Sabes aquela sensação? O cursor a piscar. A página em branco a olhar para ti. O tempo a passar e as palavras… simplesmente não vêm.
São 23h47. Amanhã tens reunião com o orientador. E a tua tese continua exactamente onde estava há três semanas — em lado nenhum.
Se isto te soa familiar, respira fundo. Não estás sozinho.

Estudos sobre produtividade académica indicam que mais de 70% dos estudantes universitários experienciam bloqueio de escrita significativo durante a elaboração da tese ou dissertação. Em Portugal, onde a pressão das propinas, dos prazos institucionais e da competição no mercado de trabalho se intensifica, este número pode ser ainda mais expressivo.
Mas aqui está a verdade que ninguém te conta: o bloqueio mental não é falta de inteligência, talento ou dedicação. É uma resposta previsível do cérebro a uma tarefa que parece gigantesca, ambígua e ameaçadora.
E a boa notícia? Tem solução. Hoje. Não amanhã. Não “quando estiver inspirado/a”. Hoje.
Depois de ajudar centenas de estudantes portugueses a desbloquear as suas teses na Tesify, identificámos os padrões exactos que transformam paralisia em progresso. E é precisamente isso que vais descobrir neste guia completo sobre como começar a tese sem bloqueio mental.
Descarrega o nosso checklist passo-a-passo para transformar esta leitura em acção imediata — ainda hoje.
O Que é Realmente o Bloqueio Mental na Tese (E Porque Acontece)
Repara na palavra-chave: temporária. Isto não é uma sentença permanente. É um estado que se pode ultrapassar — quando entendes o que realmente o causa.
Na minha experiência com estudantes de licenciatura e mestrado em Portugal, o bloqueio raramente tem a ver com falta de conhecimento. Tens a pesquisa feita. Tens ideias. O problema está noutro sítio.
As 4 Causas Principais em Estudantes Portugueses
1. Perfeccionismo paralisante
“Tem de ficar perfeito à primeira.” Esta crença assassina mais teses do que qualquer prazo apertado. A verdade? Nenhum primeiro rascunho é bom. Nem o dos professores. Nem o dos investigadores premiados. O perfeccionismo na fase inicial é o equivalente académico de querer correr uma maratona antes de aprender a andar.
2. Síndrome do impostor
“Quem sou eu para escrever sobre isto?” Se alguma vez pensaste isto, parabéns — estás em excelente companhia. Estudos sugerem que até 70% dos estudantes universitários experienciam síndrome do impostor. A ironia? Quem duvida das suas capacidades é frequentemente quem mais se esforça.
3. Falta de orientação clara
Orientadores ausentes. Feedback vago. Expectativas pouco claras. Em Portugal, onde muitos docentes acumulam funções de investigação, ensino e gestão, a supervisão de teses pode ficar comprometida. Sem direcção clara, é natural sentires que estás a navegar sem bússola.
4. Sobrecarga de informação
Leste 47 artigos. Tens 23 separadores abertos. Sabes tanto sobre o tema que já não sabes por onde começar. Paradoxalmente, demasiada pesquisa pode ser tão paralisante quanto pouca.
O Ciclo Vicioso (E Como Quebrá-lo)
Eis o que acontece na prática:
Procrastinação → Culpa → Ansiedade → Mais procrastinação → Mais culpa…
Este ciclo alimenta-se a si próprio. Cada dia que passa sem escrever, a tarefa parece maior. A culpa acumula-se. E o bloqueio solidifica-se.
Contudo, aqui está o reframe crucial: o bloqueio não é preguiça. É uma resposta protectora do cérebro ao medo e à incerteza. O teu cérebro está a tentar proteger-te de uma ameaça percebida — o fracasso, a rejeição, o julgamento.
A solução não é forçar-te a “ter mais disciplina”. É redesenhar a tarefa para que o cérebro deixe de a ver como ameaça.
Porque é que a Introdução é o Pior Sítio Para Começar
Se estás a tentar começar pela introdução, pára. Agora mesmo.
A introdução é um resumo de todo o trabalho. Apresenta o problema, justifica a relevância, antecipa a metodologia, promete conclusões. Como podes resumir algo que ainda não existe?
Segundo especialistas em metodologia de investigação, a introdução deve ser escrita — ou pelo menos substancialmente revista — depois de todo o resto estar feito. Tentar escrevê-la primeiro é como querer fazer o trailer de um filme antes de o filmar.
Para estratégias específicas de desbloqueio, consulta o nosso Guia Completo para Superar Bloqueio de Escritor na Tese, onde aprofundamos técnicas cognitivo-comportamentais para cada tipo de paralisia.
5 Técnicas Comprovadas Para Começar a Escrever Hoje
Chega de teoria. Vamos às técnicas que realmente funcionam.
Cada uma destas estratégias foi testada com estudantes reais, em situações reais de bloqueio. Escolhe a que mais ressoa contigo — e experimenta nas próximas duas horas.

Técnica 1: A Regra dos 15 Minutos
O cérebro humano resiste a compromissos grandes. “Vou escrever a tese” parece assustador. “Vou escrever durante 15 minutos” parece… fazível.
Como funciona:
- Coloca um temporizador para 15 minutos
- Escreve sobre qualquer aspecto da tua tese
- Quando o alarme tocar, podes parar (sem culpa)
O truque? Na maioria das vezes, não vais querer parar. Uma vez ultrapassada a inércia inicial, o momentum leva-te. Os 15 minutos transformam-se em 45. Às vezes em duas horas.
Mesmo que pares aos 15 minutos, escreveste. Quebraste o ciclo. Amanhã será mais fácil.
Técnica 2: “Escrever Mal de Propósito” (Shitty First Draft)
Esta técnica, popularizada pela escritora Anne Lamott, é revolucionária para perfeccionistas.
A premissa é simples: dá-te permissão explícita para escrever lixo.
“You can always edit a bad page. You can’t edit a blank page.”
— Jodi Picoult
Na prática:
- Antes de começar, diz em voz alta: “Isto vai ser mau, e está tudo bem”
- Escreve sem parar para corrigir, sem reler, sem julgar
- Permite frases incompletas, repetições, parágrafos confusos
- O objectivo é extrair ideias, não produzir texto final
Editar é sempre mais fácil do que criar do zero. Um rascunho mau é infinitamente melhor do que uma página em branco.
Técnica 3: Começar Pelo Meio
Já estabelecemos que a introdução é armadilha. Então, por onde começar?
Secções ideais para arrancar:
- Metodologia: Descreve o que fizeste ou vais fazer. É factual, mecânico, menos criativo.
- Revisão de literatura: Resume o que leste. Já tens as fontes — agora é só sintetizar.
- Resultados: Se já tens dados, descreve-os. Tabelas, gráficos, observações.
Segundo as normas de apresentação de dissertações da FEUP, a estrutura típica inclui introdução, desenvolvimento (revisão, metodologia, resultados, discussão) e conclusão. Porém, a ordem de escrita não precisa seguir a ordem de apresentação.
Técnica 4: O Método “Falar Antes de Escrever”
Consegues explicar o teu tema a um amigo? Então consegues escrevê-lo.
O processo:
- Abre o gravador de voz do telemóvel
- Imagina que estás a explicar o tema a alguém sem conhecimento técnico
- Fala durante 5-10 minutos — sem filtro, sem preocupação com linguagem académica
- Transcreve (manualmente ou com app de transcrição)
- Usa como base para o texto formal
Este método elimina a formalidade paralisante. Quando falas, não te preocupas com vírgulas, citações ou tom académico. Simplesmente comunicas. E essa comunicação crua é ouro para desbloquear a escrita da tese.
Técnica 5: Ritual de Início (Trigger Habit)
Atletas têm rituais antes de competir. Músicos antes de actuar. Tu também podes ter um ritual antes de escrever.
Exemplos de rituais de escrita:
- O mesmo café, no mesmo copo
- A mesma playlist (música instrumental funciona melhor)
- O mesmo local — se possível, dedicado apenas à tese
- Três respirações profundas antes de abrir o documento
- Reler o último parágrafo escrito
O objectivo é criar uma associação pavloviana: quando fazes X, o cérebro sabe que é hora de escrever. Com o tempo, o ritual “liga” automaticamente o modo de escrita.
O Purdue OWL, referência mundial em escrita académica, sugere que estabelecer rotinas consistentes é um dos factores mais determinantes para completar teses com sucesso.
Qual Técnica Escolher? Mini-Diagnóstico
Se és perfeccionista (nada parece “bom o suficiente”) → Técnica 2
Se estás sobrecarregado/a (tudo parece demais) → Técnica 1
Se não sabes por onde começar → Técnica 3
Se tens dificuldade com linguagem formal → Técnica 4
Se começas mas não consegues manter → Técnica 5
Descobre como estruturar todo o processo no nosso guia Como Iniciar uma Tese Académica do Zero.
Por Onde Começar: A Estrutura Que Desbloqueia a Escrita
Uma das maiores fontes de bloqueio é a incerteza estrutural. “Tenho de escrever 15.000 palavras, mas não sei como organizá-las.”
Vamos resolver isso agora.

Tabela: Ordem Recomendada vs. Ordem Tradicional
| Secção | Ordem no Documento | Ordem de Escrita | Porquê |
|---|---|---|---|
| Introdução | 1ª | 6ª | Resume tudo — impossível fazer bem primeiro |
| Revisão de Literatura | 2ª | 1ª ou 2ª | Baseia-se em leitura já feita |
| Metodologia | 3ª | 1ª ou 2ª | Mais mecânica, menos criativa |
| Resultados | 4ª | 3ª | Descrever dados existentes |
| Discussão | 5ª | 4ª | Interpretar resultados |
| Conclusão | 6ª | 7ª | Fecha o círculo |
| Resumo/Abstract | Início | Última | Sintetiza todo o trabalho |
Estrutura Oficial em Portugal
Cada universidade portuguesa tem normas específicas, mas a estrutura geral segue padrões semelhantes. Segundo o Manual de Dissertação da Universidade de Évora (2024), os elementos obrigatórios incluem:
- Elementos pré-textuais: Capa, folha de rosto, dedicatória (opcional), agradecimentos, resumo em português, abstract em inglês, índice geral, índice de figuras/tabelas
- Elementos textuais: Introdução, desenvolvimento (capítulos), conclusão
- Elementos pós-textuais: Referências bibliográficas, anexos (se aplicável)
Os procedimentos de submissão variam por instituição — confirma sempre com a secretaria do teu curso.
O Truque do “Esqueleto Expandido”
Esta técnica transformou a forma como os nossos estudantes na Tesify abordam a escrita. É simples, mas extraordinariamente eficaz:
Passo 1: Cria todos os títulos e subtítulos
Antes de escrever qualquer parágrafo, define a estrutura completa. Todos os capítulos. Todas as secções. Todos os subtítulos.
Passo 2: Adiciona uma frase por secção
Em cada subtítulo, escreve uma única frase a explicar o que essa secção vai conter. Exemplo:
- 2.1 Enquadramento teórico — “Aqui vou apresentar os três modelos teóricos principais que fundamentam a investigação.”
Passo 3: Expande frase a frase
Cada frase-guia torna-se um parágrafo. Cada parágrafo cresce numa secção completa. A tese constrói-se organicamente, sem a pressão de “escrever tudo de uma vez”.
Este método reduz drasticamente o bloqueio porque nunca estás perante uma página em branco. Há sempre uma próxima frase a expandir.
🎬 Recurso Recomendado: Este vídeo da USP explica os fundamentos da escrita académica e ajuda a clarificar o que distingue um texto académico de escrita informal — conhecimento essencial para escrever com confiança:
Se o bloqueio persiste e o prazo aproxima-se, os nossos especialistas podem ajudar-te a criar um plano de acção concreto em apenas 48 horas.
Ferramentas e Templates Para Eliminar a Fricção Inicial
Já reparaste como é mais fácil preencher um formulário do que criar um documento do zero?
A fricção inicial — abrir um documento vazio, configurar margens, definir estilos — consome energia mental preciosa. Energia que deveria ir para a escrita.
A solução: elimina essa fricção com as ferramentas certas.
Templates Prontos a Usar
LaTeX (recomendado para teses técnicas):
- Template de tese no Overleaf — gratuito, online, formatação automática
- Vantagem: índice, numeração e referências geram-se automaticamente
- Curva de aprendizagem inicial, mas poupa dezenas de horas a longo prazo
Word (para quem prefere simplicidade):
- Muitas universidades portuguesas disponibilizam templates próprios
- Verifica o site da tua faculdade ou secretaria
- Configura estilos de títulos logo no início para índice automático
Ferramentas de Escrita Sem Distração
O maior inimigo da escrita não é o bloqueio — é a notificação que te faz abrir o Instagram “só um segundo”.
Bloqueadores de distração:
- Forest App — Planta uma árvore virtual que morre se saíres da app
- Cold Turkey — Bloqueia sites e apps por períodos definidos
- Freedom — Sincroniza bloqueio entre dispositivos
Escrita focada:
- Focusmate — Sessões de coworking virtual com desconhecidos (surpreendentemente eficaz)
- iA Writer — Editor minimalista, sem distrações visuais
Gestores de Referências
Nada interrompe mais o fluxo de escrita do que parar para formatar uma citação.
- Zotero — Gratuito, integra com Word e browser, comunidade activa
- Mendeley — Bom para colaboração, armazenamento cloud
- EndNote — Mais robusto, mas pago
Configura o gestor de referências antes de começar a escrever. Adiciona fontes à medida que lês. Quando chegares à escrita, inserir citações será um clique.
Para mais ferramentas específicas para estudantes portugueses, explora o nosso artigo sobre ferramentas de produtividade para a tese.
Como Manter o Momentum Depois de Começar
Começar é metade da batalha. Manter o ritmo é a outra metade.
Eis as estratégias que funcionam para transformar um bom começo em progresso sustentado:
A Regra de Hemingway
Ernest Hemingway tinha um truque genial: parava sempre de escrever no meio de uma frase — numa altura em que sabia exactamente o que vinha a seguir.
Porquê? Porque no dia seguinte, retomar era fácil. Não havia bloqueio. O cérebro sabia exactamente onde continuar.
Aplica isto à tua tese:
- Termina cada sessão com uma nota sobre o próximo passo
- Deixa uma frase incompleta para retomar facilmente
- Nunca termines numa secção concluída — pára a meio
Metas Diárias Realistas
“Vou escrever 2.000 palavras por dia” soa bem — até falhares no primeiro dia e entrares em espiral de culpa.
Em vez disso, define metas absurdamente pequenas:
- 100 palavras por dia (menos de um parágrafo)
- 15 minutos de escrita focada
- Uma secção revisada
Metas pequenas são cumpridas consistentemente. Consistência gera momentum. Momentum gera resultados.
Accountability: O Poder do Compromisso Social
Dizer “vou escrever” para ti mesmo é fácil de ignorar. Dizer a alguém que vais enviar 500 palavras até sexta-feira? Muito mais difícil de quebrar.
Opções de accountability:
- Grupo de escrita com colegas de curso
- Sessões regulares com orientador (mesmo que breves)
- Apps como Focusmate que emparelham com outros a trabalhar
- Apoio especializado de serviços como a Tesify
Celebra Pequenas Vitórias
Terminaste um capítulo? Celebra. Escreveste todos os dias esta semana? Celebra. Ultrapassaste o bloqueio de três semanas? Celebra.
O cérebro precisa de recompensas para associar a escrita a algo positivo. Sem celebração, a tese torna-se apenas sofrimento — e sofrimento não é sustentável.
Perguntas Frequentes
O que fazer quando não consigo escrever nada na tese?
Começa pela técnica dos 15 minutos: coloca um temporizador e escreve qualquer coisa relacionada com a tese, sem preocupação com qualidade. O objectivo é quebrar a inércia. Se mesmo assim não resultar, experimenta falar sobre o tema em voz alta e gravar — transcrever é mais fácil que criar do zero.
Por onde devo começar a escrever a dissertação?
Nunca comeces pela introdução. As secções mais fáceis para arrancar são a metodologia (descritiva e factual) ou a revisão de literatura (síntese do que já leste). A introdução deve ser escrita — ou substancialmente revista — depois de todo o resto estar concluído.
O bloqueio de escrita é normal na tese de mestrado?
Absolutamente normal. Estudos indicam que mais de 70% dos estudantes universitários experienciam bloqueio significativo durante a elaboração de teses. Não é falta de capacidade — é uma resposta do cérebro à dimensão e ambiguidade da tarefa. Com as técnicas certas, é completamente ultrapassável.
Quanto tempo demora a escrever uma tese de mestrado em Portugal?
Varia significativamente por área e instituição, mas a fase de escrita intensiva tipicamente dura 3 a 6 meses. Com escrita consistente de 1-2 horas diárias, uma dissertação de 15.000-20.000 palavras pode ser concluída em 8-12 semanas. O segredo está na consistência, não em maratonas de escrita.
Como superar o perfeccionismo na escrita académica?
Usa a técnica “escrever mal de propósito”: dá-te permissão explícita para produzir um primeiro rascunho imperfeito. Lembra-te que nenhum autor — nem os premiados — escreve bem à primeira. Editar um texto mau é sempre mais fácil do que encarar uma página em branco.
Conclusão: O Teu Próximo Passo
Chegaste até aqui. Isso já diz algo sobre ti.
Não és preguiçoso/a. Não és incapaz. Estás simplesmente a enfrentar um desafio que a maioria dos estudantes enfrenta — e poucos sabem como resolver.
Agora tens as ferramentas:
- ✅ Entendes porque acontece o bloqueio (e que não és tu)
- ✅ Conheces 5 técnicas comprovadas para começar hoje
- ✅ Sabes por onde começar (spoiler: não é pela introdução)
- ✅ Tens ferramentas e templates para eliminar fricção
- ✅ Aprendeste como manter o momentum depois de arrancar
A pergunta agora é simples: o que vais fazer com isto?
Podes fechar este separador e voltar à paralisia. Ou podes escolher uma técnica — apenas uma — e experimentá-la nos próximos 15 minutos.
A escolha é tua.
E se precisares de mais do que técnicas… se precisares de alguém que te ajude a estruturar, a manter accountability, a transformar ideias em texto académico sólido…
Na Tesify, ajudamos centenas de estudantes portugueses a transformar bloqueio em progresso. Desde estruturação inicial até revisão final, estamos contigo em cada passo. Agenda uma consulta gratuita e descobre como podemos acelerar o teu percurso.
O cursor ainda está a piscar. Mas agora, sabes exactamente o que fazer.
Vai. Escreve. A tua tese está à espera.




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