o famoso problema das “alucinações”) e não têm critério para distinguir informação correta de incorreta.
O mercado divide-se em quatro categorias principais:
- Assistentes de escrita geral: ChatGPT, Claude, Gemini — versáteis, mas não especializados
- Ferramentas especializadas em académico: Tesify.pt, Jenni AI, Writefull — desenhadas especificamente para contexto universitário
- Ferramentas de pesquisa: Elicit, Consensus, Semantic Scholar — focadas em encontrar e resumir literatura científica
- Verificadores e editores: Grammarly, QuillBot, LanguageTool — polimento e correção final
Para estudantes portugueses, há considerações específicas que não podes ignorar. A maioria das ferramentas foi treinada predominantemente em inglês e português brasileiro. Isto significa que podem sugerir termos como “você” em vez de “tu”, ou usar vocabulário e estruturas gramaticais que soam estranhas no contexto académico português.
As universidades portuguesas têm vindo a definir políticas próprias. Segundo diretrizes recentes do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), o uso de IA é geralmente permitido como ferramenta de assistência, mas exige declaração explícita e não substitui o trabalho intelectual do estudante.
A Revolução da IA no Meio Académico
Se pensas que a IA na escrita académica é uma moda passageira, prepara-te para um choque de realidade.
Um estudo publicado em 2024 pela Nature revelou que mais de 60% dos estudantes universitários já experimentaram ferramentas de IA para apoio à escrita. Em Portugal, embora os dados específicos sejam mais limitados, inquéritos informais em universidades como a NOVA, a Universidade de Lisboa e a Universidade do Porto indicam taxas de utilização semelhantes.
O mercado global de EdTech com IA está projetado para crescer a uma taxa anual de 36% até 2028. Não estamos a falar de uma tendência marginal — estamos a assistir a uma transformação estrutural na forma como a academia produz conhecimento.

Há dois anos, a reação inicial de muitas universidades foi de pânico. Proibições generalizadas, detetores de IA (que, diga-se, são notoriamente imprecisos), e um discurso alarmista sobre o “fim da originalidade académica”.
Hoje, o tom mudou drasticamente. Universidades de referência como a Universidade de Oxford e o MIT já publicaram guidelines detalhadas sobre uso ético de IA. A mensagem é clara: a questão não é se os estudantes vão usar IA, mas como vão usá-la com integridade.
Permitam-me partilhar um exemplo concreto. Uma estudante de mestrado em Gestão — vou chamá-la de Maria — estava bloqueada há três meses na revisão de literatura. Tinha mais de 80 artigos para analisar e não conseguia estruturar a informação de forma coerente.
Com recurso a uma combinação de Elicit (para organizar os papers) e Tesify.pt (para estruturar a escrita), Maria conseguiu completar o capítulo em seis semanas. O trabalho intelectual — a análise crítica, as conexões entre autores, a argumentação original — continuou a ser dela. A IA funcionou como um assistente que acelera o processo mecânico.
Isto conecta-se diretamente com um dos 7 erros fatais na escolha do tema de tese: começar a escrever sem clareza sobre o que se quer dizer. Ferramentas de IA amplificam tanto os bons hábitos como os maus.
As 7 Melhores Ferramentas de IA para Escrever Tese
Chegámos ao coração deste guia. Vou apresentar-te cada ferramenta com honestidade — incluindo as suas limitações — para que possas fazer uma escolha informada.
🎯 Melhor para: Estudantes portugueses de mestrado e doutoramento
💰 Preço: Freemium com período de teste gratuito
O Tesify.pt destaca-se por uma razão simples: foi desenvolvido especificamente para o contexto académico português. Enquanto outras ferramentas tratam o português como uma língua secundária, aqui é a prioridade.
Pontos fortes: Português europeu nativo (nada de “você” ou brasileirismos), conhecimento das normas APA e ABNT, guia estruturado desde a definição do tema até à formatação final, verificação integrada de plágio e gestão automática de citações.
A melhorar: Plataforma relativamente nova, em constante evolução, e menos documentação disponível comparada com ferramentas estabelecidas.
🎯 Melhor para: Brainstorming e exploração de ideias
💰 Preço: Gratuito (GPT-3.5) / €20/mês (GPT-4)
O ChatGPT é o canivete suíço das ferramentas de IA. Consegue fazer quase tudo razoavelmente bem, mas não é especializado em nada.
Pontos fortes: Excelente para ultrapassar bloqueios criativos, capacidade de diálogo natural e enorme comunidade com prompts partilhadas.
Atenção: Alucinações frequentes — inventa referências bibliográficas que parecem reais mas não existem. O português europeu é inconsistente. Usa-o para desbloquear, mas verifica sempre tudo o que produz.

🎯 Melhor para: Análise de textos longos
💰 Preço: Gratuito (limitado) / €20/mês (Pro)
O Claude distingue-se por duas características: uma janela de contexto muito maior (consegue “lembrar-se” de mais texto) e uma tendência menor para alucinações. Excelente para analisar dezenas de artigos para a revisão de literatura, mas a interface é menos intuitiva que o ChatGPT.
🎯 Melhor para: Artigos científicos em inglês
💰 Preço: A partir de €12/mês
Desenhado especificamente para escrita académica, com integração direta com Zotero e sugestões de citações relevantes enquanto escreves. O senão? Interface apenas em inglês e menos eficaz para português.
🎯 Melhor para: Revisão sistemática de literatura
💰 Preço: Gratuito (básico) / Pago (avançado)
O Elicit não escreve por ti — encontra e organiza literatura científica de forma inteligente. Encontra papers relevantes a partir de uma pergunta de pesquisa e resume automaticamente os pontos principais. Indispensável para quem enfrenta a temida revisão de literatura.
🎯 Melhor para: Polimento de texto já escrito
💰 Preço: Gratuito (básico) / €8/mês
Treinado especificamente em texto académico publicado, o Writefull tem um “ouvido” afinado para o que soa profissional na academia. Integra-se com Word e Overleaf. Perfeito para a fase final.
🎯 Melhor para: Correção e paráfrase
💰 Preço: Freemium para ambos
Separadamente são ferramentas limitadas; juntas, formam uma dupla poderosa para polimento. Grammarly apanha erros que o corretor do Word ignora, QuillBot ajuda a reformular frases. Nota: Grammarly foi otimizado para inglês.
| Ferramenta | Melhor Para | Preço | PT-PT |
|---|---|---|---|
| Tesify.pt | Tese completa | Freemium | ✅ |
| ChatGPT | Brainstorming | Gratuito/€20 | ⚠️ |
| Claude | Textos longos | Gratuito/€20 | ⚠️ |
| Jenni AI | Artigos científicos | €12+/mês | ❌ |
| Elicit | Revisão literatura | Freemium | ❌ |
| Writefull | Edição final | €8+/mês | ⚠️ |
| Grammarly | Correção | Freemium | ⚠️ |
Tal como escolher a ferramenta certa exige investigação, qualquer projeto de escrita académica começa com uma pesquisa sólida. Este vídeo da Ahrefs explica o processo de forma clara:
O princípio é o mesmo: não se criam capítulos de tese sem saber primeiro o que realmente importa.
Como Escolher a Ferramenta Certa para o Teu Projeto
Com tantas opções disponíveis, como decides qual ferramenta usar? A resposta depende de três fatores críticos.
Primeiro, avalia o teu estágio de escrita. Ainda estás na fase de pesquisa e organização de ideias? O Elicit e o Claude são os teus melhores aliados. Já tens rascunhos e precisas de os polir? Writefull e Grammarly entram em cena. Procuras uma solução que te acompanhe do início ao fim? O Tesify.pt foi desenhado exatamente para isso.
Segundo, considera a língua. Se a tua tese é em português europeu, a maioria das ferramentas internacionais vai frustrar-te. Vão sugerir construções brasileiras, misturar registos, e produzir texto que o teu orientador vai questionar. Uma plataforma como o Tesify.pt elimina este problema à partida.

Terceiro, pensa no orçamento. Ferramentas gratuitas existem, mas têm limitações significativas. Se a tua tese é uma prioridade (e deveria ser), investir numa ferramenta especializada vai poupar-te tempo e stress. Faz as contas: quanto vale o teu tempo?
O Futuro da Escrita Académica com IA
A tendência é irreversível. Dentro de poucos anos, usar IA como assistente de escrita será tão natural como usar um processador de texto ou uma calculadora. A questão não é se vais usar estas ferramentas — é se vais aprender a usá-las bem antes da concorrência.
As universidades estão a adaptar-se. Os critérios de avaliação estão a evoluir para valorizar mais a análise crítica, a originalidade do argumento e a capacidade de síntese — competências que a IA não substitui, apenas amplifica.
Perguntas Frequentes
Usar IA na tese é considerado plágio?
Não, desde que declares o uso e a IA funcione como assistente, não como autor. As universidades portuguesas permitem o uso como ferramenta de apoio.
Qual a melhor ferramenta gratuita?
Para brainstorming, o ChatGPT gratuito funciona bem. Para revisão de literatura, o Elicit tem uma versão básica útil. No entanto, para trabalho sério em português, vale a pena experimentar o período de teste do Tesify.pt.
A IA pode escrever a tese toda por mim?
Tecnicamente pode gerar texto, mas não deve. O trabalho intelectual — a argumentação, a análise crítica, as conclusões — tem de ser teu. Usar IA para substituir o pensamento é um atalho que acaba sempre em problemas.
Os orientadores conseguem detetar texto de IA?
Os detetores de IA são notoriamente imprecisos, mas orientadores experientes reconhecem texto genérico. A solução não é tentar enganar — é usar a IA como ferramenta, mantendo a tua voz e argumentação originais.
Próximos Passos: Transforma a Tua Escrita Hoje
Chegaste até aqui porque queres terminar a tua tese — e queres fazê-lo bem. As ferramentas existem, as estratégias estão mapeadas, e o caminho está mais claro do que nunca.
O meu conselho? Não tentes dominar todas as ferramentas ao mesmo tempo. Escolhe uma — de preferência uma que entenda o contexto português — e compromete-te a usá-la consistentemente durante as próximas duas semanas.
O Tesify.pt foi criado por quem passou pelo mesmo processo que tu. Experimenta gratuitamente e descobre como é escrever com um assistente que realmente entende o que precisas.
Última atualização: Janeiro 2025




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