Imagina abrir o email da tua universidade e deparar-te com um alerta vermelho a dizer que a tua tese foi sinalizada por uso de inteligência artificial. O pânico é imediato. O coração dispara. E a pergunta que te consome é: “Mas eu nem usei IA… ou usei?”
Se esta situação te parece familiar ou simplesmente te assusta, não estás sozinho. Milhares de estudantes universitários em Portugal vivem este pesadelo silencioso enquanto terminam as suas dissertações. E aqui está o problema: a maioria não sabe o que realmente acontece quando uma tese passa pelos detectores de inteligência artificial.
Segundo um estudo publicado no International Journal for Educational Integrity, a precisão dos detectores de IA varia drasticamente — e as taxas de falsos positivos são muito mais elevadas do que imaginas. Isto significa que podes ser sinalizado mesmo sem nunca teres aberto o ChatGPT.
O que é a detecção de IA em teses?
A detecção de inteligência artificial em teses acadêmicas é o processo de análise algorítmica que identifica padrões de escrita característicos de modelos de linguagem como o ChatGPT. Em 2025, ferramentas como o Turnitin analisam a “perplexidade” e “burstiness” do texto, mas apresentam limitações significativas que podem gerar falsos positivos.
Neste artigo, vais descobrir o que as universidades sabem (e não te dizem) sobre a detecção de inteligência artificial em teses acadêmicas. Vamos basear-nos em fontes oficiais — desde a documentação do próprio Turnitin até estudos peer-reviewed e a decisão surpreendente da OpenAI de descontinuar o seu detector.
Prepara-te, porque algumas destas verdades vão mudar completamente a forma como olhas para o processo de entrega da tua tese. E mais importante: vão dar-te as ferramentas para te protegeres.
Para uma leitura ainda mais aprofundada sobre este tema, consulta o nosso artigo completo sobre deteção de IA em teses académicas portuguesas em 2025.
Como Funcionam os Detectores de IA nas Universidades Portuguesas
Antes de entrares em pânico com qualquer percentagem no relatório, precisas de entender exatamente o que acontece quando a tua tese é analisada. Spoiler: não é magia negra — é matemática. E matemática com muitas limitações.

Os detectores de IA funcionam analisando dois conceitos principais que podes não conhecer, mas que vão definir o teu destino académico:
- Perplexidade: Mede quão “previsível” é cada palavra no teu texto. Se a IA consegue adivinhar facilmente a próxima palavra, o texto é classificado como “demasiado suave” — característica típica de conteúdo gerado automaticamente.
- Burstiness: Analisa a variação no comprimento e estrutura das frases. Humanos escrevem de forma mais irregular — ora frases curtas, ora parágrafos longos. A IA tende a ser mais uniforme.
Pensa assim: se escrevesses uma carta de amor, provavelmente terias frases emocionais curtas misturadas com declarações extensas e apaixonadas. A IA? Manteria um padrão quase robótico. É esta “assinatura estatística” que os detectores procuram.
📌 Fonte Oficial: Segundo a documentação do Turnitin, o indicador de IA “não deve ser utilizado como única base para decisões disciplinares” — uma admissão de limitações que muitos professores desconhecem.
Há uma diferença crucial que poucos estudantes compreendem: o “Similarity Score” (índice de plágio tradicional) e o “AI Writing Indicator” são coisas completamente distintas.
O primeiro compara o teu texto com bases de dados de trabalhos existentes. O segundo analisa padrões estatísticos internos do próprio texto. Podes ter 0% de similaridade e ainda assim ser sinalizado por IA — ou o contrário.
Para entenderes melhor como interpretar estes relatórios, a documentação oficial do Turnitin explica as diferentes faixas de confiança e quando o sistema tem “certeza” versus quando é apenas uma “suspeita”.
🎥 Demonstração: Como Funciona a Detecção de IA do Turnitin
Para visualizares na prática como funciona esta análise, recomendamos assistir à demonstração oficial disponibilizada pelo Turnitin:
Ver demonstração no site oficial do Turnitin →
Este vídeo mostra exatamente o que o teu professor vê quando analisa o relatório da tua tese.
Queres saber mais sobre o que os professores realmente veem? O artigo sobre IA Antiplágio na Faculdade: 5 Segredos revela detalhes que podem surpreender-te.
- Medem a “perplexidade” — quão previsível é cada palavra
- Avaliam a “burstiness” — variação no comprimento das frases
- Comparam padrões com modelos conhecidos (GPT-3.5, GPT-4)
- Geram uma percentagem de probabilidade (não uma certeza)
- Destacam secções específicas suspeitas no relatório
O Estado Real da Detecção de IA em 2025: Dados Que Vão Surpreender-te
Agora que entendes a mecânica, vamos ao que realmente importa: estes sistemas funcionam? A resposta é complicada — e os dados científicos são muito menos tranquilizadores do que as universidades gostariam.
📊 Um estudo publicado no International Journal for Educational Integrity demonstrou que a precisão dos detectores varia drasticamente conforme o modelo gerador — com taxas de falsos positivos que chegam a comprometer a fiabilidade em contextos disciplinares.
E aqui está o facto mais revelador de todos:
💡 Facto revelador: Em julho de 2023, a OpenAI descontinuou o seu próprio detector de IA devido à “baixa taxa de precisão”. Se nem a criadora do ChatGPT consegue detetar o seu próprio produto com fiabilidade, quem consegue? Fonte: TechCrunch
Investigadores da Universidade de Maryland publicaram um estudo devastador sobre a fragilidade destes sistemas. O artigo “Can AI-Generated Text be Reliably Detected?” demonstra que simples técnicas de paráfrase podem derrubar completamente a detecção.
Traduzindo: se alguém reescrever levemente um texto gerado por IA, os detectores perdem a capacidade de o identificar. E o mais preocupante? O inverso também acontece — texto genuinamente humano pode ser classificado como artificial após certas edições.
Em Portugal, a situação é ainda mais nebulosa. A Universidade de Lisboa, a Universidade do Porto e a Universidade de Coimbra têm abordagens diferentes — e nem sempre transparentes.
Para um olhar específico sobre a realidade lisboeta, consulta o artigo Universidade de Lisboa Deteta IA nas Teses? Verdade 2025. E se quiseres evitar os erros mais comuns, o guia sobre 5 Erros de Estudantes na ULisboa é leitura obrigatória.
| Detector | Taxa de Precisão Média | Falsos Positivos | Notas |
|---|---|---|---|
| Turnitin AI | 80-98%* | 1-3% | *Varia por tipo de texto |
| GPTZero | 75-90% | 5-10% | Menos fiável em textos académicos |
| Copyleaks | 70-85% | 8-15% | Mais falsos positivos em português |
| OpenAI Classifier | Descontinuado | N/A | “Baixa precisão” |
Dados compilados de estudos peer-reviewed e documentação oficial
5 Verdades Ocultas Sobre Detecção de IA Que Podem Mudar a Tua Perspetiva
Chegamos ao coração deste artigo. Estas são as verdades que provavelmente nenhum professor te vai contar — não por má vontade, mas porque muitos simplesmente desconhecem as limitações dos sistemas que utilizam.

Verdade #1: O Teu Texto Pode Ser Sinalizado Mesmo Sem Usar IA
Este é provavelmente o facto mais perturbador de todos. Falsos positivos existem, e não são raros.
Alguns tipos de escrita têm maior probabilidade de disparar alertas injustos:
- Textos muito técnicos ou formulaicos — dissertações em áreas como engenharia ou direito, com linguagem padronizada
- Traduções — se traduziste conteúdo de outras línguas, o padrão pode parecer “artificial”
- Escrita de não-nativos — estudantes internacionais são particularmente vulneráveis
- Textos muito revisados e polidos — ironicamente, quanto mais “perfeito”, mais suspeito
Para evitares surpresas desagradáveis, consulta o artigo sobre 5 erros que podem reprovar-te e aprende a identificar padrões problemáticos antes da entrega.
Verdade #2: A Percentagem de IA Não é Uma Sentença
Recebeste um relatório com 25% de “conteúdo potencialmente gerado por IA”? Antes de entrares em desespero, entende o que isso realmente significa.
Os detectores trabalham com probabilidades, não certezas. Uma percentagem de 20% não significa que 20% do teu texto foi escrito por uma máquina. Significa que, estatisticamente, há padrões nessa porção que se assemelham a texto gerado por IA.
O próprio Turnitin reconhece “zonas de incerteza” onde a confiança do sistema é baixa. Para entenderes melhor estes limites, o artigo sobre limites éticos e percentagens permitidas oferece clareza essencial.
Verdade #3: A Transparência Pode Ser a Tua Melhor Defesa

Aqui está uma reviravolta que poucos consideram: declarar o uso de IA proativamente pode proteger-te mais do que escondê-lo.
Cada vez mais universidades portuguesas estão a criar políticas de “disclosure” — onde estudantes podem declarar que utilizaram ferramentas de IA para assistência específica (brainstorming, revisão gramatical, formatação). Esta transparência demonstra integridade e pode diferenciá-lo de quem tenta enganar o sistema.
Descobre mais sobre como navegar estas políticas no artigo Transparência no Uso de IA Académica: 5 Verdades Ocultas.
Verdade #4: Os Professores Veem Mais Do Que Tu Pensas (Mas Menos Do Que Tu Receias)
O relatório que o teu orientador recebe é diferente da versão simplificada que podes visualizar como estudante. Eles veem secções destacadas, níveis de confiança por parágrafo e histórico de comparações.
No entanto — e isto é crucial — a maioria dos professores não tem formação específica para interpretar estes relatórios. Muitos não conhecem as limitações técnicas que discutimos neste artigo.
Isto pode jogar a teu favor ou contra ti, dependendo de como preparares a tua defesa. O artigo sobre IA Antiplágio na Universidade: 5 Segredos Revelados detalha exactamente o que aparece em cada relatório.
Verdade #5: Os Erros Mais Comuns São Evitáveis
Há padrões de uso de IA que praticamente garantem detecção. E a boa notícia? São facilmente evitáveis quando os conheces.
Os erros fatais incluem: usar texto gerado sem qualquer edição, manter estruturas de prompt visíveis, e ter inconsistência de tom entre secções. Para uma análise detalhada, consulta Erros Fatais ao Usar IA na Tese.
Qual é a verdade oculta sobre detecção de IA nas teses em 2025?
A principal verdade oculta é que os detectores de inteligência artificial em teses acadêmicas não são provas definitivas, mas indicadores probabilísticos. Segundo a documentação oficial do Turnitin e estudos peer-reviewed, estas ferramentas apresentam taxas significativas de falsos positivos e não devem ser usadas como única base para decisões disciplinares. A transparência sobre o uso assistido de IA e o conhecimento das limitações dos sistemas são as melhores defesas para estudantes em 2025.
O Futuro da Detecção de IA nas Teses: O Que Esperar Até 2026
Se achas que 2025 já é complicado, prepara-te: a corrida armamentista entre geradores e detectores de IA está apenas a começar.

Watermarking de texto é a grande aposta das empresas de IA. A ideia é “marcar” o texto gerado com padrões invisíveis ao olho humano mas detectáveis por algoritmos. Parece promissor, certo?
O problema, como demonstra o estudo da Universidade de Maryland, é que qualquer watermark pode ser removido com técnicas de paráfrase. É como marcar água com corante — funciona até alguém filtrar.
IA a detetar IA é outra tendência. Sistemas cada vez mais sofisticados a tentar apanhar sistemas cada vez mais sofisticados. Uma corrida sem fim previsível.
Há dois movimentos paralelos em Portugal e na Europa:
- “Tolerância zero” — algumas instituições a banir qualquer uso de IA generativa
- “Uso ético e declarado” — outras a criar frameworks para integração responsável
A tendência internacional aponta para a segunda opção. Universidades como Stanford e Cambridge já publicaram guidelines detalhados sobre uso aceitável de IA — e Portugal tende a seguir este modelo nos próximos anos.
Independentemente de como evolui a tecnologia, há práticas que te protegerão sempre:
- Documenta o teu processo de escrita — guarda rascunhos, notas, históricos de versões
- Mantém registos de pesquisa — fontes consultadas, datas, raciocínio
- Desenvolve a tua voz autoral — quanto mais único o teu estilo, mais fácil provar autoria
Para uma preparação completa, o Guia AI Antiplágio 2025 para Estudantes Portugueses é o recurso mais abrangente disponível.
Protege a Tua Tese: O Próximo Passo Essencial
Chegaste até aqui porque te preocupas com a tua tese. E essa preocupação é sinal de maturidade académica. Agora, transforma preocupação em ação.
5 Ações Imediatas Que Podes Tomar Hoje:
- Conhece as políticas da tua universidade — procura o regulamento específico sobre IA e integridade académica
- Considera declarar uso assistido de IA proativamente — se usaste para qualquer tarefa, mesmo revisão, declara
- Revisa secções que pareçam “demasiado perfeitas” — adiciona a tua voz, exemplos pessoais, imperfeições humanas
- Mantém rascunhos e histórico de escrita — são a tua prova de autoria em caso de contestação
- Valida a tua tese antes da entrega — não deixes a descoberta de problemas para o dia da defesa
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