Doutorando português a rever resumo de tese de doutoramento com checklist de erros comuns a evitar
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Resumo de Doutoramento: 5 Erros Que Reprovam Teses

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5 min de leitura

Passaste 4 anos a investigar, escreveste 300 páginas… e a tua tese pode ser reprovada por causa de 300 palavras.

Parece exagero? Infelizmente, não é. Estudos indicam que cerca de 15% das teses que enfrentam problemas na defesa têm falhas críticas nos elementos pré-textuais — e o resumo está no topo dessa lista. O mais chocante? A maioria desses erros são completamente evitáveis.

Deixa-me explicar-te algo que poucos orientadores dizem abertamente: o resumo é frequentemente o primeiro (e às vezes único) elemento que os membros do júri leem com atenção total. Num dia de defesas consecutivas, com pilhas de teses para avaliar, o resumo funciona como o filtro inicial. Se falha, a primeira impressão está comprometida.

Ilustração de pessoa a escrever o resumo de uma tese de doutoramento

Imagina isto: estás a candidatar-te a um emprego de sonho. O teu currículo tem toda a informação relevante, mas o resumo profissional no topo está confuso, vago e mal escrito. Qual é a probabilidade de o recrutador continuar a ler? Exactamente.

O que é um resumo de tese de doutoramento?
O resumo de tese de doutoramento é uma síntese concisa de 150 a 500 palavras que apresenta o contexto, objetivos, metodologia, resultados principais e conclusões da investigação. É um elemento pré-textual obrigatório que determina se o leitor continuará a ler o trabalho completo.

Neste artigo, vou revelar-te os 5 erros mais comuns na elaboração de resumos para teses de doutoramento — aqueles que consistentemente levam a reprovações ou revisões penosas. Mais importante ainda, vou mostrar-te exactamente como corrigi-los.

Se achas que o teu resumo está confuso, é provável que existam erros estruturais mais profundos na tua tese. Mas vamos começar pelo princípio.


Porquê o Resumo É o Elemento Mais Subestimado da Tua Tese

Há uma ironia cruel no mundo académico: passamos anos a investigar, meses a escrever, semanas a formatar… e dedicamos, em média, apenas 2 horas ao resumo. Pior ainda, muitos doutorandos escrevem-no às pressas, na véspera da submissão.

É como construir um palácio e depois colocar uma porta de cartão na entrada.

O resumo é, literalmente, o cartão de visita da tua investigação. Mas a sua função vai muito além de “apresentar” o trabalho. Os membros do júri usam-no para formar primeiras impressões — e as primeiras impressões, como sabemos da psicologia, são extraordinariamente persistentes. Um resumo claro e bem estruturado comunica competência antes sequer de lerem a introdução.

Além disso, o resumo determina a visibilidade académica da tua tese. Quando a tua investigação é indexada em repositórios institucionais, bases de dados como a Scopus ou a Web of Science, e motores de busca académicos, é o resumo (e as palavras-chave) que aparecem nos resultados. Se o teu resumo for vago, ninguém encontra o teu trabalho. Se for preciso, ganhas citações.

Aqui está um erro que vejo repetidamente: doutorandos que escrevem resumos indicativos quando deveriam escrever resumos informativos. Qual é a diferença?

  • Resumo indicativo: Descreve o que a tese aborda, sem revelar resultados. É como um índice expandido.
  • Resumo informativo: Apresenta contexto, objetivos, metodologia, resultados e conclusões. É uma mini-versão completa da investigação.

Teses de doutoramento exigem resumos informativos. Sempre. Sem excepção.

📚 Para entenderes melhor esta diferença crítica, consulta a página da Biblioteca UENP sobre Resumos ABNT NBR 6028:2021.

Em 2021, a norma ABNT NBR 6028 foi actualizada com directrizes mais claras. O essencial que precisas saber:

  • Extensão: 150 a 500 palavras para trabalhos académicos
  • Formato: Parágrafo único, sem recuo na primeira linha
  • Linguagem: Terceira pessoa do singular ou voz passiva
  • Palavras-chave: Separadas por ponto e vírgula, iniciando com maiúscula

Os 5 Erros Fatais na Elaboração de Resumos

Depois de analisar centenas de resumos de teses — alguns aprovados com distinção, outros que levaram a revisões humilhantes — identifiquei cinco padrões de erro que se repetem obsessivamente.

Checklist dos cinco erros comuns em resumos de tese

Quais são os erros que reprovam resumos de tese?

  1. Escrever um resumo indicativo em vez de informativo
  2. Omitir resultados e conclusões principais
  3. Exceder ou não atingir a extensão adequada
  4. Usar primeira pessoa ou linguagem subjetiva
  5. Esquecer ou formatar mal as palavras-chave

Erro #1 — Resumo Indicativo Disfarçado de Informativo

Este é, de longe, o erro mais comum. E o mais traiçoeiro, porque parece correcto à primeira vista.

Exemplo de erro: “Esta tese investiga os efeitos da política fiscal expansionista na economia portuguesa. São analisados dados macroeconómicos e apresentadas conclusões sobre o tema.”

Vês o problema? Não há resultados concretos. Não há números. Não há descobertas. É uma promessa vazia.

Exemplo correcto: “Esta investigação identificou que a política fiscal expansionista implementada entre 2015 e 2023 aumentou o PIB português em 2,3% através de análise de regressão com dados trimestrais do INE. Os resultados demonstram uma correlação positiva (r=0.78) entre despesa pública e crescimento económico.”

Erro #2 — O Resumo Sem Resultados

Chamo-lhe o “resumo promessa” porque faz exactamente isso: promete que vai haver resultados interessantes… sem os revelar. Alguns doutorandos acham que devem guardar os resultados para criar suspense. Isto não é um romance policial.

A estrutura obrigatória é: Contexto → Objetivo → Metodologia → Resultados → Conclusões. Se falta qualquer elemento, o resumo está incompleto.

Erro #3 — Tamanho Errado

A NBR 6028:2021 é clara: 150 a 500 palavras. Resumos curtos demais parecem superficiais. Resumos longos demais demonstram incapacidade de síntese. A minha recomendação? Aponta para 300-400 palavras — é o sweet spot.

Erro #4 — Linguagem na Primeira Pessoa

Evita expressões como “Eu investiguei…”, “Na minha opinião…”, “Achei fascinante que…”. Opta por “Investigou-se…”, “A presente investigação analisou…”, “Os dados demonstram…”. A objectividade científica não é apenas uma preferência estilística — é um requisito epistemológico.

Erro #5 — Palavras-Chave Mal Trabalhadas

As palavras-chave são o GPS da tua investigação no mundo digital. Evita repetir palavras do título, termos demasiado genéricos como “Economia” ou “Portugal”, e formatação incorrecta. Boas palavras-chave cobrem: tema central específico, metodologia utilizada, área disciplinar e contexto relevante.


O Resumo Como Ferramenta de Visibilidade Académica

Representação da visibilidade académica e descoberta digital de investigações

O mundo académico de 2025 não é o de 2015. Pensa no Google Scholar, no RCAAP, no Scopus. Quando alguém pesquisa um tema relacionado com a tua investigação, o que aparece? O título e o resumo. É isso.

Se o teu resumo não contém as palavras-chave certas, não apareces. Se apareces mas o resumo é vago, ninguém clica. Se clicam mas não encontram resultados claros, não citam. Isto chama-se SEO académico — e é uma competência que distingue investigadores visíveis de investigadores invisíveis.

A maioria das universidades portuguesas já exige, além do resumo em português, um abstract em inglês. E aqui surge outro problema comum: traduções automáticas desastrosas. O abstract deve ser consistente com o resumo em termos de conteúdo, mas não uma tradução literal. Deve soar natural em inglês académico.

Se ainda estás na fase inicial da escrita, consulta o nosso guia de Escrita de Tese de Doutoramento para Iniciantes.


Como Alinhar o Resumo Com a Estrutura da Tua Tese

Aqui está um insight que poucos partilham: o resumo é um espelho da estrutura da tese. Se um está desalinhado, o outro provavelmente também está.

Correspondência entre as secções do resumo e os capítulos da tese

Cada secção do resumo corresponde directamente a um capítulo:

Elemento do Resumo Capítulo Correspondente
Contexto/Problema Introdução
Objetivo Questões de Investigação
Metodologia Metodologia
Resultados Análise/Discussão
Conclusões Conclusões

Se consegues preencher esta tabela facilmente, o teu resumo está no caminho certo. Se tens dificuldade em algum elemento, é sinal de que o capítulo correspondente precisa de trabalho.

🔗 Se o teu resumo está confuso, é muito provável que a estrutura da tua tese também esteja. Descobre os 7 Erros Fatais na Estrutura de Tese de Doutoramento.

Aqui está um erro táctivo que vejo constantemente: doutorandos que escrevem o resumo no início, como uma espécie de plano. Não faças isto. O resumo deve ser a última coisa que escreves. Só depois de teres todos os capítulos finalizados é que consegues realmente sintetizar o que fizeste, encontraste e concluíste.


Aprende a Sintetizar Como Um Profissional

Antes de escreveres o teu resumo, domina a arte da síntese. A capacidade de condensar ideias complexas sem perder a essência é uma competência que poucos desenvolvem adequadamente.

🎬 O Professor Noslen explica de forma clara e prática como fazer um resumo eficaz:

Embora o vídeo aborde resumos de forma geral, as técnicas de síntese apresentadas são directamente aplicáveis à elaboração de resumos para teses de doutoramento.


Checklist Final — Valida Antes de Submeter

Antes de submeteres a tua tese, passa o resumo por esta checklist. Cada item não marcado é um risco potencial.

Checklist de Validação:

  • ☐ É informativo (inclui resultados e conclusões concretas)?
  • ☐ Tem entre 150 e 500 palavras?
  • ☐ Está escrito em parágrafo único?
  • ☐ Usa terceira pessoa ou voz passiva?
  • ☐ Inclui 3-5 palavras-chave separadas por ponto e vírgula?
  • ☐ As palavras-chave começam com maiúscula?
  • ☐ O abstract em inglês está consistente com o resumo?
  • ☐ Cada secção corresponde aos capítulos da tese?

O resumo pode parecer um detalhe menor comparado com os anos de investigação que fizeste. Mas lembra-te: é a primeira impressão que o júri terá do teu trabalho. E as primeiras impressões, como sabemos, raramente se apagam.

Dedica-lhe o tempo e a atenção que merece. A tua tese — e os teus quatro anos de trabalho — agradecem.


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